sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

A maquinagem de uma Rayuel - O - Matic




Cada letra que então principio desfiar a partir daqui, seja a narrativa sobrescrita integralmente verdadeira, integralmente ficcional, entretece acontecimentos de a pouco mais de um ano, tempo em que eu esperava com os olhos bêbados ao calendário, contando os dias para a volta de Sibelle. (Na verdade, a Sibelle, ou a quem assim chamo, é Lavigna.) Quando da sua partida havíamos combinado algo para o retorno, que era nosso prazer literário a ser consumado enfim. Dizer como a conheci, o que falamos pela primeira vez e o que mais a impressionou em mim ou o que mais me atraiu nela, tudo isso é de imediato dispensável e se perceberá quando o prosseguimento destas linhas já for capaz de trazer-nos à vida através das palavras que vão exatamente constituir o que nos tornamos neste desenho das letras sobre a superfície da página.

Eu estava bastante ansioso por revê-la. Não sabia se ela estaria igualmente ansiosa. Era preciso que estivesse; que lembrasse do nosso combinado e que voltasse preparada para executarmos algo que, então outra vez, nos cobrava em reunião. Toda minha ansiedade revelava o tempo através do qual nossas conversas foram perdendo a cor forte e quente que tinham antes da viagem. Há pouco mais de um ano ela estava longe, e de início, semana à semana, trocávamos extensos os e-mails com as novidades. Depois ficamos no mês a mês das notícias, pois eu repetia quase sempre as mesmas coisas que me entediavam sempre e ela sempre me escrevia coisas memoráveis de sua vida atual e distante. Eu invejava, embora também torcesse para que tudo permanecesse indo muito certo. Mas invejava, e ficava um tanto puto comigo mesmo e com minhas novidades repetidas, porque inventadas ou às vezes supervalorizadas por falta do que dizer. Era uma competição bastante desleal, pois ela estava num país estrangeiro e eu, aqui, envolto numa rotina que ela bem conhecia desde a partida.

Acontece que esse período durante o qual a Sibelle estivera fora, agora, chegava a término. E eu não mais precisava inventar coisas a dizer, pois faríamos essas coisas juntos como nos velhos tempos. (Digo velhos tempos, pois a expressão bastante surrada parece bem condizente com a perturbação que se alojou em mim desde que ela se fora.) Eu mal recebera o telefonema confirmando o horário de desembarque e disse que a pegaria no aeroporto; que esperasse por mim. Ela aprovou e comentou que, do contrário, eu estaria mesmo ferrado! Isso me alegrou bastante e, ainda, permitiu justamente medir, na voz dela, toda a minha ansiedade. Bem, era como se já confirmasse que tudo realmente estava na mesma página em que paramos o livro de nossa vida. Que, claro, haveria apêndices nestas histórias, mas que voltaríamos juntos a nos escrever numa mesma página e período deste livro que é nossa vida, sem precisarmos de longos devaneios narrativos para que enfim nos encontrássemos novamente tocados por cada uma das palavras traçadas na viva escritura de nossa pele.

E todo aquele tempo passado era como se me fizesse a cada dia mais perto. Reuniam-se em meu peito as mais sinceras saudades e os mais alentosos amores, acrescidos de uma vida inteira e involuntariamente desbotada pela memória. Fora preciso ir me distanciando cada vez mais. Sentir que estava longe. Revelar assim a aceitação que precisava tomar por minha. Por isso o tempo que ia passando ajudava. Eu não fizera por maldade, mas passei a mandar notícias com menos freqüência. Depois que os telefonemas deixaram de ser trocados, fora realmente preciso responder mais demoradamente a cada e-mail que chegava. Pensar muito bem acerca da distância que me embrulhava como um presente desviado. Conquanto sem nunca esquecê-lo, pois que jamais se esqueceria de mim. Eu sabia. E sabia também ele, tomando dos meus lábios as palavras que eram só por ele: "eu nunca poderei esquecê-lo em mim". Sabíamos nós, reciprocamente.

Quando liguei avisando da minha volta, esperava que ele fosse me buscar. Seria bom revê-lo antes que qualquer outra pessoa. Medir a saudade que trazia junto comigo na força do abraço dele. E, abraçando-me ao corpo dele, sentir minha saudade acolhida nos seus braços; reavaliar os afetos e ter certeza da certeza que viajara comigo desde a ida para jamais me abandonar e, agora, ser transfigurada uma vez mais em certeza.

Perder toda a raiva ao ter meu nome propositalmente confundido pela Sibelle, que nunca fui. E rir desses tempos em que assim se acostumava em gostar do nome pelo qual fazia ironicamente chamar-me. Medir tanta euforia ao falar das coisas vividas durante o tempo fora e não o perturbar com coisas assim. Porém contar tudo minuciosamente detalhado e revelar minha experiência assimilada nos estudos levados a cabo e tudo mais que se recolhera em mim. Certamente ele viria com uma camisa preta, escolhida meio a tantas outras pretas que tinha. Era assim a sua busca sóbria e obscura por classe, mediante verdadeira neutralização de exageros. E seus tênis elegantemente surrados por guardarem em si pedaços de todos os caminhos percorridos durante parte da vida. Eu sempre admirara, embora jamais pudesse eximir de mim qualquer deboche quando isso favorecia em discussões.

Quando nos encontramos no aeroporto as coisas não perderam a força e tampouco o brilho, anteriormente atribuídos pela imaginação com que antecipamos o reencontro em nossa mente. Era como se esperássemos por isso. E, a bem da verdade, esperávamos. Mas não como quem espera por uma carta, não como quem espera por uma data no calendário e assim concentra-se tanto na espera que, quando chega, não há mais desejo por conta de o tempo de espera ter por si só exaurido a magia da revelação em que a espera se cristaliza. Todavia esperávamos pela revelação irrevelável, que de pouco e pouco vai se revelando e revelando-se em outra revelação que se adianta a cristalização por revelar-se, até se perder diante de um sopro que a leva ao infinitamente irrevelável. Pois que assim esperávamos qual quem espera pelo mistério, que na iminência da revelação reconfigura-se incompreensivelmente em mistério outra vez e mais para ser novamente tomado por objeto de fé. Pois que assim esperar era nossa fé, nossa religião. Pois que nela comungávamos nossa saudade e todo o afeto que guardávamos.

Algum tempo havia passado - isso era certo tanto em um quanto no outro, bem como no amor dos amantes dessa fé amorosa - e eles jamais se arrependeram de esperar. Tomaram-se nos braços e, novamente abraçados pela vida, saudaram toda dívida na proximidade que agora novamente os dispunha numa mesma paginação narrativa. Configuraram, então, as frases ora de carinho, ora de sarcasmo, ora de confluência e confissão e também por ora variáveis em todas essas tonalidades, de modo a nunca saturar em tédio obsoleto toda a muita conversa que tinham por compartilhar. Palavra por palavra reescreviam vívido o amor a cada toque da pele. E a cada abraço do corpo ambos assinávamos a táctil letra na prosa amada que, da mesma forma riscada em nós, reúne a pleno verso consumado o texto corpóreo através do qual escrevemos o amor.

Tínhamos em comum o nosso prazer literário. E precisávamos recompô-lo, pois também por isso esperávamos. Algo simples, entretanto um pouco engenhoso. Nada original, mas como mencionado, requeria sim alguma engenhosidade. E passamos algum tempo elaborando toda uma sorte de diagramas e desenhos a fim de consolidar nosso projeto. Queríamos (igual a Juan Esteban Fassio) uma “máquina célibe”. Mas com algum diferencial, pois não queríamos somente uma máquina para a montagem dos fragmentos, uma possibilidade de construir uma máquina ordenadora de leitura. Queríamos roubar-lhe a idéia e transformá-la em nossa. Queríamos acrescer-lhe de uns poucos detalhes. Queríamos uma ordenação do prazer literário vinculado ao musical.

Desempenharíamos nosso projeto da seguinte forma: reuniríamos na máquina alguns textos, e alguns álbuns musicais que acompanhariam a leitura. Era como se quiséssemos fazer trilha sonora para nosso prazer literário. Elencamos, então, os esboços de nosso projeto e começamos a imaginá-lo na máquina.

Inicialmente pensamos em álbuns inteiros acompanhando a leitura. Queríamos depois passar a algo mais pretensioso que isso, e no caso de leituras mais longas, qual os romances já pouco lidos, imaginaríamos a música ideal para cada capítulo, para cada sentença. (Pensamos também em vencer tecnologicamente os concorrentes contemporâneos da leitura na página de papel para quando o protótipo de nosso mecanismo estive mais adiantando, porém) A idéia se aproximou a uma sui generis jukebox e assim nos parecia simples a engenhosidade do projeto.

Eu sabia que ele escolheria o mesmo livro que eu, Rayuela, pois o livro por ele escolhido, sabia eu, seria também o mesmo escolhido por ele. Não por uma empatia, pois ela também tinha por seu aquele que era o meu livro de cabeceira. Tínhamos o mesmo livro preferido, e a partir do qual a idéia da máquina foi apreciada por nossa leitura em comum. Tal acertamento egótico, dessa forma, permitia a idéia em co-autoria. Era uma obra engenhosa, uma "caixa" fantástica em que a letra se estendia à concepção de livro e instalava-se deslumbrantemente em uma totalidade do conceito de romance, pois a concepção de livro era também a letra que precisava seguir sendo escrita, configurando-se em reconfigurações que passavam da escritura ao livro até não mais se permitir à dissociação dos conceitos. Restava portanto chamá-lo de “obra”. Em nosso caso, ainda mais que isso, pois, segundo o acolhimento de nossa fruição literária, era a Magnum opus.

Porém o nosso mecanismo não se reservaria a qualquer originalidade, pois que apenas gostaríamos de acrescer musicalidade à engenhosa tarefa. Tomamos por partida o modelo de Fassio, para a Rayuela. Tal modelo (embora o argentino ainda assimilasse em seu projeto outras formas variáveis e possíveis, haja vista que à uma das quais se acresceria até mesmo uma cama de leitura ao móvel específico da máquina) configurava uma caixinha retangular muito próxima ao design dos rádios dos anos 1950, todavia um pouco maior e que então ganhava ares da mobília do lar. Era constituído por cinco colunas de gavetas verticais, em cujo interior estariam distribuídos o capítulos do engenhoso livro de Cortázar. Mais abaixo destas colunas, e numa posição horizontal no móvel-máquina, também cinco botões identificados pelas letras A, B, C, D, E, F, os quais operariam a reconfiguração da leitura. Segundo escreveu o próprio Julio, o mecanismo de Fassio poderia ser entendido como se segue:

  1. – Inicia el funcionamiento a partir del capítulo 73 ( sale la gaveta 73); al cerrarse ésta se abre la N° 1, así sucesivamene. Si se desea interrumpir la lectura, por ejemplo en mitad del capítulo 16, debe apretarse el botón antes de cerrar esta gaveta.
  2. – Cuando se quiera reiniciar la lectura a partir del momento en que se ha interrumpido, bastará apretar este botón y reaparecerá la gaveta N° 16, continuándose el proceso.
  3. – Suelta todo los resortes, de manera que pueda elergise cualquier gaveta con sólo tirar de la perilla. Deja de funcionar el sistema eléctrico.
  4. – Botón destinado a la lectura del Primer Libro, es decir, del capitulo 1 al 56 de corrido. Al cerrar la gaveta N°1, se abre la N° 2, y así sucesivamente.
  5. - Botón para interrumpir el funcionamiento en el momento que se quiera, una vez llegado al circuito final: 58 – 131 – 50 – 131 – 58, ectcétera.
  6. – En el modelo con cama, este botón abre la parte inferior, quedando la cama parada.

Roubar a idéia do projeto de Fassio em nada nos incomodava. Ao que parece, o próprio Fassio teria feito o mesmo com a idéia de Marcel Duchamp, que por sua vez recolheu em Mallarmé algumas idéias, tomando-as por sua enquanto marchand du sel. Acresceríamos algo, para então tomá-la por nossa em nossa vez no roubo de idéias. Não faltavam referências musicais do próprio Cortázar narrador, descrevendo as reuniões entre os membros do Club da Serpente.

Por princípio, imaginamos respeitar a intertextualidade musical da obra, mas logo desistimos. Seria apenas ajudar os ignorantes a ler pelos ouvidos a musicalidade mencionada. O que queríamos era uma máquina para nós, não ajudar a narrativa do livro mediante um impraticável melhoramento. Enfim, construir também musicalmente nossas cúmplices leituras. Compilamos para isso músicas preferidas, dentre as quais fomos às intrepretações dos irmãos Assad de alguns tangos de Piazolla; tomamos também algumas coisas do álbum Wild is the wind , da Nina Simone e outras tantas coisas mais, como a versão de Lilac Wine, do Jeff Buckley. Decidimos que “Milonga is Coming”, recolhida do álbum The New Tango, do Piazolla e Gary Burton, acompanharia a abertura do primeiro capítulo acerca da busca de Horacio pela Maga, cruzando as pontes de Paris. E fomos acertando as diversas passagens com a música mais indicada em nosso projeto da máquina. Decidimos por Hallellujah, na voz do Jeff Buckley, durante o momento em que Rocamandour morre em plena reunião do Club da Serpente - utilizaríamos um efeito de fading out para a canção reaparecer no capítulo do velório.

A parte de maior desavença foi o momento em que Horácio parece enlouquecer dentro do hospício, descendo a um lugar que parece ser o deposito e, enlouqucidamente, beija Talita que descera junto dele. Mas entre variada sorte de apostas, decidimos por I’m your man, do Cohen, porém na interpretação do Nick Cave, por nos ter parecido mais vibrante justamente no adequadíssimo leit-motiv buscado nos seguintes versos: I’ll wear a mask for you If you want a partner Take my Hand Or if you want to strike me down in anger Here I Stand I’m your man. E na seqüência novamente lançariamos mão do fading out, para usarmos outra canção do Cohen, ressurgindo em fading in, durante a conversa entre Horacio e Traveller acerca do episódio anterior: desta seria vez Bird on the wire. E, de uma vez por todas, achamos no Coltrane de A Love Supreme o tema para o circuito final da leitura, em que o tema do Trane iria repetindo-se instantaneamente com a paginação e voltando-se sempre e mais para dentro da própria obra até o completo esvanecer.

Com alguns dias preparamos toda a seleção. E deveríamos apenas acrescentar uma ordem de botões ao modelo de Fassio para a Rayuel-o-matic, uma seqüência paralela à montagem do livro, que permitisse adicionar as canções. Construímos a espécie de jukebox literária em nosso protótipo e tudo pareceu bem. Funcionou como imaginávamos, apesar da aparecia de protótipo. Daí enviamos o modelo e todas as especificações de funcionamento à oficina de amigo nosso, bem de longe mais habilitado tecnicamente para construí-lo.

Menos de uma quinzena depois tudo estava certo, para nosso maravilhamento. O protótipo de antes havia sido transformando numa bela máquina com ares de móvel e, muito mais importante, assimilava plenamente o nosso projeto e montagem do prazer literário.

Contemplamos por muito tempo a belíssima peça que idealizáramos e seguimos em nosso deleite pessoal. Encontrávamos diariamente nosso prazer e cada vez mais. Em seguida terminamos por elaborar outros projetos, de modo a não perdermos a magia daquilo. Pensamos numa máquina que conjugasse também a leitura do Quijote com um dos mais geniais e belíssimos álbuns do Miles, Scketchs of Spain. Pensamos algo com alguns textos de Walter Benjamin, usando álbuns do Kraft-Werk numa máquina para ler Das Passagen-Werk. Pensamos ainda num modelo de máquina com dispositivo para café-expresso e cigarros. Ganharíamos algum dinheiro enviando um projeto de venda aos cafés parisienses, após ganharmos mercado em Buenos Aires. Pensamos nisso tudo e em muitas outras possibilidades mais. Imaginamos livros só para fumantes e a máquina acrescida de uma fabulosa narguilé, preterivelmente alocada em detrimento da cama. Pensamos em escrever nosso próprio livro para uma máquina e parar de saquear textos para colocar junto deles nossas músicas preferidas. Mas continuar era tão tentador que adiamos mais e mais a idéia de um texto autoral, em função das escolhas musicais a serem recolhidas para o projeto de máquinas por vir.

Algum tempo passou, e veio nesta passagem a vez em que era ele quem deveria ir. E dentro de um tempo cabível, acertou sua partida que, então, estava certa. E eu ficava sempre a seu lado, aproveitando ali o tempo que ainda teríamos antes que a distância novamente nos pedisse esperar. Esperaríamos, sabíamos os dois que sim. Eu por ele, também ele por mim. De inicio, muitos telefonemas e algumas exasperadas declarações. Depois, um distanciamento necessário para a espera se cristalizar em verdadeira fé. Assimilar toda força necessária para daí nunca e jamais permitir o apagamento gradual feito em lampejo incandescente sentido também pelo peito dilatado.

É assim que cada letra que não principiarei desfiar e desafiar desd'aqui, seja a narrativa, enfim, corpus integralmente verdadeiro, integralmente ficcional, entretecerá acontecimentos de a pouco mais de um ano, tempo em que eu esperarei também com olhos bêbados ao calendário, contando meus os dias para a volta de quem partiu. Quiçá eu logre confirmar tudo isso a realmente permanecer na mesma página em que paramos o livro de nossa vida. Que, claro, haverá apêndices nestas histórias, mas que voltaremos juntos a nos escrever numa mesma página e período deste livro que é nossa vida, a despeito de longos devaneios narrativos para que nos reencontremos novamente. Quando da sua partida combinamos algo para o retorno, que era nosso prazer literário a ser enfim consumado. Dizer como o conheci, o que falamos pela primeira vez e o que mais o impressionou em mim ou o que mais me atraiu nele, tudo isso é imediatamente dispensável e se perceberá quando o prosseguimento destas linhas já for capaz de trazer-nos à vida, através de palavras que vão exatamente constituir o que nos tornamos neste desenho das letras sobre a superfície da página.

Pois que antecipar os acontecimentos, desde logo, seria como escrever algum tempo já passado (isso seria certo tanto em um quanto no outro, bem como no amor dos amantes dessa fé amorosa), e eles jamais se arrependeriam de esperar. Tomar-se-iam nos braços e, novamente abraçados pela vida, saudariam toda dívida na proximidade que ali os disporia numa mesma paginação narrativa. Configurariam, então, as frases ora de carinho, ora de sarcasmo, ora de confluência e confissão e também por ora variáveis em todas essas tonalidades, de modo a nunca saturar em tédio obsoleto toda a muita conversa que ainda muito à frente teriam por compartilhar. Palavra por palavra reescreveriam vívido o amor a cada toque da pele. E a cada abraço do corpo, em despedidas e reencontros, ambos assinaríamos a táctil letra nessa prosa amada que, da mesma forma riscada em cada um de nós, reúne a pleno verso consumado o texto corpóreo através do qual sempre escrevemos a palavra amor e nela o amor com que nós amamos.

D.


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