Não, eu não queria te dizer que neste instante as coisas não estão nem um pouco como uma vez estiveram. Há algo de muito modificado, de outro e também pois de um para o outro. Mas sequer é tempo de mudança, já te digo. Sei bem como você gosta dos meus dizeres obscuros, subscônditos numa névoa da qual meu pensamento precisa se entorpecer. E então é que venho a te dizer: estamos distantes daquele tempo no interior do qual saberíamos precisamente o que mudar. Existe apenas algo trazido pela chuva carinhosa desses dias falsamente tristes e que insistem em chorar sobre nós.
Na carne de nosso corpo ambos vestimos agora outra pele. Estranhamos. Não foi descuido; não necessariamente. Por bem, ensaiamos o estranhamento uma vez que nos entranhamos mais e mais até percebermos na carne do corpo a outra pele.
Acaso pudesse te falar exatamente o que ocorreu não diria, e sim melhoraria em mim o pensamento enevoado de modo a não ser quem já tanto sou aqui. Acontece que você é quem mais sabe que eu nunca deixo de ser o que vivo e abraço bem todas as conseqüências disso. Afinal, lembro de você me alertar primevamente dessa minha escravidão tão teimosa de mim. Todavia você está como tanto quis. Ao menos isso é o que sua boca sopra para mim. E assim você é agora tão de si mesma que eu mal sei a quem escrevo.
Se te escrevo é, aliás, para te perder definitivamente. Não nos culpemos mais. Deixemos que essa perda seja um ato de reatar. Nunca vimos juntos Casa Blanca, mas ali está uma perda cinematográfica que diz esse ato que não consigo designar.
Apreenderemos na inocência desapegada de quem realmente quer ao outro. Eis, portanto, nosso entreato cênico entranhado e todo ele denso.
Não há mais promessa alguma. Assim despedimos os dois da falsa calmaria e no lugar dela anfitriaremos uma calmaria mais sã de si e com a visita dela aprenderemos a desfrutar o verdadeiro sabor que tanto admiramos provando a carne corpórea que nos dávamos molhados por chuvas passadas.
Lavemos agora nosso corpo e limpemos toda nossa pele.
Deixemos de lado a carne, pois essa é bastante profunda para que a água desse instante venha a limpar tantas máculas ainda mais subterrâneas sob a espessura muscular da carne.
Sei que a palavra mácula te assusta. Talvez você pedisse algo mais leve, possível de apagar qual hematomas que depois de dois ou três dias não deixam mais sinal algum. Acontece que a infâmia da palavra algo suja vem oportunamente a manchar tudo o que gostaria de dizer na sua carne. E por isso não busco por outra, capaz de atenuar o que quero necessariamente indelével sobrescrito tanto em mim quanto em você.
Sua dança começa a ensaiar outros ritmos. Minha musicalidade, outras vibrações e então absorve outros grooves e beats. Não vou mentir dizendo que antes éramos pares indistintos nisso tudo que nos embala. Nunca fomos; e dizê-lo seria bestializarmo-nos desenhando qualquer romantismo careta na sonoridade a que nos enlaçávamos em movimento. A dançarina, de todos os modos, já escolhe seu próprio tema, ao passo que o disc jockey toca sem procurar alguém em especial na pista e apenas acende mais um cigarro.
Resta, sim, todo o afeto. Como não?
Mas dizer que neste instante as coisas estão como estiveram seria escolher mal a música desses tempos. E a dança seria vexativa, atabalhoada.
Nunca dançaremos assim, promete? Jamais escolherei mal o tema, te prometo.
Melhor, nada de promessas... já ia me esquecendo. Antes, surgirá uma música nova ao embalo da qual dançaremos de um modo bem diferente e que não deixe mais marcas na carne.
E, assim, as peles novas não se ferirão na carne e apenas acalentaram os corpos em movimento.
Acho que chuva parou um instante, parece. Desconfio e irei até a janela conferir, pois temo que não tenha mesmo parado. Sempre tive tanto medo de não poder ouvi-la caindo através de seu choro mais mansinho que preciso tirar a prova com os olhos ou estendendo a mão um pouco para fora da janela e sentir finamente as últimas gotas acharem leito entre meus dedos desconfiados.
Quando eu enfim retornar dessa tão breve viagem que faço da minha mesinha-de-quarto até janela já não saberei mais quem é você que já não é mais o que foi para mim e uma vez eu achei poder saber. E então me desligarei de tudo isso que escrevo, pois não é mais para você.
Nessa chuva carinhosa que tenta me enganar ainda parece haver algo trazido pelos dias falsamente tristes e que tanto insistem em chorar durante os princípios do ano que mal começou a vir.
E tudo isso é apenas o que esses dias ainda irão chorar.
D.
Na carne de nosso corpo ambos vestimos agora outra pele. Estranhamos. Não foi descuido; não necessariamente. Por bem, ensaiamos o estranhamento uma vez que nos entranhamos mais e mais até percebermos na carne do corpo a outra pele.
Acaso pudesse te falar exatamente o que ocorreu não diria, e sim melhoraria em mim o pensamento enevoado de modo a não ser quem já tanto sou aqui. Acontece que você é quem mais sabe que eu nunca deixo de ser o que vivo e abraço bem todas as conseqüências disso. Afinal, lembro de você me alertar primevamente dessa minha escravidão tão teimosa de mim. Todavia você está como tanto quis. Ao menos isso é o que sua boca sopra para mim. E assim você é agora tão de si mesma que eu mal sei a quem escrevo.
Se te escrevo é, aliás, para te perder definitivamente. Não nos culpemos mais. Deixemos que essa perda seja um ato de reatar. Nunca vimos juntos Casa Blanca, mas ali está uma perda cinematográfica que diz esse ato que não consigo designar.
Apreenderemos na inocência desapegada de quem realmente quer ao outro. Eis, portanto, nosso entreato cênico entranhado e todo ele denso.
Não há mais promessa alguma. Assim despedimos os dois da falsa calmaria e no lugar dela anfitriaremos uma calmaria mais sã de si e com a visita dela aprenderemos a desfrutar o verdadeiro sabor que tanto admiramos provando a carne corpórea que nos dávamos molhados por chuvas passadas.
Lavemos agora nosso corpo e limpemos toda nossa pele.
Deixemos de lado a carne, pois essa é bastante profunda para que a água desse instante venha a limpar tantas máculas ainda mais subterrâneas sob a espessura muscular da carne.
Sei que a palavra mácula te assusta. Talvez você pedisse algo mais leve, possível de apagar qual hematomas que depois de dois ou três dias não deixam mais sinal algum. Acontece que a infâmia da palavra algo suja vem oportunamente a manchar tudo o que gostaria de dizer na sua carne. E por isso não busco por outra, capaz de atenuar o que quero necessariamente indelével sobrescrito tanto em mim quanto em você.
Sua dança começa a ensaiar outros ritmos. Minha musicalidade, outras vibrações e então absorve outros grooves e beats. Não vou mentir dizendo que antes éramos pares indistintos nisso tudo que nos embala. Nunca fomos; e dizê-lo seria bestializarmo-nos desenhando qualquer romantismo careta na sonoridade a que nos enlaçávamos em movimento. A dançarina, de todos os modos, já escolhe seu próprio tema, ao passo que o disc jockey toca sem procurar alguém em especial na pista e apenas acende mais um cigarro.
Resta, sim, todo o afeto. Como não?
Mas dizer que neste instante as coisas estão como estiveram seria escolher mal a música desses tempos. E a dança seria vexativa, atabalhoada.
Nunca dançaremos assim, promete? Jamais escolherei mal o tema, te prometo.
Melhor, nada de promessas... já ia me esquecendo. Antes, surgirá uma música nova ao embalo da qual dançaremos de um modo bem diferente e que não deixe mais marcas na carne.
E, assim, as peles novas não se ferirão na carne e apenas acalentaram os corpos em movimento.
Acho que chuva parou um instante, parece. Desconfio e irei até a janela conferir, pois temo que não tenha mesmo parado. Sempre tive tanto medo de não poder ouvi-la caindo através de seu choro mais mansinho que preciso tirar a prova com os olhos ou estendendo a mão um pouco para fora da janela e sentir finamente as últimas gotas acharem leito entre meus dedos desconfiados.
Quando eu enfim retornar dessa tão breve viagem que faço da minha mesinha-de-quarto até janela já não saberei mais quem é você que já não é mais o que foi para mim e uma vez eu achei poder saber. E então me desligarei de tudo isso que escrevo, pois não é mais para você.
Nessa chuva carinhosa que tenta me enganar ainda parece haver algo trazido pelos dias falsamente tristes e que tanto insistem em chorar durante os princípios do ano que mal começou a vir.
E tudo isso é apenas o que esses dias ainda irão chorar.
D.
2 comentários:
É difícil aceitar um fim, nós sabemos. Gostaria que vc me dissesse desperadamente ao telefone, como jah o fez, ""eu te amo", e eu ser ainda aquela que não precisa temer uma nova chance. Vc está certo, mesmo que este texto não seja pra mim, é. Vi em seus olhos jah há muito tempo, essa distancia. Vi que iriamos por caminhos diferentes e eu não queria. Não queria que vc deixasse de me amar. Carinho, para um amante, não é o suficiente. E eu gosto, eu gosto dos excessos, de choro ou gozo. mas detesto o que é racional, ponderado. no amor eu sou assim. talvez em tudo, mas me controlo melhor no resto.rs. Mas o fato é que eu vi e eu tentei ainda ser coquete, fazer manha, conversar, brigar, etc pra te trazer de volta. Vc tentou, vc tentou eu sei. Mas não é assim, isso não se tenta. não é?
falsamente triste esses dias pq tentavamos sentir em paz o luto que fizemos com raiva. enfim, o luto jah havia sido feito e não havia mais nada pra colocar no lugar. Sem lamentações, é assim.
Só discordo quanto as marcas. eu que sempre reclamei das mordidas. pois são outras as marcas de que falamos. lembro imediatamente da musica do joão bosco: "quem quer viver um amor e não quer suas marcas qualquer cicatriz? a ilusão, o amor não é risco na areia, desenho de giz..."
quem sabe o que a vida nos prepara?
podemos nos despedir sim, nossos olhos jah nos dizem que estamos inevitalmente afastados. jah sofri e chorei por isso e hj, hj tenho dó, por nós. quando leio nossos e-mails antigos, parece um sonho. tenho dó. vontade de vltar àquilo, mas enfim, estamos mesmo em caminhos muito diferentes. Não foi por acaso que vc teve que "escolher" entre continuar comigo ou seguir com outrs amigos... e vc os escolheu. Jah haviams nos escolhido antes, mas o amor talvez não fosse suficiente mais. Isso, eu sei, é pq sou romantica nesse ponto.
enfim... deu e não deu certo. sabemos que vivemos ainda ago semelhante, este momento. confuso, falsamente triste talvez, claro por outro lado.
segue teu ritmo, eu sigo no meu, quem sabe um dia nos cruzaremos em maior sontonia? e que os olhares sejam novamente cheios de alegria em nos vermos.
abraço
mais uma coisa: a proxima vez que nos encontrarmos, sendo logo ao daqui a semanas, meses ou anos...rs
gravei pra vc "Carmen de Godard" e "Fay Grim".Irei te entregar.
me manda esse texto por e-mail?
achei ele bonito demais, queria guardar...
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