<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185</id><updated>2012-02-23T14:07:43.308+07:00</updated><title type='text'>Ofiscínio</title><subtitle type='html'>do ofício fascínio</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>46</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-5494150773173758811</id><published>2010-09-05T00:59:00.030+07:00</published><updated>2010-09-28T04:02:48.822+07:00</updated><title type='text'>Literaturas apropriadas: escrituras a furto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/TIR066_2ovI/AAAAAAAAAcw/Wxbe9urEVFo/s1600/detectivesreales%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 221px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5513660399426642674" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/TIR066_2ovI/AAAAAAAAAcw/Wxbe9urEVFo/s320/detectivesreales%5B1%5D.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;pro Vilmar Henrique&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Autops(eudo)icografia&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O autor é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir que é sua a biblioteca que deveras sente.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Álvaro de Campos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Sou vil, sou reles, como toda a gente. Não tenho ideais, mas não os tem ninguém. Quem diz que os tem é como eu, mas mente. Quem diz que busca é porque não os tem. É com a imaginação que eu amo o bem. Meu baixo ser porém não mo consente. Passo, fantasma do meu ser presente, Ébrio, por intervalos, de um Além.&lt;br /&gt;Como todos não creio no que creio.Talvez possa morrer por esse ideal.Mas, enquanto não morro, falo e leio.&lt;br /&gt;Justificar-me? Sou quem todos são... Modificar-me? Para meu igual?...&lt;br /&gt;— Acaba já com isso, ó coração!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Bibliotecas e livrarias roubadas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;No dia 11 de novembro (é precisamente 1975) Juan García Madero, membro recém ingresso ao realismo visceral, descreve sua ida a um dos prédios da &lt;em&gt;calle &lt;/em&gt;Anáhuac, próximo a Insurgentes. É sua primeira visita ao quarto onde mora Ulises Lima, poeta e mebro do referido grupo. O habitáculo é claustrofóbico, e livros se acumulam por todo o lugar. García Madero, jovem então aos dezessete anos, se deixa envolver pelas conversas sobre poesia que vão boca pra fora dos real visceralistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Les pregunté dónde podía comprar los libros que ellos llevaban la otra noche. La respuesta no me sorprendió: los roban en la Librería Francesa de la Zona Rosa y en la Librería Baudelaire, de la calle General Martínez, cerca de la calle Horacio, en la Polanco. También quise saber algo acerca de los autores y entre todos (lo que lee un real visceralista es leído acto seguido por los demás) me instruyeron sobre la vida y la obra de los eléctricos, de Raymond Queneau, de Sophie Podolski, de Alain Jouffroy.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns trinta anos depois (não quero precisar o ano, apenas lembro algo já ocorrido e escrevo agora neste ano que já é 2010) vim a fazer aquela que foi a minha primeira visita a um dos quartos do alojamento estudantil do campus em que me graduei a inícios dos anos zerozero. No que já dirá respeito à clausura dos ambientes, pouco ou nada muito distinto é possível ressaltar uma vez cotejando tais lugares. Também vejo muitos livros e pessoas eloquentes. Pondero, entretanto, sobre ponto e outro. Com as próximas visitas descubro que aqueles livros são roubados. A mim isso também não me surpreende. Dadas certas variantes no que diz respeito à assiduidade, volto a esse dito quarto durante quase todo o meu quaternário de graduação, de modo que a coisa tem prosseguimento até o penúltimo semestre antes da formatura. Ali moram dois estudante e que são também meus veteranos de curso e dos quais sou verdadeiramente amigo de um, sendo que do outro tudo (já que não quero banalizar o que se digo com a palavra amizade) o que sei fazer é aproveitar muito prontamente as ofertas, pois ele é meu fornecedor de erva e, em eventuais ocasiões, cocaína. Diz que sua família é carente (de modo geral assim são todos os estudantes que necessitam viver na moradia univesitária) e que precisa de fazer o tal dinheiro a fim de se manter ali. Há ainda um terceiro estudante, este de engenharia ambiental, que não trafica e nem lê e nem tampouco aparenta inclinação literária alguma. Boca pra fora deles nada pode sair sobre poetas elétricos. E me contento em ouvi-los sem fazer muita questão pelo que dizem, estando parcialmente aliviado pelo fumo bom que tem. Fico próximo do que trafica, pois, como disse, ele me serve sempre que procuro. Sigo displicentemente ouvindo os delírios (nada perturbantes) daquele que não tem afetuosidade pelas letras. E me amigo (com o passar do período de vida estudantil) bastante daquele que rouba os livros e diz possuí-los. Questão de afinidades eletivas, pra falar obviamente com Goethe nos dentes. Não raras vezes o rapaz de quem fui me amigando me diz as coisas as mais vagas ao longo do tempo em que deixei a cidade para viver dois pares de ano no interior de uma cidade universitária. Duas entre a vasta sorte de coisas vagas, no entanto, se sobressaem na minha memória. Diz primeiramente algo inebriado a respeito das teses de Walter Benjamin sobre a história; autor a quem eu então não tinha lido e passaria a ter por meu após o primeiro e arrebatador contato mediante leitura. A isso ele emenda abruptamente algo sobre o conceito benjaminiano de aura, e confessa estar pensando algo a propósito da expansão do colecionismo de vinil e o mercado de discos no Brasil àquele momento. Segundo, faz que pra mim esteja esclarecida a razão dos roubos citando um excerto da canção do Science: “Banditismo por uma questão de classe, man!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei por Bolaño ("&lt;em&gt;Los detectives selvajes&lt;/em&gt;") não à toa. “Pensar”, dizia Paul de Man, “é encontrar a citação certa”. Ulises Lima e, sobretudo, Arturo Belano são exímios roubadores de livros. Não sendo, em última instância, uma ontologia literária de Lima e Belano, o roubo de livros é, mais verdadeiramente, a condição histórica da literatura que está corpo pra dentro deles. Sabem o que roubar e roubam porque o sabem necessário. Não se enaltecem tanto a propósito do que lêem, e sim mais propriamente exaltam aquilo que justamente roubam pra ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis ali o ponto crucial que não se deve perder de vista ao jogar com o anagrama possível entre as letras que, mutatis mutandis, funde os nomes de Roberto Bolaño (personagem) e Arturo Belano (autor). A crítica tem supervalorizado essa grande besteira dos alteregos, do &lt;em&gt;doppelgänger&lt;/em&gt; na criação bolaniana. Por isso pondero, e às vezes me envergonho ao falar a respeito disso. Tudo bem, por ora. O roubo de livros não só é uma modalidade de delito frequente na literatura do Bolaño, assim como, também, é presente na vida do escritor que é. Temáticas sobre roubos a livrarias (pra não falar da já famosa série assassinatos que alegorizam os femicídios de Ciudad Juárez) são recorrentes e altamente disseminadas em quase todas as entrevistas do chileno (ou será mexicano? ou será catalão? – pra mim, que sou latino americano e também brasileiro, pouco importa, pois vejo esse gênero de literaturas nacionais a partir da interpolação dada entre os bons escritores, que estão começando a ficar ruins, e os maus, que, não resistirei ao oxímoro, começam a ficar excelentes). Como são muitas, pontuo a que entre todas me pareceu a mais inventiva. A coisa acontecer a partir de uma aposta feita entre Bolaño e um amigo, cujo nome é educadamente omitido. Consiste no peculiar roubo (a que chamarei polifásico) de todos os volumes do “&lt;em&gt;Em busca do tempo perdido&lt;/em&gt;”. A condição é que ambos percorram (num só dia e ao mesmo tempo) distintas livrarias da Cidade do México, roubando de cada uma delas um exemplar e que para tanto estivesse respeitada a ordem crescente referente aos tomos do romance de Proust. Ao ser inquerido pelo entrevistador se conseguem executar tal feito, Bolaño responde que seu amigo consegue quatro dos livros, e ele, por sua vez, completa toda a série que vai de “No caminho de Swann” a “O tempo redescoberto”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste ano, aliás, veio de Portugal a notícia de que lá o próprio “&lt;em&gt;2666&lt;/em&gt;”, massivamente divulgado com a chamada de “o livro do ano” a propósito da tradução portuguesa publicada em 2009, com direito a um site que marcava a contagem decrescente dos dias até o lançamento, é, também, "o livro mais roubado do ano". Isso sugere uma nova categoria para a classificação de livros, tal como pontuou Marcos Natalli, crítico que de longe tem dito as coisas mais interessantes sobre a obra bolaniana e sua recepção no Brasil. Acresceria um ponto mais. Não sendo apenas uma nova categoria classificatória, tal fato consiste na desnormatização de uma norma. É o delito como estimulo das forças produtivas, que falarei com Marx mais adiante. O roubo, aparentemente contraproducente dentro da lógica de mercado consumidor, torna-se, com efeito, uma estratégia apropriada para a potencialização de uma nova tendência de consumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizia que não à toa começava por Bolaño. Pois bem. Ler é encontrar o roubo certo. Belano bem poderia ter dito algo assim. Não disse. Silvio Austier, sim. Não sei se bem componho a minha própria arqueologia de criminosos literários. Ou se, sim, a minha família literária conforme a feliz designação já formulada por Piglia. A bem da verdade, deponho, aqui, que eu gostaria, preferencialmente, de poder apostar algo com Bolaño. E assim roubararíamos alguma livraria em Tel Aviv, junto de Ulises Lima e Arturo Belano. Tenho comigo já o título da literatura que de pronto assaltaríamos: “&lt;em&gt;El juguete rabioso&lt;/em&gt;”, de Roberto Arlt. Uma tradução hebraica? Talvez. Preferiria que fossemos eu, Lima e Belano à Berlim. Tenho cá pra mim que muito bem se amoldaria  o iídiche com o alemão, assim como os lunfardismos se fundiram no castiço idioma riopratense de Austier, frente a quem nos faríamos precursores. Ler é encontrar o roubo certo. Ponho tal frase, portanto, na boca daquele de quem eu me faço agora, roubando junto de Lima e Belano, um respeitoso precursor. Para além de toda a traição, sempre me intrigou mais profundamente a invasão e o roubo à biblioteca, cena que fecha o primeiro capitulo, “Los ladrones”, do “&lt;em&gt;Juguete&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Sacando los volúmenes los hojeábamos, y Enrique que era algo sabedor de precios decía: "No vale nada", o "vale".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;—Las montañas del oro.&lt;br /&gt;—Es un libro agotado. Diez pesos te lo dan en cualquier parte.&lt;br /&gt;—Evolución de la materia, de Lebón. Tiene fotografías.&lt;br /&gt;—Me la reservo para mí —dijo Enrique.&lt;br /&gt;—Rouquete, Química orgánica e inorgánica.&lt;br /&gt;—Ponelo acá con los otros.&lt;br /&gt;—Cálculo infinitesimal.&lt;br /&gt;—Eso es matemáticá superior. Debe ser caro.&lt;br /&gt;— ¿Y esto?&lt;br /&gt;— ¿Cómo se llama?&lt;br /&gt;—Charles Baudelaire. Su vida.&lt;br /&gt;—A ver, alcanzá.&lt;br /&gt;—Parece una bibliografía. No vale nada.&lt;br /&gt;Al azar entreabría el volumen.&lt;br /&gt;—Son versos.&lt;br /&gt;— ¿Qué dicen?&lt;br /&gt;Leí en voz alta:&lt;br /&gt;Yo te adoro al igual de la bóveda nocturna&lt;br /&gt;¡oh!, vaso de tristezas, ¡oh!, blanca taciturna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eleonora —pensé—. Eleonora."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y vamos a los asaltos, vamos, como frente a un cadáver, un coro de gitanos:&lt;br /&gt;—Ché, ¿sabés que esto es hermosísimo? Me lo llevo para casa.&lt;br /&gt;—Bueno, mirá, en tanto que yo empaqueto libros, vos arreglate las bombas.&lt;br /&gt;— ¿Y la luz?&lt;br /&gt;—Traétela aquí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguí la indicación de Enrique. Trajinábamos silenciosos, y nuestras sombras agigantadas movíanse en el cielo raso y sobre el piso de la habitación, desmesuradas por la penumbra que ensombrecía los ángulos. Familiarizado con la situación de peligro, ninguna inquietud entorpecía mi destreza.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dizia - e reitero, ler é encontrar o roubo certo. Já amar deve ser encontrar a Elena (de Obieta, preferencialmente) certa. No caso de Austier, Eleonora. Mas (infelizmente, Maga) não estou falando sobre livros e Eros...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fangora (personagem da Milla Jovovich em “&lt;em&gt;Dummy&lt;/em&gt;”, filme apenas singelo) rouba um livro e o lê parcialmente enquanto espera por Steven (um desses vinte personagens genais que o Adrien Brody faz). Quando Steven vem, Fangora presenteia o amigo com o livro roubado. Não lembro mais o que Fangora roubara. A cena incial de “&lt;em&gt;The ninth gate&lt;/em&gt;” mostra Dean Corso (personagem de Johnny Depp) roubando de modo pouco criminoso (Corso é um livreiro e detetive que faz renda a partir de engodos do tipo) um “&lt;em&gt;Quijote&lt;/em&gt;” de 1780, a famosa edição da casa madrilenha de Don Joaquín Ibarra; encadernação de Antonio Carnicero; as gravuras de Fernando Selma e memoráveis ilustações e retrato assinados por José del Castillo Sáez de Tejada, pintor espanhol e membro do grupo de pintores do Absolutismo Ilustrado. Fangora e Corso, pois bem. Celebro a primeira; guardo-a comigo de modo todo ele carinhoso. Rouba, pois quer ler e, mais que isso, que o amigo leia aquilo de que precisa e não tem. Isso é muito apropriado. Por assim ser é que ela pode se dar ao descaso e ao abandono (abandona pois já possui) da leitura e já presentear Steven com o livro que lia sem muito interesse. Reprovo, em contrapartida, a atitude de Dean Corso. Rouba, apenas. E não se apropria. Enquanto Fangora é o horizonte de expectativa, a recepção, Corso é a essencialização do valor artístico, a retirada da série literária que determinada obra integra. A apropriação, como a quero aqui mediante uma sintaxe que joga uma partida anagramática com as palavras, faz com que sejam devidamente distintos entre si os atos criminosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Posses furtivas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A posse é um embate, que nunca forma síntese, embate  dado continuamente entre desapego &lt;em&gt;versus&lt;/em&gt; apego. Ou ainda, como bem formulou Bioy Casares - "El recuerdo que deja un libro a veces es más importante que el libro en sí".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/TIR1I-7tm8I/AAAAAAAAAc4/suabzchwNOU/s1600/alberto-laiseca-2-juan-vera%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 213px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5513660641001184194" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/TIR1I-7tm8I/AAAAAAAAAc4/suabzchwNOU/s320/alberto-laiseca-2-juan-vera%5B1%5D.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ano e meio atrás entrevistava Alberto Laiseca, escritor rosarino e autor, entre outras coisas, de “&lt;em&gt;Los Soria&lt;/em&gt;”, romance de escritura das mais vigorosas já vistas. Passagens e hospedagem custeadas pelo CNPq, através do vigente projeto de pesquisa da minha então (ainda que eterna) orientadora de mestrado, Graciela Ravetti; também ela uma argentina e rosarina. Laiseca vive hoje num desses típicos bairros portenhos, nos quais é muito comum a existência de parques com muita área verde onde pululam jovens tomando mate e gente pelas ruas com livro nas mãos e ótimos lugares onde comer e beber fartamente. A casa do homem, como várias outras de Buenos Aires, está divida em plantas alta e baixa. Vive com alguns cães no piso baixo. E a parte superior ele divide com dois gatos e inúmeros livros e garrafas de cerveja e muitos cigarros. Poderia desdobrar essas páginas discutindo não só a visita e, também, o tema da entrevista. Vou focalizar mais detidamente, haja vista meu motivo aqui, na biblioteca sui generis do Conde Laisek. Durante toda a hora e meia que estivemos ali algo não cessou de me assombrar. Todos os livros do Conde estão devidamente forrados por folhas de cartolina branca, matizadas de amarelo, assim como o bigode de Laiseca. A coisa me resultou incrível, apesar de estar devidamente avisado sobre tal extravagância. A propósito disso fiz minha última pergunta, que já nada teria a ver com o que conversamos desde mais cedo. E o homem diz: “Es para evitar identificaciones y afanos, chico”. E prossegue. “Tengo una guía, de lo contrario yo sería uno de esos viejos chinos que cuando se morían era una tragedia. No tengo una biblioteca inconsultable. Sino tendría todo en grandes piletones, como en las bibliotecas imperiales. Ahí tenían viejos chinos que sabían todo porque, claro, ¿qué índice ibas a hacer, si son ideogramas? Es imposible. Entonces cuando se morían los viejitos era un desastre, porque se acordaban todo de memoria y encontraban cualquier cosa.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/TIR1VUxPMMI/AAAAAAAAAdA/KRNxAhPBQe0/s1600/flyer-laiseca%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5513660853021257922" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/TIR1VUxPMMI/AAAAAAAAAdA/KRNxAhPBQe0/s320/flyer-laiseca%5B1%5D.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Compartilhamos o mesmo riso. A risada dele, porém, recobre a minha feito o uivo de um lobo sobrepoosto ao ladrar todo espantando de um pequeno cão a que de pronto o lobo vai devorar caso haja ataque. Ainda há tempo pra que mostre algo antes da partida, conforme nos prometera apresentar. É uma série de fichas que retira de uma pasta-fichário guardada no fundo de uma das gavetas da mesa detrás da qual fala comigo. Compõem uma espécie de linha histórico-genética de todos os largos anos dedicados à escrita de “&lt;em&gt;Los Soria&lt;/em&gt;”. (Aquela mesa é uma desses móveis mágicos da literatura, penso eu, e deve ter coisas fabulosas como o bau do Fernado Pessoa, a gaveta “sem fundo” do Cortázar de onde volta e meia Aurora Bernárdez retira algo como a recente publicação das “&lt;em&gt;Cartas a los Jonquieres&lt;/em&gt;”, e o armário de Bolaño a que Carolina López vai publicando desde a indesejável - embora esperada - visita de Thánatos em 2003) E Laiseca permite que eu fotografe, a pedido da Graciela. E enquanto isso ocupa-se da abertura de outra long neck de cerveja Heineken. Pela primeira vez o surpreendo disperso, dando carinho aos gatos. É tempo suficiente pra que eu tire fotos do material apresentando e, também, coloque dentro da minha bolsa um dos muitos livros forrados que estão numa das prateleiras mais próximas de mim. Faço minha deferência ao Conde e me preparo pra deixar casa. Laisek nos ciceroneia até o piso baixo; deseja sorte durante as despedidas. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/TIR1iiPNMlI/AAAAAAAAAdI/0R4ChGFQ_V0/s1600/44657967%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5513661079974916690" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/TIR1iiPNMlI/AAAAAAAAAdI/0R4ChGFQ_V0/s320/44657967%5B1%5D.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei por que exatamente roubei o livro. Ou melhor, sei: encontrava o roubo certo. Mais que o livro, eu pensava roubar Laiseca. A grande penúria desta entrevista foi não ter podido ver a biblioteca do homem, pensei. Aliás, voltei refletindo sobre a frase dita por ele - “No tengo una biblioteca inconsultable”. A entrevisão de toda biblioteca, de todo o enciclopedismo, resulta verdadeiramente inconsultável. Temi que ele descobrisse meu gesto afanador, pois o livro roubado me pareceu ser muito visitado pelo homem. Aliás, tive medo de que o Conde Laisek descobrisse minha afronta à sua biblioteca e viesse a me procurar com sangue nos olhos antes mesmo que eu pudesse deixar a cidade. A figura do homem impõe por si só um forte medo. E o objeto do meu furto, para mais, veio a contribuir profundamente para que repensasse o meu crime, mensurando o meu castigo. "Los libros”, é Bolaño quem diz, “son como fantasmas". E quando desforrei a cartolina, descobri que o exemplar afanado por mim era “&lt;em&gt;On Murder considered as one of the Fine Arts&lt;/em&gt;”, do Thomas de Quincey. Isso me arrepiou ainda mais o corpo, dado o pavor ao descobrir qual era o título. E como também já tinha lido, resolvi devolvê-lo ao Homem. Preferi fazer tal reparo, e assim salvando minha própria vida da desgraça, usando o serviço de correios. E de tal maneira foi que postei a devolução numa agência localizada ainda em Palermo, perto do castelo assombrado do Conde. Sobre a cartolina que forrava o volume referido, devidamente preservada, acresci um pequeno bilhete com meu ironico pedido de desculpas e a seguinte citação, que certamente nos recociliaria. “Vocês já ouviram falar de pessoas que adoeceram com a perda de seus livros, de outras que neste ofício”, diz Benjamin a propósito dos colecionadores, “se tornaram criminosas”. Até hoje não voltei a falar com o Conde, sequer por emails. Acredito, entretanto, que o episódio fez com que eu me tornasse alguém mais próximo do homem. Mesmo  ao fim e ao cabo sem conseguir roubar-lhe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo contrário a essa prática da forragem está Leminski. O homem não tinha nenhum apego pela posse dos livros. Alice Ruiz disse incansavelmente que o Polako logo terminava um livro e já o deixava jogado pela casa, à espera de alguém que o acolhesse. E também vivia dando seus livros a quem quer que fosse. “De todas as formas de obter livros, escrevê-los é considerada a mais louvável”. Benjamin também diz isso falando sobre o colecinismo enquanto desembala a sua biblioteca. Borges, se bem me lembro, inverteu um pouco tal sentença sem conhecê-la, suponho, e dizia que a mais louvável das formas de obter livros é fazer possuí-los mediante a leitura. Isso é quase performático em ambos. Um buscando à todo custo a escritura de sua obra maior sobre as passagens parisienses, cujos manuscritos foram salvaguardados da invasão nazi uma vez escondidos por Bataille na Biblioteca Nacional de Paris assim devidamente ocultados como uma folha num bosque. O outro redefinindo o que é tradição literária e enfatizando seu orgulho maior pelas obras lidas em detrimento daquilo que escrevera; pobre Borges a quem a noite dos olhos surrupiou toda leitura dos últimos anos. Nem um e nem tampouco o outro, todavia, precisaram roubar livros. E, apesar disso, pese o que pesar, são dois dos maiores criminosos do ensaísmo crítico e da ficção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única forma de obter livros, nem melhor, nem mais louvável, apenas única, é roubá-los. Ouço isso boca pra fora de Bolaño, de Silvio Austier, de Fangora, da ideia de baditismo por uma questão de classe, conforme o supracitado excerto evocado pelo amigo vil e relés que eu tive certa vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Escrituras a furto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apontei a minha família literária sobrescrevendo os nomes de Ulisses Lima, de Belano, de Austier e Fangora. Também eles exímios praticantes da dita tarefa do baditismo literário. Acho que deveríamos ser legião. E é por isso que prossigo. Quero aqui mais nomes. Mesmo aqueles os que nunca roubaram livros, e sim literaturas inteiras. O lampião de nosso bando tem lampejo e nome obscuros, Macedonio Fernández. A chama já queima há exatamente um século com a “Necesidad de una teoria que establezca cómo no es el segundo inventor sino el primero quien comete el plagio”. O velho sabia melhor do que qualquer um de nós que “la antiguidad de las ideas nuevas es regla”. E isso iluminou mais tarde a ideia borgiana dos precursores, tenho isso certo pra mim. “El hecho es que cada escritor crea a sus precursores. Su labor modifica nuestra concepción del pasado, como ha de modificar el futuro. En esta correlación nada importa la identidad o la pluralidad de los hombres”. E não é outro o fogo que queima posteriormente com os contos de “&lt;em&gt;La otra orilla&lt;/em&gt;” de Cortázar, quando este sobrescreve ali o epíteto de “Plágios y traducciones”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ler é encontrar o roubo certo, não estará demais dizer um silogismo. Escrever é encontrar as literaturas de que queremos ou não nos apropriar. Uma das definições de “plagio”, cf. Houaiss, refere-se àquilo que é oblíquo, algo que não esta em linha reta, ou de lado, um desvio. Literaturas apropriadas são obliquidades. Elas estão na dimensão do que está a furto. Tudo isso torna muito apropriado o que diz Macedonio e repetimos outros muitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando surge a noção de autoria meio a alba da época moderna, ela surge como um valor de menos. É a partir do século 16, como bem viu Foucault, que desponta a função de autor como uma sorte canhestra respondendo ao chamado da censura. As primeiras listas de autores, no sentido moderno (ou “clássico”, segundo a periodização foucaultiana) que a palavra passa a ter cada vez mais após o Renascimento, aparece a propósito das perseguições e punições em torno de um texto considerado transgressor. É essa “apropriação penal dos discursos”, de que fala o francês, que determinará a primeira função do autor a partir da prática do Índex. Nossa literatura deve ser, também, uma apropriação penal dos discursos, porém no sentido do banditismo de que falo aqui. Apropriação penal como habilidade de postular formações discursivas sobre qualquer coisa, a partir de qualquer lugar. Não jogamos mais com as noções de fonte, de influência. Escrevemos descobrindo as literaturas de que queremos nos apropriar. Saqueamos a tradição até que ela se esvazie por inteiro e perca toda a rigidez holística de uma concepção de tradição tal qual a elliotiana procurou cristalizar na crítica literária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A furto e já somos precursores de toda e qualquer literatura. Suplementamos o cânone com plágios e mais plágios e assim o apropriamos infinitamente, por certo. Nosso banditismo é muito honesto diante da desonestidade com que tantos vezes vieram a nos negar o centro. Agora, somos nós o nosso próprio descentramamento. Não nos encontramos em nenhuma parte, e por isso entramos em todas as literaturas e retiramos dali o que é genuinamente nosso. Roubamos bibliotecas, livrarias, e amigos. E fugimos; uma fuga constante. Eis o nosso jogo. Nunca mais encontrarão um periféria de modo a estabelecer o centro. É isso que nossas literaturas, apropriadas, querem. Tudo está mesmo mudando de lugar e de nomes. O centro recebeu diversos nomes ao longo da historia do ocidente. A noção do orientalismo em Said diz isso com toda a propriadade possível. É preciso estar muito atento a essas mudanças, aos nomes que elas recriam. A perversidade da palavra, entendo aquele facismo da letra de que diz Barthes. Quanto mais expostas estão as pervesões já feitas, mais elas estão dissimuladas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/TIR3wDS4peI/AAAAAAAAAdQ/EXbs0v3rJws/s1600/nuestra_inspiracion%5B1%5D.gif"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 257px; DISPLAY: block; HEIGHT: 280px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5513663511210272226" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/TIR3wDS4peI/AAAAAAAAAdQ/EXbs0v3rJws/s320/nuestra_inspiracion%5B1%5D.gif" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Torres García,&lt;/em&gt; Universalismo Constructivo&lt;em&gt;, 1941.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou me aparentando aqui desses escritores a furto. Sobrescrevo minha apropriação penal. O banditismo das escrituras a furto configura a cepa de escritores e escritoras que se faz com a sorte dos delit(erári)os. Literaturas apropriadas, escrituras a furto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Deliterários&lt;/span&gt; &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever é cometer o delito certo: o crime literário. Nenhuma apropriação penal cerceará mais os discursos literários seja aqui na América Latina ou onde for. Roubamos livrarias, bibliotecas, colecionadores, enfim, literaturas e até teorias. A originalidade não importa. O suplemento, sim. Preenchemos ausências desde a origem. Nossa letra inscreve indecidíveis e variabilidades temporais e, com isso, desconstruímos a ideia de continuum por trás da história literária e de nossa condição cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, roubo ainda algumas das ideias bem formuladas por Josefina Ludmer, que por sua vez rouba de Marx, mais pontualmente daquele instante em que este dizia o que se segue:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Um filósofo produz ideias, um poeta poemas, um clérigo sermões, um professor tratados, e assim por diante. Um criminoso produz crimes. Se observarmos mais de perto a conexão entre este último ramo da produção e a sociedade como um todo, nos livraremos de muitos preconceitos. O criminoso não só produz crimes, mas também leis penais, e com isso o professor que dá aulas e conferências sobre essas leis, e também produz o inevitável manual onde esse mesmo professor lança suas conferências no mercado como “mercadorias”. Isso traz consigo um aumento da riqueza nacional, fora o gozo que o manuscrito do manual causa em seu próprio autor.&lt;br /&gt;O criminoso produz, além disso, o conjunto da polícia e a justiça criminal, fiscais, juízes, jurados, carcereiros etc.; e essas diferentes linhas de negócios, que formam igualmente muitas categorias da divisão social do trabalho, desenvolvem diferentes capacidades do espírito humano, criam novas necessidades e novos modos de satisfazê-las. (...) O criminoso produz também uma impressão em parte moral e em parte trágica, segundo o caso, e desse modo presta “serviços”, ao suscitar os sentimentos morais e estéticos do público. Não só produz Manuais de Direito Penal, não só Códigos Penais e com eles legisladores neste campo, mas também arte, literatura, romances e até tragédias, como mostram não só Os ladrões, de Shiller, mas também Édipo Rei e Ricardo Terceiro. O criminoso rompe a monotonia e a segurança cotidiana da vida burguesa. Desse modo, ele a salva da estagnação e lhe empresta essa tensão incômoda e essa agilidade sem as quais o aguilhão da competência se embotaria. Assim, estimula as forças produtivas. Enquanto o crime subtrai uma parte da população supérflua do mercado de trabalho e assim reduz a concorrência entre os trabalhadores – impedindo até certo ponto que os salários caiam abaixo do mínimo -, a luta contra o crime absorve outra parte dessa população. Portanto, o criminoso aparece como uma desses “contrapesos” naturais que produzem um balanço correto e abrem uma perspectiva total de ocupações “úteis”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O crime é producente, diz Marx nesse longo trecho retirado da “&lt;em&gt;História crítica da teoria da mais-valia&lt;/em&gt;”. E Ludmer o toma como instrumento crítico. O crime separa a cultura da não-cultura. Funda culturas distintas ao distinguir linhas no interior de uma cultura maior, isto é, normatizante. Estipula limites, diferencia e impõe exclusões. E assim se constrõem com o delito conciências culpadas (é a pervessa lógica de fonte e influências por trás da noção de história literária) e fábulas de fundação e de identidade cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os deliterários lançam pedras exatamente contra tal telhado de vidro. É uma luta contra a prática da definição pela exclusão. Não existe exclusão na descentralidade, já disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever é cometer o delito certo. E os delitos certos se cometem com as apropriações literárias indevidas. É preciso roubar de tudo, como Austier e Enrique na biblioteca da escola no "Juguete". As apropriações literárias são devidamente efetivadas com a experiência dos deliterários. E essa experiência, uma experiência deliterária, só vem das más escolhas, dos crimes. Literaturas apropriadas teorizam sobre o delito e também fazem dele uma teorização capaz de ficicionalizar sobre o uso da força e do poder na relação articulada entre “crime e castigo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todas as formas de obter literaturas apropriadas, escrevê-las de maneira deliterária, a furto, é considerada a mais louvável. Meu delito decorre desse filão de nomes de que me aproprio aqui. Banditismo por uma questão de classe se faz com a sorte dos deliterários. Essa é nossa vazão, o crime perante o crime da palavra, dos conceitos. A periféria (mesmo que seja o abrandamento eufêmico da subalternidade) é o que até aqui capacitou a produção do escopo discursivo do centro (mesmo que seja a hegemonia), a postura de tutela com que estiveram nos persuadindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Plano de fuga&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leopoldo Alas Clarín, escritor espanhol que escrevia século 19, justificava-se dos seus plágios literários assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Recuerdo haber escrito en alguna parte algo por el estilo: en materia de plagios literários cabrá sostener si son legítimos o no; pero el escritor de conciencia hará en este punto lo que ciertos comunistas, que además son personas decentes: Predican tal vez la abolición de la propiedad, pero no roban. Soy muy escrupuloso en este particular, y seguro de no haber tomado en la vida um renglón ni una idea a nadie, me molesta que haya quien diga, siquiera sea un Aramis, que he plagiado a tal o cual autor, aunque éste sea Cervantes.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Já não estamos mais para tal engodo os deliterários de então. Não só predicamos a abolição da propriedade, como também queremos roubar, afanar todas as literaturas conforme os desejos de cada um. Não somos nada escrupulosos, decentes por aqui, señor Clarín. Escrevemos a furto, e nossas literaturas seguem muito bem apropriadas. &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-5494150773173758811?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/5494150773173758811/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=5494150773173758811&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/5494150773173758811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/5494150773173758811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2010/09/literaturas-apropriadas-escrituras.html' title='Literaturas apropriadas: escrituras a furto'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/TIR066_2ovI/AAAAAAAAAcw/Wxbe9urEVFo/s72-c/detectivesreales%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-6984187117125093944</id><published>2010-09-02T20:17:00.009+07:00</published><updated>2010-09-02T20:55:36.641+07:00</updated><title type='text'>(sketches para o próximo post)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/TH-opOJerXI/AAAAAAAAAbw/byDiuolHqz4/s1600/detectivesreales%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; DISPLAY: block; HEIGHT: 138px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5512309895050734962" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/TH-opOJerXI/AAAAAAAAAbw/byDiuolHqz4/s200/detectivesreales%5B1%5D.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Literaturas apropriadas, escrituras a furto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tô escrevendo um conto ( algo "ensaiado") sobre literatura e roubo de livros.&lt;br /&gt;Em breve o&lt;em&gt; post&lt;/em&gt; já estará aqui.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por ora, dois pares de epígrafes já dirão algo:&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- "El recuerdo que deja un libro a veces es más importante que el libro en sí". Adolfo Bioy Casares&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- "Los libros son como fantasmas". Roberto Bolaño&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- "Livros e putas – cada um deles tem sua espécie de homens que vivem deles e os atormentam. Os livros, os críticos". W. Benjamin&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Un livre ni comemence ni ne finit; tout au plus fait-il semblant". Mallarmé&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E minhas sketches:&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Bibliotecas e livrarias roubadas&lt;/strong&gt;: Silvio Austier (Arlt); Belano/Bolaño; Fangora (Milla Jovovich) em “Dummy”; Dean Corso (Johnny Depp) em “The Ninth Gate”;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2.&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Escritas apropriadas&lt;/strong&gt;: apropriado; &lt;em&gt;a)&lt;/em&gt; que se apropropriou, que foi objeto de apropriação; &lt;strong&gt;b)&lt;/strong&gt; adequado, oportuno para uma certa situação, uso ou propósito; “Necesidad de una teoría...” em Macedonio; “Precursores” em Borges; “Plagios y traduciones” em Cortázar; &gt; Uma das definições de “plagio” cf. Houaiss refere-se à oblíquo, algo que esta em linha reta, ou de lado, um desvio. Discutir como a ideia de autoria, algo eminentemente moderno, surge como um valor de menos, i.e., aquilo que a partir do séc. 16 Foucault estabeleceu como “apropriação penal dos discursos” a propósito de perseguições e punições em torno de um texto considerado transgressor, p. 34. Alguma alusão possível a “Bouvard et Pécuchet”? Os copistas excêntricos no tomo homônimo e inacabado de Flaubert...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3.&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Desapego versus Apego Posses furtivas&lt;/strong&gt;: o deslembrativo em Leminski frente a seus livros; a biblioteca revestida por Laiseca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4.&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Que nos roubem mais literaturas&lt;/strong&gt;: imagens de raptos e sequestros literários – “o sequestro do barroco” de H. de Campos – como resgate de tradições. A crítica como o ato exímio de roubo, porém não de todo o mais producente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5.&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Deliterários&lt;/strong&gt;: a leitura como o mais profícuo deste gênero de crime; apropriar-se da teorização de Josefina Ludmer de maneira a interpretar o “roubo literário” como um ramo da produção capitalista; literatura e mercado: entrecruzamento de elementos: delinqüente, vítima, estado, sociedade: tais elementos descriminan culturas e, pois, formam culturas distintas dentro de uma formação cultural maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se alguém souber de algo interessante sobre tal tema (e que não figure aqui) faça a gentilezar de me indicar&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-6984187117125093944?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/6984187117125093944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=6984187117125093944&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/6984187117125093944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/6984187117125093944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2010/09/literatura-apropriadas-escrituras-furo.html' title='(sketches para o próximo post)'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/TH-opOJerXI/AAAAAAAAAbw/byDiuolHqz4/s72-c/detectivesreales%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-7381929579178480805</id><published>2010-08-22T05:57:00.025+07:00</published><updated>2010-08-26T19:04:05.381+07:00</updated><title type='text'>Michel Foucault: a memória de Borges</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Todo es de todos, la palabra es colectiva y es anónima. Macedonio Fernández concebia de esa manera la literatura y varios de sus mejores textos se han publicado con el nombre de Borges, de Marechal, de Julio Cortázar. La identidad de una cultura se construye en la tensión utópica entre lo que no es de nadie y es anónimo y ese uso privado del lenguaje al que hemos convenido en llamar literatura. Ricardo Piglia.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este &lt;em&gt;post &lt;/em&gt;nasceu de uma das mais estúpidas buscas em volta da escrita: originalidade. E se deparou com uma página - que o surpreendera com a perversa antecipação de cem, duzentos ou mil anos – sobre a qual já estavam expostas todas as poucas duas ou três ideias que o assinante cria descobrir ele primeiro. A antiguidade de ideias novas, &lt;strong&gt;M&lt;/strong&gt;ac&lt;strong&gt;e&lt;/strong&gt;do&lt;strong&gt;n&lt;/strong&gt;io Fe&lt;strong&gt;rná&lt;/strong&gt;n&lt;strong&gt;d&lt;/strong&gt;ez dizia, é regra. E assim ele me antecipa, e despossuído de incomodo mais especial ele obtêm uma localização anterior à minha, sem sequer me pressentir, quando deveria até mesmo me citar a propósito disso que procuro aqui. Necessidade de uma teoria que estabeleça como não é o segundo inventor, e sim o primeiro quem comente o plagio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Por lo menos hay dos dias malos en la existencia de un intelectual: aquél en que descubre un sistema de la felicidad y reconoce la fatigosa necesidad de cambiar todo en su genero de vida para provechar cuanto antes los benefícios del precioso hallazgo; y aquél en que topa con un libro escrito con perversa anticipación de doscientos o mil años, en que halla expuestas todas las pocas dos o tres ideias que nuestro hombre creía haber descubierto el primero. Macedonio, 1910.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As palavras e as coisas&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este livro nasceu de um texto de Borges. Do riso que, com sua leitura, perturba todas as familiaridades do pensamento — do nosso: daquele que tem nossa idade e nossa geografia —, abalando todas as superfícies ordenadas e todos os planos que tornam sensata para nós a profusão dos seres, fazendo vacilar e inquietando, por muito tempo, nossa prática milenar do Mesmo e do Outro. O que transgride toda imaginação, todo pensamento possível, é simplesmente a série alfabética (a, b, c, d) que liga a todas as outras cada uma dessas categorias. Tampouco se trata da extravagância de encontros insólitos. Sabe-se o que há de desconcertante na proximidade dos extremos ou, muito simplesmente, na vizinhança súbita das coisas sem relação. A monstruosidade que Borges faz circular na sua enumeração consiste, ao contrário, em que o próprio espaço comum dos encontros se acha arruinado. O impossível não é a vizinhança das coisas, é o lugar mesmo onde elas poderiam avizinhar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As &lt;strong&gt;heterotopias&lt;/strong&gt; inquietam, sem dúvida porque solapam secretamente a linguagem, porque impedem de nomear isto e aquilo, porque fracionam os nomes comuns ou os emaranham, porque arruínam de antemão a “sintaxe”, e não somente aquela que constrói as frases — aquela, menos manifesta, que autoriza “manter juntos" (ao lado e em frente umas das outras) as palavras e as coisas. Michel Foucault, 1966.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A memória de Foucault&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;En el vocabulário crítico, la palabra precursor es indispensable, pero habría que tratar de purificarla de toda connotación de polémica o de rivalidad. El hecho es que cada escritor crea a sus precursores. Su labor modifica nuestra concepción del pasado, como ha de modificar el futuro. En esta correlación nada importa la identidad o la pluralidad de los hombres. Borges, 1952.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem devotos de Nietzsche, das Vanguardas históricas e de mais um dos filmes do Bergman e um do Peter Greenaway. Michel Foucault foi meu destino. Ainda é, mas de uma maneira que ninguém poderia ter pressentido, exceto um só homem, &lt;strong&gt;M&lt;/strong&gt;ac&lt;strong&gt;e&lt;/strong&gt;do&lt;strong&gt;n&lt;/strong&gt;io Fe&lt;strong&gt;rná&lt;/strong&gt;n&lt;strong&gt;d&lt;/strong&gt;ez, quem não tem mais que dez ou onze (talvez doze, nunca vou saber) leitores no Brasil. De certo há outro, cujo rosto jamais verei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem adquire uma enciclopédia não adquire cada uma de suas linhas, cada uma de seus parágrafos, cada uma de suas páginas e cada um de suas gravuras; adquire a mera possibilidade de conhecer alguma dessas coisas. Se assim acontece com um ente concreto e relativamente prosaico, dada a ordem alfabética das partes, o que não acontecerá com um ente abstrato e instável, &lt;em&gt;ondoyant et divers&lt;/em&gt;, como a mágica memória de um vivo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;—Aceitas a memória vindoura de Foucault? Sei que é muito grave o que te ofereço. Pondere à vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma voz incrédula replicou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Enfrentarei esse risco. Aceito a memória de Foucault.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;P.S.&lt;/em&gt; 2010 — Já sou um homem entre os homens. Na vigília de meus livros sou um estudante de literatura comparada, Davis, esse nome de linhagem &lt;em&gt;menardiana&lt;/em&gt; que maneja um fichário e que redata trivialidades eruditas, apesar de saber algumas vezes que aquilo que sonha é do outro. Quando cai a tarde pequenas e fugazes memórias me surpreendem, casualmente autênticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tradição e &lt;em&gt;avacalhação&lt;/em&gt; individual &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"Quando a gente não pode fazer nada, a gente avacalha. Avacalha e se esculhamba."&lt;br /&gt;Sganzerla. O bandido da luz vermelha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(a.va.ca.&lt;em&gt;lhar&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1&lt;/strong&gt; Bras. Pop. Tornar(-se) ridículo, desmoralizar(-se), aviltar(-se)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2&lt;/strong&gt; Dizer mal de; arrasar com&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3&lt;/strong&gt; Fazer algo sem capricho, sem atenção, com descaso&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4&lt;/strong&gt; Pop. Promover desordem, confusão em; pôr a perder ou agir de modo a tornar (algo) um fiasco, um vexame etc.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5&lt;/strong&gt; Voltar atrás no que disse; DESDIZER-SE [int.] &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;5.1 F.: Do lat. &lt;em&gt;vacuum&lt;/em&gt;; que nada contém ou apresenta; vazio; em que figuram indíces espaciais e temporais desocupados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(a.va.ca.lha.do)&lt;/strong&gt; Bras. Pop.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1&lt;/strong&gt; Que sofreu avacalhação, que foi desacreditado, desmoralizado; RIDICULARIZADO&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2&lt;/strong&gt; Cuja aparência foi descuidada; DESLEIXADO; DESMAZELADO&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3&lt;/strong&gt; Que se fez ou realizou sem apuro, sem cuidado, de qualquer maneira; em que tudo deu errado; MAL-ACABADO; MALFEITO&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4&lt;/strong&gt; Que se bagunçou, tumultuou: Foi uma reunião avacalhada, onde ninguém se entendia &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(es.cu.lham.&lt;em&gt;bar&lt;/em&gt;)&lt;/strong&gt; Bras. Vulg. Pop.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1&lt;/strong&gt; Criticar severamente, sem respeito, com rudeza; DESMORALIZAR; ESCARNECER; ESCULACHAR. [ Antôn.: aprovar, elogiar, louvar.]&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2&lt;/strong&gt; Bagunçar: O novo secretário esculhambou um arquivo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3&lt;/strong&gt; Danificar, estragar: Os baderneiros esculhambaram o jardim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[F.: De or. incerta; posv. de colhão.]&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"la técnica del anacronismo deliberado y de las atribuciones erróneas"&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Suplemento escritas&lt;/em&gt;. E reponho afrontas à essencialização de uma ideia de passado cujos padrões devem julgar o presente, assim mesmo a contrapelo daquela letra de T.S.Eliot, quem sobrescrevia que “o passado deve ser modificado pelo presente tanto quanto o presente esteja orientado pelo passado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quando a ficção vive na ficção&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hoje traduzo&lt;/strong&gt; o que gostaria de dizer, e não posso. Meu teclado está gasto. E não sei exatamente a quais letras devo buscar com meus dedos. Prefiro ler coisas já escritas. (Aí sim meus dedos funcionam, pois lendo é que revolvo cada um dos símbolos ortográficos) E invento que são minhas as coisas que escolho reler nos outros todos de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo minha primeira noção do problema do infinito a uma grande lata de biscoitos que deu mistério e vertigem à minha infância. Na parte de trás desse objeto anormal havia um quadro japones; não recordo as crianças ou guerreiros que o formavam, e sim que num ângulo dessa imagem a mesma lata de biscoitos reaparecia com a mesma figura e nela a mesma figura, já assim (ao menos em pontência) infinitamente… Quatorze ou quinze anos depois, por volta de 1921, descobria em uma das obras de Russel uma invenção analóga de Josiah Royce. Este supõe uma mapa da Inglaterra: esse mapa – que por força de pontualidade – deve conter uma mapa do mapa, que deve conter um mapa do mapa do mapa, e assim ao infinito… Antes, no Museu do Prado, vi o conhecido quadro velazquiano &lt;em&gt;Las meninas&lt;/em&gt;: ao fundo aparece o próprio Velázquez, executando os retratos unidos de Felipe VI e de sua mulher, que apesar de estarem fora da tela aparecem reproduzidos por um espelho. Ilustra o peito do pintor a cruz de Santiago; é sabido que o rei a pntou para fazê-lo cavaleiro dessa ordem… Recordo que as autoridades do Prado havia instalado um espelho em frente, para contiar essas magias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao procedimento pictórico de inserir um quadro em outro quadro, corresponde nas letras o de interpolar uma ficção na ficção. Cervantes incluiu no &lt;em&gt;Quixote&lt;/em&gt; uma novela. Lúcio Apuleio intercalou famosamente em &lt;em&gt;O asno de ouro&lt;/em&gt; a fábula de Amor e de Pisiquê: tais parenteses, em justa razão de sua natureza inequívoca, são tão banais como a circunstância de que uma pessoal, na realidade, leia em voz alta ou cante. Os dois planos – o verdadeiro e o ideal – não se misturam. Por outro lado, o &lt;em&gt;Livro das mil e uma noites&lt;/em&gt; duplica e reduplica até a vertigem a ramificação de um conto central en contos incidentais, mas não trata de graduar essas realidades, e o efeito (que deveria ser profundo) é superficial, como um tapete persa. É conhecida a historia limiar da série: o desolado juramento do rei que a cada noite se desposa com uma virgem a quem faz decapitar na alvorada, e a resolução de Shahrazad que o distrai com maralilhosas histórias até que em torno de ambos se passaram mil e uma noites e ela lhe mostra seu filho. A necessidade de completrar mil e uma seções obrigou os copistas da obra a interpolações de todas as classes. Nenhuma é tão perturbadora quanto à da noite DCII, mágica entre as noites. Nessa noite extranha, ele ouve da boca da rainha sua própria história. Ouve o princípio da história que abarca todas as demais e também – de modo monstruoso – ela mesma. Intue claramente o leitor a vasta possibilidade dessa interpolação, o curioso perigo? Que a rainha persevera, e o imóvel rei ouvirá para sempre a truncada história das mil e uma noites, agora infinita e circular… Em &lt;em&gt;As mil e uma noites&lt;/em&gt; Shahrazad refere-se a muitas histórias; uma dessas histórias quase é a história de &lt;em&gt;As mil e uma noites&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shakespeare, no terceiro ato de &lt;em&gt;Hamlet&lt;/em&gt;, erige uma encenação na encenação; o feito de que a peça representanda – o envenenamento de um rei – espelha de algum modo a principal é suficiente para sugerir a possibilidade de infinitas involuções. ( Em um artigo, de 1840, De Quincey observa que o firme estilo avultado dessa peça menor faz com que o drama geral ali incluído apareça, por contraste, mais verdadeiro. Eu acrescentaria que seu propósito essencial é o oposto: fazer com que a realidade nos pareça irreal.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Hamlet&lt;/em&gt; data de 1602. A fins de 1635 o jovem escritor Pierro Corneille compõe a comedia de magia &lt;em&gt;L’illusion comique&lt;/em&gt;. Pridamant, pai de Clindor, percorre as nações da Europa em busca de seu filho. Com mais curiosidade do que fé, visita a gruta do “mágico prodigioso”Alcandre. Este, de maneira fantasmagórica, mostra-lhe a azarada vida do filho. Vemos este apunhalando um rival, fugir da justice, morrer assassinado em um jardim e logo a conversar com uns amigos. Alandre nos aclara o mistério. Clindor, após ter matado o rival, se fez comediante e a cena do ensangrentado jardim não pretence à realidade (à “realidade” da ficção de Corneille), e sim à tragedia. Estávamos, sem saber, num teatro. Um elogio um tanto imprevisto dessa instituição dá fim à obra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Même notre Roi, ce founder de la guerre,&lt;br /&gt;Dont le nom se fait craindre auz deux bouts de la terre,&lt;br /&gt;Le front ceint de lauriers, daigne bien quelquefois&lt;br /&gt;Prêter l’oeil el l’oreille au Théâtre-Français&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É triste comprovar que Corneille põe na boca do mago esses versos não muito mágicos.&lt;br /&gt;O romance &lt;em&gt;Der Golem&lt;/em&gt;, de Gustav Meyrinc (1915), é a história de um sonho: nesse sonho há sonhos; nesses sonhos (creio) outros sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enumeirei muitos labirintos verbais; nenhum tão complexo quanto à novíssima obra de Flann O’brien: &lt;em&gt;At Swin-Two-Birds&lt;/em&gt;. Um estudante de Dublin escreve um romance sobre uma taberneiro de Dublin que escreve um romance sobre os paroquianos de sua taberna (entre os quais está o estudante), que por sua vez escrevem romances em que figuram o taberneiro e o estudante, e outros escritores de romances sobre romancistas. O livro é formado pelos diversos manuscritos dessas pessoas reais ou imaginárias, copiosamente anotados pelo estudante. &lt;em&gt;At Swin-Two-Birds &lt;/em&gt;não é somente um labirinto: é uma discussão sobre as muitas maneiras de conceber o romance irlandês e um repertório de exercícios em vero e prosa, que ilustram ou padoriam todos os estilos da Irlanda. A influência magistral de Joyce (arquiteto de labiritnos, também; Proteu literário, também) é inegável, mas não opressiva nesse livro multiplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arthur Schopenhauer escreveu que os sonhos e a vigília eram folhas de um mesmo livro e que lê-las em ordem era viver, e folheá-las, sonhar. Quadros dentro de quadros, livros que se desdobram em outros livros, ajudam a intuir essa identidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;J.L.Borges. 2 de junho de 1932.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo é de todos, a palavra é coletiva e anômina. Por isso devemos saber que a antiguidade das ideias novas é uma regra. A exeção: uma futuridade para as ideias velhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"O número de símbolos ortográficos é vinte e cinco. Admitem que os inventores da escritura imitaram os vinte e cinco símbolos naturais, apesar de sustentarem que essa aplicação é casual, e que os livros em si nada significam. Tal ditame, já vemos, não é completamente falaz".&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Minha memória é uma atualidade do &lt;em&gt;já&lt;/em&gt; tardio, isso a que muitos chamam pacientemente de &lt;em&gt;contemporaneidade&lt;/em&gt;. E é isso que sobrescrevo aqui: a memória dos outros tantos de mim. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-7381929579178480805?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/7381929579178480805/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=7381929579178480805&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/7381929579178480805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/7381929579178480805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2010/08/michel-foucualt-memoria-de-borges.html' title='Michel Foucault: a memória de Borges'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-7001560290930064873</id><published>2010-08-16T10:49:00.023+07:00</published><updated>2010-08-17T06:13:57.572+07:00</updated><title type='text'>a úlcera das mãos.</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/TGi1r5gfqaI/AAAAAAAAAbo/2UWpKavsDqk/s1600/desenho_kafka3_pronta%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; DISPLAY: block; HEIGHT: 234px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5505850310236547490" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/TGi1r5gfqaI/AAAAAAAAAbo/2UWpKavsDqk/s320/desenho_kafka3_pronta%5B1%5D.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ele não conhece sua própria sentença?&lt;br /&gt;Não - repetiu o oficial e estacou um instante, como se exigisse do explorador uma fundamentação mais detalhada da sua pergunta; depois disse:&lt;br /&gt;Seria inútil anunciá-la. Ele vai experimentá-la na própria carne.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os dedos e cada uma de suas nervuras&lt;/strong&gt; estão deferidos à úlcera da mão. Não está nada mais para a escritura; ela não quer mais qualquer ferida. Qual quereria já se difere. Ferida das feridas, a pústula cursiva de todo o ferimento. Profunda, superficial e agonicamente gravada a pus aquela letra que inflama o tecido subcutâneo do texto que sou. Padeço por agora (e até não sei quais dias mais) de um processo inflamatório que se torna meu e tanto também da monotipia tatilmaquínica deste objeto a que meu doou em pedaços pleiteando a possibilidade de distanciamento (quando não precisamente ausência) do corpo humano que não se quer assinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;assim me habituei a morrer sem ti&lt;br /&gt;com uma esferográfica cravada no coração&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arde por agora toda essa textualidade enferma entre os dedos, dos quais gostaria de retirar (e não posso) a lepra letrosa, restando, por fim, apenas a letra leprosa meio à essa doença que me consome o paleio quando, antes, deveria contrair unicidade junto destes caracteres de encontro aos quais vou tateando esse escuro cursivo (a cada toque mais escuro e nada cursivo, porque é todo ele convulsivo o tremor da mão) até me perder irrecuperalvemnte de mim. Ao produzir a inscrição humana na retirância dos corpos a máquina inspira ao mesmo tempo a doença dos fantasmas inomináveis, porque inamovíveis e sem rostos e então apenas um vulto, e a cura que se põe com esperança de eternidade à tessitura desse gesto que guardamos sob a pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;a mão: a cabeça entre as mãos:&lt;br /&gt;a voz entre fôlego e escrita&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante muito tempo fiz crer em mim que escrever era mais propriamente padecer de uma enfermidade como esta que me aflige os dedos, as mãos e até mesmo todo esse resto, a que chamo corpo. Hoje pondero, e vejo que não é necessariamente essa semelhança entre a lepra e a letra, e sim a similitude entre a dormência da mão leprosa e o despertar sensível da grafia nascente de um texto não em porvir, mas provido de tudo aquilo que nos concedeu as tensões gráficas da página prismática vinda de “Un coup de dês”, reordenando muito prontamente as figurações escriturais acumuladas desde Gutenberg e, até então, carente de ter sido devida e tecnologicamente introjetadas na feitura letra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Está mão é muitas mãos&lt;br /&gt;E se chama minha mão&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deferida a úlcera da mão. Assisto sem muita assistência e muito menos insignificante resistência às possibilidades de tal reordenação figurativa na escritura icônica. E deferida já está a úlcera das mãos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-7001560290930064873?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/7001560290930064873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=7001560290930064873&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/7001560290930064873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/7001560290930064873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2010/08/ulcera-das-maos.html' title='a úlcera das mãos.'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/TGi1r5gfqaI/AAAAAAAAAbo/2UWpKavsDqk/s72-c/desenho_kafka3_pronta%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-1383852859507725522</id><published>2010-07-21T01:56:00.002+07:00</published><updated>2010-07-21T01:59:55.195+07:00</updated><title type='text'>tessitura de perdas</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/TEXxgfqzLFI/AAAAAAAAAbg/o0_kkfXAjFE/s1600/biblioteca_babel%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 209px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/TEXxgfqzLFI/AAAAAAAAAbg/o0_kkfXAjFE/s320/biblioteca_babel%5B1%5D.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5496064460834679890" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os livros que tenho ao alcance das mãos estão para as minhas ideias assim como está o Minotauro pro percurso de um labirinto cretense; todavia sou cretino, e a citação é o fio oferecido por Ariadne, um dos mil nomes à que também responde a escrita, essa tessitura de perdas&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-1383852859507725522?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/1383852859507725522/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=1383852859507725522&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/1383852859507725522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/1383852859507725522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2010/07/tessitura-de-perdas.html' title='tessitura de perdas'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/TEXxgfqzLFI/AAAAAAAAAbg/o0_kkfXAjFE/s72-c/biblioteca_babel%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-6361520832278733830</id><published>2010-07-08T01:15:00.001+07:00</published><updated>2010-07-08T01:19:49.112+07:00</updated><title type='text'>terno dinâmica dos corpos</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/TDTEkXBkP4I/AAAAAAAAAbY/CHqb8jx2-tM/s1600/freewhlin%27.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 235px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/TDTEkXBkP4I/AAAAAAAAAbY/CHqb8jx2-tM/s320/freewhlin%27.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5491229974606397314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lei universificada (e não'mero um) da terno dinâmica dos corpos:&lt;br /&gt;dois dispostos se atraem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-6361520832278733830?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/6361520832278733830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=6361520832278733830&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/6361520832278733830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/6361520832278733830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2010/07/terno-dinamica-dos-corpos.html' title='terno dinâmica dos corpos'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/TDTEkXBkP4I/AAAAAAAAAbY/CHqb8jx2-tM/s72-c/freewhlin%27.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-2892814532731949862</id><published>2010-04-23T12:32:00.016+07:00</published><updated>2010-06-11T23:58:43.855+07:00</updated><title type='text'>Escrever a mão.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/S9HTNXu5-gI/AAAAAAAAAbQ/le62JXUAeMs/s1600/rea%C3%A7%C3%A3o.+paulo+vieira.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 236px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5463380049639635458" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/S9HTNXu5-gI/AAAAAAAAAbQ/le62JXUAeMs/s320/rea%C3%A7%C3%A3o.+paulo+vieira.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;("reação": desenho de paulo vieira) &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;assim me habituei a morrer sem ti c&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;om uma esferográfica cravada no coração &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Al Berto&lt;/strong&gt;. &lt;em&gt;Uma existência de papel&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Arrisco-me,&lt;/strong&gt; e busco pelo teu rosto que a mão deseja sobrescrever. Traços atrapalhados assim descortinam uma tensão dada lá mais abaixo entre a filigrana no papel e as marcas contraídas da escrita. Recurvo a minha memória com a força do punho que te deseja retirar a partir dos dedos, bem onde se concentra a intensa violência corpórea desse duplo ato que - de uma só vez - é te tocar e é te escrever. A letra é, pois, a expansão de tudo isso que vem justo agora quando - através dela - te procuro com a devoção de quem pela fé desfia infinitamente as contas num rosário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escamoteados são então os salmos nesse nosso livro de reza, cuja sintaxe - uma e tantas vezes entoada por nós, apesar de pouco cônscios de tal atamento – vai nem tanto ao céu, nem tampouco ao inferno, alocando-se, pois, nesse limiar da linguagem qual uma oração purgatória de que devem padecer todas as almas insatisfeitas. Nossa punição, nosso açoite: essa pequena ablação traiçoeira na palavra “escrever”. Haja já vista escreveríamos a nós dois na mobilidade perigráfica do papel a inversa semelhança que se crê ver e versa lá onde aflora a escrita talhada e plena de todos os suspiros do repouso mesmo em alinhavos bastante provisórios, pois nunca (mesmo ascendendo a círculos celestes) desejaríamos a posse, pois nunca (mesmo tragados às profundidades de Hades) quereríamos a apropriação, pois que a tudo isso preferimos antes o hiato dantesco das fendas purificadoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erráticos entre as vias do grotesco e do sublime – visto nossas letras irem nem tanto ao céu, nem tampouco ao inferno… Mais propriamente vagamos meio a nossa profanação. Nem a luz, nem a escuridão. O refúgio dos que penam é bem mais propriamente a penumbra: origem de todas as incertezas, mas também pauta de todos os recomeços, estância de nenhuma aderência ao que é cíclico ou de órbita constante e que por isso mesmo não suporta a reprise incólume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo não eventualmente a partir deste ponto de lume. Tal tarefa é bem mais a condição encontrada a fim de te arrancar já da profundidade de tudo isso que – vindo de ti – paira muito seguramente sobre mim: a incerteza tátil desse ato obliterado que, todavia, nos atravessa e costura fundamente a fibra do corpo e regula o espaço de equilíbrio na enunciação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver com a pena, assim, assinada a próprio punho e contorcê-la a partir da pressão com que te procuro a cada letra justaposta, mesmo sob ininterruptas ameaças de ablação na palavra que – escorrendo pelos meus dedos - a mim escapa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu risco é tua periferia, isto que ao mesmo instante não está fora e tampouco dentro de mim. A partir dessa zona intermediária eu monto minha vigília, faço por te observar. E justo ali se situa a delicadeza desses arredores de todos os ardores mediante os quais vais nem aquém e tanto menos além de mim e te insinuas e tramas a tua receptibilidade por meu leito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comunicamos os desvios, e eles se alinhavam na inteface de nós dois. Sou essa mão que – buscando pelo teu rosto – arrisca-me sobrescrevendo aquela franja da página e faz despertar antes profundamente adormecida uma grande tensão: entrecortes e tessituras, a escritura escamoteio na produção da escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever para te tocar – é sobre esse lume algo bruxuleante que corro o risco nesta folha escolhida.&lt;br /&gt;Escrever apenas para te tocar.&lt;br /&gt;Escrever para te tocar.&lt;br /&gt;Escrever.&lt;br /&gt;E escrever sobretudo a mão – para te tocar e te retirar de mim. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-2892814532731949862?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/2892814532731949862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=2892814532731949862&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/2892814532731949862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/2892814532731949862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2010/04/escrever-mao.html' title='Escrever a mão.'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/S9HTNXu5-gI/AAAAAAAAAbQ/le62JXUAeMs/s72-c/rea%C3%A7%C3%A3o.+paulo+vieira.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-1704907411488932681</id><published>2010-03-30T00:38:00.007+07:00</published><updated>2010-04-04T12:09:20.932+07:00</updated><title type='text'>Pathos e direção.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/S7DmHrI2oQI/AAAAAAAAAbE/vxcMp47ki6E/s1600/curva%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 213px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5454112168259002626" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/S7DmHrI2oQI/AAAAAAAAAbE/vxcMp47ki6E/s320/curva%5B1%5D.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Então eu corro demais, Sofro demais, Corro demais, Só pra te ver, Meu bem!... &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(&lt;strong&gt;Roberto Carlos&lt;/strong&gt;)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A moça traz o expresso&lt;/strong&gt;. O vapor enfumaçado e de aroma bem realçado (virtude de grãos certamente sadios e torrados a pouco na máquina) invade minhas narinas e conduz a direção digressiva do meu pensamento neste ínterim da parada. Tenho entre as mãos uma edição um pouco gasta de "Ser e tempo” a ser lida pausadamente entre os sorvos cuidadosamente confiados à xícara algo fumegante. Entre o sabores do cigarro e dessa bebida basilar para a modernidade (Julio Ramos - ensaísta porto-riquenho cujas ideias foram partilhadas comigo num breve diálogo durante a sua passagem pela na Faculdade de Letras, a propósito do lançamento do livro “Desencontros da modernidade na América Latina” - me disse que sem o café e o tabaco, iguarias latino-americanas, a concepção de vivência do tempo na alta modernidade estaria fatalmente fadada ao fracasso, ao pronto esmorecimento), entre os saberes dos parágrafos do livro que sigo relendo nesses dias, eu me disperso e ressinto das curvas de ainda a pouco com uma forte latência em meu peito. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vinha pela estrada a cento e trinta por hora e sequer sabia aonde estava indo. Não falo de destinos numa cartografia rodoviária, pois destes, por maior que seja a errância, sabemos somente poder seguir até onde vai dar estrada. Refiro-me bem mais à indecidibilidade tão pungente em nossas vidas, às incertezas de todo o percurso, seja premeditado ou não. A contingência, no final de tudo, é único norte. Quando nos damos conta disso já bem pouco importam os destinos. Desafiei a sinuosidade do percurso enquanto o barulho do motor desaparecia por baixo de um ruído mais forte: a dupla combinação sinfônica entre a aderência dos pneus e o asfalto, por um lado, e, por outro, o vento digladiando contra a aerodinâmica do carro. Tanto melhor assim. Nunca alimentei uma paixão propriamente dita pelos automóveis, pelos motores. Tampouco pelo que parecem oferecer de mais cativante: a velocidade. A minha paixão, o risco que se paga por encontrá-la toda ela plena. Eis, exatamente aí, a raiz mais profunda desse pathos que se finca em meu peito. Aprendi a dirigir cedo. Aos onze anos. Ter um carro sob o comando, conduzi-lo, é coisa bem diferente. Somente mais tarde tomei as minhas lições. E corri alguns riscos, pois é um tipo de autodidatismo muito sincero, digo, não se apreende com alguém, e sim se arranca de dentro tal como um demônio enfim domado. Jamais desejei um carro, pelo menos não consigo me lembrar, a fim de me mostrar entre os amigos, entre as meninas da cidade, e sim mais propriamente pela possibilidade do pathos que disse meu. O exemplo disso, como quem tenta abonar a própria insustentabilidade da ideia, dou da seguinte maneira: prefiro mil vezes, quando ao volante, “Airbag”, do Radiohead, a “Get off the Road”, do Cramps. São duas músicas geniais. A primeira, contudo, condiz bem mais com meus propósitos. Neil Young e também Roberto Carlos, a tal propósito, para falar numa espessura ainda mais completa, é de longe a melhor pedida para uma auto-estrada. Acho que a música, aliada à questão por trás da velocidade, talvez outro pathos ou apenas um desmebramento deste que escrevo aqui, esclarece de modo argumentativo o meu desapego pelo som dos motores, pela máquina propriamente dita. Gosto, reitero, do que elas me deixam sentir, dentro de mim, e não vindo de outro lugar. A coisa está ali, sempre comigo. Mas preciso despertá-la. A velocidade, nesses termos, é como uma mãe que, cuidadosamente, acorda o filho do sono temerosa de que ele jamais retorne desse limite. Durante algum tempo eu estive procurando uma filiação nacional para o impulso doentio. Não considerei os ingleses, pois a aristocracia bretã só se importa com o luxo, a elegância da coisa. Daí ter passado a pontuar minha decisão entre italianos e alemães; exímios apaixonados da máquina automobilística. Repudiei os primeiros, pois, apesar do pathos pela máquina, sobrevalorizam o design que envolve a máquina. Disfarçam hipocritamente aquilo que, sem pudor algum, evidencia a aristocracia dos ingleses. Pelos alemães, de início, criei alguma afinidade. O princípio de velocidade ilimitada de uma Autoban parecia me realizar. Logo percebi, todavia, que não havia maior graça em ir a toda por uma estrada perfeita, em cujo trajeto a velocidade só pode levar ao tédio de um percurso sem os riscos. Acabou que, por fim, descobri em meu próprio país a mais louvável filiação automobilística que eu poderia requerer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando Ayrton Senna morreu, eu tinha quartoze anos e ele trinta e quatro. A curva Tamborello, em Imola, consistiu no fim da contingência para o Senna, mas também no ápice do pathos dele. Não só o nosso país, mas o mundo inteiro chorou quando a televisão dava as imagens do choque contra o muro, do capacete verde-amarelo envolvendo a cabeça completamente prostrada no cockpit. Um estilo incomparável, entre todos os grandes. Por muitos, condenável. Senna, cujo nome batiza a curva mais traiçoeira em Interlagos, é o mais louvável de todos os pilotos. Venceu várias corridas durante sua gloriosa carreira sem se preocupar com a vida, parecendo mesmo antecipar a morte de curva em curva. Em certa ocasião, liderou até a bandeirada final dispondo de apenas duas marchas em função de quebra na caixa de câmbio. Revendo o meu passado, mais propriamente algumas manhãs de domingo, tempo em que eu ainda podia acordar cedo após um sábado, apreendi que meu pathos tinha simpatia imediata nele. Gostava de todos os riscos. Adorava quando chovia. Não respeitava a vida; parecia. Ou melhor, enfrentava-a desafiadoramente sempre que podia. E isso desagradava aos competidores, quando não os deixava completamente amedrontados. Ninguém parece conseguir disputar com alguém assim, verdade? Também ele gostava (me fiz acreditar querendo minha filiação) não propriamente dos carros, da máquina, da velocidade meramente desfrutada. Era algo mais. E por isso pilotava, também, helicópteros e aviões. Sabia como afagar o pathos independentemente da máquina. Dizem que corria muito pelas próprias ruas de São Paulo quando a temporada da F1 ainda estava por começar. E eu acredito. Busquei nele, a despeito de italianos e alemães, com todas as suas falsidades ao volante, o ethos da minha paixão. Quando aprendi, enfim, a domar meu carro, era em Senna que pensava. Senna e eu, estranho elo, dosávamo-nos o pathos do peito com o mesmo phármakon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não avanço os sinais de trânsito, ao não ser pelas madrugadas. Nada a ver com politicamente correto. Acontece que guiar dentro das cidades não proporcionada mais que raiva - como o pacato personagem do Walt Disney, Sr. Walker, que, ao entrar em seu carro e seguir o fluxo caótico do trânsito, se transforma na figura algo demoníaca do Sr. Wheeler. Prefiro a auto-estrada. Não uma Autoban. Menciono mais verdadeiramente essas pistas que encontramos por aqui, irregulares, sinuosas, desassistidas. (Elas parece acolher mais sinceramente os nossos carros). É bem mais espirituoso acelerar entrando por uma paisagem completamente diversa, cheia de notícias novas a cada curva. Isso faz a gente se sentir vivo, segurando o volante na mão e bem atento a tudo aquilo vem pela frente. A sinuosidade é o contra acalanto da minha paixão que ali se desperta. Não tomo muito reparo pela música que vem do motor, e sim pela batida do meu coração. Aliás, vou tão veloz que às vezes tudo parece estar parado, desligado, calmo, e somente percebo o movimento e o desempenho do máquina durante as alternações entre as marchas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sigo o meu único norte. Guio a uma velocidade exagerada e não sei bem a que lugar estou indo. Paro num desses lugares à beira de estrada. E peço um café expresso. Imagino como será chegar ao lugar para o qual me dirijo. Não penso muito no lugar. Penso mais propriamente numa mulher: Fernanda, a quem eu encontrarei lá. Penso na minha volta. Apesar de ela retornar comigo desse final de senama, não ficará. Ao menos não mais que uma tarde, antes de retornar para a própria vida. E penso também em me apaixonar por ela nesses dias. Mas não será possível. O desenho na superfície do café deixa antever que não. Mesmo não acreditando em nenhuma dessas porcarias surpersticiosas, ou, como digo, de modo a chatear a Fernanda, “sem nehuma gramaticalidade normativa”, eu confio no café. E no tabaco também. Acho que isso foi influência do Julio Ramos. Oras, não se pode desacreditar dessas coisas que representam a pedra fundante de algo tão grave quanto a modernidade. Seja lá como for eu preciso acreditar no café que bebo e nos cigarros que fumo, verdade? Assim somos os homens e as mulheres; sabemos agora e já faz muito tempo. Precisamos de algum fundamento. Lutamos a toda hora contra a nossa subjetividade meio a mundo da vida, essa forma cotidiana de existência. Precisamos de algo que nos traga autolegibilidade dentro disso que nasceu bem antes da gente. E esse "algo" nós o arrancamos dentro da gente mesmo. Exatamente nisso consiste a nossa falta de salvação: somos, lá do alto da torre de nossos sentidos, a sentinela de uma  época reativa e mais conservadora a propósito da autoconsciência histórica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não direi nada disso a Fernanda. Apesar de ser ela a pessoa próxima a mim mais habilitada a me ouvir a respeito de tudo isso e com uma atenção devota. Não direi que vim a cento e trinta por boa parte do percurso. Ela não confia no modo como eu guio. Quando com ela, eu nunca dirijo tentando encontrar meu pathos. Respeito o norte dela, que sempre se opõe ao meu. E acredito ser por isso que ela não confia muito – ou nada - na minha direção. Queria me apaixonar por ela. Mas ela não está apaixonada por mim. Ela diz que me ama, mas que não está apaixonada. Ao passo que eu, que gostaria de amá-la plenamente, só sei verdadeiramente desejar, querer estar apaixonado dela a cada instante em que a busco com os pensamentos, digo o nome dentro de mim, e toco o cabelo, e sinto o gosto do seu amor muito vivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomo o destino da nossa relação na superfície do meu expresso. E leio. Heidegger diz umas coisas tão incompreensíveis com “Sein zum Tode” (“Ser para a morte) e “Vorlaufen zum Tode” (“antecipação da morte”) quanto à consistência turva do meu café. Acho que meu pathos cria o potencial de tornar a morte presente no meu norte e, se essa mancha no expresso estiver correta, isso pode contribuir para me libertar dos múltiplos medos. Consigo construir, através da velocidade, uma tentativa inconsciente de evitar a visão avassaladora da exposição da minha mente, do meu corpo (isto é, da tensão entre ambos, pois é isso o que somos conforme aquele paralelismo spinoziano que abona essa questão) à ameaça da própria destruição. Termino meu café. E essa será a minha última parada, penso retornando ao carro. Acelero até aquele ponto no velocímetro. E tento ir o mais rápido possível até a cidade em que ela está. Tenho pressa por estar lá. E não direi nada disso a Nanda. Enquanto isso piso fundo até conseguir algo em torno dos cento e trinta por hora. E tenho muita pressa. Quero vê-la o quanto antes possível. Não direi nada disso a ela. Estou perdidamente apaixonado. E ela me ama de um modo todo ele comovente. Ambos sentimos isso. E sabemos ser o mais sincero entre nós. Essa será a minha última parada, pois estou muito perto e quero vê-la quase que imediatamente. Acelero. Já estou a mais de cento e trinta. Não sei bem aonde estou indo. Mas estarei com ela daqui a pouco; muito pouco. Acelero ainda um pouco mais. Estaremos juntos; antevejo o abraço que é iminente. Acelero até o motor não poder fazer mais. Estarei com ela daqui a pouco. E não direi nada disso. Cento e sessenta. Consigo o máximo do motor, parece. Logo nos veremos; e já sinto, no meu corpo, o abraço dela. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E, então, eu corro. E corro. Quase lá. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-1704907411488932681?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/1704907411488932681/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=1704907411488932681&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/1704907411488932681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/1704907411488932681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2010/03/pathos-e-direcao_29.html' title='Pathos e direção.'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/S7DmHrI2oQI/AAAAAAAAAbE/vxcMp47ki6E/s72-c/curva%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-8368327118300429474</id><published>2010-03-12T06:40:00.013+07:00</published><updated>2010-03-13T03:49:59.364+07:00</updated><title type='text'>Intimidades (com a espuma da ausência).</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/S5l_5rLOpVI/AAAAAAAAAak/qq-mRp28_XI/s1600-h/banho1%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 213px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5447525853100418386" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/S5l_5rLOpVI/AAAAAAAAAak/qq-mRp28_XI/s320/banho1%5B1%5D.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Prostrado o meu corpo&lt;/strong&gt; sobre o leito dos uivos de fruição, a partir dessa comovedora acomodação foi que observei através da esguelha que a porta semicerrada me permitira.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ia me retirando do corpo durante o banho. Lavava-se inteiramente de mim sob a queda daquelas águas vindas do banho de despedida. E tanto mais distante eu me sabia quanto mais e mais eram os movimentos da esponja manipulada pela mão da mulher. Girava-a compassadamente em torno dos seios, cujos bicos ainda retinham inchação; comprimia-a contrariamente ao fio dos pelos da pele e fazia criar intensidades variadas, indo do suave ao agressivo. Com os zelos de uma faxina limpava todo e qualquer rastro deixado por minha saliva densa sobre a pele duplamente umedecida. Ao arranhar-se na esponja, recobria e disfarçava a violência trazida pela minha barba, também pelos meus dentes; boca; voraz mordida. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E as águas, ininterruptas, desciam ferozmente e nada veio a paralisar a queda. Transcorriam todos os curso por onde estivera eu, meus lábios e língua. Caíam entre as nádegas de relevos voluptuosos. E transbordavam o leito feito da união entre essas margens (por onde meu pau teso, demasiado teso, mergulhou e submergiu várias vezes com a devoção mais própria daqueles que se purificam no Sagrado Ganges).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cabelo – todo ele encharcado – entretecia-se de milhares de fios e tomava a forma tão singular de uma tempestade bastante forte, que a tudo demovia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então despossuída da insistência dos meus líquidos febris e viscosos, também do meu hálito, dentes, e mordida, recompunha-se maravilhosamente de toda sorte de marcas revigorando a justa naturalidade dos cheiros, dos sabores, das suas delícias afáveis de fêmea que se doa aos prazeres e os recobra com a mais equânime das intensidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repousou-se, por fim, sobre o ninho da cama e me disse com o timbre da petulância,&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Não te preocupes; já não te quero mais&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pau, feito algo rijo até ali apesar da prosternação que se apossava do meu inteiro restante, se esvaia de todo sangue faltoso aos demais arejos do corpo mal esfolegado. Restava o cigarro, facultando a reflexão do gozo mediante o desamparo, e a vista da janela do quarto, assaltando o meu desespero adiado através do fluxo daquelas águas que, despejadas sobre a mulher, lavaram cada uma das minhas marcas com a espuma da ausência. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-8368327118300429474?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/8368327118300429474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=8368327118300429474&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/8368327118300429474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/8368327118300429474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2010/03/intimidades.html' title='Intimidades (com a espuma da ausência).'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/S5l_5rLOpVI/AAAAAAAAAak/qq-mRp28_XI/s72-c/banho1%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-107188414427381853</id><published>2010-03-01T07:47:00.006+05:00</published><updated>2010-03-02T22:24:46.563+05:00</updated><title type='text'>Alma errática. (Tradução)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/S4stPhZVSqI/AAAAAAAAAaU/OcK-dYBuBhQ/s1600-h/DSCN0851%5B1%5D.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5443494319293287074" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/S4stPhZVSqI/AAAAAAAAAaU/OcK-dYBuBhQ/s400/DSCN0851%5B1%5D.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não posso dormir; minha alma abandona meu corpo e vai à rua semi-escura e úmida onde as luminárias parecem gaiolas tediosas, que aprisionam canários moribundos incandescentes. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Minha alma vai se debatendo contra as paredes de trecho em trecho ou caindo em seu vôo incerto sobre as veredas, como a sombra de um pássaro cego. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Minha alma avança, avança apesar de suas quedas e um pacote de intenções ocultas debaixo do braço, ou como se fosse uma criada algo mercenária levando um recém-nascido a fim de deixá-lo clandestinamente em uma porta. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Minha alma avança, avança apesar de suas quedas e tremulejos, como uma mancha que está dentro dos olhos seguindo a uma direção resultante, sua rota através das penumbras fantásticas que obstruem a via pública. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Minha alma viaja a favor da noite e do silêncio, cúmplice de ambos, como se tivesse uma venda em torno dos olhos e, pois, se agarrando qual sombra aos objetos, alargando sua forma entre as brechas e saltando tangencialmente nas bordas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Procura por um bairro, por uma casa, fareja as aberturas das portas, se levanta, investiga através do buraco da fechadura, foge como se a soprasse o vento, sobe pelas barras das janelas, desaparece e a sua forma se espalha sobre o tapete de uma sala onde ela caiu atravessando o vidro entre duas varetas da persiana. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um movimento mais e está como a projeção de um corpo, a uma imensa distância, sem que se veja o caminho percorrido. E então tremendo como um tule carbonizado posto ao extremo de um fio fino, volta a debater-se contra as paredes da casa assediada, descrevendo ângulos, subindo acima das bordas e elevando-se sobre os muros para justapor o seu luto no horizonte através do vazio e revir esgotada do salto, procurando pacientemente por entrada. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como um núcleo flutuante de fumaça negra, minha alma espreita de cima das sacadas, desce aos pátios, gira em torno das plantas e, de repente, se lança aos quartos mediante persianas entreabertas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um ruído muito leve a estremece; é um suspiro que ultrapassa as cortinas do leito onde dorme uma mulher. Minha alma se irradia através daquele corpo adorado, visita as formas, se arrasta sobre esta pintura concebida ao abrigo de finos tecidos, segue as curvas dos seios, contorna o óvalo do rosto, vislumbra os lábios...a respiração a repele...um perfume a penetra...se aproxima novamente...uma aspiração a absorve e a instala dentro do ser mais desejado. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dali não se moverá nunca; ali estará envolvida pelo sangue da mulher amada, recorrendo os nervos e viajando do coração até a cabeça. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ali viverá para sempre, alimentando sua própria paixão, já eu, sem alma, levantarei amanhã e passarei meus olhos mortos sobre as indiferenças da vida, vivendo de concessão e ministrando meu bocadinho de pão a meu corpo vazio, sem outra aspiração na terra que não seja amá-la e que me ame.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o0o&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alma callejera.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No puedo dormir; mi alma se sale de mi cuerpo y se va a la calle semioscura y húmeda donde los faroles de gas parecen jaulas aburridas, que encierran canarios moribundos ardiendo. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mi alma va topando las paredes de trecho en trecho o cayendo en su vuelo incierto, sobre las veredas, como la sombra de un pájaro ciego.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Mi alma avanza, avanza, a pesar de sus caídas y un paquete de intenciones ocultas debajo del brazo, o como si fuese una criada mercenaria que llevara un niño recién nacido a dejarlo clandestinamente en una puerta. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mi alma avanza, avanza, a pesar de sus caídas y revoloteos, como una mancha que está dentro de los ojos siguiendo en una dirección resultante, su ruta a través de las penumbras fantásticas que obstruyen la vía pública. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mi alma viaja a favor de la noche y del silencio, su cómplice, como un capullo oscuro que va delante de los ojos y se pega cual sombra a los objetos, alargando su forma entre los huecos y saltando tangente en las aristas. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Busca un barrio, una casa, husmea las hendiduras de las puertas, se levanta, se asoma al ojo de la llave, huye como soplada por el viento, trepa por los barrotes de las ventanas, desaparece y su forma se esparce sobre la alfombra de una sala donde ha caído atravesando los vidrios entre dos varillas de persiana. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Un movimiento más y está como la proyección de un cuerpo, a inmensa distancia, sin que se vea el camino recorrido. Y luego temblando como un tul carbonizado puesto al extremo de un alambre fino, vuelve a golpearse en las paredes de la casa asediada, enfilando los ángulos, subiendo a las cornisas y elevándose sobre los muros para estampar su luto en el horizonte a través del vacío y volver fatigada del salto, a buscar pacientemente su entrada. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como un núcleo flotante de humo negro, mi alma merodea sobre las azoteas, desciende a los patios, gira alrededor de las plantas y de repente se lanza a las habitaciones por los postigos entreabiertos. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Un ruido leve la estremece; es un suspiro que se escapa de entre las cortinas del lecho donde duerme una mujer. Mi alma se difunde sobre aquel cuerpo adorado, visita sus formas, se arrastra sobre ellas diseñadas bajo las finas telas, sigue las curvas de su busto, rodea el óvalo de su cara, enfila sus labios… la respiración la rechaza… un perfume la penetra… se aproxima de nuevo… una aspiración la absorbe y la instala dentro del ser más querido. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;De allí no se moverá nunca; allí estará mezclada con la sangre de la mujer amada, recorriendo sus nervios y viajando de su corazón a su cabeza. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Allí vivirá siempre, alimentando su propia pasión, y yo, sin alma, me levantaré mañana para pasear mis ojos muertos sobre las indiferencias de la vida, viviendo de prestado y gestionando mi bocado de pan con mi cuerpo vacío, sin otra aspiración en la tierra que amarla y que me ame.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eduardo Wilde. "Alma callejerra". In: ___.Prometeo &amp;amp; Cia. Buenos Aires: Jacobo Peuser, 1899.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-107188414427381853?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/107188414427381853/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=107188414427381853&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/107188414427381853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/107188414427381853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2010/03/alma-vadia-traducao.html' title='Alma errática. (Tradução)'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/S4stPhZVSqI/AAAAAAAAAaU/OcK-dYBuBhQ/s72-c/DSCN0851%5B1%5D.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-3954981082095596249</id><published>2010-01-24T01:15:00.010+05:00</published><updated>2010-03-02T06:06:18.013+05:00</updated><title type='text'>Em cada um dos teus cantos.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/S1tY82AzMFI/AAAAAAAAAaE/blnjqqZAQDo/s1600-h/Amantes+furtivos%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 230px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5430031578039529554" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/S1tY82AzMFI/AAAAAAAAAaE/blnjqqZAQDo/s320/Amantes+furtivos%5B1%5D.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Debruçadas descidas&lt;/strong&gt; e deslizo pelo teu corpo a contrapelo. Traquejos ginecômanos e te toco as pernas abrindo diante de mim as tuas intimidades com a precisa envergadura. Sou teu homem, teu amante e sou teu gozo, do mesmo modo como és meu gozo a caminho, também minha amante e minha mulher. Tríade de iminente dialética; carinhos de múltiplas contrações. E te vejo entreaberta exatamente onde quero estar mais contigo. Te dou a minha língua nessa porção mais profunda da pele. Todos os teus sabores se recolhem realçados em mim. Fervilham inteiramente o meu paladar. E minha boca em festa voluptuosa se embriaga cada vez mais absorvida pela tua ânfora tão úmida de prazeres. Festiva toda essa movimentação e ressoamos rigorosamente a canção que compomos entre lençóis remexidos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vibras e te vens irremediavelmente mediante espasmos qual um instrumento durante o clímax do solo. E retilintando de repente se relaxa deposta em minhas mãos. Te entregas com a disposição e a confiança de uma menina e reténs a mim com avidez intempestiva e capaz de recriar muito prontamente uma nova tensão e ainda mais forte a ponto ensurdecer aqueles que executam essa peça de regência lasciva. Existe uma nota quase secreta nesse último fraseado da canção que emana de ti. Põe-se meticulosamente abrigada sobre a escala do teu corpo. E se sou capaz de tocá-la com os devidos caprichos já ouço e sinto toda reentrância em meus ouvidos. Inunda plenamente o meu interior e transborda externamente através de cada um dos pelos do meu corpo assim como esses arrepios que agora jorram da minha pele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Reside um deleite precioso em cada um dos teus cantos ...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-3954981082095596249?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/3954981082095596249/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=3954981082095596249&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/3954981082095596249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/3954981082095596249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2010/01/todos-os-teus-cantos.html' title='Em cada um dos teus cantos.'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/S1tY82AzMFI/AAAAAAAAAaE/blnjqqZAQDo/s72-c/Amantes+furtivos%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-4718437877525518338</id><published>2009-10-29T21:25:00.017+05:00</published><updated>2009-11-16T08:16:59.871+05:00</updated><title type='text'>Amores_úmidos</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/SunC8NwD2nI/AAAAAAAAAZg/UBmNTP8BzkM/s1600-h/chuva+laranja.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 232px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398059968119429746" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/SunC8NwD2nI/AAAAAAAAAZg/UBmNTP8BzkM/s320/chuva+laranja.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;“Things vaporise and rise to the Sky”.&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;Jesus and Mary Chain&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;strong&gt;Antes de girar a chave na fechadura&lt;/strong&gt; e entrar no apartamento eu pressentira o estado em que encontraria as coisas: algo estaria arrancado de cada um de todos os pequenos lugares que eu bem conhecia. O que fora um lar até bem pouco tempo atrás passaria a ser de então o catre da minha reintegração.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A chuva que me acompanhara desde a saída vinha a mesma e bem fina e constante, como a indecisão de minha tomada de partido nisso que desatava pulsante durante os dias aquosos e mais recentes que alagavam a semana inteira. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nela, a dor era certamente pontiaguda e por isso mesmo cortante. O fio dessa lâmina, não diferente, também entrava em mim apesar da distinção com que se amolava vigorosamente na pedra dos afetos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela chegara um pouco mais tarde do que de costume, quando havia algo ao qual se acostumar. Pedira com voz bastante delicada – e por isso mesmo exigindo não ser retrucada – que eu a deixasse sozinha, acompanhada apenas de algum tempo hábil pra que arrumasse tudo o que precisava levar consigo e retirar-se de vez por todas da minha vida, retirando-me da vida dela. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não havia mais o que discutir; tampouco algum acordo sobre coisas das quais abrirmos mão uma vez mais projetando a possibilidade de seguirmos juntos e amantes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quando um filete de água rompe as margens de um rio, por mais fino que seja o desvio, é certo que todo fluxo logo se perderá. E ainda que insistamos em represá-lo toda a vazante será a cada dia um filete a mais transbordando até que a torrente fraqueje frente ao delta de um assoreamento final sem poder desaguar no mar, pois não há mar. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fiz como me pedira. Deixei-a acompanhada do tempo que precisava e segui até um bar dentro de cujas instalações eu pudesse tomar um trago de algo que aquecesse minhas vias respiratórias e pusesse algum calor dentro do meu peito. Músicas agradáveis podiam ser ouvidas também ali, e isso me fez sentir mais acompanhando, menos sozinho junto da bebida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pensei nela com muito carinho. E com muita raiva também. Sabia que ela pensava em mim com muita raiva, porque ainda retinha muito carinho nesse pensamento de mim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enquanto dava voltas bem lentas no copo e rebatia o cigarro na borda do cinzeiro, de modo a minimizar a brasa, coloquei-me a pensar a respeito do momento a partir do qual concluímos não haver mais o que se represar de nossas águas.Era um exercício todo ele em vão. Não se pode saber pontualmente uma coisa dessas. Vem um dia em que algo estoura e pronto – você já não consegue estancar o jorro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A moça veio me servir a segunda dose. Eu aproveitei pra pedir que tocasse algo específico da minha vontade, pois, como era terça e já bem tarde, pouquíssimas pessoas estavam no lugar e um número ainda menor se importava com a música já naquela altura da noite... Era certo ser bem atendido nesse pedido, não só por ter sido simpático na maneira de pedir, mas também por ter cumprido a discotecagem desse mesmo bar por diversas noites durante o ano passado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com toda presteza atendeu ao meu pedido e logo mais trouxe a terceira dose, vendo meu copo se esvaziar repentinamente da segunda numa ineterrupta talagada. Tive vontade de parar todo meu pensamento sobre represas e barragens e convidá-la para tomar algo comigo após o fim do expediente, que logo chegaria. Gostaria tanto de voltar pra casa acompanhado dela, que era muito bonita e de lábios salientes e se penteava de um jeito que me atraia desde as vísceras. Seria bom levá-la pra casa e não perceber os vazios que percebo agora; lamber os lábios dela e logo secá-la contra meu corpo enquanto suaríamos convulsivamente até o gozo da nossa trepada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Talvez lograsse sucesso em convidá-la. Lembro que desde as primeiras noites de discotecagem no lugar ela lançava diversos tipos de olhar, todos eles encorajadores segundo minha avaliação. Mas não consegui parar meu pensamento e imaginar essas coisas que tomam razão só neste momento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tudo que fiz foi pedir pela quarta e derradeira das minhas doses. E em seguida sai caminhando pela solidão das ruas - iluminadas pelas luzes de guaritas de condomínios, anúncios luminosos - e cantando sob a chuva fina aquele diabo de canção dos irmãos Reid, chamada “Happy When it Rains” e que bem pouco tempo atrás eu pedira pra que tocasse pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao retornar, sabia que não a encontraria mais em casa. Que também lá não estariam mais as suas coisas. E que tudo capaz de lembrar que um dia ela estivera ali - vários dias, meu Deus! - consistia no vazio das coisas, na ausência dela em cada canto da casa, em cada gaveta do armário, na falta da escova de dente no banheiro, na toalha abandonada e secando na área de serviços, no gato que não viria mais se acomodar sobre minhas costas às cinco da manhã, na minha tarefa (a não ser mais executada) de organizar os discos deixados fora da minha ordem, na disputa pelo lugar na prateleira dos livros... tudo isso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/SunC0bLC_eI/AAAAAAAAAZY/tZgIkeRXJ_A/s1600-h/chuva+cinza.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398059834283326946" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/SunC0bLC_eI/AAAAAAAAAZY/tZgIkeRXJ_A/s320/chuva+cinza.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Deixo meu corpo cair&lt;/strong&gt; sobre a poltrona da sala, lugar tão confortável e no qual , abraçados, passamosvárias noites. Vestimos ali o aliás de tantas vezes de uma pele tão encorpada daquele mais voluptuoso carinho e nele tecemos horas a fio a justaposta costura a partir de conversas insones e assim capazes de capturar madrugadas inteiras através do novelo intricado a propósito do enredo de nossas ideias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo irei à cozinha, e já vejo mais vazios pela casa. Prepararei um chá quente e dele esperarei o mesmo que buscava nas doses desta noite. Retorno à poltrona. Tomo um cigarro e, também, pequenos goles do chá. O líquido sutilmente amargo e ainda fumegante desce pelo meu corpo; vai tão profundamente peito adentro que parece escavar um novo curso para as coisas que virão a me inundar durante os próximos dias, talvez meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tudo, por fim, deve se liquidar.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do contrário, o jorro aberto através dessa finíssima brecha nas paredes do peito porá tudo por terra sem que vejamos. E já não haverá mais o que se reconstituir. Espero, todavia, que o próximo leito seja mais largo, algo mais profundo e pois capaz de acomodar águas ainda mais torrenciais, mesmo que tudo se liquide e deságue na superfície porosa da pele eriçada pelos sentimentos de desventura afetiva e volte a escoar sem limites. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não há, todavia, represa factível para essas águas em cuja extensão e profundidade eu estou prontamente a submergir neste instante em que, através dos meus olhos, jorram as lágrimas provenientes do fluxo de sua fuga, que eu jamais poderia conter...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tudo deve se liquidar. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;E não há represa factível para essas àguas, minha Querida.&lt;br /&gt;Nossos amores, úmidos.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-4718437877525518338?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/4718437877525518338/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=4718437877525518338&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/4718437877525518338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/4718437877525518338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2009/10/amores-umidos.html' title='Amores_úmidos'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/SunC8NwD2nI/AAAAAAAAAZg/UBmNTP8BzkM/s72-c/chuva+laranja.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-7787548417518139483</id><published>2009-10-26T10:58:00.006+05:00</published><updated>2009-10-28T21:22:42.681+05:00</updated><title type='text'>notícias: pro fim dos dias</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Suhtsga36II/AAAAAAAAAZA/LZHKlg8Yif0/s1600-h/man+with+a+newspaper.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 218px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5397684764787861634" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Suhtsga36II/AAAAAAAAAZA/LZHKlg8Yif0/s320/man+with+a+newspaper.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/SuU9VLVjUaI/AAAAAAAAAYw/U8XhD28fRy8/s1600-h/man+with+a+newspaper.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;pra Flávia&lt;/em&gt;, que me disse, de modo bem generoso, ler os posts deste blog.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dum Longe e Perdido&lt;/strong&gt; – assim posso dizer que sem nenhum grande propósito a saber venho trazido pelo levar de vento vivificado aos intentos da imaginação. Vento esse que, movido a ventanejos dum sopro O de enlear-se, se perdeu por todas possíveis idas: sobretudo as que se espelham contrárias, no haver da direção. Aos que me pedem Nome, dou de aviso que acharão em mim aquele a renegá-lo, pois, à vista de minha crença a pessoal, afirmo não encontrar maior relevância no emprego deste por que me cobram a recusa. Afinal, afora o sentenciar, que mais cabe de um nome? Uma função pragmática através da qual, sendo, O não-ser se impõe ao objeto desejoso de encerrá-lo na restrição caótica da mais absurda finalidade ocultada no solipsismo das determinações. Mas havendo todavia aqueles que ainda assim clamarem por um, apresento-me portanto de Rapsodo; um errante tal e qual ocasos que somente por intermédios do insistir conseguem algum luzir à sombra dos finais. Um sub-ser cuja baixeza vem da falta de autonomia sobre os próprios movimentos, aprisionado em fios frágeis que tanto manipulam quanto subtraem a ação. Interesso-me pela dúvida que os homens, na qualidade de seres os visitantes de si mesmos, persistem em negligenciar. Não que intente ajudá-los não, pois mesmo que contrário fosse já expus toda abjeção que cerceia o arbítrio respeitante a meus próprios atos – e que perdoem a contradição ao valer-me do possessivo a fim de denominá-los!Como quisesse ferir de embora essas limitações sobre as quais discorro em meu falar de discutição, menciono fato de ter-me dado aos afazeres de um andarilho, e foi sob tal insígnia que estive em meio a muitos tipos de homem. Por não me saber, devido à absoluta alienação em que me encontro, suscetível ao que eles estiveram e decerto ainda o estão, desfruto vantagem de poder observá-los numa análise da qual me excluo ou, a modo do que é um contra-senso, sou excluído. E nessa condição presenciei diversos fatos sim; de uns outros apenas ouvi relatos na voz dos que habitavam os por-ondes em que estive a passar na feitura de minhas andanças – assemelhando-se num idem de parecenças este a que me principio no de contar haverá de ser ao lhes daqueles os quais me dão a mim os pupilares ouvidos. Confesso num entretanto que não é, dentre os vários, o que mais me rouba a admiração. Contar-lhes-ia um outro se assim tivesse direito à escolha; sendo o que sou, vai nisto um nada de significação...Foi por então a certa vez em que, quando um homem sem nome, pois poderia ter nome que se dá a outro qualquer, constatou num vozear algo de modo a solicitarem-lhe presença à porta da entrada de sua morada sendo esta a dele. Embora estivesse em cadeira de balanço, não esperou por um novamente; foi logo ver ao que lhe chamavam naquele instante o de descanso. Abrindo a tal porta, deparou-se com o carteiro que lhe viera entregar a correspondência. Tomou em mãos dois envelopes, os quais lhe pertenciam na averiguação de posse sim. Estranhado a situação, disse ao jovem carteiro:_Por quê não os enfiaste na caixa das cartas como todos os outros fazem-no pelo corrente hábito?O carteiro mirou-o no fundo dos olhos, e deu-lhe de resposta assim:_ Ora, apenas por já não mais haver espaço! Não recolhes tua correspondência não é de hoje, e isso chega a ser de estranhar-se, pois alguns envelopes estão a achar-se em confusão pelo chão. Em situação do tipo, somos instruídos a ver o que se passa; muitas pessoas morrem sem que tomemos conhecimento do passamento factível! Por isso bati à tua porta, somente por isso e isso sim.O homem reproduziu o gesto com que o carteiro havia fitado-o anteriormente e exclamou:_ Isso é a sério?!_ A sério sim Senhor, deferiu o carteiro. Vê o senhor que ainda mês passado um companheiro de profissão encontrou uma senhora morta de três dias!_ Mas comigo está tudo normal, disse o sem-nome. Agora que já cumpriste com o teu afazer da obrigação, tenhas um dia agradável. Não me atento a mortes de senhoras ou seja de quem for. Todos morrem; todos morremos um tanto a cada dia. Não será conosco que se dará a exceção, cuja inexistência não desfia valia alguma na tira de regra!Fechou a porta sem cordialidades de maneira a evitar que mais algum informe de coisas havidas lhe falasse o eloqüente carteiro. Voltou-se em direção à cadeira na qual estivera antes de se ir até a porta; pegou o cachimbo que tinha no bolso da camisa e ateou fogo ao fumo no qual pitou forte. Entre fumaças que pairavam no ar da escura sala, tentou ler o remetente dos envelopes que recebera. Não foi possível, pois o lugar estava de muito no haver dum escurecimento sim, e ainda seria necessário o uso dos óculos. Palmilhou seus pés, então sem muito apressamento, à direção do quarto onde encontraria sobre a cômoda aqueles envelopes a pouco recebidos.Quando enfim pode dar início à leitura dos remetentes, percebeu o insólito do fato: era ele o próprio remetente de ambos os envelopes que trazia em intrépidas mãos. Sem querer acreditar, analisou-os com mais cuidado, mas nem assim o espanto desfeitou-se no haver da coisa &amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;– remetente e destinatário eram a mesma pessoa sim: ele, o homem sem-nome. E diante disso, permaneceu condescendente sob o efeito da perplexidade vinda do acontecido, dando continuidade sem que o percebesse ao fumo do cachimbo.Passado algum após à essa circunstância em que estivera nela, resolveu abrir os inesperados envelopes e constatar o que lhe havia escrito a si mesmo para o dele. Não diferente, percebeu-se em novo pasmem e aquém de um amém – havendo sido aberto o primeiro, deparou-se com três folhas cuja escrita era impossível à leitura. Não que estivesse num código desconhecido ao homem, pois este detinha conhecimentos lingüisticos até mesmo sobre línguas arcaicas sim, em vias de variações babélicas a partir das quais os idiomas modernos estruturaram-se tal como os sabemos em nossos dias de presente. Aquela escrita mais parecia rabiscos confusos dos quais nenhuma informação poder-se-ia abstrair de modo a ser encaixada num entendimento de constatação. Ficou por algum tempo tentando identificar sentido nas páginas de que se constituía a carta. Não logrou sucesso do empenho; até mesmo para ele – o remetente – era impossível deduzir ponto sequer daquela a angustiante missiva.Vez do segundo – mantendo-o ainda fechado, colocou-se a adivinhar o que encontraria desta feita. Não fazia idéia do quê lhe viria mesmo reconhecendo sua grafia a dele na letra do remetente e destinatário. Ao rasgar uma beirada, retirou novamente três folhas de dentro. Agora não se espantou com o incompreensível da escrita, e sim com a brancura das páginas: não havia pois um traço sobre elas, mínimo que fosse. Estavam novas e imaculadas como saídas de uma papelaria. Virou-as contra a luz – o pensar dele assim queria desvelar coisa que somente de um modo o misterioso dar-se-ia à percepção. Falhada tal tática, perguntou-se de surpreendido se seria possível algo como aquilo.Sem poder se responder, pareceu-lhe ser perdido do tudo que tinha em mente – não tão-somente do que pensara naquele ínterim, bem como, também, do que um indivíduo pode guardar durante toda sua vivência, seja esta a mais insignificante a se pensar. Do cachimbo, fumaça já não mais subia. E ali ficava ele, o sem-nome, perdido em seu próprio quarto de dormir, feito não soubesse onde e também em que tempo encontrava-se não. Era tal se lhe tivessem apagado as luzes mediante as quais a visão possível ocorre.Ao momento em que ainda segurava as mãos numa das cartas por cuja existência já nem mais se dava, resolveu esticar-se, por algum instante, sobre a cama. Sentiu bastante o incomodo na posição de deitado; sim, era-lhe estranho ficar na horizontal, pareceu ser a primeira vez, em toda a lembrança, aquela em que se encontrava deitado nela. Foi trabalhoso pôr-se de pé – assim houvesse desaprendido o corriqueiro movimento que executava não apenas uma vez no cotidiano fluxo do dia-a-dia.Já na vertical iniciou um caminhar tonto, desses pitorescamente identificável em ébrios que vagam pelas noites de boêmia rumo ao onde não se sabe. Indo repentinamente ao exterior do quarto, percebera-se em labirinto dos mais confusos pensados. Olhou logo para um quadro dependurado na parede do corredor; não entendeu a figura de cuja apreciável maviosidade fizera-se outrora cativo, não mesmo. Frente a um antigo relógio de pêndulo, parou no quase mais estático posicionar-se. Ficou a acompanhá-lo de lado a outro a outro lado, tentado extrair sentido ao movimento continuado em repetições. Disso, o que obteve foi acentuação de sua sensação de ebriedade, que daí misturar-se-ia com a náusea – e foi a partir de então que teve de tatear paredes a fim de permanecer em sonso passear por aquele lugar confuso onde se descobria no natural de um axiomaticamente por ocasião de cada novo instante.Fato considerável passou-se ao descobrir um outro quadro, dessa vez em dimensões de mural decorativo de paredes, no qual havia uma agradável embora distorcida representação de paisagem. Não é possível dizer ao certo se achou belo ou feio o que visara; no entanto não é errado concluir que considerou bem mais convidativo em relação ao onde se sabia situado àquele momento. Lembrou-se de ainda a pouco, a bem pouco sim, do instante em que abandonava o quarto. Pensou ser possível entrar naquele mural do mesmo modo como se soube o liberto do cômodo em que abrira os envelopes. Tudo o que precisava era seguir o rumo de direção daquela nova paisagem que surgia à frente dele; uma repetição do que, cruzando a porta, o levara ao corredor em que agora se perdia. A incompreensão o fizera escravizado sim, e foi afogado em toda sua profundeza que interpretou a referida tela como passagem a um novo mundo; quis, assim, por duas inábeis tentativas, irromper no outro lado o de lá, o qual lhe aparecera metaforizando uma solução. A dimensão desejada, contudo, não lhe foi possível ao seu acesso; não por aquela via tão pouco comum ao nosso limitado entendimento. Mas isso não o impedira de ficar a assisti-la pelo tempo que melhor lhe conveio. Seguido a esse episódio, avistou a verdadeira saída, embora talvez não a única, que o tiraria daquele corredor repleto de coisas esquivas a sua atual compreensão – era a porta que ligaria o corredor em que se perdera nele à sala principal da casa sim.De braços quase que os abertos, sob o marco que o emoldurava naquela porta então descoberta, formava algo similar ao crucificado. Um olhar tímido, porém cheio de notória curiosidade, foi lançado ao novo-espaço ao qual se apresentava tentado criar ânimo a fim de explorá-lo. As pernas já lhe pareciam treinadas ao caminhar; e por sua vez a ebriedade diminuíra notavelmente. Isso fizera constatar que não mais era necessário usar das paredes a improvisada qualidade de muletas; o chão agora lhe bastava de sustento. Entrementes os abrandamentos, a incompreensão permanecera algo intacta. Como aguardasse convite formal, pôs-se a esperar por qualquer manifestação que o incentivasse cruzar definitivamente aquele acesso em cujo limite sobrepunha-se imóvel. Não era a mesma sala em que estivera quando, mais cedo, o carteiro veio chamá-lo à entrada não. Tudo era novo: senão, ele era assim. Nem imaginava que casa poderia ser aquela que, se antes familiar, agora aparecia tão estranha. Sequer sabia de si mesmo. Um oco era o que agora ocupava o todo de sua mente, e recordações que ali havia eram as da recente peripécia pelo corredor, que ainda nem abandonara por completo se assim interpretado à vista dos definitivamentes. O que importunava ali naquele limiar não era em muito o novo do lugar, de onde já não mais via o como de um escape, mas sim o que perdera ao cruzar o corredor. Sentia uma angústia ao mentalizar as coisas para as quais o entendimento servia de nada em tudo isso. Tal como abandonar algo de que nunca soubera, porém, de algum modo, o mais curioso sim, desde sempre aterrado nele. Em resposta à tentativa de pôr ao esquecimento tal idéia, a qual evocava o indescritível, sentiu o crescer do medo até então percebê-lo controlável em si. De um só susto, atormentado pela própria indecisão, regressou ao passo que deixara para trás; novamente por inteiro dentro do corredor, agarrou as duas mãos à maçaneta e virou-se de modo a fechar a porta livrando-se definitivamente do local que trouxera estranhos sentimentos.Muitos são os que afirmam não ter sido um medo aquilo que sentiu o sem-nome, e sim (se é possível em tal distinção) acesso de covardia, pois fechou a porta do lugar que aparecera tão cheio dos a-saberes sem nem mesmo captar destes um ao menos do motivo a que vieram. Já os de outra opinião, dizem do sem-nome um corajoso nascido à moda dos inveterados. Precisou ele, afinal, retornar ao corredor que tanto pavor causara-lhe antes de fechar deste a entrada pela qual saíra. Ainda nessa prosaica e paradoxal discrepância um homem dentre uma pequena multidão, à qual a história que lhes conto também foi apresenta, disse ser todavia sem valor a discussão, sendo que desse modo dava ele início – ou, que seja, reinicio - àquilo a que tentava dar cabo. Ao questionarem-lhe a razão de tão refutatória posição, afirmou que o sem-nome não teve consciência de que a fechara, pois fora um ato involuntário como os de reflexo; um impulso provocado pela indecisão em seu estado mais cabal e genuíno. E dessa observação, os que com ele ouviam esta história, entraram já em outra discussão de debates embora conservassem o mesmo tônica da anterior. Se não vou mais a fundo no fato apresentado conclusões do discursório é porque os homens não obtiveram nenhuma só. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;2.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No que diz respeito à seqüência dos sucedidos ao sem-nome, agora estava dentro da sala sem ainda se entreter do novo situado a que ele se levara por ânimo próprio, pois mantinha as mãos bem presas à maçaneta a qual, era o que tudo indicava, não largaria por nada. Não achava razão no haver da coisa, mas muito agradava-lhe saber daquela porta confiavelmente fechada por suas mãos. A satisfação agora era tão dele como a perplexidade das coisas que vira naquele corredor de estranhos objetos. Havia sim livrado-se do medo, não obstante este fosse medo si mesmo, da incapacidade de interpretar o que lhe era apresentado de muitas maneiras, sendo incapaz de tomar por sua uma sequer das quais.Finalmente acreditou que já não mais necessitava vigiar à entrada do corredor. Tinha vistas, portanto, ao que o esperava no reverso; e foi num meio giro que se percebeu o dentro do que estivera por admirar ao limite da entrada. Uma sala cheia de objetos os mais variados então o recebia. Pareceu desconfiar de tudo, pois recuou a ponto de ter o corpo colado a uma das paredes. Atitude muito normal num ato de reconhecimento, até o mais estúpido animal o faria nesse gesto.Tudo lá – sua cadeira de repouso; a grande mesa bem ao meio do ambiente; a estante em cujas prateleiras havia diversos exemplares de feiras de artesanato e muito mais quinquilharias as quais não caberiam em minha mais detalhada descrição. Ao sem-nome de outrora seria então fácil identificar cada ponto daquela região, mas, ao dado da ocasião, tudo era indiferente, nada era com ele sabia crer; verdadeiramente não reconhecia coisa alguma, como se desembarcasse no mais completo desconhecido admirável mundo novo fora de nossas épocas vindas.Assim como tudo tende a se revelar no quando decerto é mesmo dado feito o perdido, e também ao que é o objetivamente incompreensível carece apenas a mais ínfima tentativa de entendimento sim, posto que senão restará ao sujeito somente a imanente cela sabida na falta de inteligibilidade, deu-se o modo do desmodo a partir do qual o sem-nome se decidiu por explorar o desconhecido em que se encontrava não por gosto, e sim pelo trágico, ora, da necessidade.Nessas condições do estranho haver da coisa, chegava-se pelos arredores da cadeira de balanço. Teve de interromper o transitar. Algo notável havia sido apresentado ao seu novo olhar – um porta-retratos sobreposto a grande mesa convidava-o à descoberta. Quando o teve em análise, a fotografia pareceu simples, porém cheia do indecifrável que em tudo via. Depois que se cansou de olhar para aquilo que nem mesmo cogitou ser sua representação, foi averiguar tantas peças havia na estante ao canto. Artigos muito simpáticos feitos por artistas populares; sim, eram os mesmo aos quais me referi instantes atrás na impossibilidade de descrevê-los sim; objetos rústicos de composição naïfe, mas que a ele nada diziam. Também pudera, a lembrança estava tal morta fosse ou agonizando por isso, pelo menos temporariamente sim. Mais que se esforçasse até a exaustão, não chegaria portanto a um sentido: e de maneira semelhante como - ainda que contraditoriamente - à falta da ausência do haver de um. A alguns representa o descabido do mais absurdo, é que passado o comenos de que o sem-nome precisou para intrometer-se do que se achava na sala da casa, sentia-se num lugar o bem familiarizado – isso mesmo apesar não ter recobrado o saber, em registros de sua lembrança, dos idos tempos passados ali. Tudo sendo a tal ponto que se pôs sentado num calmo balançar naquela velha cadeira que não propriamente tomara por sua. Pensar-se-ia que voltava ele à normalidade, havia se feito o íntimo de quase todo, visitou a passos medidos cada metro por mais insignificante que fosse. Não obstante essa nova situação, ou quiçá, sim, tão-somente em função desta a incerteza se imponha, aconteceu-lhe de ser incomodado por saber-se como estava, sobretudo sentado naquela maluca cadeira que ia e voltava em idas-e-vindas para além do fim de toda medição.Então de pé, voltou a caminhar pelo que já não era o tão assombroso não; remexeu coisas que fuçara anteriormente. Voltou aos objetos da estante e, a registrar-se um pormenor, até divertiu-se com alguns; mas o que o despertava ao será-o-quê-isso-é? era o porta-retrato posto sobre a grande mesa. Colocando-o sob nova análise, ficou a contemplá-lo como antes o fizera sim, embora dessa vez se ausentasse à bestialidade da primeira empreita. Descobria ser imagem de gente apesar de não saber qual. Ademais, revelou-se não ser apenas uma pessoa, talvez duas, quem sabe até mais que esse tanto como é tão comum numa fotografia de família posta sobre mesa de sala. Isso o irritou profundamente porque não aceitava descobrir o que era sem saber também quem era. Pensou que somente a partir desse deslindamento dar-se-ia a resposta de suas indagações; uma legítima busca por sentido mesmo que entrementes a possível existência de um fosse-lhe continuando a desconhecida.Em conseqüência dessas sensações, acentuava-se em inquietação; estava como que sufocado dentro daquela sala de dimensões as tão enormes. Por hora em que se largou daquele porta-retratos, escolheu canto mais próximo e deixou-se escorregar pelo ângulo que unia duas das paredes, as quais o cercavam em muda observação. Caiu como que entorpecido sim. Teve num abraço as pernas bastante ajuntadinhas, sobre as quais descansava a cabeça que lhe pesava a densidade do mundo.Compreender por que no momento de tão acentuada inquietação é que insemina a mais absoluta serenidade pode ser tarefa inoperável. Embora esse aparente agnosticismo - cujo haver de resposta implica aqui -, figuro o frêmito se fazendo absurdamente intensificado que qualquer nova agitação não mais seja possível, deixando aos movimentos conseguintes a inatividade em estância – sendo isso, aos saberes de um paradoxo, o imobilizar-se em função dos ápices da inquietação. Muito possivelmente, ao que se contradiga algum princípio físico, exista sim uma frágil barreira sim, somente formada por coisas desprezáveis, escudando o completamente dado ao perceptível, através do haver da qual o vício das complicações não permite transposição ao entendimento do efetivo relacionamento entre ação e inércia, ou seja, movimento e ausência deste legitimamente esclarecido através de um desproporcional e parmenidesiano melhoramento da coisa.Somente acompanhado pelo silêncio, o sem-nome comprazia-se o quieto no canto que escolhera para repouso, ou sabe lá tenha sido escolhido. Ouvia a falta de som que ajudava construir dentro da casa por se fazer imóvel. Barulho, sim, ouvia algum que vinha lá do de fora, muito longe de fazer-se compreensível aos ouvidos. O que o retirou do estado em que estivera foi todavia um bastante diferente, numa freqüência e timbre dos engraçados. Era o telefone que chamava através de uma intermitência sonora. Que diabos queriam agora? Fazia-se esse tipo de pergunta; e permanecia não sabendo bem das coisas, mas lembrava gradualmente a utilidade de quase tudo quase naquela sala, incluso a função do telefone sim.Lá pelo tilintar do oitavo toque, depois de ter se levantado calmamente daquele canto em que estivera, foi à procura do que tinia e ver ao que chamava. Numa mesinha especial, onde havia também papel e lápis para anotação de recados, estava o aparelho que ainda tocava vigorosamente. Atendeu sim, mas não soube o que falar não. Do outro lado, percebendo que havia sido atendido, perguntou-se a quem se falava. Ah!, quem dera o sem-nome saber resposta; então, por sua vez, interrogou a fim de descobrir a quem se desejava falar, ao que lhe foi respondido nome qualquer. Ficou confuso, disse não saber ninguém ali com o tal nome. Dessa forma, da parte do que chamara, confirmou-se o número daquela linha telefônica tal esperasse assim constatar possível um engano. O sem-nome disse não saber também; afinal, o que ligava é quem precisava saber daquilo. E justamente pela insistência em se descobrir a quem se falava foi que o sem-nome desligou sim; voltou ao canto de antes.O som do aparelho ressurgia num repetido novamente. A essa altura de ocasião, ele não quis atendê-lo e, portanto, não podia ficar ali na presença do insuportável barulho que lhe feria a ele nos tímpanos. Enfiou - ou talvez apenas confirmasse - alguma coisa no bolso da calça que vestia e seguiu em direção à porta que se havia feito visível desde quando entrara no lugar. Era a que levava ao alpendre à frente da casa, a qual daria por conseguinte na rua. Contava e descobria ser desta vez a quarta porta em cujos aléns das ditas tentava irromper – e isso é certo porque contava aquela tão estranha, a qual não lhe dera passagem não. Era um fugitivo inconsciente, um que trancava portas atrás de si sem pensar muito a respeito do lugar a que chegaria – não legando, assim, importância à possibilidade de atingir certo limite ao qual não mais seria permitido ultrapassar, tendo então de reabrir todas as que foram fechadas atrás de si por não outro senão o ele mesmo.Sim, havia luz de sol naquela sacada à qual seguira sim. O barulho de dentro já não mais o incomodava depois de ter feito, do lado de fora, o giro com o qual se livrou do interior da casa desconhecida. Umas quantas crianças brincavam na rua, e ele agora estava debruçado no parapeito da entrada de onde as via. Pondo reparo, percebeu o quão elas eram as felizes. Aí foi que verificou o chão cheio de cartas espalhadas em grande confusão; não entendeu o que era aquilo e, diferente das outras vezes em que estivera no íntimo da dúvida, tampouco quis investigar o que poderia vir a significar.Era uma vontade de sair do lugar onde estava; vontade de abandonar de todo o espaço abrangido pelos limites da casa; vontades estas que vinham a possuí-lo ali. Passou o portão de ferro chegando, pois, ao passeio da rua em que as crianças brincavam com felicidade tão peculiar dos pequenos. Em princípio sentiu vontade de saudá-las sim, porém percebeu ser só perda de tempo, pois nem o notaram devido à graça em que se encontravam no momento da diversão. Seguiu quieto, então, pelo lado do esquerdo da calçada.Do distante vinha um som com um quanto de estranho, parecia ser festa em algum lugar sim. Ainda estava no mesmo caminho, embora já longe, muito longe das crianças. Em tudo havia muito do desabitado, não cruzou nenhuma outra gente além daquelas pequeninas não. Virou-se ao detrás e percebeu que as árvores – as mesmas quais enfeitavam o percurso que o sem-nome fazia – confundiam-se, com ajuda da inclinação geográfica local, num fechar-se compassadamente labiríntico que tornava, pois, impossível visitar com olhos a origem da qual ele partira. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;3.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Caminhou mais uns bons passos, passos estes que agora se iam firmados por definitivamente; virou umas duas outras encruzilhadas sem ver gente alguma nelas. De repente, o som antes perdido, fez-se bem perto dele até encontrá-lo bem dentro do peito, e, ao entortar nova esquina, foi engolido por uma enlouquecida multidão. Uma festa sim, como as do carnaval que concentram em si mais do que a população de uma só cidade. Ficou sem se poder movimentar dentro daquele aglomerado, estava preso por corpos que se colavam no corpo dele. Havia exemplares de espécimes ao mais diverso e raro modo: gente de rostos pintados a tinturas quentes, portanto vivas; outras que agitavam bandeiras; umas em vestes militar, as mesmas quais usavam um nariz de palhaço no lugar dos galões de patentes hierárquicas; e tantas outras várias desenhe-se com o lápis do imaginar.À direção em que corria essa desorientada multidão ele ia sendo levado sim; não era permitido a ele influir porém sobre aquele rumo, ao qual seguiam os todos em frenética marcha; estava como que preso ao desejo coletivo daquela festa doida. Algum tempo transcorrido, e o pandemônio foi desfeito. Pareceu-lhe que as pessoas tão confundidas, ao fito de ver algo da mais grandiosa importância, colocavam-se em organização a mais ordinária concebida por aquele momento. Dividiam-se de lado a outro, deixando um vasto espaço entre as duas partes polarizadas.Se desejasse de então, o sem-nome, podia sim abandonar aquela reunião. Na preferência, entretanto, não o quis; apesar de todo o tormento que lhe custava estar entre aquela gente, resolveu demorar-se e esperar pelo que aconteceria de tão estranho; tudo isso a ponto de causar arrancamento daquele porte aos que tão ainda se esborniavam em verdadeira orgia.Num dos extremos, algo se principiava em movimento. Era um desfile de crianças o que viria passar por entre as duas bem divididas fileiras. Os pequeninos vestiam roupas de alegorias com partituras pregadas na parte traseira das vestimentas; cada qual servindo, pois, ao que vinha detrás. Tocavam uma marchinha bastante simples, contudo muito bem ensaiada. O mais estranho para o nosso sem-nome à ocasião em que passaram à sua frente, foi notar que os jovens músicos traziam vendas nos olhos, o que não lhes causava nenhum tipo de transtorno no caminhar. Não fez razão alguma o uso daquelas partituras uma vez que não havia vê-las. Pensou que ali estavam apenas na qualidade de precaução; sabendo dessa existência, teriam maior confiança na execução dos instrumentos, proporcionando, por conseguinte, um desempenho mais livre no tocante ao clima da musicalidade.Decorrida essa atração – bateram palmas sim quando as crianças deixaram o lugar livre à próxima. Conquanto não gostaram muito do que viram não – parecido se esperassem por algo mais atrativo, o qual somente viria ao final de todas as outras apresentações. Veio então uma ala inteira de palhaços, os quais traziam ataduras em tudo o que era parte do corpo. Faziam-se parecer os seriamente feridos por coisa qualquer. Eram palhaços tristes; uns que causavam piedade quando, a que vinham estes, devia ser para o riso das gargalhadas.Sendo bem assim, quando ainda os palhaços serviam de atração, um deles, dos que desfilavam sim, tirou do bolso um apito e o soprou engraçado que só vendo tamanha fora a zomba desse engraçamento. Todos os outros pararam a marcha em que estavam – o que apitara começou a caminhar por entre seus iguais, foi de um extremo a outro, depois parou bem ao entreato deles. O sem-nome observava atento, como também todos os outros faziam. Daí, aquele que se encontrava parado ao meio-dia dos seus, pegou um saco que estava como que a esperar no chão e abriu-lhe a boca. Lá de dentro, saiu na qualidade de língua uma faixa erguida por um pequeno zepelim instantaneamente inflado, o qual tomou altura considerável até não mais poder subir devido a um peso que o mantinha preso ao solo. Ficou à vista de todos, e desse modo lia-se na faixa: “Dia da Independência!”.Ora, ora, mas é claro que não tardou não. Bem ao lado do sem-nome, um homem bradou o “Viva à Liberdade” dos mais ensurdecedores, e todos o seguiram em resposta num escandaloso coro de “Viva” “Viva” “Viva”.No após à ocasião em que esse fato se ia ao pretérito, os palhaços abandonaram repentinamente o lugar do desfile. Veio então uma banda das de fanfarra – esta formada por adultos – tocando aquilo que acertam sim os que pensam ser o hino daquela gente; gente cuja independência festejava-se. E os que assistiam cantavam aos berros os versos que lhes eram os mais íntimos. O sem-nome não, mesmo que o quisesse não seria possível – desconhecia aquele canto que ressoava em uníssono.Quando a charanga parou - no que foram prontamente bem atendidos - pediram bis. Como ainda não fosse o suficiente, pediram um bis do bis, e começou novamente – todos cantavam com o mesmo furor da primeira interação e ainda mais vivamente do que a segunda. Ao que desconhecia os versos, algumas das passagens começavam a familiarizar-se em efeito de repetições em tão curto espaçamento.De um átimo, o rufador da banda mudou complemente o andamento em que tocavam. Todos seus companheiros interromperam o que faziam; deixaram-no só entre as pessoas e rumaram à direção em que as outras atrações iam depois do fim de cada apresentação. O homem, cheio das euforias, percorria o espaço que agora era de todo seu; no trepidar do trenodiano toque do instrumento, anunciava a iminência de algo pelo qual esperavam todos sim.Ao som daquele seco prelúdio, fizeram-se os mais aturdidos seres sabidos desde então – pupilas dilatavam-se aos pares; o ofegar da respiração era ritmado por uma ânsia coletivizada; criava-se expectativa dignada do espetacular. Pareceu perceber o clima certo para pronunciamento, o rufador pensou ser sim, e se pôs a falar num todo de dizeres. Convocados ‘senhoras’ e ‘senhores’, o discurso fluía, prenunciava a respeito do magnífico que não mais se podia adiar. Era então o que a multidão esperava ver desde o princípio da comemoração; aquilo daria sentido sim a ânsia dos que, em compenetração, a tudo presenciavam.Finalmente o homem ordenou para que entrassem com o esperado; tudo fraseado em voz à intensidade dos berros. Os palhaços que saíram por um lado, agora voltavam pelo contrário; com um pesar notável, empurravam um enorme vagão, desses não raramente identificados em circos viajantes – era lá de dentro que surgiria o derradeiro da festança sim. Pararam-no bem à vista, lá bem de onde todos pudessem enxergá-lo sem empecilho que fosse. Foram de volta ao onde estavam, depois de estacionar o vagão no combinado do lugar. Então o homem que parecia gerir a comemoração, aquele mesmo que rufava tambor, aproximou-se do ainda velado e retirou o pino que travava as laterais do continente. Teve de sair bastante acelerado na seqüência disso, teve sim. Do contrário, esmagá-lo-iam as laterais quando vieram ao chão revelando pois o que escondiam em seu interior. Precisou, entretanto, aproximar-se novamente, algo com muito de imenso ainda ficara coberto sob capa branca que parecia luzir aos olhos do povo. Ele levou mão a uma das extremidades e, antes de puxá-la, gritou como até o momento não havia feito não apesar de ter usado as pregas vocais já em intensas fricções. As palavras sonorizadas espalharam-se em ressonância pelo todo do lugar como se excedessem àquele que as produzira; não houve sequer um dos presentes então incapaz de ouvi-las não. À multidão foi apresentado o óbvio; através deste chamar-se denominado foi aquilo por que todos esperavam sim.Uma enorme borboleta inflável, em cores tão várias quanto guardavam de indetermináveis – e isso era o óbvio –, de asas gigantescas em cuja circunscrição lia-se o óbvio com todas as letras. A borboleta prestava-se muito bem nisso uma vez que a forma de suas asas arquitetavam, ainda que de maneira levemente distorcida em proporção, o número oito; e o ‘Óbvio’ também cria-se como o fosse no traçar de um oito, haja vista que, deste o por último, ambas as grafias se iniciam e findam num ‘O’. Não importa se algarismo ou vocábulo, sim, dará sempre no mesmo e no mesmo sempre de novo.Diferindo do pequeno zepelim não apenas no tamanho, a borboleta não se inflou instantaneamente não; fora trazida já cheia de gás, como se não houvesse possível em insuflar algo daquele porte em tão curto período. O ‘Óbvio’ era demasiado grande para tanto, havia precisado muito tempo para enchê-lo sim; e isso ao esforço de uns muitos, revezando-se em dias e noites até mesmo. Não se sabe precisar bem, só é possível dizer que o tamanho daquilo assustava. E assim ficaram todos, não sabiam o que aquilo poderia lhes dizer, se é que podia. Era o ‘Óbvio’ o que viam sim, mas era este o mesmo que não percebiam não. Como é que se descobre o ‘Óbvio’? E eles não sabiam! Entreolhavam-se todos, sendo parecido se esperançassem, cada qual no outro, resposta àquilo que os atordoava os sentidos.Passeava pelo entremeio do cá e lá, ziguezagueava e ziguezagueava numa altura que se mantinha sempre a mesma e outra e a mesma sempre. Cores, as difusivas e apareciam num mosaico do mais bem misturado. Era o ‘Óbvio’ sim, e isso, muito embora o vissem pelos próprios olhares de consternação, era tudo o que não conseguiam perceber; aquilo nada lhes contava não. Um enigma cuja função não era cobrar resposta, pois esta, numa inversão de lugares, tomara o da própria pergunta; era uma resposta que carecia tão-somente ser perguntada. De modo que então, como, ou talvez fosse por quê, perguntar o já respondido? Ninguém sabia, ninguém sabia a qual pergunta o enigma esclarecia: nem mesmo se esclarecia sabiam.Consumidos pelo êxtase a que serviam de infinita alimentação, tinham no entanto esperança de que o ‘Óbvio’ se solucionasse por sua própria aparição. Admiravam-no em hipnose a mais profunda, e a isto se limitavam as ações; apenas o acompanhavam no suave do movimento através do qual se movia. Já o sem-nome não via no haver da coisa a graça que os encantava; ficara para assistir em função da curiosidade sim, não diferente de nenhum dos espectadores do ‘Óbvio’; mas estes tinham um compromisso: estavam ali ao desígnio único de ver aquilo que era o ‘Óbvio’. Não podia ele portanto integrar o grupo de cativos admiradores; bem mais preferia ver naquela gente tão estranhamente atônita o perder de olhares na confusa borboleta a também dedicar-se àquilo em que os olhares perdiam-se todos. Isso posto em relato, passou a desprezar aquela gente sim; uma gente estúpida que não o percebia não – mantinham os olhos excessivamente ocupados nos segredados pelo incomunicável a que lhes impusera o ‘Óbvio’ –, de modo que assim podia se sentir o invisível meio aos quais compunham a mesma. Veio-lhe a vontade de gritar toda sua indignação, veio sim, mas arrefeceu em tal desejo, pois sabia que também não dariam ouvidos; nada os tiraria do estado em que se encontravam afogados. Não, o sem-nome não mais quis ficar ali não, principalmente depois que a borboleta parou num ponto o fixo e a multidão voltou-se àquele espaço escolhido para sobrevôo; todos o fizeram dessa forma, estando incluso até mesmo aquele por cuja apresentação do ‘Óbvio’ foi responsável – o rufador descompassado. Agora definidamente encontravam-se no mais depurado absurdo do estático, não se mexiam por tudo nem nada. Assim pareciam como que mortos apesar de haver vida no dentro daqueles seres, os petrificados em verdadeira adoração. Havia sim, muita. Mesmo que sem ser vivida, havia.Abandonou todos ali entretidos com a esfinge dos avessos. Teve de abrir caminho a braçadas, pois eram imobilizados que se encontravam sim. Empurrou alguns dos quais estavam nas adjacências. Isso sem fúria, posto que apesar de achá-los bestiais por se encontrarem tal como fosse em hipnose não agia por cólera, e sim pela carência de abrir espaço e livrar-se daquele obsessivo cenário. À direção das costas foi que o sem-nome escolheu para seguir. Estava novamente a caminhar pelo deserto das ruas; tal como antes, virou várias esquinas sem descobrir vivalma – somente havia casas trancadas, e eram muitas. Certamente estavam todos, sem exceção que fosse ele, reunidos naquela festa que o engolira ao acaso das contingências: embora não desconsiderando de todo naquilo algo que se diria um quê de proposital dos necessários. Por estarem todos em contemplação que já bem sabemos, não mais se ouvia o som dos festejos não – a adoração requeria silêncio sim. E essa falta de som o seguia pelos lugares que ele atravessava.Pode ser que não, como também ser que sim sim; subtraindo reparo às possibilidades da coisa ou não, veio levemente um tremor sob as audazes passadas do sem-nome; ele pensou ser um que se limitava tão-somente a seu corpo, mas talvez tenha sido algo em intensidade maior. Tanto assim que se fez sentir pela gente que admirava o ‘Óbvio’. E não propriamente em função disso, a enigmática borboleta estourou sobre os que dedicavam a ela os mais ávidos olhares, fazendo chover neles uma garoa de pó em tom sombrio que se depositou sobre os corpos dos mesmos; decerto o pó impregnar-se-ia pois à pele dos espectadores. Foi tudo como num castigo sim, tal se o tempo dado para que descobrissem o ‘Óbvio’ não houvesse sido atendido. Então aquele enigma que pedia pergunta - e não resposta - vomitou para cima deles a cronologia de sua ampulheta interna ao explodir em deiscência, fazendo com que todos ficassem contaminados pelo tempo que não lhes fora o suficiente não. E pouco após isso, num bem pouco sim, danaram-se a rir na mais patética e gritante entonação das comicidades.Ao sem-nome - que já se ia visivelmente distanciado de todos - ainda fora possível ouvir daquelas loucas gargalhadas um quase; não quis saber entretanto o que seria aquilo de agora. Que se matassem de tanto rir, nada daquilo lhe dizia respeito e já havia ficado em demasia entre aqueles que eram tão estranhos como tudo. Por ser assim foi que acelerou sua marcha como quisesse distanciar-se, numa vez que fosse a por todas, até mesmo do resquício de som que o atingira não obstante estivesse a andejar os longes do afastamento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;4.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Deixou enfim as ruas a partir das quais casas e mais casas brotavam – seguiria por uma estrada que bem provavelmente era a única que possibilitava ir às cercanias da cidadezinha. Caminhou com efeito alguns bastantes pelo acostamento da mesma, caminhou sim. Depois cansou-se; quis mudar o percurso. Parecera ser estupidez andar sobre aquele chão de asfalto todo demarcado por faixas de instrução e em cujas laterais havia as mais variadas qualidades de placas sinalizadoras – dessas que indicam iminência de curva; ou limite de velocidade; ou risco de ultrapassagem; por fim, um todo a bem mais do que se imagine de modo a conseguir um desfecho seguro, ou assegurado seja lá como o queiram despido dos disfarces do verbo.Que graça há no sublime de correr sendas as já delimitadas? Aonde se vai assim quando o derradeiro do destino é dado antecipadamente por pronto e instituído? E, se é que se vai, chega-se então? Como se se fizesse esse tipo de questionamento foi que virou uma vez mais à esquerda, de modo que agora num claro preferir: resultando assim em tangencial o abandono da estrada pela qual viera. Oeste, este foi o exato novo-rumo ao qual para lá seguiu. Estava quase que tranqüilo por não mais pisar chão, o chão de asfalto sim. Caminhava sobre uma gramínea viçosa, e isso o felicitava, pois ali não havia sorte alguma de placas e faixas de instrução – senão, a intermitente vegetação arbustiva ocupava-se dos enfeites do novo espaço. Tudo aparecera como que a estar em seu posto o mais adequado, estava sim; e, para além do mais, nada servia de alerta ou coisa que o valha em semelhança não. Talvez o sem-nome tenha portanto congeminado em seu pensar que o Aviso somente se serve daquilo o que está (porém não o é) forâneo ao haver de lugar cuja devida ocupação cabe primordialmente às coisas que lhe dizem no respeito de as contemporizadas em posse.Constando que já se fazia o entardecer, o sol brilhava-lhe à frente. Os raios, apesar de enfraquecidos, pareciam querer ultrapassar, nele, o delgado corpo dado a intensidade com que o arrebol surgira da atenuação entre firmamento e horizonte. Desse acontecido, veio a conseqüência de ter a visão ofuscada pela intensa claridade que fazia em face dele. Mesmo assim sendo não parou seu andar; não parou não. Quis seguir na direção daquele calor entretanto não visse bem o onde a que se estava indo, apenas o quisera assim.E para esse lá ia indo ele a caminho de um sol que se mostrava o sem se deixar ser visto., Ainda que não pudesse ver bem, e realmente não o podia, sentiu o chão conquanto se inclinando sob seus pés nos dele. Um sopé de montanha, era sim, certamente era isso o que fazia com que o chão subisse cada vez mais, cada vez mais um pouco, e cada vez mais um pouco ainda à sensibilidade de suas desbravadoras soladas a caminho daquele fúlvido do ocaso. A esse modo, impelido pelas ordenanças de um desejável, subia ele por aquele piso que era o sustentante na progressiva inclinação em que se apercebera nela; e muito embora o desgaste esteja sempre em quase todas as subidas de ascendência, não retardara o passo não – ao contrário, colocou-se em pisadas as mais velozes, como se quisesse a cada nova, mutatis mutandis, vencer a antecessora, a antepassada passada.A ser crido possível que em efeito disso - provavelmente em forma de espólio - deixava muito do que era para trás si, sim; às coisas que deixara passadas devido ao anseio das urgentes passadas, talvez sim. Sentia-se a ultrapassar a si mesmo, quase como se não pudesse acompanhar o próprio ritmo em que ele – o sem-nome – ia. A configurar-se no ainda mais intricado de tudo, somente se deu pelo havido no instante em que sua sombra pareceu abandoná-lo: sim, foi o que se historiou. Seguia em direção ao sol, o qual o atingia bem pelo frontal. E justamente isso fizera com que os raios que chegavam a ele projetassem a fugidia sombra, pouco-a-pouco, contínua e progressivamente, como num registro estroboscópico, ao onde-a-vista-custa-enxergar-mesmo-sendo-ao-preço-dum-esforça-se. Pode ser que ela, sombra, tenha querido ir por outra direção que não aquela em que o sem-nome indo se ia; pode também ser que o sem-nome a tenha abandonado como parecera abandonar-se a si em resulta daquela insensata ligeireza de pressa com que seguia ao topo da montanha, destarte imaginando possível alcançar-o-sol-que-lá-do-alto-quedava-num-rebrilhamento. Não obstante a ambigüidade habitável no haver da coisa, certo é que agora além de sem-nome era também o sem-sombra, isso independentemente da condição de ativo ou passivo ante à separação que se processara.Pois traspassado por essa ínscia contenda foi que, finalmente, o sem-nome chegou ao ponto a partir do qual a subida não mais lhe era possível. O sol, este havia desaparecido sem mágica de mistérios, pois, na verdade, já passara da hora em que devia dar lugar à noite em cujo cenário celestial brilham outros e outros astros. Sabe-se que a bem dos deveras fora sim a luz que viera do sol o que atraíra o sem-nome até ali. E essa também o guiara, mesmo que inviabilizando a visão, durante todo o percurso que fizera. No entanto, quando, depois de vencidas todas as dificuldades do caminho, conseguiu estar onde imaginara ter com a ofuscada claridade, viu-se em decepção. Havia chegado ao topo, talvez ao topo-do-mundo no entendimento de sua imaginação, e apesar disso nada do que o levara a esse lugar estava mais não: como se o fim-das-coisas traduzisse o princípio-dessas-mesmas-coisas não em outro que numa simples e rememorativa espiral de extremidades anacronicamente interligadas a cuja rotação assomava-se extinto o dissídio entre saída e entrada, pois as colocava o movimento tais como unas no haver funcional da coisa a que ambas elas se vinham prestar.Triste, mas era como chegava ao que parecera ser um objetivo – perdido de tudo o que sequer nem mesmo tivera, ainda mais agora sem a sombra; e, ao que tudo indicava, por cuja falta ele tampouco se dera à importância disso não. Mãos presas aos cabelos que por assim apareciam com muito de atrapalhados, sentou-se de cansado sobre uma das pontas de rocha nascidas daquele topo, topo-do-mundo sim. Saber o que pensava é difícil, pois, quando se tem a cabeça entre as mãos, pode-se tudo pensar, como não. Provavelmente apenas refizesse, mentalmente, o percurso dos fatos que o levaram a se achar onde estava. Desse modo, lembrava-se das coisas que habitaram o dia, talvez desde quando saíra da casa ou mesmo um pouco do havido anteriormente a isto. O tempo que ali permanecera é ainda mais incerto, mas passado algum, abandonou a posição em que estivera por muito nela. De pé então, pôs-se a olhar tudo em volta – era somente ele e a vastidão dos vastos do vasto do mundo. Viu-se num alto dos mais altos mesmo, e lá de cima encontrava-se dentro da pequenez do quando se está ante do diante de tudo. Entretanto não, não se gastou nisso; fosse como sentisse diminuído sim, mas o mesmo fizera dele o engrandecido, pois, de alguma forma, certamente a impensável, a sua desprezível pequenez era o que fazia tudo ser tão infinito-e-mais-um-além-do-após-disso...Nos encantamentos da escuridão noturna havia ali alguma luz sim – a lua era a brilhante, sobretudo naquele descampado em que estava; longe das iluminações artificias das grandes cidades, tudo parecia brilhar mais belo, como se assim o fosse ao brilho da realidade. Embora isso, estava muito pouco ou nada feliz com aquela luz não; muito provavelmente nem mesmo apercebera-se dela. Subira até ali a querer de encontrar-se não com luz qualquer, e sim com aquela que lhe havia chegado à vista de forma a despertar o mais profundo dos interesses. Percorria lado a outro a outro lado apesar de dispor para tanto de pouco do espaço. Não pensava abandonar o onde estava, pois havia se decidido por esperar aquilo-que-o-atraíra-até-ali. Como se repetidamente cansado por pisotear caminhos – dessa vez um que se anulava num vaivém de idas e vindas mal sucedidas –, sentou-se no mesmo recanto em que já estivera sentado. Percebeu algo a avolumar-se num dos bolsos sim; levou uma das mãos ao encontro do mesmo e tirou-o fora. Era um envelope, um dos quais lhe causaram estranhezas mais cedo; havia-o depositado ali quando ainda dentro da casa, no momento em que parecera fugir ao telefone que o servira de incômodos na insistência com que o dito tocava.Desde que saíra da casa, manteve-se tal modo o entretido de tudo aquilo que cruzava a ponto de nem se lembrar de ter uma daquelas confusas cartas guardada num dos bolsos de sua calça na dele. Para gosto dos saberes, ali estava por uma eventualidade sim; é que a trouxera consigo inconscientemente ao abandonar o quarto, em seguida passando pelo corredor através do qual chegara à sala. Enfim, o sem-nome tinha novamente em suas mãos uma daquelas com as quais não soubera o quê fazer. E tanto quanto não viessem os ‘porquês’ da circunstância, pôs-se a lê-la no que continha. Conquanto não o soubesse, conseguiu ler o que havia no escrito, ainda que no haver da coisa houvesse o nada não, pois essa carta era aquela cujas folhas traziam a ausência no branco de que se construíam. Faltou de todos os modos algum complemento depois de chegar ao final. Entendera, por essa ocasião, bastante bem o que lera sim, ou fosse mesmo o que não lera não, só que um finalmente de conclusões parecera ser negado, o qual agora talvez então fosse possível de ser extraído a outra carta dadas as já sabidas circunstâncias.Desfeitamento veio quando voltou ao envelope, à maneira bem insidiosa, um olhar cuja única característica vir dos aléns da inspeção. Descobriu então o nome esquecido, esquecido de si e igualmente por ele: que era o próprio, e, descobrindo-o, descobria também não mais necessitá-lo pois. Fez-se no apoio das solas dos pés, olhando mais uma vez à vastidão (sim, a mesma vastidão qual dos vastos que há no vasto do mundo sim), gritou em voz uma berrada, como se assim escarrasse naqueles espaços em que se achava a perder algo procedente de seu íntimo. Era o nome dele, sim, que ia sendo levado nas ondas daquele grito; ondas que seguiam ao distante, o qual morava ali por perto de modo que, tal o fosse num imediatamente, o eco as trouxera de volta, ainda que isto a ser demasiadamente enfraquecido em intensidade caso seja esta relacionada àquela da ida que voltara por vias reverberadas. Portanto, aquele que de um nome já não mais estava O a carecê-lo não, soube-se o vencedor do acontecido. E foi a partir do elo dessas conjunturas, separando-se do que sabia por seu como o dele em tempo anteriormente havido, que finalmente compreendeu a inconciliação evidenciada através da concatenação de relacionamento entre o ter e o possuir. Não, não há como explicá-la pelo devir de uma revisita desta que o havia por fugidiço – a compreensão–, ou mesmo que dogmatizada por cismar de indução ilógica. Pois aconteceu de conceber, o que por efeito condenava o haver das funções à imiscibilidade, o possuir somente possível quando, lançando mão de um peremptoriamente, se abandona o ter. Outrossim, o ter comporta um sortimento de coisas o mais vário a se pensar; e, fazendo a contrapartida das vezes, o possuir, a custa de dessabores os mais amargos ao gosto do entendimento – e por isto, a saber, quase sempre vilipendiado –, impõe aos teres a restrição de seleção dos necessários ao imprescindível. Mas se então assim excedida a dicotomia da questão ao campo do Ser-acontecendo-reS e reaplicada sobre o indivíduo praticante do ato reflexivo bem no meio da clareira de uma floresta, viverá este mesmo indivíduo em eterno desarranjo com o outono de seu espírito, posto que querendo lembrar o que é, antes do demais, deverá encontrar-se a si; e encontrando-se fará de outra maneira aquilo que o levou à causa em função da qual saiu a buscar a si mesmo, removendo, no interior dessa clareira, as folhas decaídas no ciclo de estações da vida breve – colocar-se-á, com a impetuosidade dos delírios, ao olvidar dos esquecimentos. Essa findora discordância, nascida do proposto a que se deu, é que não obstante transformará em possível o haver de seu possuir-se. Sim, isso mesmo que apareçam pintados a cor do inevitável os entraves intrínsecos a esse desarranjar-se que ameaça seguir em vias de perpetuação.Sobreveio consequentemente, àquele que dum nome já não mais estava O a carecê-lo não, uma sorte de nostalgia metafísica, de modo que o dito se soube exilado em suas próprias contingências. Tão estúrdio parecia quanto fosse necessário lançar-se à frente de maneira a caminhar o para trás. Na decoração componente do em torno, a noite ainda era absoluta, sendo permitido utilizar de tal termo. Não tardaria muito para romper conquanto um novo dia, trazido pelo eternamente repetido sol. Aquele que de um nome não mais estava O a carecê-lo não resolveu partir; refaria o itinerário mediante o qual viera a estar naquele ponto, pois a supracitada nostalgia implicara uma sensação que implicitamente levá-lo-ia a retornar difratadamente pelo ser, embora nada esclarecesse o destino último a que devia chegar, que, a bem dizer, poderia ser a casa em cujo imo de interiores encontraria a outra carta, par da que tinha em consigo. As antigas passadas iam sendo portanto as repassadas em novas outras passadas neste agora de vez. Sem grades aflições, punha-se a reconstituir em maneira antagônica a subida da montanha, isto é dizendo: a descida da montanha sim. Ainda não muito havia afastado o topo quando o sol irrompia na linha do horizonte sobreavisado por precedência de uma nova aurora. Estranhou aquilo sim, pois como podia tal – era deixando de perseguir um qualificado de desejável que teria com o mesmo? De toda forma, aquilo era apenas uma inquietação a mais; uma que não o faria mais confuso do que antes estivera não. Permanecia a ser o sem-sombra afinal; o sol por tal turno já não mais o sabia. Para todo o sempre, seria aquele cuja sombra se havia ido em contrário.A estrada das faixas de instrução e placas sinalizadoras se fez tão logo esteve a endireitar-se pelo sopé da montanha, tangencialmente. A contrapelo da ida, viu que novas placas tentavam anular em contradizeres aquelas possíveis à vista quando na mão pela qual havia chegado, na ocasião em que as coisas se orientavam sob outra perspectiva sim – curva cujas sinalizações anunciavam acentuação à esquerda passava a ser acentuada à direita, como se a discrepância fosse uma equânime tentativa de transformar uma trajetória curvilínea em também retilínea, sabe se lá em efeito de quais intenções de causa.Para mais de toda coisa dita até aqui, foi previsivelmente percorrendo a estrada já antes andada por seus passos. Mais a frente, entortou-se em viés de maneira a atingir as ruas a partir das quais casas e mais casas brotavam anteriormente, ao instante em que saíra à esquerda com a finalidade de iniciar a pretérita ida pelo acostamento da estrada das faixas de instrução e placas sinalizadoras. No entanto, as ruas nas quais casas e mais casas brotavam anteriormente não mais podiam ser as mencionadas de forma tal; algo de devastador as tinha acossado. Só se viam arruinadas ruínas no tétrico em redor sim, mas não como se vê em telas de filmes bélicos ou documentários do gênero, pois estavam como que vencidas pelo tempo num similar de desfalecimento gradual das estruturas de sustentação. Falto de referências, aquele que de um nome não mais estava O a carecê-lo não desenvolvia um andar perscrutador entre os escombros do que fora, pouco antes, coisa de um sol atrás numa idiossincrásica aritmética de medição temporal, a cidadezinha em que vivera nela, sempre. É certo que podia ter tentado informar-se a respeito do que ali sucedera com algum dos que trabalhavam a encher com entulhos caçambas de caminhões e outros mais que pareciam mesmo apenas coordenar as tarefas. Havia uma tropa inteira desses ditos; pareciam e eram gente do Governo. Entretanto não o fez; preferiu seguir até a casa sem saber notícia do que levara a cidadezinha ao estado em que estava nele. Foi pisoteando entulhos, passando desapercebido como ninguém o faria melhor por entre a gente do Governo, até defrontar-se com a casa, ou mais acertado dizer, com aquilo que teve por tal, pois era bem mais um amontoado de escombros. Os olhos ficaram os devotos da casa por um tempo curto apesar de incalculável em medidas, e para o além desse haver de coisa tocaram-no o ombro, como gentilmente se desperta alguém de sono suave. Era a supervisora de coordenação das tarefas que viera interrogar o porquê de ele estar ali, uma vez que não era permitida a permanência de pessoas estranhas. Disse-lhe ser aquilo que pairava à frente dele a casa que ainda ontem habitara como morada de vivência. O impossível veio de resposta, pois a cidadezinha estava desabitada havia alguns anos já – uma misteriosa espécie de arruinamento progressivo colocara todas as edificações por terra, tanto as velhas quanto as novas. Uma vez mais levou as mãos aos cabelos e não teve como compreender o que ouvira e tampouco o que ia vendo por todos os cantos a partir dos quais a vista configurava imagens. Pediu permissão para remover os entulhos aos quais se referia como a casa, e obteve-a sim. Agia com muito de compassividade a supervisora de coordenação das tarefas embora o houvesse advertido – imperativamente, há que ser dito - de que não teria muito tempo para tanto e que também não se encontraria nada de proveitoso dada a enumeração dos anos desde o quando em que aquilo se fizera antonomasticamente alcunhado, digamos, as ruínas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;5.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Coloria-se a alcova, sim, com o tom das paredes dos lugares onde as pessoas trazidas não desejam repetir em muito os dias da estada. Era ali que a maior parte de seus dias se passava desde aquela ida vez em que estivera O a conversar com a supervisora de coordenação das tarefas. Não havia nenhum aparato especial destinado a protegê-lo contra O sigo mesmo do dele não, como acolchoamento das vedações internas ou similares a valê-lo em gênero. Dispunha apenas de uma cama na qual se podia acomodar deitado, uma escrivaninha com cadeira e muitos livros e papéis que lhe entregavam sempre que fossem os requisitados sim; obviamente, canetas e lápis constituíam o limitado grupo de objetos que o fazia companhia quando não mais havia ninguém a dar as já habituais examinações. Uma das primeiras inquietações, por que fora visitado, dizia respeito ao tempo. Não via o como de explicar aquele fato de se ter passado tanta coisa num tão curto tempo de período no momento em que estivera ele a subir e descer a montanha. Tentou as complexas teorias de dilatação do tempo, mas estas apenas esclareciam a parte física das atormentações; depois buscou explicações para o que assim chamou de as existências no havido do haver da coisa, inteiramente. Isso somente abriu portas para as novas indagações, as quais o colocariam inserido dentro do encaracolado circulo vicioso das inquirições. A seguir, apartou-se de tais averiguações; a questão do tempo havia portanto perdido as honrarias com que vinha sendo tratada sim. Certa feita de ocasião veio-lhe até ele a comissão das análises. Boas notas foram dadas ao comportamento do interno apesar de não aceitarem como atitude saudável a insistência em recusar a dizer-lhes o nome; e a cada dessas análises feitas pela comissão, tinha ele maiores regalias muito embora permanecesse sem lhes dizer o nome – eram permitidos os pedidos. Conseguiu, através do primeiro deles, papel e caneta; dos outros demais obteve a escrivaninha e os livros. Noutras ocorrências, trouxeram os envelopes e também o catálogo de endereços residenciais e um outro moderno no qual se podiam consultar os endereços eletrônicos das pessoas que acessavam a rede virtual de informações interconectadas. Nomeou e endereçou várias cartas que há muito vinha escrevendo, mais precisamente desde quando chegaram as folhas de papel a ser escrito; tinha-as todas na gaveta da dita escrivaninha à espera de permissão para despachá-las aos respectivos destinatários. A comissão das análises achou curiosa a prática de escrever cartas, contudo pensou ser algo de que se poderiam retirar causas com as quais se elucidariam os efeitos de recusa da autodenominação. Desse modo, autorizou-se a ele o envio das correspondências que já se vinham avolumando, pois só fazia escrevê-las. O intuito da comissão das análises foi traído tão logo se recolheu a primeira remessa a ser postada e enviada ao serviço de distribuição das comunicações externas do local. Nos envelopes não se lia o nome do remetente, pois se repetia o mesmo do destinatário, o qual passava por um processo de escolha quase que em totalidade aleatório não fosse o critério de respeito à ordem alfabética das pessoas a cujos nomes se escrevia. Tal ordem contudo trazia em si algo de desordenada, uma vez escolhidos os nomes a partir da última e indo para a primeira letra do alfabeto.A comissão das análises investigava com estranhamento o que ia sendo processado; não era que desconhecessem o nome pelo qual tanto se fazia por conhecer, posto que o sabiam desde sempre, mas tal procedimento constava como o indispensável nos laudos de avaliação da comissão, de modo que o interno obtivera eminentes notas em quesitos anteriormente analisados, e agora soment faltava passar pela parte da autodenominação. Mas isso não parecia acontecer, e, na verdade, nunca aconteceria, apesar de ser tida como a mais simples atividade a se verificar nos internos embora a mesma fosse indispensável no tratamento do que tinham por neuroses da vida contemporânea, sendo lá o que queriam dizer com a peculiar terminologia algo tão imprecisa.Deram-lhe então um portátil computador através do qual seria possível o envio de mensagens eletrônicas, como era a tão corrente moda de comunicação das ondas. Mas não quis usá-lo para tal função, pois dizia que daquela forma não teria a certeza de que aquilo que vinha escrevendo chegaria aos destinatários como tinha quando o envio se dava por cartas despachadas pelo sistema convencional de correio. E assim permanecia a escrever as cartas, que eram as recolhidas e enviadas semanalmente, até que um dia o funcionário responsável pelo recolhimento foi surpreendido por não mais haver cartas a se recolher. Este funcionário pensou o estranho da coisa e comunicou-o à comissão das análises, imediatamente. A comissão foi vê-lo sim, mas não naquele mesmo instante como se pensaria. Esperou-se pela data em que seria hábito vê-lo, o que não demorou muito, pois o viam com o intervalo de dia-sim-dia-não. Quando vieram a dar as examinações, uma jovem integrante da comissão das análises perguntou um por quê não mais escreve tuas cartas? Veio a ela o já escrevi a todos os nomes do catálogo que me trouxeram a mim! A mocinha que apesar da pouca idade parecia ser superior aos seus companheiros da comissão das análises disse-lhe seguidamente um não sabes que muito mais nomes há no mundo do que os compreendidos num simples catálogo? E retrucou o sim, mas não me interessam os nomes propriamente ditos, mais me dizem as pessoas que a eles respondem por seus! Riscou a alguns escritos na prancheta que trazia consigo em função desse havido, depois quis saber dele o sendo da forma como me dizes, o que te fez usar os nome do catálogo então? Abriu-se num suave sorriso proferiu um não usava os nomes, usei as pessoas que respondem por eles, pois os nomes não são as pessoas, e da mesmíssima forma as pessoas não são os nomes! Anotou-se mais algo na prancheta dela e, antes de riscar a quadrícula destina aos intratáveis segundo o método usado pela comissão das análises, ela interrogou o podes então nos dizer que são as pessoas? Teve de resposta o as pessoas são aquilo que se perde, aquilo que se esquece lembrando, aquilo que se lembra esquecendo e, sobretudo, aquilo que se deixa de ter quando se possui!Acredito que com essas enigmáticas explicações quis ele dizer que escrevia aos nomes através dos quais atingiria as pessoas sim, que escrevia a todos os nomes do catálogo porque não carecia mais do que tivera, de modo que assim tinha todo e qualquer nome. Enviava cartas na tentativa de alguma se extraviar nos anais de organização do tempo, tal como o que se passou com ele no momento de que já sabem os que me tiveram ouvidos até o aqui desses meus dizeres. Esperava, mediante esse maravilhoso extravio nas dilatações do tempo, comunicar-se com o que fora ele anteriormente ao que era, pois o ele que era O de-agora se lembrava bem de quem fora O ele de-antes, mas aquele que fora O ele de-antes não tinha a mínima minimiosa idéia de quem era O ele de-agora. Por isso, as cartas faziam-se as necessárias à comunicação entre o que fora/estivera e o que era/estava, pois um sabia o que havia sido do outro, mas o outro nada sabia do que havia sido do um, nem sequer se o um havia sido sabia. E por meio desses contos de confusa conclusão vai se encerrado o que merece ser dito a respeito do havido na história do sem-nome, sem-sombra, sem-agora, aquele que de um nome já não mais estava O a carecê-lo não, dado que a estética vigente impede para todo o sempre que qualquer narratva, desprovida de experiência e desde muinto, seja findada, mesmo as fantasticamente contados por títeres de manipulação, com o E todos viveram Os felizes para sempre... Mas haverá ainda o que se contar se um dia alguém encontrar aquela carta atrás da qual aquele que dum nome não mais estava O a carecê-lo não foi e descobriu seu o lar feito, com dissemos, em As ruínas? Talvez haja mais o que se dizer sim quando houver possível em descobrir o que havia nos dizeres da missiva perdida entre os detritos daquela cidadezinha, para a qual se dedicaria um projeto de reocupação. Hum?! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;D. *&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;*&lt;/strong&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Houve um tempo em que tudo - a propósito específico deste conto - era revisão, precedido de um tempo em que tudo foi fluxo contínuo de uma narratividade bastante dilatada; talvez uma frágil tentativa de mimetizar, com as palavras, o movimento oral  do pensamento através da escrita. Tarefa tão vã como toda a arte de delírios. Depois disso, tudo foi considerado retrógado e besta, após a constatação de um estúpido pedantismo e reinscrições em lugares já habitados da escrita. Daí a revisão incompleta e verdadeiramente impossível, porque improvável. E, assim, o ritmo agônico tanto da escrita quanto da revisão resolveu ser encerrado pela própria construção ambivalente do texto. Enfim, um conto super hermético e chato; duvido tanto que alguém consiga ler esse colosso pros moldes atuais de escrita e chegar ao ponto em que se lê essa nota descomedida. Foi meu primeiro gesto escrito considerado a sério, por isso sempre falido e sempre revisado; tudo isso se estendeu de 2002 pra cá: 2009.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-7787548417518139483?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/7787548417518139483/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=7787548417518139483&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/7787548417518139483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/7787548417518139483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2009/10/noticias-pro-fim-dos-dias.html' title='notícias: pro fim dos dias'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Suhtsga36II/AAAAAAAAAZA/LZHKlg8Yif0/s72-c/man+with+a+newspaper.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-4356749835677646648</id><published>2009-09-11T08:26:00.025+07:00</published><updated>2009-10-07T01:54:11.938+07:00</updated><title type='text'>Os trapezistas</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Sqmoay4jeUI/AAAAAAAAAYo/15jhjzxMP9k/s1600-h/trapezista+1.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 273px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5380016408159811906" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Sqmoay4jeUI/AAAAAAAAAYo/15jhjzxMP9k/s400/trapezista+1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;E fiz pedir por tomar dos seus lábios um pouco mais desse líquido que na qualidade de seiva irriga o jardim de onde eu colho e recolho a sua língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Cada uma das suas palavras&lt;/strong&gt; esteve para mim como pequenas flores, quase orquídeas ou petalazinhas delicadas do tipo. Uma por uma eu as beijava através de intensos movimentos executados com esse órgão muscular a partir do qual sentimos todos os paladares e ao qual sempre recorremos a fim de alimentar o corpo e sobretudo descrever os desejos, as vontades, sejam elas escandalosas ou murmuradas, por que não os sonhos e os pedidos confessos?, esperando que realizem nossos caprichos... Eu bebi desse ramalhete pleno de cheiros e sensações maravilhosas todas elas liquefeitas nessa boca, e bebendo dali me nutri mais forte. A sorvos tomei dos seus lábios o sumo de todos os prazeres feito fosse a abelha que colhe de uma corola rubra o suprimento para um longo inverno de reclusão e justo por isso precisava ser insaciável uma vez querendo não subjugar a certeira inanição proveniente da ausência de substância tão vital à existência. Tive medo de não suportar esse tempo de hibernagem e ao fim cair diante dos rigores invernosos e por tudo isso suguei profundamente cada uma de suas pétalas durante nossos beijos. Tal foi o medo de fraquejar que ainda desci por todo o caule sobre o qual está sustentada a sua Coroa Imperial e me lambuzei com o pólen de todo o seu pescoço para logo subir outra vez e deixar novamente minha língua inteira deslizar por você e me afogar num suicídio ressurgente através de só mergulho porém de várias emergências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/SqmoU1qUD5I/AAAAAAAAAYg/Exvo-y4v3Ic/s1600-h/trapezista+2.png"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 221px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5380016305826172818" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/SqmoU1qUD5I/AAAAAAAAAYg/Exvo-y4v3Ic/s400/trapezista+2.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tive vontade de ir mais profundo. Beijar mais e mais. Articular lambidas trapeziformes lançando a minha língua contra a sua língua contra a minha repetida e novamente até construirmos um pequeno espetáculo nesse úmido picadeiro feito a partir das nossas bocas e também da sua nuca e em cujo palco ou bem mais acima deste o número apresentado coincide exatamente com o beijo em processo. Tive vontade de ir mais profundo, estou dizendo isso para você e o explico pela tentativa de engolir um pouco da sua voz, trazê-la para dentro de mim desde o último domingo em que estivemos juntos, esse dia apócrifo no enredo da semana e a partir do qual nada se encerra, tampouco se principia. E quando já não houvesse mais espaço cênico, baixadas a lonas labiais, conseguir ouvi-la ressoando dentro do meu peito, provocando uma sorte de reverberação que de algum modo - desconhecido e improvável - me levasse para mais perto de você mesmo quando longe e não importando quão longe isso fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Há de pronto uma intensa evocação de jardinagem.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Tanto mais belas as flores, mais e mais as delicadas pétalas conclamam para si o cuidado...&lt;br /&gt;Eu gostaria tanto de apreender alguns truques de poda de modo a favorecer o florescimento das palavras que me aprovassem a atividade de beijar seus lábios e recebê-los molhados, respingando nos meus um orvalho sempre novo. Regar-nos-íamos, assim, mais amantes e toda palavra que aqui escreve jardim e faz brotar de tudo isso a espiral semântica que floreia esse limiar ardente do seu corpo que quero com o meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Há igualmente de pronto uma intensa evocação circense.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tanto mais vigorosos os giros do trapézio, mais e mais ensaiados se reivindicam os trapezistas dessa insólita arte de beijar em suspenso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horrorizam-me os caprichos do Inverno, também a imagem de uma tenda circense amarfanhando-se pelo chão.&lt;br /&gt;E temo o esmaecimento das flores, a opacidade do jardim sem o brilho de vários crisântemos, a queda dos trapezistas e o silêncio de tudo isso que deveria bem antes emitir um som muito alto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-4356749835677646648?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/4356749835677646648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=4356749835677646648&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/4356749835677646648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/4356749835677646648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2009/09/os-trapezistas.html' title='Os trapezistas'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Sqmoay4jeUI/AAAAAAAAAYo/15jhjzxMP9k/s72-c/trapezista+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-5624941534783110235</id><published>2009-07-21T20:18:00.024+07:00</published><updated>2009-08-06T07:37:28.971+07:00</updated><title type='text'>A sintaxe dos afetos.</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/SmXEf6e8BCI/AAAAAAAAAW4/PdeojNSr3Z8/s1600-h/escada+caracol+vidro.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 349px; DISPLAY: block; HEIGHT: 202px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360906984008451106" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/SmXEf6e8BCI/AAAAAAAAAW4/PdeojNSr3Z8/s320/escada+caracol+vidro.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/SmXCcu3C9nI/AAAAAAAAAWY/AA3Sy0KRWzo/s1600-h/escada+caracol+vidro.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;There’s two kind of woman, There’s two kind of man&lt;br /&gt;There’s two kind of romance since time began:&lt;br /&gt;There’s the real true love, and that good old jive;&lt;br /&gt;One tries to kill you, one helps to keep you alive.&lt;br /&gt;I don’t know – what kind of blues I’ve got.&lt;br /&gt;There’s no rest for weary; I’m going to see Snake Mary;&lt;br /&gt;‘Cause I don’t know what kind of blues I’ve got.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(&lt;em&gt;I don’t know what kind of blues I’ve got&lt;/em&gt;. Duke Elligton)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Il y a seulement deux choses: c’est l’amour, de toutes les façons, avec des jolies filles, et la musique de la Nouvelle-Orléans ou de Duke Ellington. Le reste devrait disparaître, car le reste est laid, et les quelques pages de démonstration qui suivent tirent toute leur force du fait que l’histoire est entièrement vraie, puisque je l'ai imaginée d'un bout à l'autre.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;(&lt;em&gt;L'écume des jours&lt;/em&gt;. Boris Vian)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Anteato.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes, deveria dizer que jamais conhecera aquela sorte de nome. Ou melhor, já que o caso é bem dizê-lo, até poderia recuperar uma e outra recordação submersa recorrendo a minha memória profunda. Mas escavá-lo, uma vez bem dito, seria esforçar-me numa vã arqueologia. A mágica desse nome, dessa palavra-escondida, escandida sub-repticiamente através de uma sintaxe bastante espessa, submete ao esvaecimento todas as demais lembranças possíveis de serem retiradas desse poço de água turva ao qual chamamos “memória”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sonhara durante muito tempo o sentimento evocado naquela palavra, naquele nome. Não por inteiro, mas sim em partes. De princípio, sequer a palavra’parecia, tampouco um nome se formava. Tudo vinha até mim bem mais com um mistério cuja solução não acharia. Depois, com o passar dos dias, comecei a apreendê-lo não mais misteriosamente, e sim como mistificação. Enfim, algo que não compreendia, mas do qual poderia, quiçá, possuir a chave. E assim confiei na possibilidade de descobrir em algum instante do meu sonho o segredo que me permitisse lê-lo, aproximar-me do deciframento que desvelasse o ato de criação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perto desses dias, quando o sonho despertou em mim, eu lia um pequeno romance de Boris Vian. Algo daquelas páginas de Vian ressoou em mim e, daí por diante, me acompanharia traiçoeiramente feito um cão à espreita da mordida: “Ocupo meu tempo escurecendo meus pensamentos, porque a claridade me incomoda”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal leitura, como é bem certo supor, sucedera à manifestação da imagem onírica. Colhi, dali, algumas sementes e sobretudo semeei em meu peito aquela através da qual floresceria o nenúfar cujas pétalas abrir-se-iam dentro de mim trazendo de uma vez por todas, palavra por palavra, o excerto a pouco citado. De mais, fiz situá-la com tal precisão até por fim transformá-la na epígrafe dos meus dias passados diante da mistificação gramatológica através da qual descobria gradualmente a palavra-escondida não inteiramente naquela mulher, mas, deposta da essência, tornando-a ato apenas a partir de mim. E quando buscava ler os movimentos daquele corpo, despontava dali uma recôndita sintaxe dos afetos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sonhos - como nós nos acostumamos a rogar durante muitas manhãs - bem poderiam ser difratados uma vez entrechocando-se com realidades experimentadas e, nesse toque de ambas as dimensões, cristalizar-se-ia a geometria prismática da vida. A propósito do traçado que diz o contorno dos meus ângulos, é bem mais sensato considerá-lo a partir da peculiar faculdade de dupla decomposição que há no prisma e da qual resulta um processo de inversão neste pedido insistente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha vida, digamos, prismou-se em sonhos bem quando, desperto de qualquer delírio matinal, descobri a mulher cujo nome escondia a mistificação do meu desejo sonhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela antes havia cruzado meu caminho repetidas vezes. Algo que por certo antecedera a configuração noturna do traço desenhando sonhos nas páginas do meu anseio. Ou melhor, eu talvez irrompesse bem no meio do caminho andado por ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é questão de avaliar os destinos, e sim a contingência implicada nos percursos. E isso por vezes faz do extenso enredo da vida uma pequena troça. A questão primordial, neste caso, resulta em debater-se contra tudo, inverter os maus ventos e fazer a tempestade soprar às avessas e, assim, obrigá-la a tragar para dentro de si o desconcerto disseminado contra nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ato.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360903333520139410" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/SmXBLbWs5JI/AAAAAAAAAWQ/h1uKe1MhkRU/s320/escada+caacol+piano+-+C%C3%B3pia.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Com os olhos bem fixos na escada, eu vi a mulher passar. O dia dava uma tarde calma, porém de céu revolto, como nessas ocasiões em que as nuvens se agitam com tempestuosidade. Expressava-se tão incerto que os passos dela tivessem apenas o propósito de levá-la de um lugar para o outro, como bem calha dizer sobre qualquer caminhar. Pareciam de tal modo emitir, antes, alguma melodia, algo que a orquestrasse meticulosamente através dos movimentos. Era o que, naquele instante, eu tentava desvendar, ouvir. Por isso, imaginei nos seus sapatos (de cor afogueada) os dedos que tocavam a cada um dos degraus na escadaria tal fossem as teclas de um piano cocktail, sonorizando algo bem próximo (pensei) da regência dada por Duke Ellington em “I don't know what kind of Blues I’ve got”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E com cada um de meus suspiros eu tentava desvirar a trajetória indesejável dos ventos daquela tarde. Encontrava-me sentado, reconvalescendo-me do uso exagerado de meus pulmões; algo que me retirara quase todo o ar a ponto de levar até à vertigem. Mas quando ela iniciou a descida, orquestrando em cada um de seus passos o movimento corporal com que se fazia presente, eu já estava sóbrio apesar da fixura que meu olhar lançava àquela presença feminina despontando pouco e pouco mediante a elipse da escadaria espiralada a partir da qual eu contemplava tal composição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu nome, a palavra-escondida que eu tanto sonhara naquela mulher. E por isso eu suspirava, enquanto ela descia de passo em passo e eu ia descobrindo mais uma vez a presença dela em meus olhos através da certeza mais tempestiva daqueles dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que dessa maneira eu vim a saber que aquela escada, acaso escandida em cada ponto sinuoso da imensa elipse, não esconderia mais palavra alguma, bem mais escandiria o nome daquela mulher e esse nome já coincidia exatamente com o nome retirado dos meus lábios pela minha voz a pronunciá-lo suspirosamente em cumprimentos mistos de carinho e contentamento. Assim, eu soprava e soprava para longe todo o desarranjo, todos os empecilhos e a desventura. Foi com calmaria na alma que de tal modo vi Mariana virando um lance dessa escada escandida, com a sinuosidade sintática que envolve seu corpo e também seu nome, arrancando do meu peito suspiros que configuram sonoridades delicadas na voz com que buscava recebê-la nesse encontro. E descobri com toda minha alma calma que amaria na vida, ah, Mariana, que, sim, amaria na medida em que ela passava pelos meus olhos, deslizando pela liquidez da minha íris, e desfilando por todo o tablado negro do meu olhar ao qual ela já podia tomar por espectador compenetrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suspirei meus desejos e quis amar aquela mulher cujo nome trazia para a vida não mais um sonho, e sim uma sintaxe dos afetos à qual, após algum tempo ladeando-a, eu confiava de maneira precipitada a palavra-escondida que eu escandira a partir do nome, mas também a partir do olhar, da boca, do movimento nos cabelos (manto de artista que preserva da exposição não merecida a criação) revelando parcialmente uma nuca tão bem esculpida, do brilho reluzente na pele que torna baça todas as demais, do timbre na fala, da musculatura nas costas e de cada pinta escondendo-se de mim, dos giros no corpo, do encanto secreto e por isso mesmo segredo acessível a tão poucos, da voz entrando pelos meus ouvidos e dizendo coisas tão agradáveis de ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse modo eu descobri seu nome, devassando meu desejo. Desvelei a palavra-escondida, escandindo-a para ela e também para mim.&lt;br /&gt;Por tudo isso, disse jamais ter conhecido aquela sorte de nome. Buscá-lo, agora, uma vez bem dito, é apenas chamar pelo nome dessa mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Desato.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Acontece que, nestes dias, o sinistro é vizinho do meu desejo e, feito borracha empunhada em mãos desventurosas, insiste em apagar alguns traços desta página já escrita e pressagia os maus agouros. Daí ela me responder desde o “limiar do sem-palavras”, do indizível que a desarmaria, enunciando-se com “o silêncio que não é mudez”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rogo pragas diárias a essa mão torta, adversa e insistente em desfazer a atração buscada através do meu traço reto, porque equânime frente ao infortúnio e suas adversidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que minha sorte é apenas um suspiro bem diáfano, que procura pela luminosidade nada transparente.&lt;br /&gt;E descubro uma vez mais na “Espuma dos dias” a epígrafe incerta da minha espera renhida (porque desesperada) que é a mais certa procura.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Deponho, por fim, o termo dessa sintaxe de a&lt;span style="color:#ccccff;"&gt;'&lt;/span&gt;fe&lt;span style="color:#ccccff;"&gt;'&lt;/span&gt;tos e, disso, restará a disposição anagramática na comissura labial equacionando a palavra-escondida nisso que canto com meus atos de fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-5624941534783110235?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/5624941534783110235/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=5624941534783110235&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/5624941534783110235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/5624941534783110235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2009/07/sintaxe-dos-afetos.html' title='A sintaxe dos afetos.'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/SmXEf6e8BCI/AAAAAAAAAW4/PdeojNSr3Z8/s72-c/escada+caracol+vidro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-4786032852550897259</id><published>2009-06-02T09:35:00.018+07:00</published><updated>2009-06-12T10:02:39.277+07:00</updated><title type='text'>Sobre iceberg, desejo e elipses.</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/SibBorn95yI/AAAAAAAAAVI/QNqJl5zTg8s/s1600-h/iceberg_1%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 158px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343170912570959650" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/SibBorn95yI/AAAAAAAAAVI/QNqJl5zTg8s/s200/iceberg_1%5B1%5D.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Times have changed,&lt;br /&gt;And we've often rewound the clock.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Anything Goes! Cole Porter.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A certa altura da vida,&lt;/strong&gt; Hemingway propunha algo a propósito da maneira como concebia sua narrativa. Através da imagem retida de um iceberg, o escritor norte-americano (a respeito de quem se sabe ter vivido longos anos na ilha do mais verdadeiro herói de “pena e armas”, José Martí, e na qual nasceram também as mais belas canções de Silvio Rodriguez, intercalando essa temporada insular entre viagens mediterrâneas e touradas espanholas, guerras na Itália e caçadas africanas e muitas pelejas de Box etc.) dizia que somente uma décima parte do relato deveria vir à tona, pois todo o resto encontrar-se-ia bem mais submerso nas águas profundas da escritura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca soube exatamente qual foi essa “altura da vida” na qual Hemingway disse o que disse. Talvez alguém mais curioso que eu possa descobri-lo agora mesmo sem nunca ter lido Hemingway. Basta, por exemplo, ler aquele livro do Enrique Vila-Matas em cuja tessitura dissolve-se uma mania tão pertubadora que faz sobrescrever o nome de Hemingway para mais de 131 vezes, algo que, desconfio, supera a biografia escrita por Hotchner, cujos direitos, aliás, foram comprados a pouquíssimo tempo por algum estúdio de Hollywood e já para breve teremos um filme sobre o “Papá Hemingway” e que tem tudo para ser ainda mais lamentável do que "Hemingway`s Adventures of a Young Man", salvo-conduto, nesse último caso, apenas para a participação de Paul Newman.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dou-me conta cada vez mais de que essa coisa toda referente à “certa altura da vida” nada me importa. Importa, sim, o que diz a teoria do iceberg: tudo está sub-reptício. A magia que encontrei nessa ideia, quando lida, fez com que muito cedo eu a estendesse para fora da arte de “manejar uma pena”, como era costumeiro dizer muito tempo atrás daqueles que se ocupavam da obra de linguagem. O que fiz, então corroborado pela própria mensagem possível no iceberg, fora puxá-la para além do espelho de água literária e tomá-la como leitmotiv da minha própria vida. Durante anos a fio eu fiz de minha personalidade, ou melhor, do gostaria que ela fosse, a própria teoria do iceberg de Hemingway.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me encontro agora aos vinte e sete anos. Sei de mim alguém bem novo, alguém que, aliás, vive vigorosamente os prazeres e sofrimentos cotidianos. Mas nesses tempos recentes ando assombrado por uma questão que, pesando sobre mim feito nuvem tempestuosa, me leva a pelo menos mais duas dezenas de anos à frente nos outonos que passarão por minha vida. É isso o que subverto por ora em minha própria história: tão curta que já a quero longa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivemos nesses dias a melhor época de todas, sobretudo em relação àquelas das quais jamais vivi sequer uma fração de segundo, mas da qual sou capaz de falar horas e horas entre amigos e amigas e mais ainda quando há muita cerveja e cigarros à mão. A instabilidade tem de ser louvada, pois é exatamente ela o que torna plausível viver outras temporalidades, outras vidas, enfim, tudo isso que Benjamin dizia sobre a maneira de despertar o passado também no presente e reconciliar com nossos mortos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece de todos os modos que essa velhice abrupta, através da qual chego mais perto dos meus cinqüenta anos, época que agora me recuso a viver desde aqui, paira sobre mim de maneira bem fixa. Acredito ter lido erradamente muita coisa boa. De muita coisa ruim, todo o contrário, fiz leituras mais acertadas. E, assim, retirei dali os motivos mais atravessados, a minha própria sorte de inverter uma existência a contrapelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou insatisfeito com nada disso. O tom melancólico, por acaso haja aqui algo assim, é trazido pela minha mania supracitada. Portanto, não tomem por lirismo romântico e démodé o que é bem antes ironia presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma reconciliação com os tempos vindouros que recuso desde aqui é bem mais o que procuro relatar. Gostaria muito de restabelecer a paz no interior desse conflito tolo que armo entre o final de meus vinte anos e o princípio do homem quinquagenário que logo não serei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devem existir muitos motivos que expliquem a aversão pelo envelhecimento. Vejo pela rua uma sorte de homens velhos. Alguns são repudiáveis em carecas devastadoras, em barrigas que em nada harmonizam com o resto do corpo, em barbas medonhamente mal cuidadas e amareladas por tabaco e narinas e orelhas peludas que levam à náusea quem quer que esteja lhes dirigindo olhares. Outros despontam mais decentes por aí e se aliam elegantemente dentro de roupas caras como querendo evocar uma dignidade voluptuosa em ter cortado bem o tempo com o qual travaram batalha de esgrima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda essa merda de ser um velho decrépito, mal cuidado, ou, por outro lado, alimentar uma elegância filha da puta que não é sincera com os de menos idade, nada disso me incomoda. Eu não viverei meus cinqüenta anos, já disse. Ainda não sei como, pois estou apreendendo, mas darei uma boa cartada na partida contra o tempo e o vencerei não jovialmente, de modo que ao fim da partida calarei em mim o grito espasmódico oferecendo-lhe a mão como quem bem reconheceu a gladiatória envergadura de seu implacável adversário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem. Eu não quero ser o homem velho que retirará das gavetas os escritos de juventude e os condenará ao fogo da maturidade. Eu não recusarei os ímpetos da procura que levou o homem de cinqüenta anos a ser o que será. Esse homem lerá com boas risadas tudo isso e se divertirá com a audácia jovial daquele rapaz que desafiou o tempo repartindo as partidas de sua vida. Esse homem ficará feliz em mim ao saber que abriu mão da seriedade futura em detrimento da pretensão passada mediada pela satisfação presente.Esse homem será meu melhor amigo e também meu atroz inimigo, uma vez que, juntos, venceremos as temporalidades múltiplas costurando-as de maneira nada paralela. Ele virá a entender toda inquietação que vivi poucos anos atrás, quando procurava por mulheres e experimentava amores frustrados. Ele entenderá. Entenderá quando numa certa manhã (talvez ao completar os cinqüenta anos que eu jamais viverei) amanhecerá ao lado de uma mulher e descobrirá nela o amor que o alimenta a cada dia. Esse homem, que nunca conhecerei, mas por quem faço guardar desde já admiração e respeito, porém de certo desaprovando diversos de seus atos e por isso mesmo não poderei conhecê-lo plenamente, porque o repudiarei, abraçará sua mulher e vai beijar o corpo matinal dessa mesma mulher e, tendo em seus lábios uma pele descansada, lembrará quando a encontrou pela primeira vez em seu olhar durante as buscas empreendidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se lembrará de como é jovem e se sente ainda mais jovial amando essa mulher a quem conheceu envelhecendo um pouco naqueles dias quando acima de sua cabeça uma nuvem pesada trazia-lhe a imagem perigosa dessa hora em que despertamos para o desejo de uma pessoa que gostaríamos de ter ao lado e ao lado de quem ficaríamos por várias épocas, vivendo as grandes e as mais diminutas temporalidades descobrindo o amor através do contato de nossos corpos e recobrindo em nossos lençóis o carinho que nos levou a derrotar a fúria que existe na instabilidade também afetiva do dia em que eles se olharam com profundidade pela primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguma música antiga, nessa manhã, começará logo a tocar no quarto onde dormiam a bem pouco. Ele se levantará da cama e esticará seu corpo num gesto que afastará o sono bem dormido, sem, contudo, espantar o sonho da noite passada. A mulher inventará um vestido bonito, de longa cauda e feito com os lençóis que pouco tempo atrás embrulhavam a ambos. E, enquanto tudo isso passa, ele escolherá a música a que então dançam nessa manhã feliz em que por mais uma vez se despertará neles o amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite, algo depois de tudo isso, ainda estarão juntos e repetirão os carinhos num gesto inesgotável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da ponta dessa paixão descobrirão emergindo uma vez mais a profundidade inteira de um amor vastamente submerso. E amanhã (que tanto poderá ser domingo quanto segunda, pouco importa, pois entre eles os dias hão de se confundir sempre) dançarão juntos outra vez alguma música mais antiga. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-4786032852550897259?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/4786032852550897259/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=4786032852550897259&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/4786032852550897259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/4786032852550897259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2009/06/sobre-iceberg-temporalidades-e-desejo.html' title='Sobre iceberg, desejo e elipses.'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/SibBorn95yI/AAAAAAAAAVI/QNqJl5zTg8s/s72-c/iceberg_1%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-5207080229109523065</id><published>2009-05-08T10:29:00.018+07:00</published><updated>2009-05-27T04:28:43.551+07:00</updated><title type='text'>A página mais perigosa do seu corpo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/ShnLLh3f8WI/AAAAAAAAAU4/fDMdzQ4rVSg/s1600-h/pintura%252029%5B1%5D%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 194px; FLOAT: left; HEIGHT: 237px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339522232154583394" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/ShnLLh3f8WI/AAAAAAAAAU4/fDMdzQ4rVSg/s400/pintura%252029%5B1%5D%5B1%5D.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;El alacrán clavándose el aguijón, harto de ser un alacrán pero necesitado de alacranidad para acabar con el alacrán.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Rayuela. Julio Cortázar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;You were right about the stars. Each one is a setting sun.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Jesus, etc. Wilco &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Que você não me desculpe&lt;/strong&gt; por ficar parado e te olhando sorrateiramente. E que assim - confesso em minha franca fraqueza - eu sinta alguma censura nesse pequeno furto através do qual eu retenho em mim mais um pouco de você. Hoje à tarde tomei por minha a imagem que devinha do seu corpo e joguei carinhosamente com ambos, corpo e imagem. Mas nunca os montando dicotomicamente entre os pólos de realidade e ilusão; o que busco bem antes é o simulacro em que deliro com a espessidade densa desse processo de afirmação da similitude suplantando a semelhança decaída desde muito. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sob a luz fraca - tão cansados estivemos desde a noite anterior, quiçá, ou bem mais apenas paire uma preguiça em desejar algo mais visceral - brinquei com suas costas qual a página constelar do livro cósmico que é seu corpo inteiro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De cada uma de suas pintinhas fiz dessas estrelas que, fim de tarde, começam a brilhar muito timidamente desde um fundo em tom pastel (pois, ali, eis a coloração da sua pele) qual um entardecer mediterrâneo, região em que o sol parece se pôr estilhaçando-se em mil e muitas partes até que toda essa poeira da deiscência solar pulule o céu com infinitos pontinhos reluzentes que, até muito pouco atrás, eram todos juntos o astro regente dos movimentos de nossa galáxia em que toda órbita é incerta, irregular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uno um a um e em todos eles encontro desenhos magníficos nessa página em que pára todo meu desejo uma vez temendo ler você inteira e sofrer com o final escrito abruptamente no fim do seu corpo, digo, livro cósmico cuja leitura foi dada a mim não sei por que diabos.&lt;br /&gt;Estou lendo agora isso que mais tarde descreverei pra você, saiba. E muito calmamente me debruço sobre cada um desses pontinhos e não posso esgotá-los em minha leitura, ainda que faminta de todos esses sinais que descrevem você pra mim. Tudo isso que leio em você, eis o meu grande drama, é interminável. Os pontos em nada são infinitos – agora já percebo. Estão todos ali, alguns mais recônditos; outros um tanto mais à vista. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A permutabilidade, todavia, é o que convida à infinitude. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Encontro uma Ursa Maior. Crio devaneios na casa de Sagitário. Alimento receios com a geometria da constelação de Capricórnio e recrio os meus tolos desejos na união das pintinhas do seu corpo as quais me deixam desenhar a constelação de Escorpião.&lt;br /&gt;Com esta última imagem que eu sobrescrevo é que corro e percorro todo o risco de seguir, assim, em posição de espreita, observando essa página algo traiçoeira que, apesar de ser uma das poucas a que posso contemplar sem ser visto, é bem mais propriamente onde está o ferrão da metassoma dorsal do livro que leio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que eu não seja digno de perdão. Quero a hipnose ou a transcendência através de um buraco negro nesse texto em que paro e me perco. Quero, ao fim, o ferrão do seu estranho carinho e a picada final. Evoco, parado, a paralexia escorpiânica de tudo isso e quero morrer ao fim.&lt;br /&gt;Deixo-me presa de tudo isso e que venha de seu veneno amoroso o remédio do meu pathos. Peço essa morte eleita no seu carinho especioso, entenda, por precisar renascer, agora, de tudo isso que me mata de pouco a pouco. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Escolho e prefiro, por fim, o arrebatamento, o pulo precipitado do precipício, à morosidade segura de um caminho que falsamente permite burlá-los ao fim do drama trágico de uma tarde em que li, nesse livro tão feminino, a página mais perigosa do seu corpo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-5207080229109523065?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/5207080229109523065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=5207080229109523065&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/5207080229109523065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/5207080229109523065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2009/05/pagina-mais-perigosa-que-encontro-no.html' title='A página mais perigosa do seu corpo'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/ShnLLh3f8WI/AAAAAAAAAU4/fDMdzQ4rVSg/s72-c/pintura%252029%5B1%5D%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-4178840135993280431</id><published>2009-03-23T10:04:00.016+07:00</published><updated>2009-04-22T07:12:30.221+07:00</updated><title type='text'>Ereções solícitas e dilatações recompostas.</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/SdLDsBrikCI/AAAAAAAAATA/iFKm8pg4MDM/s1600-h/fikander_boca%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5319529271010693154" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 286px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/SdLDsBrikCI/AAAAAAAAATA/iFKm8pg4MDM/s400/fikander_boca%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="color:#003300;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;color:#003300;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;nisso eu sou primário&lt;br /&gt;amor pra mim&lt;br /&gt;vem do caralho&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;P.L.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;nisso eu sou careta&lt;br /&gt;amor pra mim&lt;br /&gt;vem da buceta&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;A.R.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Alice Ruiz e Paulo Leminski, “PORNOEMAS”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina alcançando um cigarrinho na mesa de cabeceira de um quarto de motel qualquer da cidade logo após ter fudido intensamente com um rapaz de corpo muito delgado a quem acabara de conhecer e por isso mesmo mal acreditando no prazer retido da transa, diz pra ele : &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Caramba!, você é muito magrinho...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E pensa em seguida consigo mesma puxando uma tragada enquanto o interior de seu canal vaginal recompõe-se das dilatações e retrações orgásticas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Mas que tem um pau dos grandes e bem gosto tem. E nunca vi ereções mais solícitas antes.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;De certo um pouco cansado por ouvir novamente essa coisa toda de “muito magrinho” sem porém nunca deixar perder o humor, diz: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Sou e não nego, nêga. Engordo quando puder.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Riram juntos de tudo aquilo.&lt;br /&gt;Dali a uns dois cigarros, talvez, também, um breve cochilo, voltariam a se pegar e a fuder.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;D.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-4178840135993280431?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/4178840135993280431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=4178840135993280431&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/4178840135993280431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/4178840135993280431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2009/03/erecoes-solicitas-e-dilatacoes.html' title='Ereções solícitas e dilatações recompostas.'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/SdLDsBrikCI/AAAAAAAAATA/iFKm8pg4MDM/s72-c/fikander_boca%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-3673321256660185616</id><published>2009-03-19T07:25:00.003+07:00</published><updated>2009-03-19T07:28:03.513+07:00</updated><title type='text'>Papel-máquina: escolha o compartimento de leitura</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/ScGRDWMEuWI/AAAAAAAAAS4/VWEZD3eUDbA/s1600-h/c%C3%A9libe+-+C%C3%B3pia.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5314688521955752290" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 380px; CURSOR: hand; HEIGHT: 250px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/ScGRDWMEuWI/AAAAAAAAAS4/VWEZD3eUDbA/s400/c%C3%A9libe+-+C%C3%B3pia.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A máquina de escrever afastará da caneta a mão dos literatos, quando a exatidão das formas tipográficas introduzir-se imediatamente na concepção de seu livros. Presumivelmente far-se-ão necessários então novos sistemas, com formas de escritura mais variáveis. Eles colocarão a nervura dos dedos que comandam no lugar da mão cursiva da escrita habitual.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;                                                                                                                                     &lt;strong&gt;Walter Benjamin&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-3673321256660185616?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/3673321256660185616/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=3673321256660185616&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/3673321256660185616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/3673321256660185616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2009/03/papel-maquina-escolha-o-compartimento.html' title='Papel-máquina: escolha o compartimento de leitura'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/ScGRDWMEuWI/AAAAAAAAAS4/VWEZD3eUDbA/s72-c/c%C3%A9libe+-+C%C3%B3pia.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-2750568408650552030</id><published>2009-02-25T15:24:00.007+07:00</published><updated>2009-03-09T12:50:09.210+07:00</updated><title type='text'>Introdução à distância nos olhos da amada.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;(Ou, a pura falta do que dizer quando se quer dizer e não se diz)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;How had ever thought of mastering her? With a hand of chrome and an immense Gauloise cigarette she suggested that I give up and worship her, which I did for ten years. Thus began the obscene silence of my career as a lady's man.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Leonard Cohen, Death of a lady’s man.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;If I told you things I did before Told you how I used to be Would you go along with someone like me If you knew my story word for word Had all of my history Would you go along with someone like me I did before and had my share It didn't lead nowhere I would go along with someone like you It doesn't matter what you did who you were hanging with We could stick around and see this night through And we don't care about the young folks Talkin' 'bout the young style And we don't care about the old folks Talkin' 'bout the old style too And we don't care about their own faults Talkin' 'bout our own style All we care 'bout is talking Talking only me and you Usually when things has gone this far People tend to disappear No one will surprise unless you do.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;P.B.&amp;amp;J., Young folks.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Nada de tudo isso&lt;/strong&gt; que se mete dentro da vida é mais difícil de explicar que aquilo que não aconteceu. Não sei ao certo como você está; se magoada, ferida, ou, em suposição mais otimista, apenas se protegendo dessa dificuldade toda de atar duas linhas para as quais não se pode dar o nó da compleição.&lt;br /&gt;Era pra ter sido “o que não foi” e o que foi pra “não ter sido” e é exatamente esse paradoxal vice-versa que incomoda e compele à reconfiguração confusa. Não há culpas; tampouco cerimônias de perdão. Restamos os dois frente ao horizonte da falência nos atos consumados. De resto, só mesmo este fim em que estamos e pro qual já esboçamos os dois juntos esse recíproco abandono.&lt;br /&gt;Reconfigurando as cenas nessa exatidão às avessas: eu gostaria de ter sido mais morno, e assim não ter causado tanta alteração nas temperaturas que se imiscuíram uma na outra. Mais morno, talvez, algo quase neutro, pois não sei se fui febril ou frio... e você se perguntando, possivelmente na clave desse mesmo termômetro, onde vim a errar: se demasiado carinhosa, excesso cometido a ponto de incrustar-me em mim mesma tão temerosa da abertura; ou indiferente, temendo não expressar o fervor de maneira mais despojada a ponto de ser desacreditada?&lt;br /&gt;E digo por você o que sequer você disse por mim...&lt;br /&gt;(ReTiCêNcIaS se igualam, neste caso, aos cigarros acendidos; igualmente aos que não acendemos.)&lt;br /&gt;Hábitos cotidianos, de outro modo não seriam hábitos, e parecem impedir a dilatação dos traços em que sobrescrevemos invisivelmente as notícias não dadas, os acontecimentos não compartilhados, e tudo isso protege da rotina que levaria ao pó das ruínas e todavia impede de erigir o monumento construído de modo a dizer que tudo, durante os últimos dez anos, porque quando se está mais de saída que pra entrada em torno da casa na vizinhança dos vinte só os dez últimos anos é que importam e assim desmerecemos toda a suposta metade negando saudosismos que fechariam a janela pela qual esperamos pular em direção dos outros dez anos futuros que certamente virão, será, e estamos no meio da vida, como nesses livros do Cortázar que tomam dos jogos infantis a forma narrativa e bem explicam a incapacidade de situar uma vida num ponto específico, pois quando estamos numa casa é como se estivessemos de um só tempo noutra e já noutra e por isso não mais naquela e pois não mais naquela em que acreditávamos estar e assim vivemos através de saltos e saltos até cairmos em algum ponto pra de repente percebermos que não estamos mais ali e que devemos ir adiante, sem parar numa casinha desse jogo, e sabemos disso porque nunca se deve parar porque tudo é incerto e assim ocorre de vivermos com toda a sagacidade de nunca precisar estar parado num ponto pra refletir o que está acontecendo, e dizer que durante os últimos dez anos na inflexão dos quais redobro minha imaginação eu cheguei a pensar a estupidez de como poderia ter vivido todo esse tempo longe de você e não disse tentando fazer que a confissão escapasse às ruínas e pra isso não construí monumento algum com esses sentimentos animados pela minha suposta carência.&lt;br /&gt;(E neste momento você já ri de mim, pois sou eu que acabo rindo de você se escorrendo toda nessa impaciência fingida em escutar o que te digo ... através dessa sua gargalhada meia-boca e mais um cigarrinho dos seus).&lt;br /&gt;Falar da sua inconstância, agora, é enunciar algo sub-repticiamente também minha insensatez e te levar por aí te segurando pela mão e sem saber a caminho do que caralhos estamos indo porque tudo o que importa é segurar a sua mão e talvez andar pela cidade e ver os prédios rasgando um pedaço vertiginoso no céu sob o qual estamos e nem mais se lembrar de comprar um sorvete, porque isso é ridículo e bonito ao mesmo tempo, ou acender um cigarrinho e talvez iremos até ao mirante sem ter porém planejado e lá de cima veremos a cidade toda pequenininha e os prédios que a punhaladas nos revelara o céu também bastante pequenos; esquecer de tudo não por irresponsabilidade, pois já temos de cuidar da vida algo certinho uma vez que não somos mais o que recusamos negando os dez anos que ignoramos da metade da vida ou só do número nessa casa em que achamos estar, e sim porque desejamos sentir juntos aquela fração do tempo em que tudo parece bem porque já deixamos tudo bem e agora estamos ali vendo tudo isso passar despreocupadamente e apenas seguramos as mãos e queremos um ao outro.&lt;br /&gt;Insensatez, pois nem sei se você se dá a esses luxos do sentimentalismo enfeitado e tampouco eu, mas pensava nisso quando estávamos ali e agora já não penso mais e acredito que essas manifestações abruptadas de carinho eram tolas e sem propósito e por isso não soube aproveitar o despojamento disso e sentir que tudo parece mesmo bem a ponto de não precisar projetar nada e até esquecer que a vida abre uma janela pela qual gostaríamos, ou através da qual, deixo que você venha me corrigir, de ver o futuro e pular na direção daquilo que queremos; achar que está tudo bem sem dizer enfim.&lt;br /&gt;A inconstância diz bem mais. Podemos ficar ali e comprar sorvetes e ou acender cigarros também e você me pede pra dizer alguma coisa que eu não quero falar e te olho com meus olhos apertados querendo te ver melhor e imaginar através da tela dos seus olhos o que passa pela sua cabeça quando você se cala e toma minha mão pra logo beijá-la e fazer um pequeno afago talvez tentando retribuir um carinho que te dei noutro dia do qual eu mal me lembro só por querer repetir esse mesmo carinho todavia já outro que é pra você não se esquecer e voltar a beijar minha mão que novamente te apanhará afetuosamente noutra situação até que não haja mais retribuição e seja tudo desfrutado sem interrupções.&lt;br /&gt;O diabo é ter de dizer tudo isso não querendo dizer mais nada, mas a boca não cala e é como se eu te lambesse com essas palavras deixando pelo seu rosto minha saliva que é a tinta mais certa que eu uso pra escrever minha carta pelo seu rosto já que não sou bom de falar as coisas que deveria e sempre me atrapalho com as palavras na boca de maneira que prefiro escrevê-las em você, rabiscando com minha língua a nuca que a todo tempo eu tive vontade de morder e na superfície dela assistir a esse caminhozinho que se eriça e desce muito discretamente pelo seu pescoço e parece desenhar linhas pelo seu corpo por cima das quais eu devo escrever isto que te digo ou como se me orientasse na descoberta de suas espaldas, é melhor dizer a descoberta das suas costas, pois espaldas é muito piegas e tudo o que eu quero é te morder inteira sem medo exagerar na força e assim desfazer todo o afeto que introduz a vontade imensa que me sobra de estar dentro de você e me sentir envolvido pelas suas carnes quentes até esquecer tudo isso de ser morno por não saber se errei sendo picante ou insosso na pitada desses temperos com que eu antecedo a prova dos seus sabores secretos que tomo pra mim.&lt;br /&gt;Quanta ingenuidade a minha querer te dizer essas coisas a respeito da metade da vida já que ela deve ser plena e nunca repartida e a plenitude disso está em esquecer tudo e não comparar nada com nada e viver sem parâmetros até que apreciemos um ao outro não qual a primeira vez (pois primeira vez já seria parâmetro, pode dizer) e sim algo espontaneamente como deve ser à maneira que acontece de a vida vir assim como uma surpresa dessas mais bestas que não tem valor maior que o próprio ato de surpreender-se e já é bastante, quase um tanto, pois o que mais importa não é o presente, mas, todo o contrário, o laço na fita que desafrouxamos e então sentimos que a alegria está toda ela em ver as duas pontas dessa fita de laço desfeito e saber que ali nesse desatamento é que está o que procuramos.&lt;br /&gt;Não te direi sobre a metade da minha vida que neguei pensando todo aquele tempo em que você não estava e tampouco sobre a metade evocada com você e seus breves momentos a meu lado e do lado de quem você esteve também (de mim) e por isso é tão difícil explicar o que não acontece mais.&lt;br /&gt;Desatado o laço, sobra a fita e mais ainda a surpresa: você indo embora no meu olhar que te olha nesses olhos junto dos quais eu via também e, agora, a mim, somente me revelam a imagem do quão distante já estou de você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;D.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-2750568408650552030?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/2750568408650552030/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=2750568408650552030&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/2750568408650552030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/2750568408650552030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2009/02/introducao-distancia-nos-olhos-da-amada_25.html' title='Introdução à distância nos olhos da amada.'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-7169423256184711022</id><published>2009-01-24T03:03:00.020+07:00</published><updated>2010-01-08T00:39:14.351+05:00</updated><title type='text'>Flor da arbrótea.</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/S0Y0Nl95EjI/AAAAAAAAAZ8/mv2bKM4bArk/s1600-h/bailerina.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 257px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5424080209348989490" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/S0Y0Nl95EjI/AAAAAAAAAZ8/mv2bKM4bArk/s320/bailerina.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Esta flor também se chama Tainã Terra Bossi, que na qualidade de uma semente de arbrótea desabrochou certa vez com profundas raízes no jardim do meu peito.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não, eu não&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;estou ali.&lt;/strong&gt; Apenas ela. Definitivamente, não estou de corpo presente. Tudo que faço neste instante resulta ocultar-me. Vejo-a tão-somente na fotografia. E absorvo, assim, o olhar que igualmente a observa naquele exato instante de extática concentração frente ao areal do mar sereno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os anos em que eu podia vê-la com proximidade quase velada já ficaram algo distante, tanto que vai mais além que a própria imagem que agora a fez rediviva em meu olhar. Não lembrarei aqui aquele primeiro dia em que falávamos de coisas que perpassam primordialmente a fenda da agulha com que se entrelaça o finíssimo tecido da vida, rasgando com nossas conversas todo o burburinho então muito retalhado e de fibra muito fraca em torno de nós, e tampouco que à distância bem segura desses pequenos farrapos de vozes tão vagas faríamos vestimenta da roupagem mais íntima da noite e a qual nomeamos madrugada e por fim teceríamos uma textura delicada porém toda ela bem trançada a recobrir-nos firmemente sob a manta mais carinhosa dos afetos possíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surpreendo-a apenas diante das águas mansas e de um céu mediterrâneo a princípio bicolor mas que se espalha gradativamente através da multiplicação de tonalidades. A parte superior de seu corpo está cuidadosamente deposta sobre a inflexão inferior do dorso lombar. Tem as pernas recurvadas de modo a sustentá-la como alguém quase em meditação. Suavemente, a mão parece vir de encontro à boca e assim convoca ao trago a erva que a acompanha. Sei que o sol deve se pôr admiravelmente, mas não posso alcançá-lo. Eis que estou vendo apenas a parte recortada de tudo isso que a fotografia me dá a ver. Do vento também nada sei, e só posso apostar que por certo ele joga ludicamente com os cabelos dela qual uma criança acompanhada de um delicado brinquedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À contraluz - pois que admira a descida ou possivelmente a subida do sol (nunca saberei ao certo) - a parte dorsal de seu corpo se escurece um pouco e a postura corporal faz ressaltar uma forma levemente sinuosa, todavia intensamente feminina e a dispõe pra mim com tal natureza qual um instrumento musical. Meu devaneio de momento é tão profundo que acabo submergindo em delírios até tomá-la por uma viola de orquestra na qualidade mais alta de solista ou, quiçá, espala. Predigo dessa maneira todos os sopros desse vento fazendo cirandas ao redor do seu cabelo e da percussão delicada desse mar quase inaudível tanto pra você, que verdadeiramente o ouve, quanto pra mim que somente faço recriá-lo dentro dos meus ouvidos a fim de tornar-me mais próximo de você neste instante. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/S0YwL2ZWgKI/AAAAAAAAAZ0/aNl9WKbOSzc/s1600-h/taina+ao+mar.bmp"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5424075781352882338" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/S0YwL2ZWgKI/AAAAAAAAAZ0/aNl9WKbOSzc/s320/taina+ao+mar.bmp" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já tenho pouco a dizer a propósito disso. Bem mais do que gostaria eu invado fortemente essa cena em que te vejo rediviva no meu olhar cujo foco enviesado tantas vezes te viu indo e vindo e até mesmo parada diante de mim, como quem ensaiava ficar possuída de calmaria equivalente a essa em presença da qual te vejo nesse porto onde nunca estive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Admiro, por fim, essa multiplicidade de pegadas sobrepostas na areia. A beleza que há nela é bastante especiosa, quase grosseira não fosse inspiradora. Tudo tão desarranjado, eminente caos e desventura por compasso. Um vai-e-vem verdadeiramente disforme e incerto. Parece até mesmo uma partitura a-tonal, cuja composição se pulveriza inteiramente pela página. Não diferente é a vida, verdade? Andamos bastante por ai, sem que nos encontrássemos ou mesmo sem sequer observar a pegas sobrepostas na areia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pra que tanta pressa, verdade, se nada ou muito pouco há de novo sob o sol?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez porque daqui da terra preferimos bem mais as luas ao sol sempre muito pouco diverso. As luas, sim, elas mudam. Acaso não mudassem você sequer estaria ai vendo o sol se levantar, ou será mesmo que ele está se pondo? Já te disse que nunca saberei ao certo, mesmo? O que importa, de mais, consiste no fato de as luas se modificarem prontamente a cada ciclo de tempo. E com isso é certo que a maré sobe e os fluxos retornam. Tudo o que for preciso se inundará e alastrará por outros percursos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí uma areia nova - qual um livro de páginas claras, porém nada inócuas, pois já sabemos ter sobretraçado passos em outras praias, em outros portos - virá de modo a ser novamente reescrita, delineada por outros rastros, outros riscos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então aí já não haverá mais fotografia alguma, e sim apenas uma velha e reconhecida moldura: nossos braços envolvidos na união de um amplexo capaz de guarnecer todo o carinho guardado durante muitas e muitas luas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob o auspício reciprocamente oferecido de um feixe muito lilás de arbróteas, não digamos mais nada, minha querida, acatemos pois a fruição de nosso vindouro abraço-de-primavera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso - e não por nenhum outro motivo - que invadia ainda a pouco a sua imagem longínqua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-7169423256184711022?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/7169423256184711022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=7169423256184711022&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/7169423256184711022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/7169423256184711022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2009/01/noticias-pro-fim-dos-dias.html' title='Flor da arbrótea.'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/S0Y0Nl95EjI/AAAAAAAAAZ8/mv2bKM4bArk/s72-c/bailerina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-710769318482918441</id><published>2009-01-05T11:22:00.003+07:00</published><updated>2009-01-08T00:10:23.354+07:00</updated><title type='text'>Apenas o que esses dias ainda irão chorar.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não, eu não queria te dizer que neste instante as coisas não estão nem um pouco como uma vez estiveram. Há algo de muito modificado, de outro e também pois de um para o outro. Mas sequer é tempo de mudança, já te digo. Sei bem como você gosta dos meus dizeres obscuros, subscônditos numa névoa da qual meu pensamento precisa se entorpecer. E então é que venho a te dizer: estamos distantes daquele tempo no interior do qual saberíamos precisamente o que mudar. Existe apenas algo trazido pela chuva carinhosa desses dias falsamente tristes e que insistem em chorar sobre nós.&lt;br /&gt;Na carne de nosso corpo ambos vestimos agora outra pele. Estranhamos. Não foi descuido; não necessariamente. Por bem, ensaiamos o estranhamento uma vez que nos entranhamos mais e mais até percebermos na carne do corpo a outra pele.&lt;br /&gt;Acaso pudesse te falar exatamente o que ocorreu não diria, e sim melhoraria em mim o pensamento enevoado de modo a não ser quem já tanto sou aqui. Acontece que você é quem mais sabe que eu nunca deixo de ser o que vivo e abraço bem todas as conseqüências disso. Afinal, lembro de você me alertar primevamente dessa minha escravidão tão teimosa de mim. Todavia você está como tanto quis. Ao menos isso é o que sua boca sopra para mim. E assim você é agora tão de si mesma que eu mal sei a quem escrevo.&lt;br /&gt;Se te escrevo é, aliás, para te perder definitivamente. Não nos culpemos mais. Deixemos que essa perda seja um ato de reatar. Nunca vimos juntos &lt;em&gt;Casa Blanca&lt;/em&gt;, mas ali está uma perda cinematográfica que diz esse ato que não consigo designar.&lt;br /&gt;Apreenderemos na inocência desapegada de quem realmente quer ao outro. Eis, portanto, nosso entreato cênico entranhado e todo ele denso.&lt;br /&gt;Não há mais promessa alguma. Assim despedimos os dois da falsa calmaria e no lugar dela anfitriaremos uma calmaria mais sã de si e com a visita dela aprenderemos a desfrutar o verdadeiro sabor que tanto admiramos provando a carne corpórea que nos dávamos molhados por chuvas passadas.&lt;br /&gt;Lavemos agora nosso corpo e limpemos toda nossa pele.&lt;br /&gt;Deixemos de lado a carne, pois essa é bastante profunda para que a água desse instante venha a limpar tantas máculas ainda mais subterrâneas sob a espessura muscular da carne.&lt;br /&gt;Sei que a palavra mácula te assusta. Talvez você pedisse algo mais leve, possível de apagar qual hematomas que depois de dois ou três dias não deixam mais sinal algum. Acontece que a infâmia da palavra algo suja vem oportunamente a manchar tudo o que gostaria de dizer na sua carne. E por isso não busco por outra, capaz de atenuar o que quero necessariamente indelével sobrescrito tanto em mim quanto em você.&lt;br /&gt;Sua dança começa a ensaiar outros ritmos. Minha musicalidade, outras vibrações e então absorve outros &lt;em&gt;grooves&lt;/em&gt; e&lt;em&gt; beats&lt;/em&gt;. Não vou mentir dizendo que antes éramos pares indistintos nisso tudo que nos embala. Nunca fomos; e dizê-lo seria bestializarmo-nos desenhando qualquer romantismo careta na sonoridade a que nos enlaçávamos em movimento. A dançarina, de todos os modos, já escolhe seu próprio tema, ao passo que o &lt;em&gt;disc jockey&lt;/em&gt; toca sem procurar alguém em especial na pista e apenas acende mais um cigarro.&lt;br /&gt;Resta, sim, todo o afeto. Como não?&lt;br /&gt;Mas dizer que neste instante as coisas estão como estiveram seria escolher mal a música desses tempos. E a dança seria vexativa, atabalhoada.&lt;br /&gt;Nunca dançaremos assim, promete? Jamais escolherei mal o tema, te prometo.&lt;br /&gt;Melhor, nada de promessas... já ia me esquecendo. Antes, surgirá uma música nova ao embalo da qual dançaremos de um modo bem diferente e que não deixe mais marcas na carne.&lt;br /&gt;E, assim, as peles novas não se ferirão na carne e apenas acalentaram os corpos em movimento.&lt;br /&gt;Acho que chuva parou um instante, parece. Desconfio e irei até a janela conferir, pois temo que não tenha mesmo parado. Sempre tive tanto medo de não poder ouvi-la caindo através de seu choro mais mansinho que preciso tirar a prova com os olhos ou estendendo a mão um pouco para fora da janela e sentir finamente as últimas gotas acharem leito entre meus dedos desconfiados.&lt;br /&gt;Quando eu enfim retornar dessa tão breve viagem que faço da minha mesinha-de-quarto até janela já não saberei mais quem é você que já não é mais o que foi para mim e uma vez eu achei poder saber. E então me desligarei de tudo isso que escrevo, pois não é mais para você.&lt;br /&gt;Nessa chuva carinhosa que tenta me enganar ainda parece haver algo trazido pelos dias falsamente tristes e que tanto insistem em chorar durante os princípios do ano que mal começou a vir.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E tudo isso é apenas o que esses dias ainda irão chorar.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;D.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-710769318482918441?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/710769318482918441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=710769318482918441&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/710769318482918441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/710769318482918441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2009/01/apenas-o-que-esses-dias-ainda-iro.html' title='Apenas o que esses dias ainda irão chorar.'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-411007639350216899</id><published>2008-12-17T10:52:00.004+07:00</published><updated>2008-12-31T10:12:40.192+07:00</updated><title type='text'>O equilibrista e a lágrima.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lá estará o fio esticado entre dois pontos de um especioso espaço. E, nele, algo então se abre. Aumenta-se passo após passo. De mais a mais, todavia, o equilibrista suspende-se onde não há sustentação ou quase nenhuma. Pisa esse risco das alturas. É como um desfile - há muito, porém, decaído de moda. Não há lona estendida que o cubra de intempéries, pois seu Circo é a própria vida. Tampouco existe platéia que com certas palmas acolha-o durante a queda iminente. Assim ele apenas caminha finamente. E vai pisando o risco nesse fio desenhado entre um espaço que, ao dilatar-se, com várias sutilezas, parece desmanchar boa extensão do desenho que o equilibrista tomou por guia. Traça com essa trama de seus pés aquela Arte nobre de um vil destino a ser costurado até o último ponteio; até fim. Pois que as mãos, estas se ocupam de levíssimo bastão e seguram-no de maneira branda uma vez que tal gesto contido e quase carinhoso a conduzir caprichosamente o bastão cuidará possivelmente de mantê-lo em seu trajeto, um decurso.&lt;br /&gt;Desde sempre esteve ali. Talvez até mesmo antes do nascimento. Quem dá para o equilibrismo, dizem por aí, de esquinas em esquinas, veio ao mundo através de abismos. E decerto há mesmo de ser o próprio ato do nascimento aquele no qual revelara o primeiro de todos os vãos a serem vencidos na vida, ultrapassados. Equilibrar-se, será dito também, é viver esses vãos de toda uma só vida.&lt;br /&gt;Como lona não há nesse circo, chega até seu rosto vasta sorte de ventos: alguns refrescam e animam; outros, todo o contrário, só fazem gelar e imobilizam. Caem-lhe também gotas de muitas chuvas para que delas o equilibrista embriague a sua sede. E, como são gotas verdadeiramente torrenciais, nelas o equilibrista disfarça às vezes o seu choro: tanto exagerando quanto minimizando lágrimas. Não tem faltado quem lhe acuse e reprove a dissimulação. É desconcertante, mas, no equilibrista, o humor dos sentimentos é igualmente praticante da Arte nobre de um vil destino. E nisso se igualam, EQUILIBRAM-SE, e são um só e o mesmo. Cada lágrima vertida, despejada de sua clara íris, serve de exemplo e lhe ensina tanto mais sobre a queda. De tal modo o equilibrista é também para o olho da vida que o observa às alturas apenas uma lágrima derramada de um choro todo ele torrencial.&lt;br /&gt;Juntos, equilibrista e lágrima, algo todavia uno, pisam esse risco mais elevado, suspenso. Desfilam ali em cima, ambos decaidamente. E vão, passo após passo, vão. Num especioso espaço - onde o circo sem lona chama-se de uma única vez “vida e perda dessa vida” - estará o fio entrelaçando frouxamente dois pontos soltos, cuja junção final jamais abrevia. O equilibrista suspende-se e de mais a mais nada vai sustê-lo. Sabe que chegou a boa hora em que as chuvas mais não virão. E num profundo mergulho ele descerá ao encontro da última lágrima enquanto a vida assiste à dilatação final do especioso espaço em cuja imensurável circunferência o equilibrista encenou por tantos anos essa tão nobre Arte. E lá não estará mais fio algum. Lágrima e equilibrista voam nesse vão, até o fim da nobre Arte.&lt;br /&gt;Voam decaídos em pleníssima queda, e vivem &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;ali &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;nesse &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;D.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-411007639350216899?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/411007639350216899/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=411007639350216899&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/411007639350216899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/411007639350216899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2008/12/o-equilibrista-e-lgrima.html' title='O equilibrista e a lágrima.'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-5774919685817431013</id><published>2008-11-12T02:23:00.005+07:00</published><updated>2008-11-13T03:49:47.932+07:00</updated><title type='text'>teapot of teapoetry</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;object width="335" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-94438d75281231b3" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v8.nonxt6.googlevideo.com/videoplayback?id%3D94438d75281231b3%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1332522515%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D2F0D2895422FA1A957EB7E609F20E2D5730C0301.4133FFAA313ED8DAF6260A1E1057AB281CF83026%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D94438d75281231b3%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DQip8JfMEYvJ8ZhVQ0-CxR22yaKs&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed 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davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-5288882623265537924</id><published>2008-10-26T10:57:00.019+07:00</published><updated>2009-02-19T11:28:49.057+07:00</updated><title type='text'>How come I barely meet you?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;(Or, She's Hit)&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando você saia a pouco pela porta mal poderá me ouvir. O que eu não te fizera no meu pedido articular-se-á qual uma voz na minha fala? Pedia bem mais era com meu olhar. E a luz que nele brilhará desejou tão timidamente que você não partisse. Os olhares têm falas próprias. Por isso não precisam emitir voz alguma. Sei disso, pois contigo aprenderei o que (já te digo) aprendi. Gostaria tanto que ficasse, ainda que fosse por apenas um pouquinho a mais que toda essa incerteza. Agora que você não mais estará (e já sabia bem disso porque então) eu sei.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E nada disso ainda aconteceu, pois você ainda não saiu pela porta. Ela está apenas aberta, esperando você vir e entrar. Sei disso porque o poema que escolhi traduzir (e nele me dar) eu ainda o tenho aqui sem palavras mais nossas. Gostaria de traduzi-lo. Mas não posso, ainda. É muito cedo. Mais tarde você o traduzirá para mim. Contigo apreenderei o que está dito naqueles versos, que guardei e agora vou te oferecer roubando-os para mim. Trairei suavemente esses versos, até que te digam mais de perto o que eu gostaria de dizer ao pezinho do seu ouvido.&lt;br /&gt;E você sequer entrou pela porta. Eu mal te convidei. Acontece assim, de outro modo. Você (que não sou eu, saiba, e, quando você ler, será só você) ainda mal foi convidada. Sequer você entrou pela porta. Você me dirá – “há portas cujo convite não se faz; apenas se revela” – ou talvez serei eu a dizer isso para você. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Juntos, tememos o convite. Procuramos assim a hora certa de abrir a porta. É que ficamos preocupados em deixá-la fechar antes que a abríssemos. São esses riscos que a vida nos ensinou burlar? Quando é melhor estar sozinho, bem à beira do encontro? Ou, de outros modos, quando é melhor estar à beira do encontro, mas ainda sozinho? Eis a fechadura dessa porta cujo outro nome é também encontro, é também desejo. É como um código que precisamos decifrar. Mais que decifrá-lo, é preciso rompê-lo. Você sabe disso, pois vai aprender comigo o que na sua fuga eu procuro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Cortaremos os dois juntos num desenho desigual pela Cidade. Tudo isso bem antes de passarmos pela porta. Seguiremos por este trajeto; faremos nele um risco a partir do qual nossas pernas vão desenhando nas ruas escuras a recordação de uma noite no meio de semana. Escolheremos assim um bar e ali sentaremos para beber um no outro. Eu saberei o sabor desses lábios onde bebo da saliva tão amável. E você beijará na minha boca a boca que te beija. Guardarei em minhas mãos esses carinhos que roubo do seu rosto para mim. Guardarei. E você, de algum modo, virá a se lembrar do meu rosto áspero deslizando pela nuca, que beijo e mordisco delicadamente. Tomarei mais vezes em minhas mãos essa parte do seu corpo onde te seguro de modo a nos deixar mais próximos, mais juntos um do outro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nada disso acontece, pois já acontecia. A simultaneidade de tudo isso é exatamente romper com o código que não precisamos decifrar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estou atento a tudo isso. E você me interrompe pedindo algo de maneira a não me deixar enganar. E até aceito bem. Apenas me permito desviar um pouco disso. Do contrário, não haveria porta a ser pensada. Talvez por isso eu te chame meio atrapalhadamente ao telefone no dia seguinte. Tanto que quero não é propriamente ouvir sua voz. Desejo bem mais escavá-la subterraneamente. Algo mais a contrapelo. E de tal maneira poder sentir sua respiração para então me recordar do arrepio derramando-se em linhas desiguais por toda sua pele fina. Para isso todavia preciso ouvi-la, mas nessas horas – que você saiba - minha busca é por sua enunciação sub-reptícia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E depois de tudo você vai embora. Antes mesmo de entrarmos em algum lugar, eu deixo no bolso do seu casaco o poema escolhido e de cuja tradução eu sou incapaz. Deixo-o no lugar de rosas, que desfloreceriam em poucos dias.&lt;br /&gt;Você realmente o traduzirá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No me dejes solo frente a ti,&lt;br /&gt;no me libres a la desnuda noche,&lt;br /&gt;a la luna filosa de las encrucijadas,&lt;br /&gt;a no ser más que estos lábios que te beben.&lt;br /&gt;Quiero ir a ti desde ti misma&lt;br /&gt;con ese movimiento que fustiga tu cuerpo, lo tiende bajo el viento como un velamen negro.&lt;br /&gt;Quiero llegar a ti desde ti misma,&lt;br /&gt;mirándote desde tus ojos,&lt;br /&gt;besándote con esa boca que me besa.&lt;br /&gt;no puede ser que seamos dos, no puede ser&lt;br /&gt;que seamos&lt;br /&gt;dos.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Que disso você saiba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não me devolve com teu olhar a minha própria imagem quando eu visitar a luz que brilha em teus olhos&lt;br /&gt;nem me liberta para a despida noite,&lt;br /&gt;à lua rasgante das encruzilhadas&lt;br /&gt;não mais que estes lábios&lt;br /&gt;Quero atingir-te indo a ti mesma&lt;br /&gt;com essa desenvoltura que acossa teu corpo, afagada pelo sopro cálido qual um vestido náutico agitadando-se pelos movimentos da brisa dançarina deste palco de águas profundas.&lt;br /&gt;Quero alcançar-te indo a ti mesma,&lt;br /&gt;admirando-te na visita que faço a teus olhos,&lt;br /&gt;beijando-te com essa boca que me beija.&lt;br /&gt;que sejamos dois é tanto, e parece não poder ser&lt;br /&gt;que sejamos&lt;br /&gt;dois.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai embora; quer ir embora. Quero que vá embora, pois você o quer. E desejo que volte. Mas não sei se assim desejo à razão de você querer voltar. É o modo que eu encontro a fim de romper o código. Nada vai decifrá-lo. Esperemos, antes, revelação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E uma canção muito nova e desconhecida, feita por um amigo que você já conheceu sem mesmo entrar pela porta, começa a tocar - &lt;em&gt;Can I Need a Little Use&lt;/em&gt;?&lt;br /&gt;E enquanto eu leio a tradução do poema que você por sua vez deixou no bolso do meu casaco, antes de sair pela porta, essa canção, emprestada de amigo meu, já deveria te dizer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;How come I barely meet you?&lt;br /&gt;My eyes go blind, breath in a glimpse or two&lt;br /&gt;So far my mind... such a heavy load&lt;br /&gt;Be low, outgo... hangover sways&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;I would believe in, I could believe it; but would you believe me?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nada disso ainda aconteceu, pois você ainda não saiu pela porta. Ela está apenas aberta, esperando você vir e entrar. Enquanto isso eu pego um dos meus cigarros e alcanço o isqueiro à mesa. Antes da chama acender e dar um tom mais quente às paredes, eu descubro algo e é quese um presente. Que o perfume do seu corpo ainda dorme nestes lençóis. Eu percebo que por vezes esse perfume ensaia um despertar, e, ainda que fugidio, consigo tomá-lo para mim. Assim rememoro uma sequência fotogrâmica dessas cenas em que estamos em nosso próprio filme e nos vejo: eu estou tocando o arrepio que desenha traços apaixonados em seu corpo e faz da sua pele fina um papel em que se esboçam vários desenhos exprimindo a forte afetividade que nos liga. Se já há de ter em tudo isso um “quas'amar”, é o que eu mal posso saber de frente para esses dias que chegam assim como vão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora que você está de saída (e nessas dobras feitas no tempo sequer &lt;em&gt;encontramos&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;encontrávamos&lt;/em&gt;, ou &lt;em&gt;encontraremos&lt;/em&gt; entendimentos que &lt;em&gt;encontraríamos&lt;/em&gt; - e como se vai mesmo saber ? ) não há mais o que ouvir nessa minha voz que cala o que deveria dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Notas&lt;/strong&gt;:&lt;br /&gt;. O poema, sem nome, é de Julio Cortázar.&lt;br /&gt;. A canção de Andre Mello, amigo de cujas letras eu gosto muito.&lt;br /&gt;. O resto do texto é a tentativa da “rosa-impossível” com que se deveria presentear. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-5288882623265537924?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/5288882623265537924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=5288882623265537924&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/5288882623265537924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/5288882623265537924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2008/10/how-come-i-barely-meet-you_26.html' title='How come I barely meet you?'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-6540479482311846448</id><published>2008-09-28T07:34:00.008+07:00</published><updated>2008-10-07T10:18:39.596+07:00</updated><title type='text'>Suas cores, toda minha pena.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Deslizam agora pelos meus lábios esses sabores que da sua pele há muito pouco eu absorvia todos eles em mim. Eram doces e suaves vários que então podiam vir até mim quando não tomados do ponto em que se vertiam agres e densos. É bem certo que você não compreende o travar dessa língua que vai de encontro aos dentes e acha força de impulsão necessária a fim de trazer dos céus da boca o barulho estalado tão característico de quem melhor prova delícias furtadas.&lt;br /&gt;Quisera pintá-las em cores as mais intensas e assim matizá-las numa tela de onde despontariam tantos tons quantos mais são esses seus sabores com que você vem me dar o que então recebo apaixonadamente.&lt;br /&gt;Erraria procurando pelas tais cores despejadas prontamente de tubos abertos. Mesmo não os abrindo ao acaso, erraria. Precisaria de uma pouca oferta de cores; uma economia de tubos em tons já sabidos por muitos. Procurar-se-ia bem mais por uma mistura pessoal. Achar nessa pouca oferta o tom mais adequado ao seu específico sabor. Misturar poucas tintas através da economia de tubos e fazer nascer dali a tonalidade específica desse gosto que de você eu roubei com minha língua. E assim poder pintar mais precisamente como gostaria de dizer com a palavra vermelha aquele rubro espectro de cujo calor para mim se fizera o vestido pelo qual instantes antes era seu corpo todo ele revestido em boas medidas de prazer. Erraria, todavia. Na palavra vermelha mal se emprega pois o gosto roubado; apenas faz borrar o tom que procuro e não posso achar. Dizê-lo é algo inapreensível, pois, bem assim como pintá-lo, seria parar a variação com que o sabor desliza dentro de mim, seria, portanto, interromper apenas em vermelho a cor tão instável dessa chama que arde indefinidamente rematizando-se em tons os quais ainda que perseguidos até o fim jamais se deixam interromper.&lt;br /&gt;Como a tarefa da palavra vermelha que procuro e não acharei por não querer dela o vermelho tão escasso e incapaz de dizer o gosto nada bruxuleante dessa febre em que você ardia sem se adoecer, recorreria não à tinta prontamente despejada daqueles tubos, e sim, todo o contrário, a mais insana mistura, mistura desvairada, mergulhada loucamente no desespero que busca um matiz nunca pintado por pincel algum, tinta mágica que não se seca mesmo exposta a vento mais violento que por aí um de nós visse assoprar.&lt;br /&gt;E antes de enlouquecer, e antes de deixar enganar-me pela tinta mágica que não há, e antes de errar na palavra o gosto do qual desdobram tantos sabores, seria hora de saber: tão grande seu gosto, mais ínfimo o esboço que faço dele querendo experimentá-lo fora da minha língua provando você.&lt;br /&gt;Antes desses giros todos eles conduzindo ao rodopio final que antecede a queda, eu saberia: fica o esboço mesmo pequeno e se apequenando tão ardente a imagem da chama queimara na aura da sua pele vestida a rigor de uma dança à palo-seco e a partir da qual emergia somente a melodia suspensa dos nossos gemidos.&lt;br /&gt;E assim quebraria o pincel - em gesto equivalente partiria ainda a pena incapaz da letra vermelha.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Le Grand Finale&lt;/em&gt;?&lt;br /&gt;Jamais. Suas cores, toda minha pena!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Retorno aos sabores de há pouco, recolhidos da sua pele desprotegida.&lt;br /&gt;E, abandonando minha letra insuscetível a tal tonalidade que de você se veste tão inteiramente, abandono também minha pintura. Levo minha boca outra vez mais até esses lábios onde o sorriso múltiplo, ao contrário de todos os demais que você me oferece, é apenas seu.&lt;br /&gt;(S&lt;em&gt;into sua mão então deslizar suavemente sobre meus cabelos naquela parte à que sequer eu mesmo posso assistir. E eis que esse sorriso estremecendo seu corpo inteiro para então fazê-lo vibrar contra mim já é só seu&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;D.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-6540479482311846448?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/6540479482311846448/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=6540479482311846448&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/6540479482311846448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/6540479482311846448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2008/09/suas-cores-minha-pena.html' title='Suas cores, toda minha pena.'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-6999315504502316569</id><published>2008-09-19T01:06:00.010+07:00</published><updated>2008-10-07T10:37:44.467+07:00</updated><title type='text'>Tua mais profunda pele.</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Cada memória apaixonada retém suas &lt;em&gt;madeleines&lt;/em&gt; e a minha – compreende agora onde quer que estejas – é o perfume do pardo tabaco que me reporta à tua florescente noite, ao afago de tua mais profunda pele.&lt;br /&gt;Não o tabaco que se aspira, o rapé que obstrui gargantas, e sim bem mais essa vacilante e equívoca fragrância com que cachimbos e cigarros vêm a colorir os dedos e que em algum momento, como um gesto inadvertido, ascende com seu estalo de delícia para então desencadear a recordação que retenho de ti, a sombra de tuas costas contra a transparência dos fios de linho tão branco nos lençóis.&lt;br /&gt;Não contemples tal ausência com essa gravidade algo infantil que fizera do teu rosto uma máscara jovial qual um faraó da dinastia núbia.&lt;br /&gt;Sei bem que estivemos entendidos em somente desfrutar o prazer que um ao outro oferecíamos e as festas alcoolicamente refinadas e as ruas vazias à luz penumbrosa das madrugadas.&lt;br /&gt;De ti retenho mais que isso - a recordação, porém, a mim te traz desnuda e esparramadamente repousada, nossa cama foi mais precisamente esse planeta por onde viajávamos e descobríamos imperiosa e lentamente toda uma geografia nascendo, a cada amável desembarque ou resistindo a embaixadas com cestos de frutas ou delírios de paixão, e cada poço, cada rio, cada colina e cada planície, a tudo isso encontramos em noites extenuantes, entre obscuros parlamentos quer fossem eles aliados ou inimigos.&lt;br /&gt;Ah!, viajante de ti mesma, máquina de esquecimento! E então passo a mão pelo meu próprio rosto num gesto distraído e o perfume do tabaco guardado entre os dedos te traz outra vez mais para arrancar-me a este presente acomodamento, te projeta muito graciosamente nesses lençóis ao aconchego dos quais vivemos os dois intermináveis rotas de um efêmero encontro.&lt;br /&gt;Eu aprendia contigo linguagens paralelas: a dessa geometria de teu corpo que me inundava a boca e transbordava das minhas mãos como trêmulos teoremas; a de tua fala diferenciada, tua língua insular que tantas vezes me confundia.&lt;br /&gt;Com o perfume do tabaco retorna agora uma precisa lembrança que abarca a tudo isso num instante feito um vórtice, e sei que dissestes, “Sinto pena”, e eu não compreendi porque acreditava que coisa alguma poderia te apiedar nesse emaranhado de carícias que nos entrelaçava num novelo branco e preto, dança deslizante em que um passava por cima do outro para logo deixar-se invadir pela leve pressão de umas pernas, de uns braços, girando brandamente e separando-se até outro entrelaçamento e repetir o mergulho desde a superfície até o fundo, cavaleiro ou potro arqueiro ou gazela, hipógrifos confrontados, delfins a meio salto.&lt;br /&gt;Então compreendi que a palavra pena em tua boca era outro nome para o pudor e para a vergonha, e que não te decidias perante minha nova sede que já tanto tinhas saciado, que recusavas a mim suplicando com essa maneira de esconder os olhos, de apoiar o queixo contra o pescoço deixando a minha boca não mais que o ninho feito dos fios pretos do teu cabelo.&lt;br /&gt;Dissestes: “Sinto pena, sabe”, e virada de costas me observa com olhos e seios, com lábios de cujo traço brotava uma flor de pétalas demasiado finas.&lt;br /&gt;Tive de dobrar teus braços, murmurar um último segredo com o deslizar das mãos pelas mais doces colinas, sentindo como pouco a pouco concedias ao meu desejo ficando de lado até oferecer o dorso tão sedoso de tuas costas onde uma delicadíssima omoplata tinha muito da asa de um anjo corado.&lt;br /&gt;Sentias pena, e dessa pena ia nascendo o perfume que à tua vergonha agora me devolve antes que outro acorde, o último, nos despertasse numa mesma estremecida réplica.&lt;br /&gt;Sei que fechei os olhos, que lambi o sal da tua pele, que à contrapelo te apertei em meu corpo até sentir teus rins ali mesmo onde levamos as mãos numa jarra de modo a verter desta o líquido no qual matamos a sede; por algum momento cheguei a me perder na passagem furtada que de tão distante viera a dar-se no gozo dos meus lábios e que dali de teu país de cima e longínquo murmurava tua pena final protegidamente abandonada.&lt;br /&gt;Com o perfume do tabaco pardo nos dedos ascende novamente o murmurinho, o tremor desse obscuro encontro, sei que uma boca buscou a oculta boca estremecida, o lábio tão distinto invadindo teu medo, o ardente contorno rosa e bronze que te encaminhava a minha viajem mais longínqua.&lt;br /&gt;E, como sempre ocorre, não senti nesse delírio tão-somente um vacante aroma de tabaco através do qual a lembrança faz visita, e sim bem mais essa tão espessa fragrância, essa especiaria algo fantasmática e traçando seu caminho secreto a partir do esquecimento instantâneo e em justa medida, inefável jogo da carne oculta à consciência daquilo de que se alimentam as mais densas, implacáveis máquinas de fogo.&lt;br /&gt;Nem gosto e tampouco aroma, teu país mais recôndito despontava como imagem e contato, e apenas hoje uns dedos casualmente manchados de tabaco me devolvem o instante em que me endireitei sobre ti a fim de reivindicar as chaves de acesso, friccionar o doce pedaço-inteiro no qual a tua pena tecia as derradeiras defesas agora que mesmo com a boca afundada na almofada te escapavam soluços revelando então uma súplica cuja obscuridade não obstante aquiescia apaixonado desgrenhamento.&lt;br /&gt;Mais tarde compreendeste e não houve pena, concedeste a mim a cidade de tua mais profunda pele através de vários horizontes, após fabulosas máquinas e parlamentos e batalhas.&lt;br /&gt;Nesta vaga essência de baunilha retida do tabaco que hoje me mancha os dedos despertar-se a noite em que tiveste a primeira, a última pena.&lt;br /&gt;Fecho os olhos e aspiro nesse perfume do passado a tua carne mais íntima, quisera já não abri-los a esta hora em que leio e fumo e todavia creio estar vivendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;D.&lt;/em&gt; , traduzido (&lt;strong&gt;com a mais clara vontade de roubo&lt;/strong&gt;) de : &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;TU MÁS PROFUNDA PIEL&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada memoria enamorada guarda sus magdalenas y la mía -sábelo, allí donde estés- es el perfume del tabaco rubio que me devuelve a tu espigada noche, a la ráfaga de tu más profunda piel.&lt;br /&gt;No el tabaco que se aspira, el humo que tapiza las gargantas, sino esa vaga equívoca fragancia que deja la pipa, en los dedos y que en algún momento, en algún gesto inadvertido, asciende con su látigo de delicia para encabritar tu recuerdo, la sombra de tu espalda contra el blanco velamen de las sábanas.No me mires desde la ausencia con esa gravedad un poco infantil que hacia de tu rostro una máscara de joven faraón nubio.&lt;br /&gt;Creo que siempre estuvo entendido que sólo nos daríamos el placer y las fiestas livianas del alcohol y las calles vacías de la medianoche.&lt;br /&gt;De ti tengo más que eso, pero en el recuerdo me vuelves desnuda y volcada, nuestro planeta más preciso fue esa cama donde lentas, imperiosas geografías iban naciendo de nuestros viajes, de tanto desembarco amable o resistido de embajadas con cestos de frutas o agazapados flecheros, y cada pozo, cada río, cada colina y cada llano los hallamos en noches extenuantes, entre oscuros parlamentos de aliados o enemigos.&lt;br /&gt;¡Oh viajera de ti misma, máquina de olvido! Y entonces me paso la mano por la cara con un gesto distraído y el perfume del tabaco en mis dedos te trae otra vez para arrancarme a este presente acostumbrado, te proyecta antílope en la pantalla de ese lecho donde vivimos las interminables rutas de un efímero encuentro.&lt;br /&gt;Yo aprendía contigo lenguajes paralelos: el de esa geometría de tu cuerpo que me llenaba la boca y las manos de teoremas temblorosos, el de tu hablar diferente, tu lengua insular que tantas veces me confundía.&lt;br /&gt;Con el perfume del tabaco vuelve ahora un recuerdo preciso que lo abarca todo en un instante que es como un vórtice, sé que dijiste "Me da pena”, y yo no comprendí porque nada creía que pudiera apenarte en esa maraña de caricias que nos volvía ovillo blanco y negro, lenta danza en que el uno pesaba sobre el otro para luego dejarse invadir por la presión liviana de unos muslos, de unos brazos, rotando blandamente y desligándose hasta otra vez ovillarse y repetir las caída desde lo alto o lo hondo, jinete o potro arquero o gacela, hipogrifos afrontados, delfines en mitad del salto.&lt;br /&gt;Entonces aprendí que la pena en tu boca era otro nombre del pudor y la vergüenza, y que no te decidías a mi nueva sed que ya tanto habías saciado, que me rechazabas suplicando con esa manera de esconder los ojos, de apoyar el mentón en la garganta para no dejarme en la boca más que el negro nido de tu pelo.Dijiste "Me da pena, sabes", y volcada de espaldas me miraste con ojos y senos, con labios que trazaban una flor de lentos pétalos. Tuve que doblarte los brazos, murmurar un último deseo con el correr de las manos por las más dulces colinas, sintiendo como poco a poco cedías y te echabas de lado hasta rendir el sedoso muro de tu espalda donde un menudo omóplato tenía algo de ala de ángel mancillado.&lt;br /&gt;Te daba pena, y de esa pena iba a nacer el perfume que ahora me devuelve a tu vergüenza antes de que otro acorde, el último, nos alzara en una misma estremecida velamen.&lt;br /&gt;Sé que cerré los ojos, que lamí la sal de tu piel, que descendí volcándote hasta sentir tus riñones como el estrechamiento de la jarra donde se apoyan las manos con el ritmo de la ofrenda; en algún momento llegué a perderme en el pasaje hurtado y prieto que se llegaba al goce de mis labios mientras desde tan allá, desde tu país de arriba y lejos, murmuraba tu pena una última defensa abandonada.Con el perfume del tabaco rubio en los dedos asciende otra vez el balbuceo, el temblor de ese oscuro encuentro, sé que una boca buscó la oculta boca estremecida, el labio único ciñéndose a su miedo, el ardiente contorno rosa y bronce que te velamen a mi más extremo viaje.&lt;br /&gt;Y como ocurre siempre, no sentí en ese delirio lo que ahora me trae el recuerdo desde un vago aroma de tabaco, pero esa musgosa fragancia, esa canela de sombra hizo su camino secreto a partir del olvido necesario e instantáneo, indecible juego de la carne oculta a la conciencia lo que mueve las más densas, implacables máquinas del fuego.&lt;br /&gt;No eras sabor ni olor, tu más escondido país se daba como imagen y contacto, y sólo hoy unos dedos casualmente manchados de tabaco me devuelven el instante en que me enderecé sobre ti para lentamente reclamar las llaves de pasaje, forzar el dulce trecho donde tu pena tejía las últimas defensas ahora que con la boca hundida en la almohada sollozabas una súplica de oscura aquiescencia, de derramado pelo.&lt;br /&gt;Más tarde comprendiste y no hubo pena, me cediste la ciudad de tu más profunda piel desde tanto horizonte diferente, después de fabulosas máquinas de sitio y parlamentos y batallas. En esta vaga vainilla de tabaco que hoy me mancha los dedos se despierta la noche en que tuviste tu primera, tu última pena.&lt;br /&gt;Cierro los ojos y aspiro en el pasado ese perfume de tu carne más secreta, quisiera no abrirlos a este ahora donde leo y fumo y todavía creo estar viviendo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Julio CORTÁZAR. In: &lt;em&gt;Ultimo Round&lt;/em&gt;. México: Siglo Veintiuno, 1969, pp. 93-96.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-6999315504502316569?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/6999315504502316569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=6999315504502316569&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/6999315504502316569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/6999315504502316569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2008/09/tua-mais-profunda-pele.html' title='Tua mais profunda pele.'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-8197812348126130756</id><published>2008-09-03T09:51:00.007+07:00</published><updated>2008-09-03T10:32:07.758+07:00</updated><title type='text'>De duas entradas.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;You walk into the room/ With your pencil in your hand/ You see somebody naked/ And you say, "Who is that man?" / You try so hard / But you don't understand / Just what you'll say /When you get home /Because something is happening here /But you don't know what it is /Do you..?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Robert Zimmerman&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;, Ballad of a Thin Man&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;para K.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Um escrito no frontispício da porta de entrada. Dizê-lo, de zelo: &lt;em&gt;&lt;strong&gt;resta a ti mesmo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. Inexistia na dita porta, porém, maçaneta ou mesmo qualquer sinal de ser ali lugar para alguma. Não compreendeu a que sorte, pois, tal porta vinha. Absoluta imanência de toda e qualquer porta é somente existir a fim de ser aberta e ultrapassada. Restando pensou ele a si mesmo todo falto de sentido. E de uma lógica do sentido tanto quanto: caracterizara assim &lt;em&gt;O &lt;strong&gt;o&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;culto, ou o culto, que era o que restara mediante imposição do simulacro. E sem nós nesta lógica do sentido, e sem o tido, o &lt;em&gt;&lt;strong&gt;resta a ti mesmo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; parecia obscurecer, todavia, e muito paradoxalmente, também desvelar-se à sua &lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;que era mais a dele&lt;strong&gt;) &lt;/strong&gt;compreensão de saber.&lt;br /&gt;Mais além de uma realidade, muito embora aquém do insólito, contudo, a porta, em cujo ulterior havia o que se está por dizer, ainda que nunca dito, abriu-se a ele apesar da ausência de maçaneta. E mesmo uma?&lt;br /&gt;Como de esperado; e, pois, não desesperado. Já no instante em que passar ao lado oferecido pelo &lt;strong&gt;&lt;em&gt;resta a ti mesmo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; foi-lhe consagrado, já não com o sagrado, eterno e retornavelmente todavia possível, a porta cerrou-se misteriosamente tanto quanto se abrira. Lá do outro lado e nada afora quatro paredes brancas cuja reunião fazia um cômodo bastante pequeno, apertado – e obviamente a porta através a qual ali irrompera. Quando deste lado então mencionado muito descuriosamente a porta possuía sim maçaneta e também novo e&lt;em&gt;&lt;strong&gt;x&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;crito; e de agora era o &lt;em&gt;&lt;strong&gt;sobra a ti mesmo o que te restara&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; à porta. &lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Re&lt;/em&gt;-&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;pensou ser mais um convite a se ultrapassar na porta. E com seus emboras sabia que não seria executável. Ao menos neste etiquetamento, pois que agira com ética e tanto no momento, desejou e quis. E quis e desejou ficar para todo tempo &lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;um tempo do sempre e igualmente do breve aprisionado &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;e&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;) aprisiona&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;n&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;do(-&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;o&lt;/span&gt;)&lt;/strong&gt; naquele cômodo. Indefinidamente, e nos fins da mente, seria o cativo de sua autoria. Desautorizada. Assinada, contudo. Termo sem próprio termo. Ou reportar-se à porta. Atingir o inatingível; e assim ifatigavelmente. Não era. Sequer à distância. Era o caso. Mas preferia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;D.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-8197812348126130756?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/8197812348126130756/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=8197812348126130756&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/8197812348126130756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/8197812348126130756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2008/09/de-duas-entradas.html' title='De duas entradas.'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-5440165285923654266</id><published>2008-08-08T12:52:00.009+07:00</published><updated>2010-08-01T05:50:19.446+07:00</updated><title type='text'>Fotografia desmanchando.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:85%;"&gt;I left a woman waiting/I met her sometime later/ She said, I see your eyes are dead/ What happened to you, lover?/ What happened to you, my lover?/ What happened to you, lover?/ What happened to you?/ And since she spoke the truth to me/ I tried to answer truthfully/ Whatever happened to my eyes/ Happened to your beauty/ Happened to your beauty/ What happened to your beauty/ Happened to me &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:85%;"&gt;I Left a Woman Waiting, Leonard Cohen&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:85%;"&gt;Seja o que for que ela dê a ver e qualquer que seja a maneira, uam foto é sempre invisível: não é el a que vemos . &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Barthes&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Depois de certo tempo&lt;/strong&gt;, tão pouco te importa que as coisas aconteçam. Tampouco que aconteciam. Importa, por outro lado, lembrar que acontecem. E que aconteceram. Se antes não sabia, por agora, bem e mal, posso então saber. Algo já se apagava: como um foco perdido aos pouquinhos, sem mesmo que você percebesse por tão gradativo que era.&lt;br /&gt;Ela admirava aquelas casinhas de alpendre exposto à vista de quem passa. Casinhas uma a uma e ao lado da outra, onde certamente vivia a avó de alguém na nossa idade. Eu observava as árvores, que, aos sábados, são mais verdes e bailam uma a uma em par do vento dançarino que as tira da espera. Uma a uma e por vez.&lt;br /&gt;Trazíamos as sacolas que eram feitas em um papel tão branco e em alça de tiras vermelhas; e ela. Achava bonito aquilo em nossas mãos, e o sábado ensolarado. Quando chegamos ao Memorial da América Latina, eu senti uma sensação bastante gostosa. O vento, que brincava com meus cabelos e afagava o rosto dela, trazia mais movimento aos nossos passos passeantes. Por trás dos óculos-escuros eu escondia do sol forte os meus olhos ainda dilatados. Mais que as obras de arte, eu quis ver o acervo da biblioteca e as revistas e todos os livros e catálogos que enchiam as sacolas em nossas mãos. Ela me dizia não ser muito simpática aos modelos arquitetônicos do Niemeyer, coisa muito modernista segundo seu gosto. Eu gostava e gostava de ter feito chegar ali cruzando a ponte suspensa, e passando pela sombra do semi-arco e feliz. Depois tentava dizer que era assim mesmo, muito modernista e que era mais uma concepção arquitetônica de obra de arte que projeto de arquitetura; coisa que cansava e não rendia reflexão.Foi quando, depois, saltamos do metrô pertinho da parte mais baixa em Pinheiros, com as sacolas e ela admirando os alpendres e os azulejos muito coloridos e que formavam imagens que somente pelo olhar dela eram focalizadas. Andaríamos um pouco Pinheiros à cima, mas não importava, pois, juntos, íamos fazendo nosso traçado a caminho de nós dois. Toda a sujeira do início, que se misturava à confusão das ruas que, passo a passo, iam perdendo a tranqüilidade do princípio; quando as árvores ainda dançarinas e belas. Todo o caminho. Subida e calmamente. Paramos numa lanchonete, quando tudo começava a ficar mais limpo apetitoso do estômago. Quase Alto Pinheiros, então. Ela comeu com mais vontade que eu, que senti maior vontade em lavar o rosto na pia do banheiro e retirar de mim o suor cansado.Ela gostava muito, mesmo antes de chegarmos. Admirava as vitrines, que, de lado a lado, emolduravam a nós dois durante a subida pela rua com belas lojas de móveis; para todos os gostos e lembrava da mãe, que também gostaria de admirá-los ali estivesse. Eu um pouco apressado, pensando que mais à frente já teríamos o que admirar com mais gosto; manuseando. Antes de enfim na Benedito Calixto, paramos. Ela pegava das coisas à mostra na calçada umas caixinhas, porta-jóias. Eu, perguntava pelo valor de um toca-discos portátil; bastante desejável e, a meu gosto, porém, muito caro. Eu pensava comigo, nada de aura contemplativa; tudo ao alcance e poder da mão. Você pode manusear e sentir por um instante seu. Eu disse que devíamos subir, e vir descendo, pois é o melhor sentido de trânsito na feira. Não por uma orientação melhor em se desviar das pessoas, mas sim por um interesse admirativo das coisas expostas. E desviei nossa rota nos fazendo então subir. Ela pareceu aprovar. Divertiu-se com os móveis antigos e impregnados pelo tempo. E pediu que eu tivesse calma, pois sua contemplação pedira o mesmo dela. Eu sabia disso; a pressa toda era por estar ali. Ela se encantou com a banca das câmeras e filmadoras. Perguntou o valor de uma &lt;em&gt;Super-8&lt;/em&gt; enquanto eu calculava o brilho no olhar dela. Simpaticamente pediu ao senhor presente que pudesse levar a mão naquela pequena jóia. Sabendo do mesmo brilho naquele olhar que eu já sabia, o senhor consentiu. Trocou as lentes e apontava na direção de alguns cantos; e trocava as lentes como quem procurasse por um foco bastante especial, filmando uma cena melhor. Depois passou a mim. Fiz o mesmo. E era admirável. Aquelas lentes envelhecidas, trocadas uma a uma. Trazia a imagem de um outro tempo, já de muito passado, aprisionado ali na &lt;em&gt;Super-8&lt;/em&gt; e no jogo de lentes de caduca nitidez. Vimos juntos um tempo desprendido de nós, que o apreendíamos à parte de todos ali. E depois deixamos a câmara sob os velhos cuidados do senhor da banca, pois não havia de ser nossa, como o tempo que as lentes nos proporcionava.&lt;br /&gt;Um outro senhor da banca ao lado nos conquistou. Sacou uma &lt;em&gt;Polaroid&lt;/em&gt; assim que deixamos a banquinha anterior. Nas mãos ele a entregou a nós para em seguida tomá-la dizendo que estava funcionando e ainda com filmes. Tirou uma fotografia instantânea naquela cartela de papel meio amarelado que tinha junto da câmera e nos deu de imediato. O papelzinho amarelecido desenhando a nos dois. Primeiro, espantosas silhuetas fantasmáticas, como borrões. Depois uma par de perna é desenhado e coloca-nos de pé ali bem diante dos próprios olhos. A seguir, um rosto, uma boca e dentes sorrindo. Os cabelos arredios e nossa cara de felicidade compartilhada. Por fim, o abraço que unia e assim desenhava por completo a fotografia instantânea, cuja composição dada pelo instantâneo faz colocar a uma altura a mais nublada tamanha poesia daqueles tempos em o instantâneo nada tinha que ver com imediato; imediatamente e desprovido de qualquer revelação de mágica maravilhosa que deve haver. Depois seguimos. E paro na seção dos discos enquanto ela via coisas mais interessantes. Fiquei feliz por achar um vinil com a trilha do &lt;em&gt;Blow-up&lt;/em&gt;, composta pelo Herbie Hancock e todo seu vigor tão conhecido. Dentre muitos outros acabo encontrando um vinil da Elza Soares, que estava divinamente bela na capa. Lembrei de quando ela me dera a boa orientação de modo a acertar em minha opção de escolha por um presente futuro. Que se fosse disco, dissera-me, fosse um da Elza e não outro.Ela ia vendo uma banca de brinquedos. Admirada por encontrar uma boneca &lt;em&gt;Moranguinho&lt;/em&gt; - coisa que toda mulher à idade dela tivera em sua tenra infância de menina - levou imediatamente ao nariz procurando pelo cheiro já despedido da empoeirada boneca. Não era nada ridículo, pois o cheiro está na memória que tinha da infância que teve no tempo da boneca &lt;em&gt;Moranguinho &lt;/em&gt;aromatizada.&lt;br /&gt;Descemos de pouco a pouco, e, assim, dedicamos ali toda nossa tarde de sábado entre as coisas da feira; também aos diversos tempos da feira. Por que em feiras desse tipo da Benedito as coisas podem coexistir, coexistindo diversos tempos, diversas revelações instantâneas. Eis a sorte das férias... lugar bem diferenciado e em meio a cidades, onde, via de regra, cada esquina virada leva a algo diferente; onde tudo pode acontecer à cada esquina escolhida; raspagem hipertextual de possibilidades escolhidas na contingência traçada pelos passos que caminham por cima da transparência pisada. Como um foco perdido, à maneira como escolhíamos a lente na &lt;em&gt;Super-8&lt;/em&gt;, as coisas se perdem; esfumaçam. E depois de certo tempo, tão pouco te importa que as coisas acontecem; tampouco que aconteceram. Importa, por outro lado, lembrar que aconteceram; que aconteciam. Ela brincou de ir embora. Eu, &lt;em&gt;ser livre&lt;/em&gt;. E nós de sofrer. Disse que queria um amor escrito, uma escrita de amor. Eu escrevia com ela entretecida em mim; em várias e variadas vezes com ela entretecida nas vozes escreventes. Buscava nesta qualidade a perda da carta não enviada. Escrevia para o futuro reescrever o passado; mas ela não conseguira ler a escrita que escrevia no amor entretecido as vozes reescrevendo-se uma na outra; misturando esses tempos. Por mais puro egoísmo, sei que essa escrita ela não acha em mais ninguém.&lt;br /&gt;Ela foi embora, e eu fiquei com a Polaroid amarelecida, que hoje perde a cor que nos desenhava em outra época e numa época já passada; agora ainda mais passada. Ao contrário daquela revelação, estamos nos desrevelando. Primeiro o abraço que unia ela e eu em nós. Daí o sorriso que compartilhado em felicidade entrelaçante. Mais um pouco e a boca se desmancha. Instantaneamente, aqueles traços, que na fotografia desenhavam nossas pernas, em cima das quais nos sustentávamos de pé, desaparecem, e, então, despencamos. Sobra uma silhueta fastasmática, irreconhecível no papel que vai perdendo cada traço de nosso desenho.&lt;br /&gt;Dizem que fotografias param o tempo; esquecem de dizer, todavia, a que preço o tempo se deixa parar nessas fotografias ingênuas no trato com sua implacável insaciabilidade. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-5440165285923654266?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/5440165285923654266/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=5440165285923654266&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/5440165285923654266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/5440165285923654266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2008/08/fotografia-desmanchando.html' title='Fotografia desmanchando.'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-3054943417949923398</id><published>2008-08-03T13:17:00.005+07:00</published><updated>2008-08-03T13:54:54.745+07:00</updated><title type='text'>Às voltas com as ( velhas)  escolhas.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Para Holden Caufield, o jovem narrador e meu mais sincero canalha na literatura&lt;/em&gt; .&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;...que nunca me preocupei com as correções, pois seria ,eu mesmo, um ato incorrigível; preferia, então, muito mais, o próprio erro de ser quem eu fui errando em mim mesmo.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Paulo Leminski, &lt;strong&gt;Ou a mentira que acabo de citar sem num. de página e ou nome de livro&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Durante muito tempo&lt;/strong&gt; eu realmente imaginei encontrar algum significado nas coisas que escolhi. Durante muito tempo, mas não o tempo todo. Assim passei a perceber a inevitabilidade nas escolhas e considerá-la muito respeitosamente. Num primeiro tempo, isso me fez agir sempre partindo da estúpida tarefa de organizar cada gesto da minha vida, de tomá-la por uma ordem sensata de maneira a justificar o que escolhia. À sorte de qualquer casualidade, eu sempre acreditava ser capaz de avaliar, um a um, os eventos sucessivos que me ocorriam e colocá-los todos numa seqüência tão diacrônica que cada um deles tinha seu próprio início, e também fim, encerrados num tal sincronismo que, de pleno que era, eliminava-se de todo acaso para receber seu sucessor na estável seqüência da cadeia com que eu os articulava para mim. Tudo estava sob minha ordem e nada escapava a essa tarefa elegida em minha vida. Era tão jovem nessas coisas todas que eu mal podia compreender o que fazia, e agia como um velho por não entender toda a jovialidade que então permite brincar nesse jogo que é o rito da vida.&lt;br /&gt;Depois fui deixando de lado essa estúpida tarefa e me interessando por outras coisas mais dignas de alguém na minha idade. Entre um e o outro desses momentos, o tempo era tão breve e pouco espaçado que sequer poderia dividi-los em fases. Como se um dia, pela manhã já muito avançada, eu acordasse e deixasse longe, talvez junto com meu implacável sono da noite anterior, toda a medida para armar aquelas coisas a despeito da sensatez com que eu costumava perceber o que me ocorria mediante a tarefa antes eleita.&lt;br /&gt;A primeira das várias outras tarefas (muito mais apropriado seria tomá-las por tarefinhas, menores que eram) em que fiz explodir a unívoca tarefa fazendo procurar outro problema para minha vida. Sei que isso é algo tanto enigmático. Mas logo faço cristalino o que digo com isto.&lt;br /&gt;Mudar todo uma gosto estético, filmes preferidos, bandas favoritas, o melhor trompetista de jazz do qual tinha numa das paredes de casa um expressivo quadro, ou escolher uma nova aparência e assim novo estilo para me vestir, tudo isso seria tão desnecessário que sequer foi cogitado por um lampejo que se possa considerar. Sempre fui fiel à minha educação estética para as coisas, e de longe meus filmes preferidos eram insubstituíveis quando postos em lista. Foram anos a fio comprando discos importados até ver lojas da qualidade da Urban Cave fechar as portas e entrar definitivamente para a nova religião que começou no site Napster, até os tempos não tão distantes, porém não tão recentes, dedicados a selecionar a melhor cepa de vinis por sebos de todo o país, cidades por onde passava sazonalmente, quando os daqui não foram mais que suficientes nas ofertas; mudar a lista de bandas tão diletas, impossível. E afinal minhas roupas, desde que posso lembrar de quando já tinha uns quatorze anos, sempre foram legais e custaram nada mais que tirasse de minha carteira alta cifra por conta de grifes totale in, pois essas cifras altas, que vários amigos de colégio usavam para exibir um atualíssimo guarda-roupa muito na moda, eu as economizava para entregá-las no caixa da Urban Cave e lojas com esses encantos de época, que órfão desta loja fui depois encontrá-los nas pequeníssimas prateleiras da Motor music e na ótima bancada do CD Club da galeria.&lt;br /&gt;Sobre as roupas, o que tive de fazer foi apenas repassar na cabeça o tempo em que eu exagerara, pois sempre se exagera em alguma situação, por mais manero que você se considere e tenha sido vida toda. O segredo está no aprendizado de não parecer ridículo, e também precisar se olhar no espelho por conta de qualquer dúvida a que o bem-estar de sentir-se dentro do que você veste não possa resolvê-la. Com isso, eu mantive todos os anos com que fui elaborando inconscientemente algo que vestisse meu corpo corroborando a minha personalidade estética.&lt;br /&gt;Daí eu pensei nas amizades. Era a questão mais difícil. Jamais tive muitos amigos, e não me lembro de ter chegado a algum lugar onde conhecesse mais que três pessoas numa mesma noite. Era quase impossível. E meus bons amigos estavam todos espalhados por aí; lembro que um par deles ainda vivia na mesma cidade que eu, mas nos encontrávamos uma vez por semestre ou, quando muito, mais que uma vez.&lt;br /&gt;Bem, era uma das conseqüências de ter vivido em outros lugares. Quando você se lembra dos amigos, eles sempre estão nesses outros lugares onde você viveu. A coisa chata é que, por conta dos amigos, você acaba sentido saudade de lugares nos quais odiou estar e renegou a vida. Talvez por que foram o cenário de algumas amizades. Talvez por que o lugar era legal, mas na época você não se interessava. E quando é isso o que acontece tudo é mais chato, pois o sentimento não se decide nunca. E você se perde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais eu não tinha domínio algum sob essa parte relativa a amizades. Não me era permitido selecionar tanto assim neste quesito. Essa coisa de fazer amigos é o maior mistério da vida. Alguns dos meus melhores amigos, eu os considerei tão imbecis que jamais imaginaria saindo com eles, que depois pudéssemos nos tornar verdadeiros comparsas. No caso das amigas, algo ainda mais incompreensível. Que me chamem de filho da puta, caso queiram. Eu sempre fiz amizades com mulheres pelas quais eu definitivamente pudesse me apaixonar, mesmo que por um delírio. Às vezes a paixão poderia simplesmente vir à tona por que de imediato eu tomava conhecimento de que tínhamos em comum um diretor preferido. E assim foi quando descobri minha amiga que comigo dividia a devoção pelo super cool sr. Hal Hartley. Em outra situação foram as canções do Bowie, e a amizade logo teria um princípio de paixão possível. Mas também não desconsiderei uma beleza desprovida de qualquer apuração estética afim com a minha. Logo que descobria uma provável amiga capaz de me despertar apenas a libido, eu tratava de remediar sua insuficiência e a encaminhava pelos melhores caminhos pelos quais eu já havia passado. E assim tinha uma nova amiga que aos poucos ia instruindo até se tornar tão experimentada nas coisas que me interessavam quanto bela em seus encantamentos de fêmea fatal que de inicio era.&lt;br /&gt;Prolongando um pouco, confesso que consegui me apaixonar por todas minhas amigas e ser correspondido no mais das vezes em todas as tentativas de consumar a paixão libidinal, tenha sido ela despertada à sorte das situações já consideradas. E minha pouca falta de sucesso relativo aos raríssimos casos que somam alguma exceção foi por ter sido desfavorecido pelo tempo que vivi nos lugares pelos quais o trabalho dos meus pais foram me levando, e depois minha formação escolar e meus estudos superiores atuais. Mas com os amigos, era sempre o contrário. Nunca despertaram qualquer desejo libidinal, e o diabo é que eu sempre estive aberto a isso, e até experimentei muitas vezes uma busca que deveria haver em mim. Porém jamais consegui sucesso nesses casos. Amigos servem mesmo é para conversar e falar alguma merda sem coerência alguma. Acho que por isso nunca poderia ter me apaixonado, pois no caso das amigas eu sempre fui plenamente coerente com minhas afinidades eletivas. E por isso eu as educava, quando percebi necessidade. Aos amigos, por outro lado, eu nunca me prestei muito com coerência. E por isso os fiz nas circunstâncias de imaginá-los inicialmente seres os mais imbecis ao lado dos quais a vida me colocara. E logo tomava na cara quando uma linha de conversa ia se partindo e repartindo em diversas afinidades eletivas: filmes sabidos de cor, bandas que fizeram trilhas de fases da vida, atrizes deliciosas pelas quais vertemos jorros de porra por toda a casa, escritores preferidos e o trompetista de jazz que nunca ouvimos tocar mas do qual tínhamos lidos quase todas as páginas e o belíssimo conto sobre um saxofonista chamado Johnny Carter. Tudo isso e também algo mais.&lt;br /&gt;Refiz a lista dos amigos, e cortei mentalmente todos os que precisei educar. Amigo de verdade – seja homem ou mulher - não se educa, pois que vem pronto. Feito amizades à primeira vista, e não se procura nada que melhorar; aceitam-se as falhas como virtudes e elegem-se nelas as verdadeiras afinidades, pois as melhores amizades servem a isso que tira você do caminho certo e erra junto com você e juntos topam qualquer nova possibilidade de erro que aparentemente permita reabilitar.&lt;br /&gt;O problema era ter restado desta lista, nos amigos que restavam não cortados, uma seqüência de pessoas distantes, que ficaram naqueles lugares da minha vida. Eu não podia chamá-los para sair, para vermos um filme em minha casa, nem mesmo tomar um trago na esquina e falar sobre qualquer coisa que fosse. Meu mundo de amizades estava perdido de vez. De vez, talvez meu mundo inteiro, e não só o de amizades, estava se perdendo.&lt;br /&gt;Avaliação precipitada e incoerente, mas muito necessária ao instante. Como o bêbado ao copo, eu não levei nada a serio essa má fortuna das amizades deslocadas e logo estava rodeado por alguns novos amigos e amigas pelos quais ia tomando muito gosto; e feito a garrafa cheia varias vezes vertida ao copo vazio, enchemo-nos de pouco a pouco de maneira a completar o volume até aquela risca a partir da qual você pode considerar um bom trago de afinidades eletivas e sentir-se leal a escolha.&lt;br /&gt;Para minha felicidade eu tinha feito bem a escolha e conhecia outras coisas conhecendo as amizades e provando muito do que me ofereciam. Minha prateleira ganhava novos volumes literários com muita velocidade por conta da influência que dos céus cai sobre mim e eu procurava me dedicar com muito prazer naquilo em que convertia minhas economias ou, certas vezes, transformava em minha extravagância. Minha mesa de leitura nunca foi antes tão ocupada; podia ler dois, três ou quem sabe até mesmo quatro livros de uma mesma vez e não me atordoar, embora em algumas situações as histórias pudessem se misturar e eu inventar algo dessa proximidade com que as lia invariavelmente. Tal probabilidade, longe de me atormentar e causar certa temerosidade, seduzia-me com o risco que parecia correr.&lt;br /&gt;Já por esses tempos eu sabia que também tomava gosto por uma outra concepção de tempo, pois minhas escolhas eram nada impregnadas pelo sentido que anteriormente eu procurei atribuir à leitura que fazia de mim mesmo. Se tomássemos a coisa numa acepção literária, digamos que eu passei de um texto linear, cuja leitura implicasse a descrição de um narrador onipresente que apresenta a psicologia da personagem de tal forma esmiuçada a ponto de a leitura perder já qualquer reflexão narrativa, à uma verdadeira collage surrealista e talvez culminasse numa amalgama tão dadaísta capaz de suprimir qualquer orientação de sentidos. Aceitava tudo que me parecia de mal, pois era assim que eu considerava as coisas de bem, e cada vez mais meu cacoete de narrativa caduca das minhas escolhas ia esmorecendo em mim.&lt;br /&gt;Lembro, apesar de ser algo tão de agora, mas lembro por assim considerar ser necessário para cair para dentro do texto que escreve o texto que vou arrumando para colocar o texto que agora escrevo, que continuei minhas paixões descobertas nas afinidades eletivas, que agora aumentavam muito nos últimos tempos e cada vez mais me despertavam os delírios para os quais eu não crio impedimento algum.&lt;br /&gt;Tenho passado, já que passeio, passeante, e passei, passante por passará, muito tempo à-toa e tido também muito tempo de celebrar as amizades. Claro, faltam amigos tão putos como eu ainda tenho por aí em alguma cidade onde já vivi e viverei mais à frente, viajando de férias ou fugindo de alguma dívida de vida, tão putos como fomos eu e esses canalhas que tão putos foram para outros lugares, como eu canalhamente fui para longe deles; putos que bebem e não importam se você tem grana que pague a conta, ou que te chamam para um trago sem sequer ter dinheiro na carteira, pois sabem que você vai pagar por eles o trago que os reúne. Gente desse tipo que esquece livro com você, que depois grava umas músicas que você ainda não teve tempo de conhecer e acerta em cheio no que fez. Mas tenho que deixar esses tempos e fazer outro acontecer. Espero que todos esses canalhas estejam bem. Espero que tenham tido a mesma sorte que eu e que tenham conseguido comer algumas amigas lindas que conheceram nos últimos tempos. Eu tenho conhecido muitas mulheres, e feito muitas amigas. Algumas saem comigo e tomamos bons porres. Algumas me olham e eu as olho de volta a partir da forma como me olham. Faz uns seis meses que fez um ano que eu voltei e me despedi do último puto que estava perto de mim, antes que todos nós ganhássemos novos endereços residenciais por aí. E nesses últimos seis meses eu não namorei mais ninguém. Não amo nesses últimos seis meses ninguém fixamente, por mais que quisesse. Antes eu amava fixamente mas não pôde ir tanto à frente. Ando por aí; disse, tenho passado muito tempo à toa. Descubro belas mulheres nas minhas grandes amigas e grandes amigas em algumas belas mulheres que vejo nas ruas. Penso no enigma da tatuagem que vejo na pele da mulher para a qual paixão e delírio acabaram de me tomar de mim antes mesmo de nos tornarmos amigos. Ela apenas passa pela rua. Decifro tudo para mim e sei que já faço parte do que o enigma ajuda esconder no mistério a que os indignos não podem roçar. Eu apenas observo o olhar que ela lança até mim e o recebo feito convite. Espero sempre o delírio, pois sem ele não entro em nenhuma paixão, em nenhuma amizade nenhuma. E no olhar dela eu vi tanto delírio vindo dela até mim, e me encontrei rapidamente dentro daqueles olhos que me tomavam de todo, num só instante feito aquele momento em que ambos nos trocávamos nas íris, e de todo se dava a mim, pois eu me dava a ela, e com muita força procurávamos desviar instantaneamente o demorado através do qual nos possuíamos ali no brilho que nos enchia os olhos nos quais podíamos nos ver e também ver que nos víamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, minha educação estética eu a consegui manter a salvo de um longo desvio; recebi o complemento dos novos tempos mais mantive a boa linhagem com que os anos ajudam a forjar um caráter convincentemente sedutor mesmo por poucas palavras, pois você não precisa sair por aí falando de tudo o que gosta na primeira oportunidade, de comentar tudo tão esmiuçadamente que, ao invés de uma boa impressão, causa aquela espécie de repugnância irremediável nos chatos de lapidação lustrosa; assim são os bons romances e os melhores contos, que te invadem cautelosamente de muito pouco até jamais deixarem você por estarem de todo. À duvida que fosse, em nada pus meu gosto musical e sigo retomando sempre minhas bandas preferidas e sempre me surpreendo por começar uma amizade pautada nestes termos apesar de ter sido sempre assim. Ainda me apaixono pelas amigas que gostam dos mesmos diretores que eu, que leram com todo delírio os meus escritores preferidos e que ocupam grande parte da casa onde moram com livros cujo título de capa oferece o prazer táctil assemelhado pela canção do Caetano àquele que colocamos aos maços de cigarro. E em todo esse tempo, jamais fui infiel a minha marca de cigarros tão eleita entre tantas outras, colocando-me na diversidade apenas em ocasiões nas quais a impossibilidade de cumprir com minha fidelidade colocasse em risco outra fidelidade: não pela marca, mas pelo cigarro enquanto substantivo da minha prosa que vai.&lt;br /&gt;Deixei de fazer escolhas, deixei de respeitá-las, e, mais que isso, deixei de fazer escolhas respeitosas. Detive todo ímpeto de encadear minha vida pela dignidade das escolhas e tomei para mim a escolha de vida de ser escolhido pela vida. Assim reneguei todo sentido organizador que tive como tarefa. Desconsiderei conceitos, como diacronia e sincronia ou evento e estrutura, a fim de entender o tempo, a temporalidade. Isso influenciou na minha escrita, também na maneira com que expresso meu pensamento e, em grau menor, até em minha dicção das palavras que saem da minha boca e corporificam nelas algo de mim. Perdi o uso de algumas gírias que mais me identificavam com lugares em que ia vivendo e reabsorvi na minha fala coisas daqui onde estou agora, pois essa coisa de mudar de lugar modifica pra cacete o jeito como você fala das coisas de que fala. Tenho conhecido outras gentes, tenho dito. Às vezes ainda me pego lembrando de alguns amigos putos, malditos de sempre, mas nada é mais freqüente como noutros tempos. Essas coisas de passado, já que passeio, passeante, e passei, passante por passará, ficam um tanto frouxa no tempo; se desorganizam e ficam soltas por aí, sem limite algum de obsessão e pronto. E no final de tudo a escolha de vida é ser escolhido pela vida e poder romper com toda organização, tomar as coisas mais frouxas da memória e rir alguns bocados desse confuso curta-metragem que é projetado pela lembrança da sua vida nos seus pensamentos, e, depois de tudo isso, esperar por mais uma daquela troca de olhar em que você descobre paixão porque há delírio, e imagina que você já é parte do enigma de outro corpo onde vai se entregar e recebê-la também entregue feito a tatuagem, com várias maneiras de pensar tudo isso a seu próprio gosto e desfazer quando tudo parecer chato e aborrecido, ou manter para sempre se for o caso, ou remodelar, feito nos melhores romances do Julio ou filmes do Lynch, qual fosse a primeira vez, pois sempre deve haver alguma tarefa, que é a paixão, que é também fazer haver todo o delírio, e escolher nessa escolha de vida ser escolhido pela vida, mas sempre com delírio, pois precisa ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;D.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-3054943417949923398?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/3054943417949923398/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=3054943417949923398&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/3054943417949923398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/3054943417949923398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2008/08/s-voltas-com-as-velhas-escolhas.html' title='Às voltas com as ( velhas)  escolhas.'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-6022175157206571634</id><published>2008-07-29T12:09:00.002+07:00</published><updated>2008-07-29T12:14:08.467+07:00</updated><title type='text'>Cortazariana num. 2</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_-twrYUP8VbE/SI6m298tRDI/AAAAAAAAAL8/mYNral3_q-4/s1600-h/new-5.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5228299680696058930" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_-twrYUP8VbE/SI6m298tRDI/AAAAAAAAAL8/mYNral3_q-4/s400/new-5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_-twrYUP8VbE/SI6mr0NVtrI/AAAAAAAAAL0/XLqie2sdAxs/s1600-h/new-5.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-6022175157206571634?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/6022175157206571634/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=6022175157206571634&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/6022175157206571634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/6022175157206571634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2008/07/blog-post.html' title='Cortazariana num. 2'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_-twrYUP8VbE/SI6m298tRDI/AAAAAAAAAL8/mYNral3_q-4/s72-c/new-5.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-3260640615748143947</id><published>2008-07-28T02:49:00.002+07:00</published><updated>2008-07-28T02:51:24.352+07:00</updated><title type='text'>Em volta do amor.</title><content type='html'>Deslizo corpo a dentro do teu e me enlaço a todo desejo:&lt;br /&gt;Que te desejo corpo pleno e neste laço em que me adentro ( &lt;em&gt;pois que me há dentro&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;Sou a busca por teu encontro e o encontro da busca pela qual fui inteiro&lt;br /&gt;Assim minhas mãos te apanham e te recolhem também em mim&lt;br /&gt;Repito o gesto com que de pronto te recolho apanhada por mim em minhas mãos que te tocando pegam&lt;br /&gt;E já te dou nas mãos meu corpo, que te deseja com amor o amor que te toma&lt;br /&gt;Pois te apanhando posso me recolher amorosamente em ti&lt;br /&gt;Provamos enlaçados então os dois:&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;abraçados&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;Que ora está em mim - um no outro - que ora está em ti&lt;br /&gt;Eis que, qual palavra na qual nos confessamos, rompemos nossa deriva - e sultimente deslizamos com os corpos quentes para dentro deste intenso e comum desejo.&lt;br /&gt;Provamos enlaçados então os dois que ficamos: ora em mim, ora em ti.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E agora que sabes&lt;br /&gt;Não foge de mim&lt;br /&gt;Agora sabes: minha busca é somente por ti&lt;br /&gt;Não foge mais&lt;br /&gt;Pois estou aqui.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-3260640615748143947?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/3260640615748143947/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=3260640615748143947&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/3260640615748143947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/3260640615748143947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2008/07/em-volta-do-amor.html' title='Em volta do amor.'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-8749339613869485827</id><published>2008-07-20T22:34:00.006+07:00</published><updated>2008-07-25T02:38:56.528+07:00</updated><title type='text'>Digressões de revés</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_-twrYUP8VbE/SINrTTglTLI/AAAAAAAAALo/-70CBi7EXRs/s1600-h/digressoes+de+reves.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5225137972078529714" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_-twrYUP8VbE/SINrTTglTLI/AAAAAAAAALo/-70CBi7EXRs/s400/digressoes+de+reves.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_-twrYUP8VbE/SINcFPp-aGI/AAAAAAAAALg/hGHbuIBWdPs/s1600-h/digressoes+de+reves.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Aí dentro do porta-luvas&lt;/strong&gt;, você encontra em alguma parte pelos cantos: acho que tirei de dentro da bolsa antes de sairmos de casa; já não consigo me lembrar bem. Pior lugar onde guardar, disse isso mais de mil vezes. Primeiro lugar onde olham, parando pra batida. Ninguém vai parar a gente; aperta. Ninguém mesmo parará, a não ser os velhos putos da farda démodé. Deixa sua alucinação pra depois do fumo; aperta logo: gosto de dirigir chapada e a cidade, além do mais, está muito calma à essa hora. Você sempre diz essa besteira de “alucinar depois do fumo”; coisa muito sua mesmo. Não, coisa muito sua: não minha. Esse papel é uma merda, não tenho outro. Vai assim mesmo, depois encontramos algum melhor: já que não tem outro por agora. Vê essa publicidade - dela te falava ontem sobre as cores que eu via quando ia pro trabalho: é ridícula na mistura das cores e letras, apaga tudo: mas funciona exatamente como precisa – não sei se pensaram nisso, mas deu certo à beça.&lt;br /&gt;Antes de ir pra minha casa, a gente passa naquela casa de bebidas. O lugar não fecha nunca e poderemos comprar uma garrafa de vinho. Também não quero ficar mais; hoje não quero como das outras vezes. Vou me despedir deles então, e vamos logo. Meu cabelo está tão desgrenhado. Não está. O meu olho está caído. Parece sono, mas é pelo frio que fica assim. Não é sono nem frio, já disse, é sua maquiagem, o contorno que você faz com o lápis, faz parecer caído – gosto assim, pois te embriaga antes da primeira dose. É frio, você não entende de maquiagem. Esse elevador não tem câmera, não tem. Com um puta espelho desses aí, não precisa câmera: a gente mesmo se faz vigiar. Bate logo a porta antes que a sirene escandale o alarme. Podia ter um jornal de qualidade nesta portaria, levaria pra mim na alta, mas só assinam essa merda de notícias baratas pra não incomodar o café da manhã – por isso acumulam os jornais aqui em baixo, sequer lembram de pegar na portaria e subir: serve mesmo pra juntar a merda dos gatos e cachorros e não ter problema com o síndico, que deve fiscalizar o lixo sentindo todo o cheiro da merda bem envolvida em jornal barato e muito bem embalado em sacolas plásticas de supermercado da vizinhança.&lt;br /&gt;Esse carro precisa ser lavado, e você bem podia fazer isso pra mim amanhã. Não precisa, por dentro está tão limpo que não faz diferença alguma toda a imundice de fora dele. Disse mais de mil vezes, mas não adianta: ela não entende o risco de deixar o fumo no porta-luvas do carro; não sei por que precisa tirar da bolsa e enfiar aqui... Aperta unzinho pra gente aí, antes que todo o percurso até a casa de bebidas seja vencido e você ainda esteja se ocupando de me convencer que o carro não precisa de uma água pra parecer mais belo e digno de minha pertença. Mas numa coisa você permanece senhor de toda razão – o Cohen é o melhor som da madrugada numa cidade de luzes amarelecidas e chão cinza fatiado de branco, dentro de um carro imundo por fora, o qual quer, por dentro, bem abriga de todo o frio que gela a noite. Vou ouvindo Closing Time enquanto ela fala, enquanto ela me desautoriza em assertivas que por digressões de revés me autorizam em outras. Vejo bem a droga de outdoor, a despeito de toda a falação que me acordava de um sono vespertino do último domingo. Ela tem razão no que fala sobre as cores nas letras, as letras nas cores e o comum já comunicado na publicidade: evito especular se realmente funciona exatamente como precisa, e deixo isso pra ela. Não precisa temer, ninguém vai nos parar. Ninguém mesmo, precisamente. Ele vai apertando o fumo, talvez pesando em mim: pensando no que digo e enrolando: mais uma dobra no papel: entre os lábios prende a última dobra do papel de má qualidade: prende bem preso entre os lábios que passam a saliva pra não soltar: sabe que o papel é de má qualidade e precisa estar bem preso, um pouco de saliva que umedece e ajuda grudar, pra não soltar enquanto já estivermos fumando.&lt;br /&gt;Preciso ir ao banheiro primeiro. Tudo bem, eu agüento. Droga de saca-rolha, uma merda muito barata e que me machuca a mão. Que você tá dizendo aí? – eu não consigo escutá-lo... Não é pra escutar, estou reclamando do saca-rolha. Aperto com cuidado, o papel que encontro é horrível - vai rasgar na última dobra, preciso enrolar com muito cuidado e o carro faz muitas curvas até a casa de bebidas; passo a língua presa entre os lábios e os lábios entre a língua muito atentamente, pra não errar a quantidade certa de saliva que apenas ajuda grudar e não mela muito essa merda de papel, lambrecando e fazendo partir logo na última dobra já a ponto de fogo; seco o excesso com a chama do isqueiro antes de queimar; boto fogo e trago; passo logo pra ela em seguida e a mão está um pouco trêmula, que quase deixamos cair tudo ou então descuidamos da direção pelo ápice da vertigem que ainda se mistura a outros sentimentos ainda no carro; ela parece não se importar com nada, parece que estamos a salvo de tudo em pleno trânsito apenas por ser madrugada e a cidade, aparentemente mais tranqüila.&lt;br /&gt;Ela sai, deixando a luz do banheiro ainda iluminando. Acho que ele vai gostar das velas, mas pode deixar meu olho ainda mais caído. O olho não está mais caído, o desenho do lápis foi minimizado, acho que deve ter ficado desenhado na toalha, o que agora em casa seria excesso, o viés do seu olhar: fica mais lânguido assim, perde o peso do que o social da pintura de noite pede e ganha num charme mais oculto, que a chama da vela te realça. Sei que ele não gosta desse vinho, prefere seco mas aceita bem suavemente por conhecer meu gosto: ainda senhor da razão, pois é suave a verdade de que o seco cai melhor com o gosto do fumo. O papel de casa agrada a ambos, pois esquecia-lhes levar junto do fumo de qualidade papel à altura: em casa tinham um bom papel.Cuidado, não pega assim tão abruptamente – você faz a brasa pular em meu casaco, primeira vez que uso e foi muito caro pra já ter um rombo tão flagrante em seu debut. Fica de olho, os cops de farda-brega aparecem de esquina em esquina hora dessas – não descuida da direção. Não vai aparecer puto nenhum a essa hora da madrugada, alucina com o fumo e deixa as ruas comigo, sei por onde ando e aonde estou nos levando.Eu não estou mais afim de ficar aqui – traz seu ouvido perto dos meus lábios que quero te dizer uma coisa, coisa bem minha: eu não estou mais afim de ficar aqui, quero logo ir, transar e exceder meu tesão em nosso gozo, misturar nossos corpos e fumar em casa ouvindo música só nos dois; coisa bem nossa. Eu também não estou mais pra isso aqui não. Despedimos e deixamos com nossa ausência uma desculpa qualquer, a qual quer diz uma das suas coisas aí e ficamos mais tempo da próxima ocasião. Vamos. Eu gosto muito dessa casa de bebidas, não reclamo nem dos preços, pois tudo se paga bem pela boa carta de vinhos que têm aqui, pela disposição e pelo estacionamento também. Só pecam por ainda não vender seda. Você prefere suave, né? Sim, mas pode escolher. Suave agrada, mas seco seria o ideal: não penso muito no ideal, penso apenas na contingência que nessas horas faz perder todo o necessário do meu querer no dela que mais quer, os quais querem. Ele sabe o que prefiro, mas ainda assim pergunta: tentativa de argumentar superioridade de conhecimento, e explicitá-lo tão logo o assunto falte, quando a alucinação aumenta e parece nos colocar em vultos de pensamentos, mas ele desata a falar – sua tentativa de me constranger aparentando não estar tão chapado quanto eu.&lt;br /&gt;Seu corpo é quente. O corpo dela é quente e úmido, e sempre me dizendo ter tesão mais e mais quanto mais chapada. Não me desaprova, mas ele diz coisas que não aprovam tanto quanto deveriam. Canso mais rápido, pois minha posição de ataque elimina maior fôlego em mim que nela: ritmos diferentes, porém, entrecruzam-se, se entretecem e se precisam nisso de encontrá-los compassados: a dispersão apenas faz juntar o que visto de um ângulo obtuso, demasiado fechado, não revelaria a comunhão dos ritmos entrecruzados, entretecidos e harmonizados: acorde aberto em contraponto de outro fechado, os quais melodicamente querem, os quais, se querem, e eis o que entretece, enquanto se já entrecruzados harmoniza toda a convulsionabilidade nos ritmos de ambos, os quais querem, atados.&lt;br /&gt;Aquela mulher, vê, aquele cara; eles não sabem o que escolher; como escolher. Há muita coisa na cesta deles, parecem que vão fazer um almoço de domingo, chamar a família inteira pra um banquete. Pará de ficar olhando o que fazem os outros e decide logo o que vamos levar. Não, espera, olha. Eles são tão indecisos, coisa de quem está constrangido de chegar logo em casa – aposto como agora os dois estão pensando como será quando estiverem sozinhos na casa ou seja lá aonde diabos irão daqui; devem, por certo, pesar como ficarão a sós, por isso escolhem tanta coisa, passam o tempo e fazem um compra na casa de bebidas como estivessem num grande supermercado fazendo a compra do mês; tudo isso por não saber como devem fazer pra trepar numa noite, precisam criar um romance comprado, comprando coisas caras e de país distante, tudo pra elevar o prosaico da toda igual madruga que os reúne e não ser constrangedor o dia que os acordará; precisam de um ar monumental; precisam de um quê de cinema europeu mau-caráter, quando tudo o que precisavam é de um cinema transcendental, qualquer, trilhos urbanos e cigarro traduzindo um no outro pelo gozo experimentado, horas depois de todo o vinho e queijo caros, comprados pra romantizar o mau-caratismo europeizado em filmes de quita sem leveza de corpo gozado pelos amantes. Pará de ficar olhando o que fazem os outros, daqui a pouco terminam por pensar o mesmo da gente justamente como sua língua condena-lhes, e decide logo o que vamos levar por já decidido.Ouço um resmungo quando já estou dentro do banheiro: mas não escuto claramente o que o resmugador acusa em infortúnio passado. Ela pega as velas, e assim sabe fazer me agradar pelo paladar cedido na escolha do suave pelo seco que melhor cabia ao fumo que acendemos. Quente é meu corpo e um pouco úmido na maneira como me sente. Corpo quente e seco o meu acolhendo o que há de úmido no calor dela quando entrelaçada em mim a pele eriçante, no seu corpo, no seu íntimo, no seu calor suave e delicado com meu calor seco e um pouco áspero que acolhe. O fôlego acaba mais rapidamente nele, que me abraça sem reprimir o fim que brevemente desfinda de si reiniciando asperamente em toda suavidade: a dispersão apenas faz juntar o que de ângulo obtuso, visto demasiado fechado, perderia a comunhão entrelaçando os ritmos entrecruzados, já entretecidos e harmonizados na substancialidade melódica dos paladares distintos e convulsionados – acorde fechado em contraponto fincado por outro aberto, eis o que entrecruza, o qual quer, enquanto entretecidos, harmoniza os ritmos em ambos e de pronto convulsiona um só e bem ritmado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;D.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-8749339613869485827?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/8749339613869485827/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=8749339613869485827&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/8749339613869485827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/8749339613869485827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2008/07/digresses-de-revs.html' title='Digressões de revés'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_-twrYUP8VbE/SINrTTglTLI/AAAAAAAAALo/-70CBi7EXRs/s72-c/digressoes+de+reves.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-7120028584500939943</id><published>2008-06-21T02:27:00.009+07:00</published><updated>2008-07-21T06:35:16.928+07:00</updated><title type='text'>Bazar do conto da Atemporal.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Primeira tese&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;: um conto sempre conta duas história.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Segunda tese&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;: a história secreta é a chave da forma do conto e de suas variantes.&lt;br /&gt;O conto é construído para revelar artificialmente algo que estava oculto.&lt;br /&gt;(RP,&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;Teses sobre o conto&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;)&lt;br /&gt;Un escritor argentino, muy amigo del boxeo, me decía que en ese combate que se entabla entre texto apasionante y su lector, la novela gana siempre por puntos, mientras que el cuento debe ganar por knockout.&lt;br /&gt;(JC,&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;Algunos aspectos del cuento&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;)&lt;br /&gt;Tampoco yo te adivinaba. Lo imposible que tú eres. Lo imposible de la Respuesta a la muerte, que yo tengo. El todo-amor que tú eres; el todo-conocer que yo traíra.&lt;br /&gt;(MF,&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;Presentación para la Eterna&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;)&lt;br /&gt;O bazar deve estar para o conto assim como o Museu para o romance.&lt;br /&gt;(D,&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;Prólogo ao Bazar do conto da Atemporal&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;)&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Dedico às pernas, minhas e não, e também às mãos que escrevem comigo.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Meus hábitos são confusos&lt;/strong&gt; e minha sorte de rotina, indisciplinável. Colocando o acento sobre o que digo é que traço o exemplo: falo bem mal a leitura do que escrevo, pois a fala eu a escrevo melhor traçando o pensamento que depois não conseguirei recuperar lendo. Jamais li dignamente algo então escrito por minhas mãos; tudo isso por ter, antes, corrido esse risco jorrado de entre-dedos. Meu raciocínio, um hábito todo confuso, já disse, recusa-se a repeti-lo. Mas eu o sigo, e depois de corrido tanto maior é a eficacia com que me perco em seu fluxo impenetrável.&lt;br /&gt;Tal como o hábito confuso de não poder seguir a mim mesmo no pensamento escrito, sou hábil na fuga da minha desenvoltura corpórea.E é assim que minhas pernas, calçadas em meus tênis pretos, me levam a passear por aí, sem que eu verdadeiramente saiba por onde esteja indo ou sequer aonde irei chegar.&lt;br /&gt;Esplendido mau costume, tanto melhor em lugares de muita escada. Pouco tempo atrás, algo imprescindível ocorreu. Deixo como “pouco tempo atrás”, pois seria desnecessário e estúpido enumerá-lo em horas, dias, meses ou anos. Quero tudo assim, na iminência do indeterminável. Desnecessário e estúpido, aliás, porque eu jamais alcançaria qualquer precisão nessa datação da temporalidade. Algo ocorreu, e já está.&lt;br /&gt;Minhas pernas andavam por mim. E elas fazem isso tão esplendidamente, ah fazem. Acharam um lugar de muita escada e acharam bem. &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Su&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;bi&lt;/span&gt;ram-&lt;span style="font-size:130%;"&gt;me&lt;/span&gt;. &lt;span style="font-size:85%;"&gt;Su&lt;/span&gt;bi&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ram&lt;/span&gt;-&lt;span style="font-size:180%;"&gt;no&lt;/span&gt;s. Lá estávamos, decididos pelo andar entre os lances da escada.&lt;br /&gt;Ah!, que mulher.&lt;br /&gt;E que rosto.&lt;br /&gt;E que olhar não tinha!&lt;br /&gt;Aquele ar de quem não te vê, e sim sente uma presença.&lt;br /&gt;De hábitos tão confusos, rotina indisciplinável, falo bem a leitura da mulher e logo acho bem traçadas minhas idéias. Então é que penso, depois de algum tempo: essas pernas sabem mesmo me valer; sabem encontrar aquela mulher, aquele rosto, aquele olhar, aquele que não vira “tempos atrás”, mas que agora já pode ver.&lt;br /&gt;Essas pernas, contrariamente a todo mau hábito do risco que corro, são minha mais sóbria desenvoltura corporal. Encontraram pra mim a mulher que embrulha toda sua genialidade, toda inteligência, naquele rosto de papel-seda, naquele olhar, um laço de fita, que não vira, e sim apenas sentira uma presença.&lt;br /&gt;Sábias pernas, e por isso eu devo calçá-las tão descentemente em meus tênis cano-longo, que as vestem à altura dos passos que dão.&lt;br /&gt;Em breve, assim mesmo, iminência eminente, não correrei mais riscos, tampouco correrei assim por aí com minhas pernas, pois quero segurar entre meus dedos os dedos das mãos que orientaram minhas pernas.&lt;br /&gt;Aí, eu paro. E minhas pernas me levarão apenas pra ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-size:78%;" &gt;D.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-7120028584500939943?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/7120028584500939943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=7120028584500939943&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/7120028584500939943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/7120028584500939943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2008/06/bazar-do-conto-da-atemporal.html' title='Bazar do conto da Atemporal.'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-4982652964015962765</id><published>2008-06-13T21:45:00.003+07:00</published><updated>2008-06-13T23:58:26.835+07:00</updated><title type='text'>Vida aberta (ou André Mello).</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:9;"&gt;Suspendendo-se à forma dos rodopios entrelaçantes, a fumaça absorvia em sua circunferência elíptica o brilho tomando-lhe desde logo da escuridão, que por tão pouco não completamente inundava o quarto, ao menos a totalidade dele. Por cada vez que tragado esse sopro em solta liberdade opaca unia-se em seqüências esfumaçantes retiradas do cigarro aspirado, quando trazido junto dos lábios. Circunferências em plenitude de formas, que deslizavam naquele ar do quarto sutilmente escurecido pela raríssima luz rebrilhada em cada elipse, a desprender-se sequenciadamente neste desenho das imagens circulantes. Ponteadas todas em pequeníssimas (porém extensas) proporções já cruzavam o céu imaginado-lhe rabiscado por meu sopro naquela constelação que eu percebia subindo de mim até desmancharem-se na plenitude escura do teto: onde a vista não mais podia vê-las e assim parecerem não mais dançar em&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;clamor girante. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:9;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Cada movimento de chave me fazia pensar em todas as voltas de onde se abre a vida revelada. Eu pensava os dias anteriores todos neste momento cristalizado, e, nele, a minha mais impura completude esvaziada. Uma ocasião sem igual, todavia igualando um ponto no qual todos os demais se permitiram. Qualquer reflexão maior em desistência estaria desprovida de força, pois os pontos em um só se entreteciam sem conflito que fosse por destecê-lo da cristalização instantânea. O silêncio feito rasgado pelo sonido da chave girada nos círculos, medidamente de modo a permitir entrada: eu enfim estava em casa, depois de alguma volta da vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:9;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Quando os olhos compreenderam a leitura da escuridão, já não precisei lutar contra o que não podia mais que ver. Apenas havia que fazê-los meu mais sincero guia, pois que se entenderam com o corpo disperso pelo caminho tanto antes já percorrido. Em casa os olhos sabem ler cada página em escuro da vida habitada. Confiante que fui a meu guia, permitiu-me ao corpo despencar-se sobre o colchão: e foi aí que eu contemplei o céu de esfumato.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:9;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Como todas as voltas que se completam, o tempo se desdobra e pára em seu íntimo interior. Mais que eu quisesse, meu tempo havia parado ali numa volta dobradamente sobre si mesmo. Engolia-me nele de poucos pedaços, arrancados mediante mordidas vorazes de um puro prazer, este mastigado por dentes famintos da própria carne de si.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:9;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A luz, raríssima e por vezes rebrilhando forte em cada giro suspenso da forma despendida, renascia queimando na brasa que fazia as vezes de maestro para a sinfonia dançosa. Meus olhos ardiam pela proximidade do calor braseiro, e apertavam-se tensamente contra as pálpebras que a ambos emoldurava diante da nuvem cinzamente e etérea a circular.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:9;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Quanta insuficiência diante da minha constelação de formas opacas, que o meu tempo de mim até mesmo me engolira aos pedaços de saborosa fruição. Em giros e voltas a vida ia se abrindo por completa e dando-se a mim por inteira que era, quando eu, simples e plenamente, me vertia pelo refluxo a me despejar de mim na vida aberta. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:9;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Suspendi-me então às formas dos rodopios entrelaçantes, que absorvi em minha corpórea circunferência elíptica da vida aberta: na qual eu busquei perder toda a opacidade com que eu escurecia toda cor do rebrilhamento desta vida aberta, lançada com todo seu peso para cima de mim. Circunferências em plenitude de formas, que deslizavam naquele ar do quarto sutilmente escurecido pela raríssima luz rebrilhante em cada elipse a percorrer minha existência, sequenciadamente desprendida neste desenho entretecido figurando nas imagens circulantes de mim. Ponteadas todas em pequeníssimas (porém extensas) proporções já cruzavam o céu imaginado-lhe rabiscado por meu corpo naquela constelação dentro da qual me percebia subindo de mim até desmanchar-me na plenitude escura do teto: onde a vista não mais podia vê-las e assim não mais dançantes em clamor girante da melodiosa voz do meu verbo tão voluto, que meio à constelação da vida aberta era não mais que lampejo face ao estrondo daquela abertura da vida prostrada perante meu apagamento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:9;"  &gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Estrondo que era o trovão da vida aberta, lampejo apenas me restei nele a compor o silêncio da cristalização opacizante de mim.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size:78%;"&gt;D.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-4982652964015962765?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/4982652964015962765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=4982652964015962765&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/4982652964015962765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/4982652964015962765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2008/06/vida-aberta-ou-andr-mello.html' title='Vida aberta (ou André Mello).'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-4656420232337484658</id><published>2008-05-30T08:56:00.002+07:00</published><updated>2008-05-30T09:01:23.086+07:00</updated><title type='text'>BSB.</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-weight: bold;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;font-size:78%;" &gt;Para André Caparelli.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Everybody knows that our cities were built to be destroyed&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;You get annoyed, you buy a flat, you hide behind the mat&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;But I know she was born to do everything wrong with all of that&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;She has given her soul to the devil but the devil gave his soul to God&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Before the flood, after the blood, before you can see&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;She has given her soul to the devil and bought a flat by the sea.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Caetano&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Não&lt;/span&gt; sou daqui. Talvez isso me cause o sentido. Mas por vez e vezes desacredito. E me acerto ouvido de consenso vocês que nasceram no lugar. Brasília é uma cidade estranha. A sigla que usam é igualmente estranha -&lt;span style=""&gt; BSB&lt;/span&gt;. Pra mim parece exatamente trair a linearidade do Lucio Costa. A letra &lt;span style=""&gt;S&lt;/span&gt; causa isso. Não os &lt;span style=""&gt;B’s&lt;/span&gt;, que de ponta a ponta despontam de modo a firmar a linearidade concreto-modernista. A coisa fica desarmada é pelo S, que entorta. Brasília não tem esquinas. Foi o que me avisaram antes de aceitar o convite de férias. Quer ir? Os coroas vão viajar e a casa é nossa. A gente pode ir ao &lt;i style=""&gt;flat&lt;/i&gt; dela. Ficar ali e ver o que ela anda pintando. E certamente ela vai gostar de rever você e te ver por lá. Vai gostar. Só não tem esquina. Mas isso não atrapalha as pessoas de se encontrarem. Eu não gosto mesmo de esquina. Tem coisa melhor. E quero ir. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Os coroas vão mesmo viajar? Sim, e te digo - a casa será nossa...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;Falta alguma coisa. Vou dizer. É como um vazio. O Lucio Costa não devia acreditar muito que isso sairia do papel. Por isso esqueceu. Diz aí. Acho que chama plano piloto, porque plano. Não se sobe nunca a não ser por escadas, não é mesmo? Não ocupou bem os vazios. Mas hoje os vazios são completos. Vazios funcionais e que escondem a cidade, dizem por aí. &lt;i style=""&gt;Cidadescondida&lt;/i&gt;. Não parece morar tanta gente assim. Estamos em que quadra? Asa sul ou norte mesmo? Esse céu não pára de ficar azul? Precisa ver de noite. Aqui é o coração do pássaro. E se você quiser mesmo podemos ouvir e até ver ele batendo as asas! Vou calar a boca, fumei demais e fico dizendo muita merda. Pode dizer, pois a mim me ajuda a entender isso aqui. Cidadescondidamente, você diz. Ela diz mais – entre minhas pernas andantes mais as dele e outro alguém que pernandantemente seguia junto de nós três e agora não sei mais quem era no nome – é pra conseguir te vigiar. Punir. Tudo tem perspectiva linear de infinito. A cidade é um jogo, e em situação tipificada de sociedade de controle esperava-se poder vigília plena, panopticamente. Não é só isso, eu li em algum lugar: as cidades cristalizam um velho sonho humano com o labirinto. Entende, cidadescondidamente, os vazios do Lucio? Acho que posso. Posso mesmo. É como eu entendo. Mas é bem mais divertido que &lt;i&gt;Alphaville&lt;/i&gt;, sem o egotismo do computador godardiano. Certeza, pois não há egotismo. Cidadania de controle, apenas. Burocracia traçada nas lussóbridas linhas do plano piloto, sem egotismo. É, o Lucio Costa sabia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Sabia porra nehuma! Isso não atrapalha muito, desde que você tenha amigos. Que saco vocês dois. Ficam falando disso o tempo todo. Saco é você que não consegue conversar com a gente. Nossa, você é bem mais chato que eu imaginava. Minha filha, a culpa é sua por ser incapaz. Vai se fuder, cretino! Deixa minha incapacidade comigo. E tome beijo na testa. Entre eles, as coisas se resolvem assim mesmo.&lt;br /&gt;Alguma coisa mais? Não. Já temos o bastante. Pega algo doce agora. Mais tarde vem outra fome, larica mesmo. Duas barras de chocolate, então. Um meio-amargo. Não era doce? Meio-amargo. Pipoca de micro-ondas e coca-cola. Vou pegar mais uma lazanha. Não precisa, pois sobrou uma caixa no congelador desde ontem. O cigarro é meu. Pega uma carteira de &lt;i&gt;Marlboro&lt;/i&gt; pra mim; não gosto do seu cigarro. Vou passar no cartão, e vocês deixam a grana comigo. Estou sem um puto, meu Querido. Não tem problema. Sua parte eu cubro e não tem erro. Amanhã a gente vai sair na &lt;i style=""&gt;nite&lt;/i&gt;, né? Prefiro o festival de cinema na academia de tênis... &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Pode ser, mas &lt;i&gt;Gates&lt;/i&gt; depois, né fia! &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Uhrg, estou cansada da vida aqui mas vamos sim. Só não tenho grana e, assim, terão de fazer intera pra eu poder ir junto. Sem problema. Quê que a gente vai ver primeiro? Pega o &lt;i&gt;Twin Peaks&lt;/i&gt;! Minha filha, eu quero ver os &lt;i&gt;Spiders from Mars&lt;/i&gt;! Cala a boca e aperta um aí antes de assar a lazanha. Antes é melhor ouvir música. Verdade. Eu escolho já que vocês não se entendem de sim a respeito do que vamos ver. Brigado, depois eu fumo, é que ainda estou bem chapado. Hum! &lt;i&gt;Tomorrow never knows&lt;/i&gt;, do caralêo man! Melhor musica do &lt;i&gt;Revolver&lt;/i&gt;. Nem é filho, &lt;i&gt;I’m only sleeping&lt;/i&gt; é demais. Aquela guitarra em reverso, zumbido distorção de mosquito, é coisa muito genial. Concordo, mas passa o fumo pra mim e vai lá ver a lazanha que já deve ter ficado no ponto. &lt;i&gt;Tomorrow never knows&lt;/i&gt; é do caralêo demais man! Onde a Normal está, ein? Deixa a gata quieta, ela não gosta mais de você. É de você que ela não gosta. Cansou da sua cara de todo dia. Por isso ela não se aproxima mais de mim. Sabe que eu vou embora e você vai ficar. Caralêo, vocês são muito chatos. Ficam brigando. Vou tirar o disco, pois eu nem posso ouvir o que está tocando. É isso aí! Esses dois parecem duas velhas. Cala a boca e vem aqui pegar os pratos que não vou ficar pajeando ninguém. Posso dar uma bola? Claro, querido! Você é tão gentil. Devia ensinar um pouco disso a seu amigo, sabia... Bem, eu vou embora. Não vai comer? Não, só passei pra ver como andavam as coisas. Amanhã venho com mais tempo. Dia de folga, sabe né. Desce com ele pra mim, pois a portaria está com problema. Claro. Te amo, sabia? Eu também. Por isso vim de longe. Você pode descer pra abir pra mim. Ela chegou. Oba! Ãn, já ia pensando que ela te deixaria sozinho aqui. É. Que bom! Quer lazanha? Sim, morrendo de fome. Vem em hora certa, não é? Coloca outra coisa que não agüento mais comer ouvindo isso. Muito chato. Tem razão. Chato mesmo. O quê? Escolhe do seu gosto. Tá bem. &lt;i style=""&gt;Ui&lt;/i&gt;! Mandou forte. Adoro essa música! Também. Escolhi por sua causa. &lt;i&gt;Ocean&lt;/i&gt; é vocal do John Cale, né? Não sua besta, do Elvis...&lt;br /&gt;A louça é sua. Porra nenhuma que é minha. Você não fez nada! E você? Já veio tudo pronto, só ficou olhando pelo vidro do forno. Muita folga sua. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;À merda, vai! Deixa que eu lavo esse lance. Não, você pagou quase tudo sozinho. Ele lava. Eu não. Ela lava. Não pagou e chegou na hora de tudo pronto e comeu feito uma morta de fome! Cretino! Mas é verdade. Eu lavo. Deixa essa merda toda aí então. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;Twin Peaks&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt; ou o &lt;st1:place st="on"&gt;&lt;st1:city st="on"&gt;Bowie&lt;/st1:City&gt;&lt;/st1:place&gt;? &lt;/span&gt;Não, você não escolhe nada. Cretino! Ele escolhe. É mais sensato que nós. Ah, não quero ver o Bowie. &lt;i&gt;Twin Peaks&lt;/i&gt; é mais clima, não? Concordo muito! Sabia da sua sensatez. Sensatez porra nenhuma. Tudo querendo te agradar. Vai se ferrar, raputango! Sério mesmo, eu também queria &lt;i&gt;Twin Peaks&lt;/i&gt;, mas antes queria alguma confusão pra ficar mais clima. Acende a ponta aí perto de você. E deixa a Normal ficar onde ela quiser, seu chato!&lt;br /&gt;Eu nunca entendo esse anão. É o braço dele, seu incapaz! Incapaz é você, minha filha! É o braço dele? E sempre cortina vermelha né... Posso pegar um cigarrinho dos seus? Pega um pra mim também. Alguém quer coca? Eu quero, traz aí pra mim também. Não, brigado! Lembra daquela parte da rosa azul? Não entendi porra nenhuma. Eu também não. Não é pra entender. Também acho. Mas vocês já estão entendendo assim. Vai começar com isso de novo? Achei que já tava de bom tamanho na rua. Falando sobre a linearidade do Lucio. Isso aí não é nada linear. Eu acho muito linear. Você sempre acha tudo pelo contrário. Acho mesmo. E você é incapaz demais. Muito limitada. Limitado é você que nem consegue me comer direito, seu puto! É verdade, meu pau não quer subir mais. Eu acho que é o ócio dessa cidade do Lucio. Não sou mais daqui de BSB. Meu pau não sobe mais daqui. Meu pau não é mais linear. Pára de falar merda! Você fala muita merda mesmo...não imaginei que fosse tanto quando havia me alertado sobre ele. Eu te disse, ele é anormalizado por essência. Sua buça é linear, meu pau não. Olha, bora pro quarto e vamos deixar eles aqui, já que a gente não consegue gozar mais junto. Eles conseguem. Eu ouvi vocês aqui no sofá noite passada. Achei lindo o som do amor de vocês! É verdade. Mas você tenta me comer com sua pica alinear? Nossa, você é tão escrota. Muito baixa. E você moralista de pica mole. Quer pegar no meu sovaco? Não, brigado! Olha, vamos logo que eles são dois lindos e a gente não tem mais o que ficar fazendo por aqui. Sempre brigam assim? Não sei, poucas foram as vezes que estive junto dos dois. Mas se amam, se amam assim. É, penso o mesmo. Eles também. Adoro sua boca. Sua língua me enlouquece, sabia? E essa música... &lt;i style=""&gt;Ai&lt;/i&gt;! Machucou? Não. Eu gosto. Mas é que preciso gritar. Maluquinha! Te adoro. Quando mesmo você vai embora? Ainda não sei. Fico até sobrar a grana pra poder voltar. Não volta. Fica aqui. Tudo bem, vamos sair pra gastar o que ainda resta! É verdade que ontem vocês roubaram o brechó? Anhan. E como foi? Nada de mais. Queria pagar. Mas não tinha ninguém lá. Melhor, tinha. Mas os malucos enconstaram a porta e trepavam dentro da cabine. Aí eu e ela entramos e levamos a sacola com as coisas que havíamos reservados pela manhã, quando passávamos por lá, porém, sem a grana. Queria ter estado junto. Não foi nada de mais. Na locadora foi bem mais legal. Os filmes e o vídeo com a apresentação do Dizzy mais a Ella. As atendentes estavam na cantina. A gente ficou com medo. Até pensei em devolver quando estávamos no carro. Mas não quis. Ficou pesando por um muito eu ter ferrado o cara. Ter causado demissão dele e tal. Ele trepava, feliz. Mas não mastiguei muito isso e paramos no Barzão pra tomar cerveja e jogar sinuca depois de levar ela pra montagem da exposição. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Rimos muito e depois fomos ver o jogo. Depois passamos no CONIC pra pegar ela na Dulcína e ver uns discos enquanto acertava e terminava tudo pra exposição da noite. Bebemos pra caralêo. Acho que foi por isso que ela tava chamando ele de pica mole moralista. Nem a língua devia conseguir movimentar pra fora da boca. Eles se amam assim. Nós, não.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Não sou daqui. Talvez isso me cause o sentido. Mas por vezes desacredito. E me reacerto ouvido de consenso vocês daqui. Brasília é cidadestranhamente uma Cidadestranha. A sigla que usam é igualmente estranha - &lt;span style=""&gt;BSB&lt;/span&gt;. Pra mim parece exatamente trair a linearidade do Lucio Costa. A letra &lt;span style=""&gt;S&lt;/span&gt; causa isso. Não os &lt;span style=""&gt;B’s&lt;/span&gt;, que, de ponta a ponta, despontam justamente firmarmando a linearidade de concreto modernista. A coisa fica desarmada pelo S, que entorta. Brasília não tem esquinas. Não sou daqui. Talvez isso me cause o sentido. Mas por vez e vezes desacredito. Que já subtraído de B e S ou B dispenso e credito. Que sem &lt;i&gt;&lt;span style=""&gt;s&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; no de_acredito me faço naquele o de acreditar. E talvez isso me cause o sentido. Bem que sou, se sim e se não daqui, cidadestranho de mim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-4656420232337484658?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/4656420232337484658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=4656420232337484658&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/4656420232337484658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/4656420232337484658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2008/05/bsb.html' title='BSB.'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-9207519998618290533</id><published>2008-05-09T06:20:00.010+07:00</published><updated>2008-07-21T06:38:53.449+07:00</updated><title type='text'>Corpalmificante – ou da escritura no olho.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/SCOPMDahyeI/AAAAAAAAALQ/FO-zKJIJ8d4/s1600-h/olho.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198155832153459170" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: pointer; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/SCOPMDahyeI/AAAAAAAAALQ/FO-zKJIJ8d4/s320/olho.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="LINE-HEIGHT: 150%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="LINE-HEIGHT: 150%"&gt;para &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="FONT-WEIGHT: bold; LINE-HEIGHT: 150%font-size:85%;" &gt;I'll be your mirror&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US" style="LINE-HEIGHT: 150%;font-size:11;" &gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold;font-size:85%;" &gt;, uma canção do velvet underground&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US" style="LINE-HEIGHT: 150%;font-size:11;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;strong&gt;Uma dor&lt;/strong&gt; que dói corpo e alma, inteiramente. Não sei o que me aconteceu. Sei apenas o que narro: inteiros, doem corpo e alma. Começa de trás e logo vem pra frente. Da frente parece juntar na parte de trás. E dói inteira e plenamente. Sou meu corpo na alma, inteiros &lt;?xml:namespace prefix = st1 /&gt;&lt;st1:personname st="on" productid="em mim. Com"&gt;em mim. Com&lt;/st1:personname&gt; alma no corpo, não me separo. E sigo e narro, corpalmificando. Se parar, já não sou inteirocorpalmificante. Tenho um revolver na gaveta, que pego em minhas mãos. Tiro dele todas as balas, pois não quero me matar. De mim, cada seis tiros. Dou pra mim também mais seis vidas, que somo a única que vivo. Nunca quis me matar. Que me matar seria o ato consumado. Viver, a única potência total. Tirar alma do corpo, assim, seria descorpalmificar. Prefiro contar no carrossel seis tiros tirados que não atirei, seis vezes tirando. Isso é meu jogo, esqueço a dor inteirocorporificada da frente e de trás. Ela ainda dói, pois de doer carece meu jogo. Acordo no dia seguinte, um pouco depois das dez. Pego outra pasta de dente. A antiga ainda está cheia. Pego outra na gaveta do armário porque o dia pede outro sabor. Um outro gosto. Que não me lembre mais do anterior. De certo eu pegarei outra pasta amanhã. Outro dia. Outro gosto ao saber do sabor. Mas sou sempre eu mesmo no olho do espelho - da frente pareço juntar na parte de trás a parte que sou, e, de trás, já na frente, o que exatamente atrás pareço juntar pela frente que olha o olho à parte do todo. Então erro. O espelho é que sempre é o mesmo no olho que vê o espelho. Comprar um outro espelho, então, já novo de mim. Quero ver minha outra imagem no olho em que sou repetidamente outro através do meu olho que está no espelho. Outro, e então espelho: outro, já no espelho: outro, e não mais espelho. Mas serei ainda eu mesmo. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Mesmo não sendo nesse olho do espelho... eu mesmo e não o outro no olho espelholhado. Outro, apenas espelho. Mais tarde compro o novo espelho. Meus tênis &lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;/span&gt;estão gastos mas me levam bem pelas ruas. São macios e por isso me confortam os pés. Ando muito pelas ruas e preciso desse conforto de tênis envelhecido. Por isso insisto nesses tão gastos. Meio a tanta gente que passa, não gostaria de sentir a dor voltando. Subindo pelos pés. E desde logo sendo aquela que junta a frente na parte de trás: eu todo. É melhor senti-la cintilar &lt;st1:personname st="on" productid="em casa. Em"&gt;em casa. Em&lt;/st1:personname&gt; casa eu sei como domar a cintilação da &lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;/span&gt;febre que ela me causa. Às vezes, a música ajudar: escolhê-las em uma seqüência pessoal, solitariamente, ajuda esquecer. Daí descer mais uma do meu &lt;i&gt;set-list&lt;/i&gt; no &lt;i&gt;Media Player&lt;/i&gt; e começar a tocar uma velha canção companheira: &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US" style="LINE-HEIGHT: 150%;font-size:10;" &gt;[ rorrim ruoy eb ll'l_I'll be your mirror&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US" style="LINE-HEIGHT: 150%;font-size:10;" &gt;wonk u esac ni, r'u tahw tcelfeR_Reflect what u'r, in case u don't know&lt;br /&gt;tesnus eht dna niar eht, dnid eht eb I'll_I'll be the wind, the rain and the sunset&lt;br /&gt;emoh taht ot rood ruoy no lhgil ehT_The light on your door to show that u'r home&lt;br /&gt;dnim ruoy nees sah thgin eht kniht u nehW_When u think the night has seen your mind&lt;br /&gt;dniknu dna detsiwt r'u edisni tahT_That inside u'r twisted and unkind&lt;br /&gt;dnilb r'u taht wohs ot dnats em teL_Let me stand to show that u'r blind&lt;br /&gt;sdnah ruoy nwod utp esaelP_Please put down your hands&lt;br /&gt;u ees I esuaC'_'Cause I see u&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US" style="LINE-HEIGHT: 150%;font-size:10;" &gt;wonk t'nod u eveileb ot drah ti dnif I_I find it hard to believe u don't know&lt;br /&gt;r'u taht ytuaeb ehT_The beauty that u'r&lt;br /&gt;seye rouy eb em tel t'nod u fi tuB_But if u don't let me be your eyes&lt;br /&gt;diarfa eb t'now u os, ssenkrad ruoy ni dnah A_A hand in your darkness, so u won't be afraid&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US" style="LINE-HEIGHT: 150%;font-size:10;" &gt;dnim ruoy nees sah thgin eht kniht u nehW_When u think the night has seen your mind&lt;br /&gt;dniknu dna detsiwt r'u edisni tahT_That inside u'r twisted and unkind&lt;br /&gt;dnilb r'u taht wohs ot dnats em teL_Let me stand to show that u'r blind&lt;br /&gt;sdnah ruoy nwod tup esaelP_Please put down your hands&lt;br /&gt;u ees I esuaC'_'Cause I see u &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US" style="LINE-HEIGHT: 150%;font-size:10;" &gt;rorrim ruoy eb I'll_I'll be your mirror ]&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Lembro as coisas que preciso fazer na rua. Antes, o que levar do meu quarto comigo. Nunca é nada demais. E ainda assim preciso repassar tudo por minha cabeça. Narrar pra mim o roteiro do dia. Saber como preciso executar minhas ações. Onde preciso entrar. Talvez até o que não possa deixar de falar. Tenho boa memória. Mas dificuldade de realizá-la em atos cotidianos. Por isso, tenho de narrar pra mim o roteiro todo. Comprar cigarros antes de entrar no ônibus. Não vedem mais cigarros nas Universidades. O cerco vai se fechando um pouco mais a cada novo dia. Um pouco da política de saúde pública. Eu entendo. Um pouco da sujeira política de lóbis no Senado. Nem mesmo os cafés parisienses conseguiram esquivar-se. Não há nada a fazer. Hoje em dia, reivindicar é algo pouco usual. Em outros tempos, reivindicava-se por muito pouco. Revoluções, um conceito tão fora de uso, banido do léxico reivindicativo, aconteciam por excesso de liberdade e não por sobrevivência. Assim são as coisas, eu não entendo, mas narro, e Maio é apenas o próximo mês na ordem do calendário e ninguém acenderá um cigarro &lt;st1:personname st="on" productid="em comemoração. Acender"&gt;em comemoração. Acender&lt;/st1:personname&gt; esse cigarro soaria reivindicativo, diriam. “Daqui a pouco, meu amigo, você não compra mais cigarrinho em nenhum lugar”. Eu nunca esqueço. Os amigos deveriam agradecer. Agradecer pelo meu dom da narrativa prévia ao pedir cada cigarro com a desculpa de esquecimento. Não importa. Compro mais uma carteira de cigarros e nem percebo que subiram novamente os malditos preços. (Percebesse, perceberia também que o tempo já vai passando.) Recusar a gentileza de levarem minha mochila. O Campus chega logo e não gosto de ficar tirando a mochila. Dá trabalho retirar das costas e pegar meu &lt;i&gt;player&lt;/i&gt; do bolso, de modo a passar as alças. “Brigado, não precisa”. Entregar os livros é coisa importante, pois perdi o prazo pra renovação on-line por me ocupar tanto com a dor do corpo inteiro. Apertar a mão de um amigo e beijar uma amiga. Importante demonstrar carinho por quem você gosta tão sinceramente. Narro tanta coisa que não me esqueço de comprar espelho. Deveria vender na cantina. É, seria mais fácil. Assistir às aulas, lembrar do que li e que discordar é mais poético que aprovar com um gesto da cabeça. Atualmente, porém, eu ando cansado e não procura mais esse tipo de poesia na vida. Lembrar de ir ao banheiro e de ver meu outro no espelho que olho. De pegar os textos do próximo seminário no xérox. Imprimir a notinha com a listagem dos textos e aguardar meu número de senha. De saber que eu estou vivo seis vezes mais que todos os demais e que tenho a mesma e única vida que eles. Lembrar que acho a vida cada dia melhor e não me culpar de otimismo. Só não quero estar morto, já disse. Quero outro espelho. Outra pasta de dente. Outro sabor de dia. Outros dentes escovados no espelho. Não quero os seis tiros, que tiro sem atirar seis vezes tirando. Quero outro no espelho. Meu outro, no outro em que sou espelhado. E sentir corpo e alma entrelaçados. E eu, de vez corpalmificando e corpalmificado. Lembrar de narrar pra mim toda essa história que eu invento pra não me esquecer. Da importância de ter tênis confortáveis pra dor não me atacar subindo pelos pés. E me achar dorincorpado, vindo da frente juntar na de trás. Saber da importância de aceitar o convite pra cerveja e conversa depois das aulas. Sair durante alguns dias da semana e não lembrar das horas. Debater algum processo criativo. De conhecer cada dia melhor as pessoas. Se “conhecer” soa muito pesado, ficar contente de poder sacar mais precisamente o barato que pega pra cada uma delas. Deve ser assim. E não importar por sermos diferentes. Desde que não me encham o saco e tenham paciência com minha boca de perversa ironia e, vezes por essa justa medida, boca de sincera amizade. Perversidade e ironia são temperos de grandes amigos, sempre soube. E meus dentes são grandes por conta disso. Expressam o tamanho de cada amizade mordida por eles nessa vida com a qual entrelaço a minha narrativa cotidiana, da qual não me deixo esquecer. Não importa se somos diferentes. Lembrar de pegar a próxima cerveja se eu não estou falando muito. De como me irrita o copo vazio. De acender um cigarro e fumá-lo. De saber que assim estou corpalmificado. E de que, mesmo lembrando, narrando, não comprei o novo espelho. De que vivo seis vezes mais que cada um deles que estão presentes à mesa. De que terei de abrir outra pasta de dente pela manhã do dia seguinte. Narrar uma nova compra de outro novo espelho. Meu outro, no outro que sou no espelho. De que antes a dor vem me doer, corpinteiradamente. Que disso, disse, depende meu jogo. De que é possível achar gosto novo nos dias. De tirar novamente os seis tiros que tiro pra não atirar contra a vida. Pra lembrar que vivo seis vezes mais que cada um à minha volta. Mas que vivo a mesma e única vida viva de cada um deles. Do prazer nos meus tênis surrados pelos dias e passos com que ultrapasso por esses dias. De comprar novo espelho, por querer minha outra imagem. De voltar pra casa e saber que há gosto novo no dia. De pensar nela indo embora e preocupar se vai chegar bem em casa depois de ter me deixado aqui com minha dor de corpo inteiro. E não precisar narrar que gosto tanto dela quando juntos estamos. Dou pra mim mais seis vidas, que somo a única que experimento vivintensificado no gosto da pasta de dente pela manhã. E lembrar de narrar que retirar alma do corpo seria descorpalmificar. E de que amanhã eu vou mesmo comprar o novo espelho. Mesmo sem poder ver minha outra imagem no olho que vê. Eu mesmo e não outro no olho espelholhado. Outro, apenas espelho. Estarei de sempre corpalmificado nos dias e já nos gostos que colocam aos diferentes sabores de pasta de dente. Vivo e sei viver seis vezes mais que cada um à minha volta. Mas que vivo a mesma e única vida viva de cada um deles – de sempre, do corpo alma fica. E eu, corpalmifíco seis vezes mais nessa mesma e tão única vida viva que narro pra mim. Meu outro, no outro que sou no espelho da escritura que narro corpalmificando. Começa de trás e logo vem pra frente. Da frente parece juntar na parte de trás – e narro meu outro exatamente no outro que sou e me espelho narrado já de seis vezes mais espelholhado pela escritura do olho que vem me ver, de mim, inteirocorpalmificado. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:verdana;" &gt;D.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-9207519998618290533?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/9207519998618290533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=9207519998618290533&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/9207519998618290533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/9207519998618290533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2008/05/corpamlificante-ou-da-escritura-no-olho.html' title='Corpalmificante – ou da escritura no olho.'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/SCOPMDahyeI/AAAAAAAAALQ/FO-zKJIJ8d4/s72-c/olho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-1230202597152404811</id><published>2008-04-25T05:58:00.000+07:00</published><updated>2008-04-25T05:59:53.522+07:00</updated><title type='text'>A.nimação</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/SBEQz9ss4kI/AAAAAAAAAK4/uT49rxHdN_U/s1600-h/anima%C3%A7%C3%A3o.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/SBEQz9ss4kI/AAAAAAAAAK4/uT49rxHdN_U/s400/anima%C3%A7%C3%A3o.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5192950330256319042" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-1230202597152404811?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/1230202597152404811/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=1230202597152404811&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/1230202597152404811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/1230202597152404811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2008/04/animao.html' title='A.nimação'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/SBEQz9ss4kI/AAAAAAAAAK4/uT49rxHdN_U/s72-c/anima%C3%A7%C3%A3o.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-4564771098732666121</id><published>2008-04-25T05:53:00.003+07:00</published><updated>2008-07-21T06:45:56.990+07:00</updated><title type='text'>Passagens paulistanas.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/SBEQVNss4jI/AAAAAAAAAKw/q967-3hNO70/s1600-h/BayPro%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5192949801975341618" style="FLOAT: left; MARGIN: 0pt 10px 10px 0pt; CURSOR: pointer" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/SBEQVNss4jI/AAAAAAAAAKw/q967-3hNO70/s200/BayPro%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Como aquilo tudo terminaria?&lt;/span&gt; era exatamente o que não podia saber de mim: exatamente, o que, tampouco, podia saber dela. Começamos toda a confusão e nem sequer havíamos tomado consciência daquilo tudo. Eu não podia dormir com a tv do quarto ao lado gritando um programa da madruga pra dentro do meu sono. Ela, também, não dormiria. Meu corpo, ao lado do dela, encostado no dela, não entraria em repouso, pois o som vindo do quarto ao lado era irritante e eu, no meu corpo, não pararia de buscar lugar no colchão. Fiz, convicto que só, toda a apologia. Assim, eu disse: você liga na recepção e pede pra ligarem de lá, dizendo pra abaixar o som que incomoda. Quando fumo minha audição fica apurada e ouço melhor. A bomba d’água também dá no saco com todo esse barulho... mas o que irrita é a porcaria televisa da madrugada. Vou ficar toda a noite ouvindo essa besteira e ridicularizando o apresentador. Olha, você pode trazer duas garrafas de água mineral no quarto 23, sem gás, e, por gentileza, pedir a pessoa do quarto ao lado que abaixe um pouco a tv, que incomoda.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Ele não está ouvindo. Deve estar morto! Não atende ao telefone. Eu disse que não queria pedir. Todo o hotel vai acordar, e por nossa causa. Antes ela havia ligado, e o barulho escandalizado do telefone pareceu muito alto e desligou. Que se dane, pelo menos não teremos mais essa chateação ao nosso lado. Espera, eu acendo a luz do abajur na cabeceira e você pega a água ai. Acho que nossa tv é que estava incomodando, daí ele ligo a dele... pra conseguir dormir. Não importa, é melhor assim. Já imaginou termos de ficar com isso na cabeça... noite toda?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Eles estavam juntos na viagem. Comeram juntos no dia anterior e, igualmente juntos, saíram &lt;?xml:namespace prefix = st1 /&gt;&lt;st1:personname st="on" productid="em par. Cada"&gt;em par. Cada&lt;/st1:personname&gt; qual fez seu percurso e voltara. Transaram juntos e, juntos, gozaram descobrindo uma posição mais pontualmente erótica.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Esse chefe é muito ansioso. Filho Daputaça! Nem sequer espera por nossa decisão. Depois de o recepcionista pedir, no quarto ao lado, o que, por gentileza, eu pedira, surgiram vozes &lt;st1:personname st="on" productid="em conversas. Ficamos"&gt;em conversas. Ficamos&lt;/st1:personname&gt; apreensivos e bem quietos, abraçados. Como fosse um medo de que pegassem a gente fazendo algo errado, mas não estávamos fazendo nada errado.&lt;br /&gt;Eu pensava em escrever um conto e ela em dormir pra acordar bem cedo. Seguir. Tinha horário marcado o ela que deveria fazer. Eu pensava em acordar bem cedo. Seguir pro meu fazer do dia seguinte, que tinha hora marcada. Ele, pensava e acendia outro cigarro. De cigarro na mão, remoia toda a avaliação conjugal feita horas antes, ou, talvez, escrever um conto anotando idéias da mente, que antes faziam experimentar o valor literário.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Quando enfim chegamos ao hotel, estávamos exaustos do trânsito e das andanças que fizemos durante todo o dia. Eu prometi um banho nele. Eu entrei no chuveiro e deixei a ducha me molhar, inteiramente, enquanto ela tirava toda a roupa antes de vir pra me esfregar. Trepamos no chuveiro e ele me batia enquanto me pegava por trás: tive em mim, tão forte, uma vontade de ter os cabelos puxados enquanto sentia ele dentro de mim e também os tapas que me dava no meu corpo sem que pudesse ver a expressão de deleite erotizado que tomava conta do meu rosto. Puxa meu cabelo. Depois do banho que ela me deu, do sexo que ela me deu e eu a ela, eu sequei seu corpo e a coloquei na cama. Esperava por mim enquanto procurava nas coisas a seda que tinha trazido. Eu apertei e logo fumamos enquanto víamos tv e dávamos risada de um programa de dublagens, tosquíssimas, a que assistíamos juntos por casualidade. A tv do quarto ao lado fazia um insuportável barulho e eu não podia dormir com aquela merda vindo do quarto ao lado. Tive sede. E descobri não haver mais água no frigo-bar, depois de termos matamos toda nossa sede na última das garrafas. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Essa porção só dá pra um, mas temos salmão, que está delicioso. O senhor pode voltar daqui a pouco, añ? É que ainda não estamos decididos pelo que comeremos. O idiota deixa o talher aqui sobre este forro imundo e fica botando banca de ser um grande chefe.&lt;br /&gt;Acordamos tarde e, ao sair, o quarto ao lado estava com a porta entreaberta. Vimos um homem com idade aproximada à soma de nossos anos de vida e saímos de nariz &lt;st1:personname st="on" productid="em p￩. Eu"&gt;em pé. Eu&lt;/st1:personname&gt; seguia pro meu compromisso do dia. Ele flanaria pela cidade com alguma idéia na cabeça, tentando achar nela um conto a ser escrito; tentando imaginar a melhor maneira pra que eu não ficasse perdida sem saber como encontrá-lo curinga no jogo de cartas que a cidade embaralha. Antes, ele me disse: quero não só a flanação, e sim um fluxo narrativo capaz de uma textualidade igualmente flanante. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Precisava encontrar velhos amigos enquanto ela fazia seu dia; colar na casa deles e trocar as letras com as quais atualizaríamos o lirismo de antigas amizades. Mas antes parei em baixo do piso suspenso do Masp e tomei notas no meu caderninho antes de encontrar velhos amigos:&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;i&gt;Um do outro estivemos desencontrados na articulação sintática paulistana – escrita aberta da cidade que se lê, entretecida na hipertextualidade das esquinas: elipse de virada, fazendo abrir outra página novamente paginada. As luzes vão se apagando com outras mais que tanto se deixam acender: uma vaporização que ilumina a realidade-pessoa passante. Passa-se: e pela decomposição do que pode ser, fica explicado: justamente pela impropriedade é que são, o que são, o que podem ser, e, mais ainda, ainda mais, o que não. Um do outro, estivemos desencontrados. Mais que esperar, espero. O fluxo do transito me impede de seguir. E paro. Pelas ruas concretas, concretamente, as pontas pontiagudas parecem espetar o ainda mais daquilo tudo que a justa medida não pôde deixar ser. Entre as dobras que nos dobram pelas esquinas, estamos. Espero, porém, sem aguardar, pois que ando. Estou em toda parte da hipertextualidade; toda ela está em mim também. Há então uma rapidez de verdadeira velocidade na veloz cidade que lemos mais que o tato dos pés. Passantes que passam como pessoas-letra que formam a fraseologia urbana, pois as esquinas são períodos com muita forma. Onde você está? Qual frase integra com sua pessoa-letra na composição de agora? Desencontrados, nesta articulação sintática, estivemos, um do outro, na cidade escrevente. Desci ao submerso, ao que está elípticamente por baixo e é já entrelinhas. O metrô vem: passa vertiginosamente pelos meus olhos leitores do submerso. Coloco minha pessoa-letra pra dentro das portas que se abrem à minha frente e entro e sento. Construímos um período ali dentro que não consigo mais ler: imersão nas entrelinhas? Me espera com os olhos no relógio, faz frase do movimento na calçada, nas ruas, no trânsito; o avanço do sinal te parece uma rima desencontrada, mas experimental.&lt;br /&gt;Estou na contramão que passa... e minha pessoa-letra, ela parece fugir de toda composição. Observo os paredões profanados de toda sacralização. Vejo cada grafite que se posta a minha frente e são muitos: neles toda a profanação é artística, pois não compõe nenhuma arte profanada e sim profanação artística - aurático, apenas o dialogal em que se fia a textualidade desse movimento das ruas. Paro e vejo de cima de uma passagem elevada: enquanto o Guru do Jazzmatazz vai rimando nos meus ouvidos, observo mais um painel dos Gêmeos; e se tiver sorte ainda encontro outro trampo estampado do Orion, que agora anda limpando resíduos de poluição e isso já é todo o desenho do traço limpante&lt;/i&gt; &lt;i&gt;dele. Subo toda a Brigadeiro depois de deixar as entrelinhas. Estou no topo novamente. Alguém me espera e estou indo. Aqui em cima minha pessoa-letra quer rimar sem conseguir; as demais pessoas-letra não tem tempo pra rimas: ociosidade ocupante.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Desci na direção contrária da Brigadeiro, indo pra casa de uma amiga que encontraria enquanto ela fazia seu fazer do dia. Antes subi pela 9 de julho e fiquei vendo todo aquele paredão ocre com muitas inscrições urbanas: stickers, lamb-lambs, também e merda; merda de verdade... Ele não atende, algo errado. Passeei por toda a cidade, e tomei conhecimento de tudo o que poderíamos fazer. Olhei tudo o que podia e avaliei o que seria a melhor pra noite. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Estou tão cansado. Deita um pouco comigo, sobre mim – é pra colocar meu corpo no lugar. Tomo um banho enquanto ela me espera. Já está pronta, depois de transarmos mais uma vez antes de sair. Fazemos novamente todo o percurso, que, muito pouco tempo atrás, me exauria quando eu voltava pra pegá-la e pra novamente retornar ao lugar onde estava antes de sair buscando por ela.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Eles comem algo num bar de balcão retangular da Paulista, quase altura da Gazeta não fosse um pouco antes. Há muita gente nas ruas e também no lugar, mas é muito fácil achar dois lugares desocupados na geometria do balcão retangular. Ela está admirada. Ele não sabe admirar um balcão retangular, parece familiar e assim não admira. Eles comem. Pagam. E saem na direção da Brigadeiro. Você parece ansioso, não? Penso numa má resposta, porém, logo engulo, exatamente como fiz tempos antes com todo aquele lanche seco que comia. É pra não perder a carona, pois não sei se esperarão. Depois de telefonar, ele parece mais calmo; já sabe que não perderemos a balada e não precisaremos mais voltar ao hotel nesta noite. Ela não consegue entender que a ansiedade é por não saber onde ela ficará durante a noite; que minha preocupação é mais por ela que por mim. Por isso engulo seco feito o maldito lanche da Paulista, quase altura da Gazeta, mas na verdade bem mais próximo da pirâmide da Fiesp.&lt;br /&gt;Podemos subir, mas o interfone está com defeito. Escreve na mensagem assim, “estou na portaria”. Subimos e agora não há mais ansiedade alguma; tudo está certo. Ele reencontra seus amigos e eu me apresento a todos. Antes, tiramos os sapatos pra entrar. Alguém brinca com fotos no &lt;i&gt;computer&lt;/i&gt;. A ansiedade não é mais nossa. Aquele cara quer ir logo, pois a noite começa com o brother dele mandando os videozinhos com o som por cima. Parece legal a vejotagem, se o lugar não fosse um saco e as pessoas, que estava no lugar, elas não estivessem ali. A noite mal começou e estamos na Augusta, rua na qual há vários bares de balcão. Eu pensava &lt;st1:personname st="on" productid="em comer. Dessa"&gt;em comer. Dessa&lt;/st1:personname&gt; vez, algo menos seco. Acabei minha indecisão, porém, comprando uma cerveja. Ela se deixa assustar com a entrada do Sarajevo, por nada mais. Eu digo pra ela que o lugar vai despencar em nossa cabeça antes do fim da noite. Eu sorrio na seqüência do que ele me diz. Antes de tudo, um traveco grita pra gente, mais pra &lt;i&gt;t-shirt&lt;/i&gt; do Lou Reed, que ele usa, que pra mim: &lt;i&gt;Hey white boy, what u doin' uptown&lt;/i&gt;?&lt;br /&gt;Acordamos juntos. Saímos, depois de calçarmos os sapatos deixados ao lado da porta. Imergimos no metrô, da Brigadeiro, e saímos na Liberdade. Ele ri de si mesmo comendo no chinês, sendo visto sem saber comer como deveria. Nada daquilo pode agradá-lo: o arroz, o frango xadrez, o orientais que comem tudo legitimamente a seu lado. Está sem fome, novamente, e engole tudo o que pode, a seco e com um gole de coca. Cruzam as passagens e as ruas até a Sé. Passam por uma nova passagem, da qual podem ver a anterior por onde antes passaram. Estão lá também, além daqui onde agora estão. Em todas as partes e parte alguma. Em alguma parte, a parte que são. Precisam ir; há mais coisas pra ver. Seguem, juntos. Formam, juntos, uma enunciação que não conseguem ler. À noite pedem água mineral sem gás. Acham ruim do chefe, por ser tão apressado em tomar-lhes o pedido da refeição. Ele não engoliria tão a seco assim; já podia saborear o prato apesar do infortúnio causado pelo garçom metido a chefe de cozinha, tentando indicar uma boa carne. .&lt;br /&gt;Acordam no meio da noite. Ela conta um sonho, que ele entende sem saber. Ouve tudo o que foi sonhado com muita atenção. Pega um cigarro dos seus e diz: tudo o que queria, mais querendo, era parar tudo isso, como um suspenso, no tempo, e, no ar, o espaço, tal qual uma imagem de imobilidade em letras soltas que não se laçam: feito um trovão, que, em lampejos, segue ressoando por muito tempo e assim redesenhando, com esse eterno rebrilhar, a imagem da imobilidade envolvente da minha vigília do seu sonho e, também, o seu sonho da vigília que é minha. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Como tudo terminaria, era exatamente o que não podiam saber: começaram toda a confusão e nem sequer haviam tomado nota disso. Apenas um trovão, que, em lampejos, seguiria ressoando por muito tempo. E assim redesenhando, com esse quase eterno rebrilhar, a imagem da imobilidade escrevente em que ambos estavam envoltos no tempo das passagens. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Como tudo, terminaria.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; FONT-STYLE: italic; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;D.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-4564771098732666121?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/4564771098732666121/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=4564771098732666121&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/4564771098732666121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/4564771098732666121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2008/04/passagens-paulistanas.html' title='Passagens paulistanas.'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/SBEQVNss4jI/AAAAAAAAAKw/q967-3hNO70/s72-c/BayPro%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-7843015918551531971</id><published>2008-04-12T04:31:00.002+07:00</published><updated>2008-04-12T04:35:40.566+07:00</updated><title type='text'>Nosso sono, Ava, o deles.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/R__Y7CFSFAI/AAAAAAAAAKo/PcScJfKSlsM/s1600-h/VIADUTO.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/R__Y7CFSFAI/AAAAAAAAAKo/PcScJfKSlsM/s200/VIADUTO.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5188103804437009410" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;font-size:85%;" &gt;In my solitude You haunt me With dreadful ease In my solitude&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;( Duke Ellington)&lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: right;font-family:times new roman;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span lang="EN-US"  style="font-size:10;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: right;font-family:times new roman;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span lang="EN-US"  style="font-size:10;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;Talvez &lt;/span&gt;o relógio estivesse um pouco adiantado; nos segundos, que fazem os minutos, e não em horas - estas feitas de minutos. Isso não é questão de caso. Sequer tinha conferido: nem mesmo naquilo que por certo seria um ato mecanicamente executado. O idiota do porteiro agia sempre negligentemente, tanto mais já corridas três da manhã. Diria, por acaso de uma inquirição: que isso lá é o tempo a se deixar ficar por contagens? Coisas dessa gente que se demora por mais de décadas na ocupação de uma mesma função. Ao final das contas nem sei mesmo como ainda pode haver porteiros quando aqui já chegadas essas ditas horas de querer modernidade uma coisa morta ou se caindo pra tanto. Mas confesso ser engraçado sair de uma calçada que lembra esse tempo e entrar num lugar por onde ele, esse o tempo, ainda não veio passear. Chega de insistir em descrições densas indo a temporalidades indesignáveis, acontece de certo é que o lugar é mesmo uma merda indizível: prédio muito velho, coisa do século passado e tal. Mas feito numa arquitetura de no mínimo uns três outros séculos decorridos. Sendo isso muito agravante em seu envelhecimento meio a tantas construções contemporâneas a lhe margear os lados. As cidades são amalgamas de conceitos tortos; arquitetonicamente um culto estético isolado em contraponto semântico de um urbanismo aurático em série de referentes. Acontece de certo mesmo é que o lugar é uma merda indizível. Bem, é que este é o único aluguel com cujo pagamento posso me manter em dia nestas circunstâncias de minha existência. Uma existência tosca, sem mais dizeres nauseantes a esse respeito. O caso é que subi aquelas malditas escadas de uma maneira tão estabanada que não me conformo com a tranqüilidade do filho Daputaça do porteiro. Isso sem mencionar a louca da Ava que entoava de uma maneira muito estranha &lt;i&gt;Solitude&lt;/i&gt; da Billie Holiday – moça de quem a Ava se diz a maior fã. É bem feito pra mim: sei lá onde estava com a cabeça ao aceitar novamente a porra do desafio de bater uma corrida escada à cima àquela hora da madrugada. O diabo da coisa é que ela havia aparecido mais cedo com um pó muito bom, de um cara que vende a um preço não muito acessível, mas que às vezes faz baratinho dependendo do discurso que a Ava lança pra cima do figura. Até mesmo eu cederia em situação do tipo. Essa danada consegue tudo quando quer: comigo me fez subir correndo oito andares! Fizera por troça e não mais que isso; parou à minha frente e encenou uma perfeita embora bastante contida parada cardíaca. Sim, uma excelente atriz: e gosta de me ver esbravejar e acusá-la de imbecilidade. Não se divertiria tanto com aplausos de uma seleta platéia quanto com a minha súbita e fugaz fúria. Diz amiúde desconhecer pessoa mais facilmente de ser ludibriada pela mesma paspalhice quase que diária. Assim, Ava, são nossos dias. E eu a abandono com o mesmo ímpeto mediante o qual acorro em sua cena babaca ao fim de seus dizeres forçadamente desdenhosos. Assim, Ava, estamos somados em nossos dias. Menina maldita, por um breve momento te odeio. E já em outro, ao apertá-la libidinosamente em mim em meu contato com o erotismo decrépito de seu corpo, que repito em mim em meu tato que te repete, amo-a eternamente pelo perdurar de um instante. Depois te deixo com muito cuidado, Ava, quase que a tocar em borboletas, e ponho-me a vencer os degraus que então restaram. Mas nesta noite eu não pude entrar antes dela e fingir-me naquele o já em sonhos, deixando-a indignada por não poder como de hábito trocar umas bestiais conversinhas de cabeceira de cama antes de o sono nos abraçar. A alucinada da Ava havia me tirado de casa tão eufórica por ter conseguido um pó de qualidade que eu nem tive como pegar minhas chaves na mesinha. Restou esperar por ela, que trazia consigo as chaves. Faz uns três anos, Ava, que dividimos morada. Desde que eu a conheci numa noite de quinta-feira n’&lt;i&gt;A&lt;/i&gt; &lt;i&gt;Obra&lt;/i&gt;, quando tocam boas bandas e o lugar não é nojento pelas vitrines ambulantes de modismos da Cidade e os dejotas são mais ousados quanto ao set-list experimentado. Ela gritou muito alto em meus ouvidos se eu era o carinha do sebo Tinha até Ontem. Disse que sim, mas acho que ela nem pôde ouvir, pois antes uma outra mulher veio de trás de mim e te beijou intensamente os lábios e língua. Na semana seguinte estava ela lá na loja, querendo saber se havia algum &lt;i&gt;Nacked Lunch&lt;/i&gt;. Havia sim, acredito ter considerado o preço um pouco salgado, mas você levou o livro: como quem quisesse demonstrar devoção pelo que adquiriria, a Ava pagou. Antes que saísse da loja gritei um espere aí, tenho uma coisa pra você. Dei nas mãos dela o que eu estava lendo quando entrou e fez me interromper: &lt;i&gt;Confissões de Um Comedor de Ópio&lt;/i&gt;, do De Quencey. Moveu a cabeça fazendo pouco caso daquilo e saiu triunfante através da porta de vidro. Encontrei a Ava duas semanas depois naquele bar e mesma noite de quinta duas semanas depois. Logo que desci a escadaria avermelhada, e dei meia dúzia de passos até o balcão pra pegar minha primeira bebida no lugar, a Ava veio e me agarrou em suas esquálidas mãos por trás da nuca e um beijo: para que assim me passasse um comprimidinho colorido que acabara de botar em sua língua. Terminamos a noite nesse apartamento nojento, mas isso não me incomodou naquela ocasião. A foda havia sido muito boa, Ava, e o som de seus gemidos não obstante suave me cortava os tímpanos e eu me entregava com toda intensidade àquela memorável trepada. Dois meses depois eu me mudaria pra cá. Mas não tínhamos mais nada, quer isso dizer decididos por amigos que teriam algumas fodas esporádicas: e assim ainda estamos embora a freqüência e qualidade com que transamos tenham agora aumentado progressivamente. Às vezes ela brinca que somos que nem no filme da – moça de quem agora eu é que me digo o maior fã - Binoche, sendo diferentes no fato de ser ela quem transa com pessoas do mesmo sexo. Na verdade ela diz isso quando quer me acusar por ter fudido com a irmã dela, uma vez que a maluquinha apareceu aqui muito a fim de fuder comigo num instante de fraqueza minha. À merda com tudo isso! Quem mandou a menina ficar querendo ser o Martin da história? Não sou culpado de nada, a raputanga me seduzira facilmente naquela noite: mostrando-se bem treinada no assunto &lt;st1:personname productid="em pauta. Nesta" st="on"&gt;em pauta. Nesta&lt;/st1:personname&gt; noite no entanto não houve fudeção nenhuma: esperei apenas por conta das chaves, você sabe. A Ava abriu a porta e fez um gesto zombeteiro ao dar passagem pra mim. Fui logo pra minha cama, de onde alcancei na mesinha a ponta que havia por fumar. Mas a maldita da Ava havia apertado unzinho muito melhor que a ponta detestável que eu aqui queimava pouco tempo atrás: ela tinha ainda um resto de haxixe guardado especificamente pra uma ocasião deste tipo, quando de um pó tão alucinante quanto o desta nossa noite. Que eu não me pergunte como, mas ela é especialista nesses tipos de economia. Veio deitar então a meu lado, como quem pede perdão mesmo já tendo esquecido por que pedira. Eu deixei de lado toda aquela bobagem, pois me irrita sustentar desentendimentos por conta de tão pouco. Fato é que ficamos ali abraçados por um bom tempo, a Ava e eu, passando o baseado um para outro, ao som da moça cuja canção havia sido cantarolada por aquela que me faz companhia. Logo a nininha se adormeceu em meus débeis braços enquanto eu te fazia cafunés, perdendo minha mão pelo seu encantador cabelo negro da Ava. Está aqui a meu lado essa atormentada, mas na verdade é como se não estivesse a Ava: o sono veio arrebatador como não poderia deixar de ser nessas circunstâncias de ocasião. Eu fiquei olhando pros quadros dela. Todas as cores que você usa e cada camada e movimento nas pinceladas. As telas que não consegue terminar e deixa ali jogadas pelos cantos. E diz pra eu não encher, pedindo pra ter mais cuidado e levar adiante algumas idéias. A maneira como a Ava assina o nome. Toda a excentricidade em sua personalidade, que reflete até mesmo no seu nome. A Ava é Ava Vera. E você assina A.v. Outra excentricidade na sua assinatura: a Ava me diz que seu nome é um palíndromo perfeito, por ser monossilábico; e que o v é tanto de Vera como suprimido pela completude da metaletra do palíndromo perfeito, que não precisa entrar na assinatura, pois o A. é a síntese inicial de toda sua perfeição e que é pra eu não rir que isso é coisa séria. E como você gosta de ler o que escrevo e acredita que eu tenho gênio narrativo apesar de não levar muito à serio o que escrevo. E de saber te chatear quando não consegue boa receptividade pros seus quadros e ter de me ouvir dizer que o gênio precisa contar com o tempo. A Ava não entende minha concepção de gênio, e diz que por isso eu sou tão desleixado com minha escrita. Você nunca vai saber... então, dorme Ava.&lt;br /&gt;Eu é que não tenho o sono. Passeei por quase umas duas páginas de Borges, mas não consegui ficar pelo seu mundo de realismos fantásticos. A Ava tinha riscado meu livro; fez desistir minha leitura com seus riscos. Fico pensando por que você risca meus livros, e não entendo. A Ava só risca uma palavra de cada conto, e acha que na única palavra está todo o segredo. Mas neste ela tinha riscado mais, e ela nunca anota nada. Riscava a Ava uma passagem inteira sobre T’sui Pên no &lt;i&gt;El jardín de senderos que se bifurcan&lt;/i&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;En todas las ficciones, cada vez que un hombre se enfreta con diversas alternativas, opta por una y elimina las otras; en la del casi inextricable, T’sui Pên, opta – simultaneamente – por todas. Crea así, diversos porvenires, diversos tiempos, que también proliferan y se bifurcan&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;A.v era o mistério que dormia comigo; que deitava comigo e também transava e gozava comigo; eu também gozo com você. Não quero ler o Borges riscado pela Ava. Entende isso, Ava Vera, desejo dizer que estou hoje mais interessado em minha própria relação ou seja lá interação com o fantástico, pois nunca recuso leitura de tais páginas: imaginar ao meu modo o que lá está escrito. Não risque mais minha leitura Ava, te peço.&lt;br /&gt;Vou sair e deixá-la aqui em sua onírica viagem. Descobrirei o que ainda ficou escada abaixo; será assim Ava vera. Deve haver algo. A A.v diz que procurando sempre haverá. Mas farei da seguinte maneira: levarei o caderno comigo. Anotarei aquilo que me for acontecendo de relevante, mas acredito que não me será muito. Depois vejo no que dá. Talvez ela se interesse e leia o que acontecia fora da dimensão de realidade a que o sono te levou enquanto eu explorava a minha, da maneira que melhor me conveio Ava Vera. Estou no arco do viaduto de Santa Teresa, em cima do arco Ava, e coloco meus olhos na direção da serraria e dos antigos trilhos do trem, e vou me fazendo também nas letras em que busco para te descrever o que passa. Até aqui pouquíssimas coisas interessantes ocorreram desde a mais ou menos meia-hora de caminhada pelas ruas. E se aqui estou é entremetes mais por força da tradição que pela atração intrínseca ao lugar. Ocorre que vários encontros marcados já se encenaram nesta ponte de inflexão belorizontina. Embora essa minha modéstia com relação ao lugar em que me encontro, digo, sou inveterado admirador das altitudes, ainda que sejam elas as medianas. O que acontece é que a perspectiva proporcionada mediante tal localização não se pode igualar ao panorama das planícies. Portanto as montanhas são sempre mágicas em função da limitação respeitante àquilo que as planícies proporcionam à noção de compreensão do real. Sem mais devaneio, A., acredito ter até aqui chegado sem muitos empecilhos: tendo apenas sido importunado pelos que dormem pelas ruas ou coisa urbanamente genéricas. Quero com isso dizer que nada de relevante me veio desde que travei a porta deixando minha mina alucinadinha seguramente cuidada pela negligência daquele que vela tão vilipendiosamente pelos moradores de nosso prédio de habitação.&lt;br /&gt;Não chega a ser uma rotina, mas é fato que sempre - muito embora às vezes sozinho – venho parar aqui. Por isso é que escolhi o lugar para ser o adequado ao momento em que descrevo o que se passou desde o instante em que fiz sair em busca daquilo a que me propusera quando ainda fumaçava unzinho de indiscutível qualidade: graças às virtudes econômicas que você tem. Trouxe a A. aqui junto de mim por apenas duas vezes, no que tive de fabricar uma retórica irrefutável dado o pavor alimentado pela pequena com relação às alturas. Ava, você não gosta das alturas, né mesmo! Nunca compreendi bem isso embora sempre te respeitando em suas recusas para tanto. Acontece, Ava, é que não sei mais o que escrever. Sinto uma espécie de vertigem esclarecedora quando me ponho a explorar as alturas. Adorava subir a serra até quando o verde ainda não me causava certa repulsa diante dessa onda de preservação daquilo que a humanidade ainda não pode reproduzir em escala industrial. Por isso tenho incentivado minha predileção por arcos de viadutos. O aspecto cinzento dos centros urbanos se apresentam atualmente de um tal modo lírico que nem sei o que mais dizer respeitante a tanto. A.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Se já não chegam essas minhas discussões que se contradizem por cíclicas, partindo do nada ao lugar nenhum, Ava, é bom descrever agora a minha volta pra casa, se é que assim se pode dizê-lo devido ao insólito da coisa passada por acontecida em minhas rememorações do ocorrido. Caso fosse descrever tudo o que houve nesses haveres, Ava Vera, te diria apenas as inumeráveis vezes em que fui interrompido em minha volta por aqueles que vagam sem mais que não a mendicância de cigarros numa noite em que o frio já se basta na fabricação de sempre suspensos caminhos de fumaça que soltamos de trago em trago.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Talvez o relógio estivesse um pouco adiantado. As horas, Ava, ao final das contas, nunca condizem ao tempo daquilo que se definiria pelo fenomenológico ser das coisas. Nem sequer me dispus a averiguar se o porteiro estava atento ao que ocorria tendo por respeitante o dever de sua função não obstante as horas já fossem em as adiantadas. O estranho de tudo é que um provável casal se punha a discutir e fazer baderna pelos degraus que ainda estavam à minha frente. Chegava até mim a voz masculina de alguém que se dedicava às represálias de um outro alguém que o havia ludibriado sem mais. Segui esse casal com meus ouvidos, Ava, até o andar em que se fecharam atrás de uma porta. Era um quarto comum, tal como aquele onde te deixei dormir. Apreensivamente me detive ali por certo tempo e me dispus a ouvir, ou que era possível apreender de ouvidos colados à porta, já que na minha noite nada de interessante havia emergido. Era uma canção linda o que chegava a mim naquele instante de curiosidade para com o alheio: Billie Holiday interpretava de maneira inigualável a sua &lt;i&gt;Solitude&lt;/i&gt;, e o casal parecia ter posto fim ou sabe-se lá desconsiderado as divergências da subida. Quiçá apenas sonhassem. Apenas sonhassem um sonho. Sonhassem esse sonho em que um se perdia do outro. Um sonho em que um se perdia do outro por tentativa de se encontrarem. Que um se perdia do outro por tentativa de se encontrarem numa nova espacialidade. Tentativa de se encontrarem numa nova espacialidade e temporaliade, disjuntivas. E quiça simplesmente sonhassem. Feito tão simples sonhassem esse sonho. Sonho que perdia um no outro. Que perdia um no outro como tentativa de encontrá-los. Tentativa de encontrá-los encontrando uma nova espacialidade e temporalidade, disjuntivas. De sorte, que encontrando tais espacialidade e temporalidade, disjuntivas, mas que juntassem, encontrá-los aqui onde as escadas acrescidas já somassem &lt;span style=""&gt;um no outro&lt;/span&gt; dentro de uma órbita desde logo labiríntica. E a &lt;i&gt;Solitude&lt;/i&gt;, Ava Vera, continuava a embalar-lhes o sono de ambos eles: dormíamos?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-7843015918551531971?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/7843015918551531971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=7843015918551531971&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/7843015918551531971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/7843015918551531971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2008/04/nosso-sono-ava-o-deles.html' title='Nosso sono, Ava, o deles.'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/R__Y7CFSFAI/AAAAAAAAAKo/PcScJfKSlsM/s72-c/VIADUTO.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-5799175480913586207</id><published>2008-04-09T05:15:00.005+07:00</published><updated>2008-04-09T05:30:59.008+07:00</updated><title type='text'>D.esaparecídio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:11;" &gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Pro Polako&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais voltou a se ver. Antes escondeu da forma rosto e resto do conteúdo. Improvisasse o fim, pois de muito gritavam-lhe: desfaça a tez! E fez abrir falência da própria imagem. Não havia na loja superfície de espelho capaz de expressar tal desfalecimento. Enorme era sua desfaçatez. Diriam horas depois: um raro caso de desaparecídio.&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:78%;" &gt;D.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-5799175480913586207?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/5799175480913586207/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=5799175480913586207&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/5799175480913586207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/5799175480913586207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2008/04/desaparecdio.html' title='D.esaparecídio'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-3945127561977660732</id><published>2008-03-30T12:01:00.008+07:00</published><updated>2008-07-21T06:50:43.233+07:00</updated><title type='text'>Bet you’ll never get to know me.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/R-8gvL20-7I/AAAAAAAAAKg/mLt9vzg-8ZI/s1600-h/225847.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5183397691135425458" style="FLOAT: left; MARGIN: 0pt 10px 10px 0pt; CURSOR: pointer" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/R-8gvL20-7I/AAAAAAAAAKg/mLt9vzg-8ZI/s200/225847.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="FONT-WEIGHT: bold; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = st1 /&gt;&lt;st1:place st="on"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="LINE-HEIGHT: 150%"&gt;Para&lt;/span&gt;&lt;/st1:place&gt;&lt;span lang="EN-US" style="LINE-HEIGHT: 150%"&gt; 2string’slide Man&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: right;font-family:webdings;" align="left" &gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Like a bird on the wire Like a drunk in a midnight choir I have tried in may to be free&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;(Leonard Cohen)&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;strong&gt;Conheci Mark Sandman&lt;/strong&gt; coisa de alguns anos atrás. Veio com seu copo na mão e se ofereceu à companhia da minha mesa solitária, onde, além de mim, também meu copo. Havíamos conversado pela primeira vez na semana anterior, quando ele surgira na loja pra comprar alguns discos. Eu simplesmente o recebi dizendo olá 2string’slide! Sorriu à minha recepção idiota, e disse - Ei Man! Levou muita coisa na sacola, mas não o que procurava especificamente: &lt;i&gt;Bitchs Brew&lt;/i&gt; do Miles. Nunca tive este disco na loja, mas prometi pra ele cópia do que tinha em casa no dia seguinte. Ele concordou e ficou de passar pra pegar hora dessas, pois seu apê ficava ali por perto, quase na saída do metrô com o Mercado das Flores e esquina da rua do Rosário com Uruguaiana. Mas não apareceu antes de vir com o copo na mão e se sentar junto de mim. Seu rosto era de feição bastante dura, capaz de indicar em cada marca os lugares por onde já havia estado, e talvez cada desacerto que a vida lhe guardara. Mas facilmente os desfazia com seu sorriso em dentes horríveis de se ver. O que era facilmente suportável graças ao timbre da sua risada, profunda e bastante expressiva. Falava bem pouco, e com isso não parecia ser gringo. Talvez apenas um homem de poucas frases, mas muita substância controlada pelo silêncio. Isso parecia fazê-lo mais brasileiro que eu. Menos carioca que eu. Mais malandro porém. Cidadão legítimo da Lapa dos bares e bebidas e cigarros. Nossa conversa foi bem ritmada por pausas, talvez nossas palavras deslizassem nesta conversa ao modo da sonoridade do seu peculiar Baixo. Eu não sabia bem o que dizer, procurando não entrar muito no respeito de seu trabalho. E acabamos falando sobre música. Da música nos discos, já que ele tinha dado inicio à conversa perguntado pela cópia prometida. Disse pra mim algumas coisas sobre os discos que havia comprado na minha loja. E ainda me pediu uma informação a respeito de um bom lugar pra regular a rotação de seu toca-discos. Depois acendeu outro de seus cigarros e pediu por uma cerveja. Encheu meu copo gentilmente e disse que a rua do Lavrádio e a sujeira das esquinas da rua dos Inválidos eram a coisa de que mais gostava por ali junto da minha loja. Ria tentando parecer sóbrio como ele em meu riso consentido. Não sem perguntar porque, ele jogava aquela idéia ali na mesa. E disse pra mim que não sabia direito. Que na verdade não gostaria de saber. Confessou, apesar de indeciso, não sem antes um trago, pensar isso daquelas esquinas por elas lembrarem Bukowski. Fazê-lo sentir vontade de reler o velho Buk. Contudo se censurou e disse ser mais que isso, porque é sempre mais que isso! Quis saber de mim. Eu não sabia. Que diabos Mark sentia ao passar pelas esquinas da rua dos Inválidos, o que há de apreciável na estreita rua do Lavrádio. Eu sabia. Mas não pro Mark. E disse qualquer coisa besta, pois aquilo tudo fede sem deixar de ser belo. E ele riu, exatamente como ele ria. E disse ser isso, aquilo fede e não deixa de ser belo. Bukowski fede e não deixa de ser belo: o velho Buk cheira às flores do mal. E isso é todo perfume! Falou mais. Quando compus &lt;i&gt;I&lt;/i&gt; &lt;i&gt;Wanna Go Home,&lt;/i&gt; eu estava num bar &lt;st1:personname st="on" productid="em West Village"&gt;em West Village&lt;/st1:personname&gt; há mais de uma semana e sem grana pra um uísque ou cigarros e pensava muito em coisas distantes, como no sol da Califórnia, que me parece bem mais quente e menos amarelo que o do Rio. Não entendi porque me dizia aquilo; pareceu decadente e triste. Nunca estive &lt;st1:personname st="on" productid="em West Village. Ou"&gt;em West Village. Ou&lt;/st1:personname&gt; qualquer outra parte da ilha. Não sei qual a cor do sol da Califórnia. Talvez entendesse se falasse de Kerouac, pois a canção... Mas era a vida dele. Era um traço do rosto dele enrugando palavras pra mim. Era uma coisa que fedia muito, sem deixar de ser belo porque nunca mesmo fora belo. Pedi mais uma cerveja e ele também mais uma dose. Eu não quis uma dose. É sempre muito quente por aqui pra uma dose a essa hora do dia Man, disse eu. E ele disse ser certo. Certo. Mas que não podia sem uma dose. Pois Mark era um homem de doses, de uma &lt;st1:personname st="on" productid="em uma. Como"&gt;em uma. Como&lt;/st1:personname&gt; era sua vida. Como era seu rosto e cada traço dele. Suas notas e sua voz. E a voz dele me quis saber o que fazia ali e não na loja. Hoje é segunda, e não trabalho. Deixo por conta da Ana, que cuida daquilo melhor que o dono, pois ela é dona de mim. Riu novamente, com sua risada. Segunda à tarde eu sempre fico aqui, bebendo e esperando alguma coisa acontecer. Mas nada acontece. É como estamos dizendo, fede sem deixar de ser belo. Daqui a pouco vou na direção da Cinelândia, pegar o bonde pra Santa Teresa e pegar um fumo por lá antes de ir pra casa. É que acaba hoje. E a semana começa hoje, sabe né. Antes que ele falasse. Ou bebesse. Acendesse mais um cigarro antes do meu. Disse pro Mark caminhar comigo e pegar o bonde pra Santa Teresa. Que depois passaríamos na minha casa também por ali &lt;st1:personname st="on" productid="em Santa Teresa"&gt;em Santa Teresa&lt;/st1:personname&gt; pra pegar a cópia dele. Fumar o fumo e fazer nossa cabeça ouvindo o Miles que ele queria. E aprovou condicionando que tomássemos antes mais um trago pelos bares da rua Oriente na volta. Homem de doses. Pra mim isso não era condição. Era mais que certo, como feder sem deixar de ser belo. E fomos pegar o fumo e antes o bonde. Ele parecia contente quando de cima passamos pelos arcos. Não lembrava mais o comentário decadente de momentos atrás. Já não era decadente. E a Lapa de cima também não é decadente. Pois é como numa maquete. Tabuleiro mobiliado com vida e pessoas. Mas sem deixar de feder, porque belo. Era sim mais malando que eu. E seus óculos escuros ficariam ridículos em qualquer outro rosto. Mas não no de Mark, pois não eram os óculos que expressavam a silhueta do seu rosto. Era o roso dele. E todos aqueles traços e a vida. A vida e a rua Oriente. Os Grafites nos muros. Mais uma escadaria ficando pra trás do bondinho e de nós. As casas no caminho do trilho do bonde e os mulekes que subiam sem pagar. Gatos que podem morar em qualquer uma delas. O mistério dessas casas de jardins. As plantas bem cuidadas, e outras não. A vista. Santa Teresa na rua Oriente passando pelas lentes de Mark. Os bares e restaurantes em parte ainda fechados. Era isso. Mais que isso, porque sempre. Como disse ele pouco antes. Paguei pelo meu fumo, e Mark resolveu levar uma cinquenteira bem servida aproveitando a situação. Ele perguntou se poderíamos seguir direto pra casa. Ouvir música e deixar os bares pra depois. Era o que eu também queria. E fizemos. Não quis que ouvíssemos o Miles logo, e escolheu um disco nos meus. Achei estranho ser o &lt;i&gt;Transa&lt;/i&gt;, que foi. Ele me disse ter tomado conhecimento de pouco e que havia gostado muito daquilo. Coisa de gringo, claro. Sem desdizer que é das melhores coisas. Mas não era o que eu imaginava ouvir fumando com ele. 2string'slide Man cantando &lt;i&gt;You Don’t Know Me&lt;/i&gt;. Pensei em dizer a ele que pra mim aquilo também fedia muito, sem deixar de ser belo. Não quis. Soaria retardado. Tive medo de que ele me pensasse assim dizendo aquilo outra vez. Ele gostava mesmo da canção e ia transando com os versos dizendo &lt;i&gt;Bet you’ll never get to know me&lt;/i&gt;. Jamais diria o que pensei pra alguém cantando isso. Nem mesmo pra mim. Não importava. Estava ali, com fumo pra semana e &lt;st1:personname st="on" productid="em casa. Ouvindo"&gt;em casa. Ouvindo&lt;/st1:personname&gt; meus discos com ele. E depois mostrei outro disco e outra música. Imaginei que Mark fosse gostar também do &lt;i&gt;Araçá Azul&lt;/i&gt;. Coisa de gringo, sabe. Escolhi de cara &lt;i&gt;Eu quero essa Mulher assim mesmo&lt;/i&gt;. Ele gostou um pouco. Não conseguia sacar mesmo a do Cara. Mas já parecia bem louco pelo fumo. Nunca imaginei vê-lo assim. Não era do bagulho. Das doses. Uma &lt;st1:personname st="on" productid="em uma. Pensei"&gt;em uma. Pensei&lt;/st1:personname&gt; depois na faixa de &lt;i&gt;Épico&lt;/i&gt;. E fiz. Não gostou, achou estranho e pegou novamente no &lt;i&gt;Transa&lt;/i&gt; e recolocou a agulha sobre a faixa de &lt;i&gt;You Don’t Know Me&lt;/i&gt;. Hora mais tarde ouvimos o Miles. E Mark ainda estava em casa quando Ana chegou. Ela também o havia conhecido do dia da loja. Conversamos um pouco e queimamos mais unzinho. Ele foi bem simpático com ela. Não menos que comigo. Mas Ana é mulher. E Ana não fede. Nunca. Mark despediu-se. Prometeu voltar a nos visitar depois que fizemos demonstrar que ele era bem-vindo. Disse que traria uns discos da próxima vez. E foi embora em direção à rua Oriente.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Mark Sadman morreu pelos anos de 1.999, na acinzentada cidade da Palestrina, nos Montes Apenninus (Itália). Tinha consigo 46 anos e fazia seu mais fundo querer de vida. Ana e eu, nós, nunca mais o vimos; ouvimos&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-3945127561977660732?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/3945127561977660732/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=3945127561977660732&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/3945127561977660732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/3945127561977660732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2008/03/bet-youll-never-get-to-know-me.html' title='Bet you’ll never get to know me.'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/R-8gvL20-7I/AAAAAAAAAKg/mLt9vzg-8ZI/s72-c/225847.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-7610858240513815177</id><published>2008-02-01T02:57:00.004+07:00</published><updated>2008-07-04T08:21:09.071+07:00</updated><title type='text'>A maquinagem de uma Rayuel - O - Matic</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/R6Io4cVDO1I/AAAAAAAAAKI/5rOL60wbglM/s1600-h/c%C3%83%C2%A9libe.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5161733073062280018" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/R6Io4cVDO1I/AAAAAAAAAKI/5rOL60wbglM/s200/c%C3%A9libe.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Cada letra que então principio desfiar a partir daqui, seja a narrativa sobrescrita integralmente verdadeira, integralmente ficcional, entretece acontecimentos de a pouco mais de um ano, tempo em que eu esperava com os olhos bêbados ao calendário, contando os dias para a volta de Sibelle. (Na verdade, a Sibelle, ou a quem assim chamo, é Lavigna.) Quando da sua partida havíamos combinado algo para o retorno, que era nosso prazer literário a ser consumado enfim. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Dizer como a conheci, o que falamos pela primeira vez e o que mais a impressionou em mim ou o que mais me atraiu nela, tudo isso é de imediato dispensável e se perceberá quando o prosseguimento destas linhas já for capaz de trazer-nos à vida através das palavras que vão exatamente constituir o que nos tornamos neste desenho das letras sobre a superfície da página. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Eu estava bastante ansioso por revê-la. Não sabia se ela estaria igualmente ansiosa. Era preciso que estivesse; que lembrasse do nosso combinado e que voltasse preparada para executarmos algo que, então outra vez, nos cobrava &lt;st1:personname productid="em reuni￣o. Toda" st="on"&gt;em reunião. Toda&lt;/st1:personname&gt; minha ansiedade revelava o tempo através do qual nossas conversas foram perdendo a cor forte e quente que tinham antes da viagem. Há pouco mais de um ano ela estava longe, e de início, semana à semana, trocávamos extensos os e-mails com as novidades. Depois ficamos no mês a mês das notícias, pois eu repetia quase sempre as mesmas coisas que me entediavam sempre e ela sempre me escrevia coisas memoráveis de sua vida atual e distante. Eu invejava, embora também torcesse para que tudo permanecesse indo muito certo. Mas invejava, e ficava um tanto puto comigo mesmo e com minhas novidades repetidas, porque inventadas ou às vezes supervalorizadas por falta do que dizer. Era uma competição bastante desleal, pois ela estava num país estrangeiro e eu, aqui, envolto numa rotina que ela bem conhecia desde a partida. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Acontece que esse período durante o qual a Sibelle estivera fora, agora, chegava a término. E eu não mais precisava inventar coisas a dizer, pois faríamos essas coisas juntos como nos velhos tempos. (Digo velhos tempos, pois a expressão bastante surrada parece bem condizente com a perturbação que se alojou em mim desde que ela se fora.) Eu mal recebera o telefonema confirmando o horário de desembarque e disse que a pegaria no aeroporto; que esperasse por mim. Ela aprovou e comentou que, do contrário, eu estaria mesmo ferrado! Isso me alegrou bastante e, ainda, permitiu justamente medir, na voz dela, toda a minha ansiedade. Bem, era como se já confirmasse que tudo realmente estava na mesma página em que paramos o livro de nossa vida. Que, claro, haveria apêndices nestas histórias, mas que voltaríamos juntos a nos escrever numa mesma página e período deste livro que é nossa vida, sem precisarmos de longos devaneios narrativos para que enfim nos encontrássemos novamente tocados por cada uma das palavras traçadas na viva escritura de nossa pele. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;E todo aquele tempo passado era como se me fizesse a cada dia mais perto. Reuniam-se em meu peito as mais sinceras saudades e os mais alentosos amores, acrescidos de uma vida inteira e involuntariamente desbotada pela memória. Fora preciso ir me distanciando cada vez mais. Sentir que estava longe. Revelar assim a aceitação que precisava tomar por minha. Por isso o tempo que ia passando ajudava. Eu não fizera por maldade, mas passei a mandar notícias com menos freqüência. Depois que os telefonemas deixaram de ser trocados, fora realmente preciso responder mais demoradamente a cada e-mail que chegava. Pensar muito bem acerca da distância que me embrulhava como um presente desviado. Conquanto sem nunca esquecê-lo, pois que jamais se esqueceria de mim. Eu sabia. E sabia também ele, tomando dos meus lábios as palavras que eram só por ele: "eu nunca poderei esquecê-lo &lt;st1:personname productid="em mim. Sabíamos" st="on"&gt;em mim". Sabíamos&lt;/st1:personname&gt; nós, reciprocamente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Quando liguei avisando da minha volta, esperava que ele fosse me buscar. Seria bom revê-lo antes que qualquer outra pessoa. Medir a saudade que trazia junto comigo na força do abraço dele. E, abraçando-me ao corpo dele, sentir minha saudade acolhida nos seus braços; reavaliar os afetos e ter certeza da certeza que viajara comigo desde a ida para jamais me abandonar e, agora, ser transfigurada uma vez mais em certeza. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Perder toda a raiva ao ter meu nome propositalmente confundido pela Sibelle, que nunca fui. E rir desses tempos em que assim se acostumava em gostar do nome pelo qual fazia ironicamente chamar-me. Medir tanta euforia ao falar das coisas vividas durante o tempo fora e não o perturbar com coisas assim. Porém contar tudo minuciosamente detalhado e revelar minha experiência assimilada nos estudos levados a cabo e tudo mais que se recolhera &lt;st1:personname productid="em mim. Certamente" st="on"&gt;em mim. Certamente&lt;/st1:personname&gt; ele viria com uma camisa preta, escolhida meio a tantas outras pretas que tinha. Era assim a sua busca sóbria e obscura por classe, mediante verdadeira neutralização de exageros. E seus tênis elegantemente surrados por guardarem em si pedaços de todos os caminhos percorridos durante parte da vida. Eu sempre admirara, embora jamais pudesse eximir de mim qualquer deboche quando isso favorecia em discussões.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Quando nos encontramos no aeroporto as coisas não perderam a força e tampouco o brilho, anteriormente atribuídos pela imaginação com que antecipamos o reencontro em nossa mente. Era como se esperássemos por isso. E, a bem da verdade, esperávamos. Mas não como quem espera por uma carta, não como quem espera por uma data no calendário e assim concentra-se tanto na espera que, quando chega, não há mais desejo por conta de o tempo de espera ter por si só exaurido a magia da revelação em que a espera se cristaliza. Todavia esperávamos pela revelação irrevelável, que de pouco e pouco vai se revelando e revelando-se em outra revelação que se adianta a cristalização por revelar-se, até se perder diante de um sopro que a leva ao infinitamente irrevelável. Pois que assim esperávamos qual quem espera pelo mistério, que na iminência da revelação reconfigura-se incompreensivelmente em mistério outra vez e mais para ser novamente tomado por objeto de fé. Pois que assim esperar era nossa fé, nossa religião. Pois que nela comungávamos nossa saudade e todo o afeto que guardávamos. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Algum tempo havia passado - isso era certo tanto em um quanto no outro, bem como no amor dos amantes dessa fé amorosa - e eles jamais se arrependeram de esperar. Tomaram-se nos braços e, novamente abraçados pela vida, saudaram toda dívida na proximidade que agora novamente os dispunha numa mesma paginação narrativa. Configuraram, então, as frases ora de carinho, ora de sarcasmo, ora de confluência e confissão e também por ora variáveis em todas essas tonalidades, de modo a nunca saturar em tédio obsoleto toda a muita conversa que tinham por compartilhar. Palavra por palavra reescreviam vívido o amor a cada toque da pele. E a cada abraço do corpo ambos assinávamos a táctil letra na prosa amada que, da mesma forma riscada em nós, reúne a pleno verso consumado o texto corpóreo através do qual escrevemos o amor. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Tínhamos em comum o nosso prazer literário. E precisávamos recompô-lo, pois também por isso esperávamos. Algo simples, entretanto um pouco engenhoso. Nada original, mas como mencionado, requeria sim alguma engenhosidade. E passamos algum tempo elaborando toda uma sorte de diagramas e desenhos a fim de consolidar nosso projeto. Queríamos (igual a Juan Esteban Fassio) uma “máquina célibe”. Mas com algum diferencial, pois não queríamos somente uma máquina para a montagem dos fragmentos, uma possibilidade de construir uma máquina ordenadora de leitura. Queríamos roubar-lhe a idéia e transformá-la &lt;st1:personname productid="em nossa. Quer￭amos" st="on"&gt;em nossa. Queríamos&lt;/st1:personname&gt; acrescer-lhe de uns poucos detalhes. Queríamos uma ordenação do prazer literário vinculado ao musical.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Desempenharíamos nosso projeto da seguinte forma: reuniríamos na máquina alguns textos, e alguns álbuns musicais que acompanhariam a leitura. Era como se quiséssemos fazer trilha sonora para nosso prazer literário.&lt;span style="border: 1pt none black; padding: 0cm; background: black none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;font-size:0;color:black;"  &gt; &lt;/span&gt;Elencamos, então, os esboços de nosso projeto e começamos a imaginá-lo na máquina.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Inicialmente pensamos em álbuns inteiros acompanhando a leitura. Queríamos depois passar a algo mais pretensioso que isso, e no caso de leituras mais longas, qual os romances já pouco lidos, imaginaríamos a música ideal para cada capítulo, para cada sentença. (Pensamos também em vencer tecnologicamente os concorrentes contemporâneos da leitura na página de papel para quando o protótipo de nosso mecanismo estive mais adiantando, porém) A idéia se aproximou a uma &lt;i style=""&gt;sui generis&lt;/i&gt; &lt;i style=""&gt;jukebox&lt;/i&gt; e assim nos parecia simples a engenhosidade do projeto. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Eu sabia que ele escolheria o mesmo livro que eu, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Rayuela&lt;/span&gt;, pois o livro por ele escolhido, sabia eu, seria também o mesmo escolhido por ele. Não por uma empatia, pois ela também tinha por seu aquele que era o meu livro de cabeceira. Tínhamos o mesmo livro preferido, e a partir do qual a idéia da máquina foi apreciada por nossa leitura &lt;st1:personname productid="em comum. Era" st="on"&gt;em comum. Tal acertamento egótico, dessa forma, permitia a idéia em co-autoria.  Era&lt;/st1:personname&gt; uma obra engenhosa, uma "caixa" fantástica em que a letra se estendia à concepção de livro e instalava-se deslumbrantemente em uma totalidade do conceito de romance, pois a concepção de livro era também a letra que precisava seguir sendo escrita, configurando-se em reconfigurações que passavam da escritura ao livro até não mais se permitir à dissociação dos conceitos. Restava portanto chamá-lo de “obra”. Em nosso caso, ainda mais que isso, pois, segundo o acolhimento de nossa fruição literária, era a &lt;i style=""&gt;Magnum opus&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Porém o nosso mecanismo não se reservaria a qualquer originalidade, pois que apenas gostaríamos de acrescer musicalidade à engenhosa tarefa. Tomamos por partida o modelo de Fassio, para a &lt;i style=""&gt;Rayuela&lt;/i&gt;. Tal modelo (embora o argentino ainda assimilasse em seu projeto outras formas variáveis e possíveis, haja vista que à uma das quais se acresceria até mesmo uma cama de leitura ao móvel específico da máquina) configurava uma caixinha retangular muito próxima ao &lt;i style=""&gt;design&lt;/i&gt; dos rádios dos anos 1950, todavia um pouco maior e que então ganhava ares da mobília do lar. Era constituído por cinco colunas de gavetas verticais, em cujo interior estariam distribuídos o capítulos do engenhoso livro de Cortázar. Mais abaixo destas colunas, e numa posição horizontal no móvel-máquina, também cinco botões identificados pelas letras &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A, B, C, D, E, F,&lt;/span&gt; os quais operariam a reconfiguração da leitura. Segundo escreveu o próprio Julio, o mecanismo de Fassio poderia ser entendido como se segue: &lt;/p&gt;  &lt;ol style="margin-top: 0cm;" start="1" type="A"&gt;&lt;li class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;– Inicia el funcionamiento a partir del capítulo 73      ( sale la gaveta 73); al cerrarse ésta se abre &lt;st1:personname productid="la N" st="on"&gt;la N&lt;/st1:personname&gt;° 1,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;así sucesivamene. Si se desea      interrumpir la lectura, por ejemplo en mitad del capítulo 16, debe      apretarse el botón antes de cerrar esta gaveta.&lt;/li&gt;&lt;li class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;– Cuando se quiera reiniciar la lectura a partir      del momento en que se ha interrumpido, bastará apretar este botón y      reaparecerá la gaveta N° 16, continuándose el proceso.&lt;/li&gt;&lt;li class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;– Suelta todo los resortes, de manera que pueda      elergise cualquier gaveta con sólo tirar de la perilla. Deja de funcionar      el sistema eléctrico.&lt;/li&gt;&lt;li class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;– Botón destinado a la lectura del Primer Libro, es      decir, del capitulo 1 al 56 de corrido. Al cerrar la gaveta N°1, se abre &lt;st1:personname productid="la N" st="on"&gt;la N&lt;/st1:personname&gt;° 2, y así sucesivamente.&lt;/li&gt;&lt;li class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Botón para interrumpir el funcionamiento en el      momento que se quiera, una vez llegado al circuito final: 58 – 131 – 50 –      131 – 58,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;ectcétera. &lt;/li&gt;&lt;li class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;– En el modelo con cama, este botón abre la parte      inferior, quedando la cama parada.&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/R7WOpkZd5vI/AAAAAAAAAKQ/sIazI4WTwrA/s1600-h/rayuel+O+matic.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/R7WOpkZd5vI/AAAAAAAAAKQ/sIazI4WTwrA/s200/rayuel+O+matic.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5167192992273786610" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;    Roubar a idéia do projeto de Fassio em nada nos incomodava. Ao que parece, o próprio Fassio teria feito o mesmo com a idéia de Marcel Duchamp, que por sua vez recolheu em Mallarmé algumas idéias, tomando-as por sua enquanto &lt;i style=""&gt;marchand du sel&lt;/i&gt;. Acresceríamos algo, para então tomá-la por nossa em nossa vez no roubo de idéias. Não faltavam referências musicais do próprio Cortázar narrador, descrevendo as reuniões entre os membros do &lt;i style=""&gt;Club da Serpente&lt;/i&gt;. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Por princípio, imaginamos respeitar a intertextualidade musical da obra, mas logo desistimos. Seria apenas ajudar os ignorantes a ler pelos ouvidos a musicalidade mencionada.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O que queríamos era uma máquina para nós, não ajudar a narrativa do livro mediante um impraticável melhoramento. Enfim, construir também musicalmente nossas cúmplices leituras. Compilamos para isso músicas preferidas, dentre as quais fomos às intrepretações dos irmãos Assad de alguns tangos de Piazolla; tomamos também algumas coisas do álbum &lt;i style=""&gt;Wild is the wind&lt;/i&gt; , da Nina Simone e outras tantas coisas mais, como a versão de &lt;i style=""&gt;Lilac Wine,&lt;/i&gt; do Jeff Buckley. Decidimos que “Milonga is Coming”, recolhida do álbum &lt;i style=""&gt;The New Tango&lt;/i&gt;, do Piazolla e Gary Burton, acompanharia a abertura do primeiro capítulo acerca da busca de Horacio pela Maga, cruzando as pontes de Paris. E fomos acertando as diversas passagens com a música mais indicada em nosso projeto da máquina. Decidimos por Hallellujah, na voz do Jeff Buckley, durante o momento &lt;st1:personname productid="em que Rocamandour" st="on"&gt;em que Rocamandour&lt;/st1:personname&gt; morre em plena reunião do &lt;i style=""&gt;Club da Serpente&lt;/i&gt; - utilizaríamos um efeito de &lt;i style=""&gt;fading out&lt;/i&gt; para a canção reaparecer no capítulo do velório. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A parte de maior desavença foi o momento &lt;st1:personname productid="em que Hor￡cio" st="on"&gt;em que Horácio&lt;/st1:personname&gt; parece enlouquecer dentro do hospício, descendo a um lugar que parece ser o deposito e, enlouqucidamente, beija Talita que descera junto dele. Mas entre variada sorte de apostas, decidimos por &lt;i style=""&gt;I’m your man&lt;/i&gt;, do Cohen, porém na interpretação do Nick Cave, por nos ter parecido mais vibrante justamente no adequadíssimo &lt;i style=""&gt;leit-motiv&lt;/i&gt; buscado nos seguintes versos: &lt;i style=""&gt;I’ll wear a mask for you If you want a partner Take my Hand Or if you want to strike me down in anger Here I Stand I’m your man&lt;/i&gt;. E na seqüência novamente lançariamos mão do &lt;i style=""&gt;fading out&lt;/i&gt;, para usarmos outra canção do Cohen, ressurgindo em &lt;i style=""&gt;fading in,&lt;/i&gt; durante a conversa entre Horacio e Traveller acerca do episódio anterior: desta seria vez &lt;i style=""&gt;Bird on the wire&lt;/i&gt;. E, de uma vez por todas, achamos no Coltrane de &lt;i style=""&gt;A Love Supreme&lt;/i&gt; o tema para o circuito final da leitura, em que o tema do Trane iria repetindo-se instantaneamente com a paginação e voltando-se sempre e mais para dentro da própria obra até o completo esvanecer.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Com alguns dias preparamos toda a seleção. E deveríamos apenas acrescentar uma ordem de botões ao modelo de Fassio para a &lt;i style=""&gt;Rayuel-o-matic&lt;/i&gt;, uma seqüência paralela à montagem do livro, que permitisse adicionar as canções. Construímos a espécie de &lt;i style=""&gt;jukebox&lt;/i&gt; literária em nosso protótipo e tudo pareceu bem. Funcionou como imaginávamos, apesar da aparecia de protótipo. Daí enviamos o modelo e todas as especificações de funcionamento à oficina de amigo nosso, bem de longe mais habilitado tecnicamente para construí-lo. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Menos de uma quinzena depois tudo estava certo, para nosso maravilhamento. O protótipo de antes havia sido transformando numa bela máquina com ares de móvel e, muito mais importante, assimilava plenamente o nosso projeto e montagem do prazer literário. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Contemplamos por muito tempo a belíssima peça que idealizáramos e seguimos em nosso deleite pessoal. Encontrávamos diariamente nosso prazer e cada vez mais. Em seguida terminamos por elaborar outros projetos, de modo a não perdermos a magia daquilo. Pensamos numa máquina que conjugasse também a leitura do &lt;i style=""&gt;Quijote&lt;/i&gt; com um dos mais geniais e belíssimos álbuns do Miles, &lt;i style=""&gt;Scketchs of Spain&lt;/i&gt;. Pensamos algo com alguns textos de Walter Benjamin, usando álbuns do Kraft-Werk numa máquina para ler &lt;i style=""&gt;Das&lt;/i&gt; &lt;i style=""&gt;Passagen-Werk&lt;/i&gt;. Pensamos ainda num modelo de máquina com dispositivo para café-expresso e cigarros. Ganharíamos algum dinheiro enviando um projeto de venda aos cafés parisienses, após ganharmos mercado &lt;st1:personname productid="em Buenos Aires. Pensamos" st="on"&gt;em  Buenos Aires. Pensamos&lt;/st1:personname&gt; nisso tudo e em muitas outras possibilidades mais. Imaginamos livros só para fumantes e a máquina acrescida de uma fabulosa narguilé, preterivelmente alocada em detrimento da cama. Pensamos em escrever nosso próprio livro para uma máquina e parar de saquear textos para colocar junto deles nossas músicas preferidas. Mas continuar era tão tentador que adiamos mais e mais a idéia de um texto autoral, em função das escolhas musicais a serem recolhidas para o projeto de máquinas por vir. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Algum tempo passou, e veio nesta passagem a vez em que era ele quem deveria ir. E dentro de um tempo cabível, acertou sua partida que, então, estava certa. E eu ficava sempre a seu lado, aproveitando ali o tempo que ainda teríamos antes que a distância novamente nos pedisse esperar. Esperaríamos, sabíamos os dois que sim. Eu por ele, também ele por mim. De inicio, muitos telefonemas e algumas exasperadas declarações. Depois, um distanciamento necessário para a espera se cristalizar em verdadeira fé. Assimilar toda força necessária para daí nunca e jamais permitir o apagamento gradual feito em  lampejo incandescente sentido também pelo peito dilatado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;É assim que cada letra que não principiarei desfiar e desafiar desd'aqui, seja a narrativa, enfim, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;corpus&lt;/span&gt; integralmente verdadeiro, integralmente ficcional, entretecerá acontecimentos de a pouco mais de um ano, tempo em que eu esperarei também com olhos bêbados ao calendário, contando meus os dias para a volta de quem partiu. Quiçá eu logre confirmar tudo isso a realmente permanecer na mesma página em que paramos o livro de nossa vida. Que, claro, haverá apêndices nestas histórias, mas que voltaremos juntos a nos escrever numa mesma página e período deste livro que é nossa vida, a despeito de longos devaneios narrativos para que nos reencontremos novamente. Quando da sua partida combinamos algo para o retorno, que era nosso prazer literário a ser enfim consumado.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Dizer como o conheci, o que falamos pela primeira vez e o que mais o impressionou em mim ou o que mais me atraiu nele, tudo isso é imediatamente dispensável e se perceberá quando o prosseguimento destas linhas já for capaz de trazer-nos à vida, através de palavras que vão exatamente constituir o que nos tornamos neste desenho das letras sobre a superfície da página. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Pois que antecipar os acontecimentos, desde logo, seria como escrever algum tempo já passado (isso seria certo tanto em um quanto no outro, bem como no amor dos amantes dessa fé amorosa), e eles jamais se arrependeriam de esperar. Tomar-se-iam nos braços e, novamente abraçados pela vida, saudariam toda dívida na proximidade que ali os disporia numa mesma paginação narrativa. Configurariam, então, as frases ora de carinho, ora de sarcasmo, ora de confluência e confissão e também por ora variáveis em todas essas tonalidades, de modo a nunca saturar em tédio obsoleto toda a muita conversa que ainda muito à frente teriam por compartilhar. Palavra por palavra reescreveriam vívido o amor a cada toque da pele. E a cada abraço do corpo, em despedidas e reencontros, ambos assinaríamos a táctil letra nessa prosa amada que, da mesma forma riscada em cada um de nós, reúne a pleno verso consumado o texto corpóreo através do qual sempre escrevemos a palavra amor e nela o amor com que nós amamos. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size:8;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;D.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size:8;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2404239694089399185-7610858240513815177?l=ofiscinio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiscinio.blogspot.com/feeds/7610858240513815177/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2404239694089399185&amp;postID=7610858240513815177&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/7610858240513815177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2404239694089399185/posts/default/7610858240513815177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiscinio.blogspot.com/2008/02/maquinagem.html' title='A maquinagem de uma Rayuel - O - Matic'/><author><name>d. de davis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01032986275721338567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/Smo2m8gvUVI/AAAAAAAAAXQ/v7Cnmc_f6f8/S220/davis.obar+-+C%C3%B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/R6Io4cVDO1I/AAAAAAAAAKI/5rOL60wbglM/s72-c/c%C3%A9libe.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2404239694089399185.post-1572138316165670001</id><published>2008-01-31T02:50:00.000+07:00</published><updated>2008-01-31T02:52:17.879+07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-twrYUP8VbE/R6DVW8VDOzI/AAAAAAAAAJ4/krZU06Z0QEw/s1600-h/4uksum8[1].jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5161359763094846258" style="DISPLAY: block; 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